Lista | Os Nossos 5 Livros Favoritos

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Depois de trazermos para vocês os nossos 5 filmes favoritos, é a vez de falarmos das nossas leituras. A presente lista traz os 5 LIVROS FAVORITOS (perceba: favoritos, não [necessariamente] melhores) da equipe do Plano Crítico, considerando todos os ramos da literatura, não apenas romances ou obras de ficção.

Cada um dos membros do site escreveu uma justificativa para os livros escolhidos, caso você tenha curiosidade em saber por quê determinada obra foi importante para nós. Após a leitura da lista, não deixe de comentar sobre o que achou das nossas escolhas e faça também a sua lita de 5 livros favoritos, comentando um pouquinho sobre sua relação com esses livros!

Luiz Santiago
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Ler sempre foi uma das minhas grandes paixões. Sempre. Quando criança, adorava ler quadrinhos da Turma da Mônica e da Disney (era fanático pelas histórias com os três sobrinhos do Pato Donald) e tinha um livro chamado O Cuco que eu simplesmente não largava. Na adolescência passei muito tempo lendo aqueles livros voluptuosos da Coleção Sabrina ou Júlia (não me julguem), até que descobri três autores nos quais eu me viciaria tremendamente e que passaria a adolescência quase toda lendo livros deles: Júlio Verne (comecei com Um Capitão de 15 Anos), Agatha Christie (comecei com O Homem do Terno Marrom) e Sidney Sheldon (comecei com O Outro Lado da Meia Noite  e sim, eu era adolescente, mas acho que foi por isso que adorei o ator, por toda a sacanagem nos livros dele… hahaha). Nesse meio tempo veio a saga Harry Potter, que foi mais que um vício, foi uma fantasia de que aquilo ia acontecer comigo — eu tinha 12 anos quando A Pedra Filosofal foi publicado no Brasil, em janeiro de 2000 — e, compassadamente, as minhas leituras visitaram outros cenários, outros autores e estilos. Por isso é um prazer enorme fazer uma lista com este tema. Tendo passado praticamente a vida quase toda lendo, desde quando eu não sabia ler de verdade mas adorava ouvir histórias e inventar coisas para os desenhos do livro O Cuco ou para os quadrinhos da Turma da Mônica, é bem interessante sentar e pensar dentre tantos, quais são os meus 5 favoritos. Vamos lá.
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#1 — Grande Sertão: Veredas

Guimarães Rosa

Brasil, 1956

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Antes de Grande Sertão eu só tinha lido Corpo de Baile, do Guimarães Rosa. Mas isso tinha sido muito tempo antes. Eu havia gostado muito da escrita inventiva, raiz, demasiadamente humana do autor, mas não procurei mais nada para ler, até que, por acaso, resolvi comprar uma edição do livro que encontrei em promoção numa livraria. É engraçado como a gente descobre alguns livros, como conhecemos as obras que, sem saber, serão as nossas favoritas. Lembro muito bem da minha reação nas primeira páginas. Era uma confusão imensa, mas era um prazer enorme tudo aquilo. Aquele ambiente sertanejo, aqueles personagens que em uma página traziam tanta profundidade que eu mal podia acreditar. E eu praticamente devorei a obra a partir daí. E fiquei completamente apaixonado por ela quando terminei. A propósito, este é o único livro que eu já reli na vida. Duas vezes.

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#2 — O Mestre e a Margarida

Mikhail Bulgákov

União Soviética, 1928 – 1941

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A primeira vez que eu ouvir falar nesse livro e em seu autor foi em um fórum sobre séries de TV de várias partes do mundo. Um dos membros havia postado sobre a adaptação para a TV russa de um certo livro escrito entre 1928 e 1941 e que misturava literatura, demônios, história de Jesus, críticas ao stalinismo, etc. Meu sensor de curiosidade foi ativado e eu tive a sorte de a obra ter sido, na época, recém (re)lançada no Brasil pela Alfaguara (isso foi em 2010) e não perdi a oportunidade. Ler O Mestre e a Margarida é como ser surpreendido por praticamente tudo de bizarro, cômico e crítico que você possa imaginar em uma trama onde o próprio Satã e alguns amigos deles veem à Terra, especialmente à Rússia de Stálin. E a forma como o autor mistura elementos demoníacos com crítica social e à própria literatura é algo inacreditável. Para mim, um dos melhores livros de todo o século XX.

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#3 — Incidente em Antares

Érico Veríssimo

Brasil, 1971

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É por causa dessa obra-prima da nossa literatura que até hoje eu olho com desconfiança para um coreto de praça. Eu ainda estava no colégio quando li esse livro, não me lembro direito se no 1º ou 2º ano do Ensino Médio. E só li porque queria impressionar uma garota que estava paquerando. Por acaso eu a ouvi falar com a “tia da biblioteca” (a.k.a. Professora Godzilla) sobre os mortos e não sei o quê dos mortos, e morto pra lá e morto pra cá. Peguei o volume e comecei a ler freneticamente, porque queria citar isso em uma das nossas conversas na hora do intervalo. Mas a leitura inicialmente por um outro interesse virou uma febre. Eu não conseguia largar o livro e a cada página me deparava com uma loucura, situação que ficaria cada vez mais estranha à medida que o livro chegava ao fim. Esta foi a única vez que eu li algo para impressionar alguém, mas digo que valeu 100% a pena. A obra se tornou uma de minhas favoritas.

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#4 — Cem Anos de Solidão

Gabriel García Márquez

Colômbia, 1967

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Quando eu terminei de ler Os Reis Malditos, de Maurice Druon, eu estava apaixonado pela ideia dos romances históricos, com seu desenvolvimento ao longo de um grande período de tempo e com abordagens culturais e sociais. Em conversa com um grande amigo, perguntei se ele conhecia alguma obra que tivesse o mesmo estilo e ele me indicou Cem Anos de Solidão, o romance que eu demorei mais tempo para ler um toda a minha vida. A história aqui é arrebatadora e os pontos de fantasia misturados com política e diversos elementos históricos da América do Sul me encantaram de imediato. O grande problema aqui é a maldita árvore genealógica da família Buendía. Eu cheguei a comprar um caderninho para fazer anotações de quem era filho de quem e com quem, porque senão era impossível seguir lendo. A obra é um verdadeiro exercício de memória, especialmente quando as gerações começam a se encontrar. Aí o bicho pega. Hoje existem edições com a árvore genealógica pronta, vejam que maravilha! Um convite a mais para quem não leu correr e ler essa maravilha!

