Lista | Os melhores jogos dos X-Men

X-Men é sinônimo de confusão. Nos quadrinhos isso já está estabelecido há décadas e o cinema corre atrás dessa complexidade cronológica, apenas seguindo a tradição. Com os games isso não poderia ser diferente. De 1989 para cá, mais de trinta jogos foram lançados para as mais diversas plataformas, pelos mais diferentes desenvolvedores, com os mais inimagináveis crossovers e as mais distintas qualidades. Tentando contemplar cerca de um terço desta longa e confusa lista, resolvemos estabelecer os dez melhores games dos mutantes nessas quase três décadas. O critério? A influência de cada jogo na base de fãs, sua fidelidade com o universo e a necessidade de ter X-Men no título. Confuso? Convenhamos, não poderia deixar de ser. E é claro que não há ordem hierárquica. Decida você qual desses é o melhor game dos mutantes. Vamos a eles:

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The Uncanny X-Men (1989 – NES – LJN)

O primeiro tem seu valor…por ser o primeiro. Não se trata de um grande game, talvez X-Men Madness in Muderworld e sua sequência, The Fall Of The Mutants, ambos feitos pela Paragon Software na mesma época, sejam tão podres quanto. Mas o game feito para NES tem seus momentos de brilho, contempla Ciclope, Wolverine, Tempestade, Noturno, Homem de Gelo e Colossus, um modo multiplayer e vilões clássicos como chefões. Como primeira sensação de ser um X-Men, é razoável.

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X-Men (1992 – Arcade – Konami)

Um dos beat’em ups mais famosos e que abriria brecha para uma sequência de jogos dos mutantes neste gênero. No melhor estilo Justiceiro feito pela Capcom, o X-Men da Konami é repetitivo, viciante e cheio de personagens icônicos, tanto que foi disponibilizado no começo da presente década para jogadores de Playstation 3 e Xbox 360. O grande destaque, porém, vem para a possibilidade de jogar em até seis jogadores em versão feita pela desenvolvedora japonesa. Seis! Se um jogo hoje é lançado para seis jogadores off-line, certamente seria categorizado como revolucionário. Um forte candidato a melhor game da história desses personagens.

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X-Men (1993 – Mega Drive – Sega)

Seguindo na esteira do sucesso da arte de Jim Lee e do desenho animado que marcou uma geração, X-Men de 1993 traz apenas Gambit, Wolverine, Noturno e Ciclope em uma ação de plataforma que se destaca por aproveitar os poderes únicos de cada herói. Sua sequência Clone Wars seria ainda mais memorável, com melhores gráficos, trilha sonora e novos personagens. Era o máximo de realismo que os games conseguiam alcançar na época, e até hoje consegue divertir quem se dispõe ao gênero utilizado

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X-Men: Mutant Apocalypse (1994 – SNES – Capcom)

Este é O JOGO dos X-Men. Isso não é minha opinião. É um simples fato. Tem até um enredo que fazia questão de ignorar para ouvir a melhor música de menu de todos os tempos. Você fala em Wolverine e eu penso neste Wolverine, quebrando o vidro e pulando na fase cheia de inimigos genéricos a serem retalhados ao som do alarme tocando. Há ainda Ciclope, Gambit, Fera e Psylocke, com sua fatal rasteira. E era um game difícil, que utilizava a boa variedade de gameplay entre os cinco personagens graficamente exemplares, que também respondiam bem aos comandos. Além da necessária luta com Magneto, Omega Red e o próprio Apocalipse davam as caras. Que game!

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X-Men: Children Of The Atom (1994 – Arcade, PC, Playstation, Sega Saturn – Capcom)

Você já se deparou com Children Of The Atom de alguma maneira. X-Men traduzido para o gênero de luta pela empresa que trouxe Street Fighter é sinônimo de sucesso. Ainda que com personagens obscuros como Spiral e Samurai de Prata, o jogo continua sendo um absurdo de diversão até hoje, mesmo porque utilizar tais personagens não é um erro em si. Afinal, é neste game que controlamos pela primeira vez em nossas vidas uma Sentinela, congelamos os vilões com o Homem de Gelo e ouvimos o clássico Berserker Barrage de Logan. Tudo em cenários para lá de cuidadosos.