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#5 — O Dia do Curinga

Jostein Gaarder

Noruega, 1990

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Depois da febre de O Mundo de Sofia, Jostein Gaarder se tornou um autor acessível no Brasil, com basicamente toda sua obra publicada pela Cia. das Letras. Eu comecei em seu universo a partir do já dito Mundo de Sofia e depois segui com O Pássaro Raro, O Livro das Religiões, Vita BrevisMaya e O Castelo nos Pirineus. Como se vê, eu gosto muito o autor. Então, depois de já passar por algumas de suas obras, cheguei a este que considero o seu melhor livro, um dos relatos mais incríveis sobre uma viagem de encontro à realidade, à filosofia e à fantasia. Eu me senti como o garoto Hans-Thomas, ao lado de seu pai, indo na Noruega à Grécia em busca de algo muito especial. Este é o único dos meus favoritos que eu possivelmente releria, além, é claro, do meu favorito de todos, Grande Sertão.

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Ritter Fan
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Assim como mencionei em meus comentários na lista de 5 filmes favoritos, a lista abaixo reflete meus livros favoritos, não necessariamente os melhores livros que li na vida. Seriam os livros que, se eu tivesse que escolher para salvar de um incêndio, eu salvaria.

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#1 — A Origem das Espécies

Charles Darwin

Reino Unido, 1859

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Sempre tive um lado secreto de cientista. Apenas quando cresci um pouco é que reparei que era burro demais para estudar o necessário para ser um. Afinal, ficava no recreio de castigo fazendo tabuada de multiplicação, o que de cara descartou minha ambição de, um dia, descobrir o que raios significa E=MC2. Mas um familiar próximo é um cientista (diria até que maluco) e, uma vez, ainda quando eu tinha tenra idade, o que significa algo lá pela metade do século XX, ele me presenteou com uma bela edição ilustrada em papel de gramatura alta de A Origem das Espécies, de Charles Darwin. Claro que eu não fazia ideia da importância desse livro, mas as ilustrações me cativaram, além da tentativa desse meu familiar em me explicar a “moral da história”. Anos depois, sempre com esse livro em destaque em minha estante (para tirar onda, lógico), resolvi me enfronhar em seu conteúdo e, para minha surpresa, fiquei mais fascinado ainda com o trabalho de Darwin. O livro não é exatamente for dummies, mas eu já tinha neurônios suficientes para fazer as conexões necessárias e perceber o quão valioso era aquela obra que tinha em mãos. Mesmo hoje, apesar de ter enveredado por caminhos não científicos, eu consulto o livro e mostro para minhas filhas, especialmente com as discussões absurdas que ouço por aí sobre o “criacionismo”. Mas isso fica para uma outra história…

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#2 — Seis Personagens à Procura de Um Autor

Luigi Pirandello

Itália, 1921

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Trata-se de uma peça de teatro do autor italiano Luigi Pirandello, escrita em 1921. Quando a li pela primeira vez, o fiz em inglês, como parte de um dos vários cursos de literatura que já fiz nessa língua. E, de todas as peças que li e reli, essa é a que mais tenho gravada em minha mente. Seja pela metalinguagem, seja pelos fascinantes personagens, essa história – que conta exatamente o que o título descreve – é um dos mais fantásticos exemplares do Teatro do Absurdo e merece um lugar de destaque na estante de todos.

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#3 — O Alienista

Machado de Assis

Brasil, 1882

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Confesso que nunca fui muito fã de Machado de Assis e meu primeiro contato com O Alienista se deu por intermédio de uma peça de teatro que assisti em priscas eras. Não lembro de ter tido uma boa experiência no teatro, mas lembro vivamente de a apresentação ter plantado uma sementinha que, tempos depois, me fez catar esse “conto estendido” do autor e, ato contínuo, ser engolido pela incrível narrativa do Dr. Simão Bacamarte e sua Casa Verde. Inesquecível do começo ao fim. E atual. Muito atual!

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#4 — O Velho e o Mar

Ernest Hemingway

Estados Unidos, Cuba, 1952

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Esse foi um dos livros favoritos de meu pai, que lia desde romances trash até obras consagradas. Meu primeiro contato foi na forma do “você tem que ler isso” o que, claro, me fez colocar o livro na estante e nunca mais abrir. Meu segundo contato – e terceiro, quarto e por aí vai – se deu com meu pai consistentemente insistindo que eu lesse. Mas, como os pais não sabem de nada, me recusei. Afinal, se ele gostava, devia ser chato pacas. Mas, claro, quando finalmente li, pude constatar como eu fui idiota. De toda forma, tudo bem. Talvez o livro exija muito do leitor que, se for muito jovem, pode não pescar (ahá!!!) todas as referências. Tente, pois esse Hemingway irá fisgá-lo (ahá novamente!!!).

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#5 — Duna

Frank Herbert

Estados Unidos, 1955

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Em 1984, assisti Duna, de David Lynch e não entendi patavinas. Fiquei encucado com as magníficas imagens e com a imaginação do roteiro, mas não muito mais do que isso. Até que um dia, na biblioteca do meu curso de inglês, descobri que havia a coleção quase completa dos livros de Frank Herbert em português. E foi aí que eu pude ver de onde aquela maluquice toda de Lynch tinha surgido e entender que Lynch, na verdade, tinha se segurado, pois a obra de Herbert é muito mais maluca ainda (sempre fico pensando o quão lisérgico teria sido o filme por Jodorowski). Não. Maluca não. Fenomenalmente inebriante. É, sem dúvida, uma das mais densas e imaginativas obras de ficção científica que já tive a oportunidade de ler. O grande problema é que ele é o primeiro de uma gigantesca série, com cinco continuações escritas pelo autor e que já li e mais um monte de outras continuações e prelúdios escritos por outro autor que nunca tive coragem – ou vontade – de ler.

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Karam

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Observação importante: não sou exatamente o que podemos chamar de “leitor voraz”. Não li inúmeros (inúmeros mesmo) livros e autores clássicos, muitos dos quais em teoria seriam considerados “obrigatórios”. Confesso que consumo muito mais Música e Cinema, embora passe longe de adentrar no “campo obsessivo do conhecimento”, mesmo em relação a estas duas paixões cruciais. A Literatura, por incrível que pareça, acabou ficando em “terceiro plano” em minha Escada de Prioridades da Arte. Mas tudo bem! Não nasci para ser referência. De qualquer maneira, achei que seria bacana participar dessa lista – e é por este simples e singelo motivo que aqui estou. Lá vai.
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#1 — Um Sopro de Vida

Clarice Lispector

Brasil, 1977

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Um turbilhão de pensamentos vorazes – sim, famintos! – jamais saciados. Pelo contrário: é a própria escrita que reverbera a ânsia destes pensamentos, e os reverbera em níveis altíssimos, no limite do suportável. É a urgência de traduzir os “ecos da alma” em palavras, em construções de frases miraculosas – não só no âmbito dos significados expressos, mas também na sonoridade particular de uma classe distinta, a classe a qual pertence a “Gramática Lispectoriana” – que transforma Um Sopro de Vida num atestado do quão reveladora pode se mostrar a existência humana – mesmo quando ela se esconde devido ao medo que tem do próprio conceito que a define: existir. Isso é mais que literatura.

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#2 — O Retrato de Dorian Gray

Oscar Wilde

Reino Unido, 1890

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Os únicos artistas agradáveis que conheci pessoalmente são maus artistas. Bons artistas existem simplesmente naquilo que fazem, e portanto são completamente desinteressantes por si mesmos. Um grande poeta, um poeta grande de verdade, é a menos poética das criaturas. Mas poetas menores são absolutamente fascinantes. Quanto piores as rimas, mais pitorescos parecem. O mero fato de ter publicado um livro de sonetos de segunda torna um homem irresistível. Ele vive a poesia que não é capaz de escrever. Os outros escrevem a poesia que não ousam realizar”, de Lorde Henry para Dorian Gray. Ou melhor: de Oscar Wilde para Leitor.

Presentão, hein?

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#3 — Como a Geração Sexo, Drogas e Rock n’ Roll Salvou Hollywood

Peter Biskind

Estados Unidos, 1998

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Scorsese, Coppola e outros diretores revolucionários que, no final da década de 60, constituíram a nova Hollywood têm suas vidas profissionais e pessoais expostas em relatos corajosos – e divertidíssimos! Uma reportagem abrangente, que inclui diretores, roteiristas, executivos, críticos, sexo, drogas, rock n’ roll e muito, muito Cinema da melhor qualidade.

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#4 — Noites Tropicais

Nelson Motta

Brasil, 2000

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Percorrendo décadas de música brasileira, de João Gilberto a Skank, este livro é indispensável para quem ama MPB… e obras extraordinárias.

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#5 — Música na Noite

Aldous Huxley

Reino Unido, 1931

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Os ensaios que compõem este livro foram escritos entre as décadas de 20 e 30. Agora, tendo isso em mente, prestem atenção na passagem que se segue: “O fato de que as pessoas ficam chocadas é a melhor prova de que elas precisam ser chocadas. Seus reflexos foram condicionados de forma errada; elas deveriam receber uma sequência de choques até que o condicionamento se desfizesse. A teoria, tenho certeza, é psicologicamente sólida. Mas colocá-la em prática é difícil. A cada soar do familiar sino “pornográfico”, os farejadores de obscenidades condicionados ao pensamento correto espumam. E infelizmente eles estão numa posição que lhes permite fazer mais do que espumar; eles estão numa posição que lhes permite abrir as nossas cartas, confiscar os nossos livros e queimar os nossos quadros”, de Para o Puritano, Todas as Coisas São Impuras. Calcule a distância entre o ano em que este ensaio foi publicado, 1931, e o ano em que estamos agora: 2015.

…Reflita.

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Anthonio Delbon

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#1 — 1984

George Orwell

Reino Unido, 1949

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Quando peguei a velha versão do meu pai para ler fui sem muitas pretensões. Era mais um clássico a se conhecer, nada mais do que isso. Mas foi 1984 que me pegou. E de jeito. Não consegui parar de ler e nunca senti tanto um universo descrito saltar das páginas e me fazer sentir tão mal – ainda bem! Não preciso repetir porque o livro de Orwell é o clássico que é. Duplipensar, patofalar, novilíngua… são mais do que meros conceitos e representam intensamente uma humanidade em um suposto futuro distópico. O livro é incrível e certamente Winston também perceberia que “os melhores livros são os que dizem o que já se sabe”.

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#2 — O Dia do Curinga

Jostein Gaarder

Noruega, 1990

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O livro favorito da minha infância que só melhorou após releituras em tempos recentes. O que escolhi para fazer da vida teve, certamente, sua semente literária plantada nesse livro. Das bebidas púrpuras, dos pãezinhos, da ilha dos anões até a própria disposição de capítulos, seguindo os naipes do baralho tradicional, O Dia do Curinga é uma leitura simples e deliciosa.

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#3 — As Intermitências da Morte

José Saramago

Portugal, 2005

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Foi meu primeiro livro de Saramago e rapidamente me apaixonei por ele. O jeito peculiar da escrita incomoda muita gente, mas meu gosto se encaixou perfeitamente. A greve da morte não só traz uma narrativa interessante e cheia de nuance como também quebra um pouco o tabu da morte que parece estar presente hoje em dia.

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#4 — A Dança dos Dragões

George R. R. Martin

Estados Unidos, 2011

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Tormenta de Espadas é certamente o livro mais frenético, mas A Dança dos Dragões traz muitos dos meus momentos favoritos de toda a série, principalmente no que se refere ao Norte. Cenas mais íntimas, volta aos lugares conhecidos, flashbacks inesperados, profecias… reviravoltas. Tudo de melhor de R.R. Martin está aqui, inclusive uma tonelada de novos nomes e algumas narrativas confusas. Também ajuda o fato de tê-lo lido completamente sem spoilers, o que não aconteceu com os outros.

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#5 — Noites Brancas

Fiódor Dostoiévski

Rússia, 1848

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Noites Brancas está longe de ser o maior ou mais denso livro de Dostoiévski, mas como um preparo para os grandes clássicos do autor russo, o guardo com muito caminho, assim como O Sonho de Um Homem Ridículo. Mesmo sendo uma história curta, praticamente um conto, há algo aqui de afirmação à vida, de aceitação mas também de reação que traz algumas boas reflexões se lida com atenção.

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Gisele Santos

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#1 — Barba Ensopada de Sangue

Daniel Galera

Brasil, 2012

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O livro mais recente da minha lista é perfeito para quem ama aventuras, praias e histórias fantásticas. Barba Ensopada de Sangue me conquistou primeiro pelo título forte, segundo pela forma como Daniel Galera conduz a história de um homem sem nome que busca seu passado, e por último, por ser ambientado em uma das regiões que eu mais amo, o litoral catarinense, mais precisamente Garopaba, Guarda do Embaú e Pinheira.

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#2 — 1984

George Orwell

Reino Unido, 1949

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Um clássico que nos mostra que sim, sempre estamos sendo observados. Não importa o que fazemos, não importa onde estamos. George Orwell cria aqui um universo único, onde um Grande Irmão tudo vê e acompanha a vida de um funcionário do sistema que aos poucos percebe que existe muita coisa errada por trás de toda essa fachada.

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#3 — O Iluminado

Stephen King

Estados Unidos, 1977

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A primeira vez que li esse livro tinha 16 anos e me marcou de uma forma que o reli inúmeras vezes ao longo da vida. Um terror psicológico que contagia, que a cada página transporta você para o Hotel Overlook mal assombrando e para os sonhos de Danny. Afinal, quem nunca sentiu medo do escuro ou de um corredor extenso. O filme depois só aumentou ainda mais o meu amor por esse livro.

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#4 — Dom Casmurro

Machado de Assis

Brasil, 1899

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O grande mistério da literatura nacional não poderia ficar de fora da minha lista. Afinal, Capitu traiu ou não Bentinho com Escobar? Sinceramente, eu ainda acho que não, mas isso pouco importa nessa narrativa que mesmo depois de tantos anos é atual e cheia de poesia. A versão para a televisão feita pela Globo em 2008 (Capitu) trouxe esse clássico de novo para as prateleiras dos jovens.