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X-Men vs. Street Fighter (1996 – Arcade, Sega Saturn, Playstation – Capcom)

Utilizando do mesmo design sensacional utilizado anos antes em Children Of The Atom e em Marvel Super Heroes, outro clássico lançado um ano antes, a Capcom faz o tão esperado crossover de sua principal marca com os mutantes. Marvel vs Capcom tem certamente suas origens aqui, nesse início de cruzamentos de franquias nesse gênero ali dominado pela desenvolvedora japonesa.

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X-Men: Next Dimension (2002 – GameCube, Playstation 2 e Xbox – Midway Studios)

Confesso que não suporto este aqui. Com o design inspirado nos Novos X-Men de Grant Morrison e nos filmes de Bryan Singer, gráficos 3D e dois antecessores com outro nome, Next Dimension veio para aproveitar a moda que a primeira trilogia causava. Vários personagens, novo story mode e os ares modernos do Playstation 2 deram a esse game um lugar no rol dos games mutantes. Combos e a jogabilidade típica da época, que até os maiores sucessos de games de luta tiveram sua dose, deixam o game datado, mas não esquecido. Infelizmente.

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X-Men: Legends II: Rise of Apocalipse (2005 – Playstation 2, Xbox, GameCube, PC – Raven Software)

Eis um jogo que me arrependo de não ter zerado. O primeiro Legends foi um merecido sucesso, misturando uma história clássica com um rpg de ação para até quatro jogadores. Uma verdadeira diversão em jogar, principalmente com um grupo de amigos. Legends II aumenta o escopo da história, melhora gráficos e mecânicas de gameplay e traz a possibilidade de jogar com inimigos clássicos na união contra o maior vilão dos mutantes. Dos wallpapers fantásticos aos chefões, dos combos dos personagens às cutscenes cinematográficas, Legends II estabelece um padrão para esse tipo de jogo que logo seria seguido em Marvel Ultimate Alliance. Por mais que traga caos visualmente, é um game que envelhece relativamente bem e que pede uma sequência para fechar uma trilogia com a tecnologia de hoje.

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X-Men: The Official Game (2006 – Playstation2, Xbox, Xbox 360, Nintendo DS, GameCube, PC e Gameboy Advance – Z-Axis Games)

Como defender este game? Certamente é melhor que o terceiro filme da franquia, mas isso significa nada. A presença dele aqui se justifica, ou tenta se justificar, pelas novidades na mecânica. É um game beat’em up de X-Men traduzido nos gráficos dos anos 2000 com apenas três personagens curiosamente escolhidos e separados por histórias e mecânicas próprias: Homem de Gelo, Noturno e, evidentemente, Wolverine. O gameplay em si pode ser porco, mas a tentativa de retomar os melhores games de X-Men, lançados em meados dos anos 90, utilizando-se também de poucos personagens e apostando no teleporte de um, na dinâmica de outro e no hack’n slash do terceiro é algo a ser louvado. Faz dez anos que a última tentativa válida de retomar os X-Men como equipe, em um game ao estilo clássico, aconteceu. De lá para cá, só desgraça, com uma surpreendente exceção.

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X-Men Origins: Wolverine (2009 – Playstation 2, Playstation 3, Xbox 360, Wii, PSP, Nintendo DS e PC – Raven Software)

Nosso Ritter Fan já destrinchou o game em sua crítica, mas não custa louvar esse hack n’ slash honesto, que melhora consideravelmente o filme em que é baseado. Três meses depois de seu lançamento, a Rocksteady Studios revolucionaria os games baseados em quadrinhos com Batman: Arkham Asylum. X-Men Origins: Wolverine fica como um último capítulo de uma franquia esquecida, que teve outras tentativas como X-Men Legacy, dignas de serem ignoradas. Será que algum dia voltaremos a ver um jogo que honre a mitologia que carregue?

ANTHONIO DELBON . . . Ressentido como Vegeta, não suporto a beleza nos outros. Escondo minhas taras em falsas profundidades e não titubeio em dizer um taxativo não aos convites para experimentar os gostos do mundo. O mundo tem gostos demais, livros demais, críticas demais. Escrevo porque preciso – viver, não sobreviver - e viajo fluidamente sem sair do lugar. Na madrugada, nada melhor do que a guitarra de Page ou a voz de Yorke para lembrar da contingência do pó, ainda que nossa tragicômica vida mereça ser mantida, seja por distração ou por vício, como diria Cioran.