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#5 — Rota 66 – A História da Polícia que Mata

Caco Barcellos

Brasil, 1992

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Caco Barcellos sempre foi uma referência para o jornalismo nacional. E quando eu era uma estudante e queria seguir carreira dentro do jornalismo investigativo (sim, todos nós sonhamos com isso mas desistimos logo ali) ele era o meu guru. Meu pai tinha ganhado esse livro de presente e nunca tinha aberto. Nas primeiras páginas senti que era aquilo que queria fazer da vida. Mesmo não seguindo os passos de Caco seu trabalho investigativo é perfeito, contando os assassinatos cometidos pela Polícia de São Paulo. Emocionante, necessário, e infelizmente, muito atual.

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Melissa Andrade

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Faço essa lista sob protesto. Acho o fim ter que definir qualquer coisa nessa vida em listas, apesar de adorá-las. Mas apenas cinco itens, de qualquer coisa, é demais para a minha cabeça. Porque quando lembramos de um item, ele automaticamente puxa outro e fica difícil medir o “gostar” entre um e outro. Por isso, os livros escolhidos por mim não são os maiores clássicos da literatura e nem almejaram isso. Apenas me comoveram de algum modo, li e reli algumas vezes e me deixaram pensando mesmo semanas depois de ter virado a última página. E no fim, esse é o maior objetivo de um livro. Não ser esquecido. [indicações sem ordem de preferência].

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#1 — A Inspetora e as Luzes no Morro das Borboletas

(Livros da Inspetora)

Santos de Oliveira

Brasil, 1974

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Foram os primeiros livros que li quando criança. Uma leitura simples, mas envolta em mistério e quebra-cabeças, onde um grupo de amigos que montaram a Patota da Coruja, um tipo de grupo de detetives desvendava segredos e mistérios em uma pequena cidade do interior. Destaco A Inspetora e as Luzes no Morro das Borboletas. Resumindo, uma espécie de Agatha Christie para crianças. Só que não tão longo. Pena não encontrar para comprar já que a editora (maldita Ediouro!) descontinuou e se tornaram raros. Ao são mais de 30 livros e acho que cheguei a ler metade deles.

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#2 — Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban

J. K. Rowling

Reino Unido, 1999

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Harry Potter é uma das minhas séries favoritas de todos os tempos. Sim. Me deixem. Dentre todos os livros lançados esse é o meu favorito porque acho que é o ponto em que o trio, e principalmente o Harry, descobrem que as coisas só tendem a piorar dali para frente. É o momento, ao menos no meu ver, que eles foram obrigados a crescer de vez e encarar os fatos da vida. Que nem sempre os bons vencem. E ele encontra o Sirius e como não ficar feliz pelo menino orfão?

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#3 — Perdão, Leonard Peacock

Matthew Quick

Estados Unidos, 2013

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Sabe soco no estômago? Foi isso que senti enquanto lia esse livro. O autor, Matthew Quick, consegue colocar situações, aparentemente corriqueiras, sob outro ponto de vista. Nos faz pensar quantas vezes olhamos para uma pessoa sem vê-la direito, apenas enxergando aquilo o que queremos ver.

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#4 — Us

 

David Nicholls

Reino Unido, 2014

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David Nicholls tem uma habilidade incrível para escrever desgraças de modo cômico. Na verdade, ele consegue falar de relações como ninguém. E esse livro mostra que nem todo o esforço do mundo, como uma viagem longa pela Europa, consegue remendar o que está quebrado. Mistura capítulos tristes com outros divertidos numa linguagem fácil e que flui até o final.

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#5 — Os Escolhidos

F. Paul Wilson

Estados Unidos, 1994

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Não é um livro muito conhecido, mas acabei lendo-o em uma noite e foi a primeira vez que tive essa experiência com um livro. Lembro bem que tinha prova no dia seguinte e fui dormir lá pelas duas da madrugada. A narrativa é envolvente e a história mais ainda. Calouros numa prestigiada faculdade de medicina começam a ter o mesmo comportamento e aqueles que não agem assim, não sabem a causa disso. Um jogo de gato e rato e não se sabe quem está caçando e quem está sendo caçado.

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Guilherme Coral

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#1 – O Vampiro Lestat

Anne Rice

Estados Unidos, 1985

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Anne Rice revolucionou com seu romance de estreia, Entrevista com o Vampiro, mas foi sua sequência, O Vampiro Lestat que me cativou de vez, introduzindo como protagonista seu melhor personagem. Ler a história de Lestat é simplesmente apaixonante, uma aventura que nos leva do século XIX até a atualidade, com uma visão sobre a sexualidade que é rara até mesmo hoje em dia.

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#2 – A Vida, O Universo e Tudo Mais

Douglas Adams

Reino Unido, 1985

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A série O Mochileiro das Galáxias me tem como grande fã, mas nada, simplesmente nada supera um planeta povoado por colchões (que flopam) e uma raça de alienígenas que quer destruir o universo simplesmente porque não concebem qualquer vida além daquela em seu planeta. Douglas Adams é um gênio.

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#3 – Drácula

Bram Stoker

Reino Unido, 1897

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Mesmo já tendo assistido dezenas de adaptações cinematográficas antes de ler o livro não pude deixar de me apaixonar por Drácula. Sua estrutura que busca emular cartas ou registros no gramofone é completamente engajante, nos colocando em diversos pontos de vista vulneráveis que cada vez mais aumentam o suspense do livro. Ainda que minha parte favorita seja a de Jonathan Harker no castelo não posso deixar de ter toda essa obra em minha memória.

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#4 – O Temor do Sábio

Patrick Rothfuss

Estados Unidos, 2011

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Lembre-se de que há três coisas que todo sábio teme: o mar na tormenta, uma noite sem luar e a ira de um homem gentil.

A saga de Kvothe, iniciada em O Nome do Vento, traz um tom aventuresco difícil de ser encontrado por aí. Focado unicamente em um protagonista, o livro oscila entre presente e passado a fim de nos deixar cada vez mais ansiosos pelo que está por vir. Patrick Rothfuss trabalha perfeitamente o engajamento do leitor, que a cada página pede por mais. Além disso, suas criações do mundo da fantasia são simplesmente geniais e criam um mundo vivo e rico, no qual conseguimos acreditar.

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#5 – O Silmarillion

J.R.R. Tolkien

Reino Unido, 1977

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Embora não seja um livro terminado por Tolkien, O Silmarillion é basicamente o cimento que une toda a mitologia da Terra-Média. Nos contando as origens do que viriamos a conhecer em O Senhor dos Anéis, o livro é um verdadeiro teste de fé, especialmente em seu trecho inicial. Conta com capítulos inteiros, páginas e páginas que elevam aos céus o caráter descritivo de Tolkien, que, aqui, chega a descrever a geografia de vales, planícies e etc. Mas como esquecer de Fingolfin cavalgando até os portões de Morgoth e batalhando contra o primeiro Senhor do Escuro?

O Silmarillion requer dedicação, mas é altamente recompensador e certamente marca seu leitor pela eternidade.

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#EscolhaSecretadoGuilherme

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O Cachorrinho Samba na Fazenda

Maria José Dupré

Brasil, 1967

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Como vocês sabem, o Guilherme está no Jardim II. Ele vai todos os dias, com o Tio Ritter Fan, para a escolinha, segurando orgulhosamente sua lancheira do Ben 10 e sua camisetinha do Bob Esponja por baixo do uniforme. Ele gosta muito de uma série da escritora Maria José Dupré, a série do cachorrinho Samba. Na verdade, esses livros que ele indicou aí são só para despistar. Se ele fosse indicar os cinco favoritos DE VERDADE, seriam, na ordem de preferência:

  • O Cachorrinho Samba na Fazenda (1967)
  • O Cachorrinho Samba na Bahia (1957)
  • O Cachorrinho Samba na Floresta (1952)
  • O Cachorrinho Samba Entre os Índios (1965)
  • O Cachorrinho Samba (1949)

Pronto, o segredo dele agora está revelado. Mas ele não vai ver esta lista, porque estará muito ocupado colando macarrão na cartolina, para entregar para a “Tia” da escolinha.

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Handerson Ornelas

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#1 – A Última Batalha – As Crônicas de Nárnia

C.S. Lewis

Reino Unido, 1956

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C.S. Lewis tinha uma forma única de contar histórias. Aqueles que leram toda a saga de Nárnia puderam perceber isso. 7 livros onde Lewis sempre variava os personagens (só Aslam é constante) e apresentava aventuras e contos marcantes, com algumas metáforas do cristianismo. Chegamos no sétimo livro com uma sinopse aparentemente boba, mas extremamente profunda. Um esperto macaco e um ingênuo burro seriam os responsáveis por ameaçar a paz em Nárnia, em uma alegoria sobre fanatismo religioso e alienação. No fim, você revisita vários personagens de toda a saga, servindo como uma espécie de homenagem aos leitores que compartilharam aquelas histórias. Um final que fez muita gente chorar, uma história que, se um dia adaptada ao cinema, vai explodir a cabeça de muita gente.

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#2 – A Droga da Obediência

Pedro Bandeira

Brasil, 1984

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O livro tem nome de auto-ajuda juvenil, mas se trata de um livro de Pedro Bandeira para o público jovem extremamente elogiado. Li quando era criança, em um período da minha vida onde estava com uma paixão enorme por leitura. Pedro Bandeira fez uma espécie de “Saga das Drogas” com os excelentes personagens da turma dos Karas. Por trás de uma história aparentemente ingênua se encontrava uma típica história policial muito bem escrita e com personagens marcantes.

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#3 – O Pequeno Príncipe

Antoine de Saint-Exupéry

França, 1943

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Sei que é clichê demais, mas eu deveria colocar ele aqui. Um dos primeiros livros que me recordo de ler, ganhei de presente de uma prima. Assim como o  gênio Brian Wilson diria que a música pop pra ser boa precisa de um tom infantil, Saint Exupére mostra que a filosofia também deve ter tons mais simples e ingênuos. O carneiro, a flor, a raposa, a serpente, e claro, o jovem Príncipe, serviriam como uma interpretação fabulosa e bastante marcante sobre a vida.

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#4 – O Hobbit

J. R. R. Tolkien

Reino Unido, 1937

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Como você deve ter percebido por essa lista, minha preferência é sempre por uma linguagem mais simples, então literatura juvenil sempre me agrada. E sabendo que Tolkien escreveu O Hobbit para seu filho faz todo sentido sua linguagem bem mais acessível que O Senhor dos Anéis. Falar de O Hobbit e toda a capacidade criativa de Tolkien despensa comentários. O que importa é que toda a saga de Bilbo pela terra média é extremamente bem escrita e desenvolvido.

Obs: Tolkein deveria ter feito um livro só contando uma história sobre Beorn.

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#5 – O Auto da Compadecida

Ariano Suassuna

Brasil, 1955

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A cultura nordestina está cravada na literatura brasileira, seja com Vidas Secas , Os Sertões ou tantos outros. Mas a composição teatral O Auto da Compadecida foi definitivamente uma obra marcante dentro desse tema, tratando de religião, pobreza e regionalismo com extremo bom humor colocando Ariano Suassuna como um dos maiores autores brasileiros.

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#EscolhaSecretadoHanderson

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Em Busca do Tempo Perdido

Adaptação facilitada de Mara Maravilha
Ilustrações facilitadas de Paulo Caruso

Marcel Proust / Mara Maravilha (adaptação)

França, 1913 — 1927 / Brasil (ano não divulgado)

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Handerson se declarou apaixonado pela beleza das ilustrações de Paulo Caruso nas 78 páginas de Em Busca do Tempo Perdido, uma versão adaptada, facilitada e mastigada por Mara Maravilha. Em entrevista ao jornal Gazeta das Palavras, em 2014, Handerson foi enfático em dizer que a redução dos 7 volumes originais da obra de Proust para as 78 páginas da versão ilustrada brasileira mantém toda a magia e profundidade da obra original. Ao final da entrevista, após uma longa demonstração de sapateado e após dedilhar versões simplificadas dos sonetos de Pablo Neruda ao violão, Handerson disse que está sendo financiado pelo portal Plano Crítico para escrever uma versão simplificada em 48 páginas da Ilíada e da Odisseia e que depois ele pretende bater o record, lançando uma versão em tópicos, com apenas 10 páginas, de A Divina Comédia. Os editores-chefe do referido portal, Luiz Santiago e Ritter Fan, não quiseram se pronunciar a respeito.

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Leonardo Campos

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#1 – A Odisseia

Homero

Grécia, século VIII a.C.

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Epopeia que foi transferida para o suporte impresso depois de muitos anos de tradição oral. Ao assistir The Walking Dead, Cold Mountain, Percy Jackson, dentre outros tantos filmes e séries, percebemos a importância dessa obra. A saga do astuto Odisseu está na base da teoria da narrativa ocidental e é um dos relatos mais sensacionais sobre a trajetória do herói. A necessidade de tomar decisões, o perigoso canto das sereias, a fiel Penélope e o desmanche da sua colcha a cada noite, adiando a substituição de Odisseu. Enfim, um clássico obrigatório.

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#2 – Crime e Castigo

Fiódor Dostoiévski 

Rússia, 1866

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Um marco na minha formação como leitor e professor de Literatura. A história de Raskólnikov envolve temas que me atraem, como o existencialismo e a religião. A cena do assassinato envolvendo os protagonistas e a agiota é um dos monumentos literários, em meu ponto de vista, mais cinematográficas que já li. O escritor russo não só “pinta” ou “fotografa” a cena, mas entrega uma página de roteiro cinematográfico de primeira linha. Um livro obrigatório e inesquecível. Não é a toa que já foi utilizado por nomes como Woody Allen, um dos melhores diretores da contemporaneidade.

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#3 – A Vida Como Ela É

Nelson Rodrigues 

Brasil, 1961

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Contos que revelam o lado mais “obscuro” da mente humana. Traição, assassinato, suicídio, desejos sexuais e outros temas considerados tabus ainda na atualidade. Por conta da sua carreira como jornalista policial, Nelson Rodrigues registrou alguns casos no formato literário e nos fornece uma leitura abissal e assustadora da vida como ela realmente é.

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#4 – O Silêncio dos Inocentes

Thomas Harris

Estados Unidos, 1988

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Conheci primeiro todos os filmes da série. A leitura do romance foi recente. Empolgante, ultrajante e intensa. Thomas Harris descreve as situações, aproveita muito bem o clima e trava um dos maiores encontros de batalha psicológica de todos os tempos: Clarice Sterling e Hannibal Lecter. Suspense na medida certa, uso equilibrados de adjetivos e ação bem coordenada.

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#5 – Vidas Secas

Graciliano Ramos

Brasil, 1938

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Inesquecível porque disseca um tema clichê, ou seja, a seca nordestina, com maestria. Os capítulos são como contos independentes e os personagens bem desenvolvidos. Vidas Secas é um dos poucos retratos que apontam os ícones nordestinos que surgiram em Os Sertões, de Euclides da Cunha, sem recorrer ao lugar comum e ao novelístico. Excelente radiografia da literatura e do contexto histórico brasileiro dos anos 1930.

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André de Oliveira

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#1 – Harry Potter e o Enigma do Príncipe

J.K. Rowling

Reino Unido, 2005

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O penúltimo capítulo da saga de Harry Potter é maduro, reflexivo e absolutamente decisivo. Mais uma vez, com uma escrita praticamente impecável, J.K. Rowling eleva o nível dos acontecimentos, nos dá respostas – enquanto cria novas perguntas – e faz com que esse seja mais um divisor de águas dentro da maturidade e universo da série.

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#2 – Morte Súbita

J.K. Rowling

Reino Unido, 2012

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O primeiro livro adulto de J.K. Rowling é inesquecível. Aos poucos, a pacata cidade de Pagford vai se transformando em um inferno astral; os moradores vão revelando seus segredos e quem verdadeiramente são; as máscaras vão caindo e as consequências de seus atos são irreversíveis. Morte Súbita é engraçado, divertido e cruel – na mesma intensidade.

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#3 – Millennium – Os Homens que não Amavam as Mulheres

Stieg Larsson

Suécia, 2005

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O primeiro livro da saga de mistério de Stieg Larsson é assombroso. Sua história forte e seus excelentes personagens continuam vagando dias pela cabeça depois que a última página é terminada. Mikael e Lisbeth são completamente opostos e têm uma dinâmica única juntos, impossível de resistir. Quando os dois se juntam para resolver um mistério sem solução por mais de 30 anos, eclode uma teia sueca sombria, recheada de intriga, corrupção e violência.

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#4 – Selvagens

Don Winslow

Estados Unidos, 2010

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A Califórnia, seu sol escaldante e suas belas praias são o pano de fundo perfeito para o trio Chon, Ben e Olivia, traficantes de maconha e amantes. Porém, quando o Cartel de Baja, liderado por uma mexicana impediosa, ameaça o império dos trio de Laguna Beach, começa uma guerra da qual não se pode voltar atrás. O livro de Don Winslow, que funciona na maior parte do tempo como um roteiro de cinema, é muito envolvente e ágil, além de ter um desfecho que beira a perfeição. Selvagens deixa uma marca em todos que o leem.

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#5 – Manual Prático de Bons Modos em Livrarias

Lilian Dorea

Brasil, 2013

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Qualquer pessoa que já trabalhou com atendimento (não importa de que tipo, desde que atenda gente) vai se identificar com todos os casos mencionados nesse livro – e jamais vai duvidar da veracidade deles. Manual é um dos livros mais engraçados que eu já li na vida, e além disso, faz refletir sobre como nos comportamos em lojas. Depois dele, sua vida nunca mais será a mesma – porque você vai pensar duas vezes antes de falar qualquer coisa para o vendedor.

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Apostolepis Assimilis

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#1 – Admirável Mundo Novo

Aldous Huxley

Reino Unido, 1932

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Este sem dúvida alguma é meu livro favorito. Descobri essa pérola durante uma viagem na qual estava lendo Laranja Mecanica e 1984. Durante esse tempo, descobri minha predileção por universos paralelos e distopias. O modo que Huxley apresenta ao leitor o seu admirável mundo é isento de julgamentos. O autor é neutro, não condena as loucuras morais, mas, com a inserção do personagem John, o leitor começa a tecer críticas para este mundo “perfeito” insano pela busca da plena felicidade e de abandonos para o tradicional ou clássico. Uma das obras mais importantes do século XX que continua, até hoje, extremamente atual.

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#2 – Como a Geração Sexo, Drogas e Rock’n Roll Salvou Hollywood

Peter Biskind

Estados Unidos, 1998

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Obviamente que livros sobre cinema entrariam aqui nessa lista tão relevante. Admito que ainda estou na metade do livro, mas considero este é o mais útil para quem conhecer a história da última Era de Ouro de Hollywood que permeou os anos 1970.

O livro é repleto de causos e curiosidades sobre personalidades importantes da Hollywood contemporânea. Sabia que Dennis Hopper era um depravado demente que espancava sua mulher? Que usava todo tipo de droga enquanto ameaçava de morte sua equipe durante a gravação de Easy Rider? Que Jack Nicholson se orgulha de ter fumado um baseado de maconha todos os dias durante quinze anos? Que Woody Allen só teve uma chance em Hollywood graças à Warren Beatty para depois expulsar o próprio Beatty de sua produção?

O livro possui uma infinidade de loucuras que preencheram os bastidores dos anos vanguardistas hollywoodianos. É simplesmente incrível, bem escrito, controverso e cínico. Talvez, o melhor livro, atualmente, de História do Cinema – uma pena que as faculdades de audiovisual não consideram esse período relevante para estudo, preferindo explorar o cinema da Etiópia ou Azerbaijão durante os mesmos anos 1970.

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#3 – O Gênio do Sistema

Thomaz Schatz

Estados Unidos, 1991

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Todos os críticos de cinema devem ler esse livro para entender alguma coisa de produção cinematográfica antes de lançar injúrias raivosas a milhares de diretores que não tem controle orçamentário de seus filmes.

Schatz aborda exatamente o oposto que Biskind explora no livro que acabei de citar anteriormente. Enquanto um detalha como Hollywood foi obrigada a soltar as amarras criativas dos novos diretores da indústria, ele escreve sobre a fundação colossal dos poderosos estúdios hollywoodianos desde 1920 até 1950. Tudo o que você precisa saber sobre diretores memoráveis como Hitchcock, Wilder, Griffith, Chaplin ou Milestone está neste livro. Como personalidades desconhecidas e sem grandes fortunas chegaram as vias de criar uma oligarquia que até hoje dita o que há de explosivo na indústria cinematográfica? Como um jovem produtor mudou toda a história do cinema independente? Como outro produtor trabalhou tanto que acabou morrendo de desgaste físico e psicológico em meio a disputa interna dos estúdios?

O que significa fazer cinema? O que é ser diretor? Por que os produtores são as figuras que levam o Oscar de Melhor Filme? Por que a nouvelle vague se apequena perto do trabalho desses homens que construíram praticamente toda a fábrica de entretenimento de massa que consumimos até hoje? Não, isso não estará no próximo Globo Repórter, mas no fantástico livro de Thomaz Schatz.

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#4 – Marilyn e JFK

François Forestier

França, 2009

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Além de ser um livro que aborda cinema, política e história – os meus temas favoritos para livros, ele desconstrói completamente personalidades que são tidas como santas, incríveis, maravilhosas e bondosas. François coloca o dedo na ferida. Desmonta Marilyn Monroe até o último fio de cabelo, assim como não poupa em mostrar a verdadeira face de John Kennedy, um adúltero assumido e muitas vezes covarde. Além disso, outras personalidades são esbofeteadas pelo texto ácido de Forestier. Se Sinatra estivesse vivo quando o livro fora publicado, teria fugido para a Sibéria, pois o querido Blue Eyes estava mais que envolvido em corrupção e máfia.

Muitas celebridades americanas erram, mas nada melhor que um cínico francês para enfatizar os erros.

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#5 – Harry Potter e o Enigma do Príncipe

J.K. Rowling

Reino Unido, 2005

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Como puderam perceber, ficção em literatura pouco me prende. A nossa História tem tantas atrocidades, bizarrices e superações que praticamente suprimem minha necessidade pelo fantástico.

Entretanto, também não pude escapar do fenômeno da minha geração chamado Harry Potter. Esse é o meu livro favorito da série simplesmente por ser, na minha opinião, o mais relevante e emocionante de todos. Isso acontece por um único fator: ele é um cliffhanger muito cruel para os fãs, ainda mais depois de um acontecimento que destrói o último refúgio intelectual de Harry.

Lembro que li esse livro vorazmente e ainda reli depois (algo muito raro para mim). Acredito que este teve um impacto extremamente significativo para mim na época. Comecei a gostar mais dos personagens e tive a oportunidade de conhecer pela primeira vez o passado de Voldemort. Aliás, o professor Slughorn é uma das figuras que guardo boas lembranças – principalmente pelo capítulo com Harry, Skughorn e Hagrid em uma das passagens mais engraçadas, simples e fantásticas do livro.

É meu favorito porque ele sempre é uma promessa mais complexa para o desfecho que ficou no nosso imaginário – quase uma pasárgada. Hoje, ele é ainda melhor para mim, graças ao lançamento do sétimo livro que alguns amaram e outros detestaram – eu achei razoável diante de tanta expectativa.

Graças à penúltima aventura de Harry, sempre vou me lembrar das agradáveis noites que ficava pensando, enquanto adormecia, como tudo iria se concluir.

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Gabriel Tukunaga

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#1 – Ensaio Sobre a Cegueira

José Saramago

Portugal, 1995

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Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara“. Ensaio Sobre a Cegueira foi, sem sombra de dúvidas, a melhor experiência literária que já tive a oportunidade de fazer parte – e a qual nenhum ser humano, especialmente os falantes da Língua Portuguesa, devem se privar. Apesar de ter tido experiências anteriores com textos de Saramago, este livro em questão é especial por ser a primeira obra de fato do escritor português com que tive contato e, mais do que tudo, por permitir uma identificação entre meu “eu” mais profundo e as mazelas de nossa sociedade. A premissa de enredo é, aparentemente simples (apesar da ideia de uma epidemia que provoca cegueira seja extremamente interessante); todavia, assim como diversos grandes mestres da Literatura, não é a história que acaba fazendo a obra, e sim a maneira como é retratada. A leitura de Ensaio Sobre a Cegueira é imprescindível. Diferentemente de alguns livros, a experiência entre o leitor e a intimidade de cada personagem – que acabam refletindo em nós mesmos – e do próprio Saramago é uma experiência única. A linguagem magnífica e inovadora utilizada pelo único escritor em Língua Portuguesa vencedor do Nobel de Literatura não pode ser descrita: é algo que precisava ser lido, relido, pensado e apreciado com deleite. Além de tudo isso, a crítica embutida na obra é espetacular, contemporânea e merecedora de uma análise por todos nós como indivíduos e, mais do que tudo, uma coletividade.

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#2 – Capitães da Areia

Jorge Amado

Brasil, 1937

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Jorge Amado não é o melhor escritor do Modernismo brasileiro, muito menos de nossa literatura. Contudo, ainda assim, é um dos mais lidos em nosso país. Capitães da Areia, sua obra mais famosa não apresenta a linguagem mais rebuscada, não é rico nas figuras da linguagem (como é o esplêndido Vidas Secas (1938), de Graciliano Ramos, contemporâneo a Jorge Amado) e, sejamos honestos, cativa quase que exclusivamente por seu enredo. Pedro Bala, Sem Pernas, Professor, Gato, Dora… O grande autor baiano conseguiu representar, em cada uma de suas personagens, o retrato da sociedade brasileira e, desta forma, criar um laço quase que inevitável com aqueles que apreciam Capitães da Areia. É interessante – e triste – pensar em como, quase 80 anos após a publicação do livro, a história é tão contemporânea, tão próxima de nossa realidade que, muitas vezes, preferimos ignorar, assim como foram ignorados os Capitães. Assim como muitos, meu primeiro contato com Pedro Bala foi na escola. Em meio a descobertas, momentos de revolta e início de discernimento de senso crítico, Jorge Amado conseguiu comigo aquilo que conquistou com muitos brasileiros: me cativou com sua narração, sua história, suas personagens, sua contemporaneidade, suas críticas e, em especial, por sua capacidade em retratar o real povo de nosso país.

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#3 – 1984

George Orwell

Reino Unido, 1949

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Quem controla o passado, controla o futuro; quem controla o presente, controla o passado“. 1984 é uma obra que vem sendo resgatada com frequência nesses últimos anos. O que mais me intriga acerca desse recente resgate é o fato de, apesar dele se aplicar perfeitamente à onda neoliberal dos dias de hoje, ter sido utilizado de forma nauseante como panfleto anti-comunista no auge do macartismo estadunidense. Conquanto muitos ainda vivam na realidade já ultrapassada da Guerra Fria, é importante apreciar a obra de Orwell com uma mentalidade aberta, e não direcionada para aquilo que uma vez foi destinada. Espionagem, torturas, modificações na História, alienação… Identificar, em uma obra escrita há quase 70 anos elementos de nossa sociedade é, ao mesmo tempo, envolvente e alarmante. Chega um ponto em que temos que questionar aquilo que questionar não somente a manutenção do status quo de uma sociedade desigual e que priva os interesses nas mãos de uma parcela extremamente restrita, como também indagar a respeito daquilo que acreditamos – ou somos, constantemente, forçados a acreditar. A linguagem mais madura de George Orwell e a referência a elementos presentes em nosso dia-a-dia consagraram-no não somente como um crítico, jornalista e militante; ademais também como um grande nome da Literatura. E não é somente por aspectos técnicos que 1984 merece ser lido: sua história envolvente nos transporta para uma distopia, nos coloca frente-a-frente com o (nosso) “Grande Irmão” e nos faz sentirmos teleguiados e impotentes, ainda que lutemos para trespassar uma série de barreiras.

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#4 – A Tormenta de Espadas

George R. R. Martin

Estados Unidos, 2000

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Não poderia deixar de fora dessa lista algum grande best-seller que faz parte dessas séries que tanto fazem sucesso atualmente. Foram com esses tipos de livros que comecei a me interessar, ainda novo, pela leitura. As fantasias épicas, de maneira geral, muito provavelmente não serão lembradas daqui alguns séculos, da mesma forma que seus autores presumivelmente serão esquecidos. A linguagem simples, a não preocupação com a inovação na linguagem e na criação de um estilo literário… tudo isso é um fato. Todavia, o que não se pode negar é a importância desses livros como pioneiros do gosto de muitos pela leitura que, futuramente, poderá amadurecer. A escolha de As Crônicas de Gelo e Fogo e, em particular, deste livro não foi aleatória. Além de serem uma experiência recente para mim, a saga criada por George R. R. Martin parece mais madura do que as demais séries de livros atuais. A capacidade de criação e concretização de um universo que mescla fatores históricos com a fantasia é formidável e, como não poderia deixar de ser, incrivelmente envolvente. Em A Tormenta de Espadas, a série começou a crescer de fato para mim como algo aquém de mais um best-seller de sucesso passageiro.  George R. R. Martin provou que consegue, em meio a uma imensidão de personagens e acontecimentos, se ater ao seu mundo criado e, concomitantemente, acrescentar fatos que se aplicam a nossa realidade histórica, econômica e social.

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#5 – Precisamos Falar Sobre o Kevin

Lionel Shriver

Estados Unidos, 2003

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Culpa. A nossa sociedade parece, muitas vezes, se resumir à incessante busca por um culpado de tudo. Não procuramos resoluções, não buscamos causas, não analisamos qual pode ser a nossa responsabilidade. Tudo que queremos é um mártir. Esse é um dos tópicos que mais me atraiu em Precisamos Falar Sobre o Kevin, uma experiência literária distinta da maioria das coisas que havia lido. Alguns talvez conheçam a adaptação cinematográfica. Contudo, esta é uma leitura que com certeza merece ser feita (e para aqueles que assistiram ao filme, terão a explanação de alguns assuntos que não ficaram bem destacados). Composto inteiramente por cartas de Eva a seu marido, é inevitável criar uma relação de afeição pela protagonista , e o que é mais interessante: conseguimos compreender seu lado, e passamos a repensar atitudes precipitadas que temos em relação a terceiros, seja em tragédias que provocam comoção nacional, na política ou em nossos próprios assuntos pessoais. Precisamos Falar Sobre o Kevin também faz uma ponte com o ótimo clássico Frankenstein (1831), de Mary Shelley ao abordar uma questão ininterrupta e divergente nos campos da filosofia e da psicologia: existe uma natureza humana? Todos esses tópicos e particularidades pitorescos fazem da obra de Lionel Shriver uma experimentação que, de certo, proporcionará uma mudança – para melhor – em seu leitor.

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Lucas Borba

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Não sei ao certo o porquê, mas o fato é que para mim é realmente difícil dizer quais são meus “livros favoritos”, por assim dizer. Talvez porque a experiência de ler um livro seja diferente ao meu eu não apenas no ato em si ou mais propriamente pela diferença da linguagem escrita para as linguagens sonora e audiovisual, por exemplo. Não, eu diria que vai além disso, minha dificuldade se deve mais, creio, a um aspecto sentimental muito particular meu – o que não é surpresa do ponto de vista artístico, é claro. Mais especificamente, palavras, para mim, pesam muito, cada uma delas, e por melhor que a premissa e mesmo a estrutura geral de um livro me pareça – ficção é meu tipo predileto de leitura, embora leia gêneros variados -, é natural que certos trechos percam a cadência, a força ou mesmo que não tenham grande relevância ao meu olhar. Percebo que sustentar uma grande narrativa, exposição, enfim, apenas com palavras é um trabalho muito complexo, proeza que só mesmo gênios nessa arte são capazes de realizar. Dito isso, o ponto, no final das contas, é que sou um leitor muito jovem, tenho uma lista de obras clássicas, por bem dizer, obrigatórias por ler e preservo a esperança de encontrar exemplos da tal cadência da qual ainda tanto careço na literatura. Destaco abaixo, porém, livros que defino como especialmente marcantes em minha trajetória de vida, títulos dos quais lembro, aos quais sou remetido com frequência.

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#1 – A guerra das sombras – O livro de Ariela

Jorge Tavares

Brasil, 2006

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Descobri este livro, parte de uma tetralogia, por acaso, pesquisando títulos de literatura fantástica escritos por brasileiros. Acredito que a descoberta se deu há uns bons cinco ou seis anos. Trata-se de uma obra de alta fantasia num típico contexto medieval, porém com um universo muito próprio – aliás, não lembro de já ter visto uma obra fantástica tão original. Ainda que sua abordagem histórica possa não ser das melhores, trata-se de um trabalho muito mal compreendido, de maior apelo artístico do que comercial, de um autor que, espero, um dia ainda venha a ser reconhecido como, pelo menos até então, criador de uma das mais brilhantes obras brasileiras de literatura fantástica. Toda a tetralogia é estupenda, mas como só podemos escolher um título ao nos referirmos a uma série escolhi O livro de Ariela por, penso, bem representar os demais. Na certa, foi a obra literária, e talvez até em um panorama artístico geral, que mais me tirou da chamada “zona de conforto”, fez nós e mais nós na minha cabeça e faz uma das análises mais profundas que já vi da consciência humana. Tavares, de fato, talvez seja, afinal, um dos gênios que procuro, em caráter pessoal, em termos de cadência, e se devo chamar um livro de favorito fico, na certa, muito feliz de fazê-lo com o referido e com a tetralogia por ele representada. É um trabalho que, decididamente, penso em como poderia ser adaptado para o audiovisual, já que certos trechos são pura sensação, uma experiência interiorização como nunca vi, ela, sim, alimentada como nunca, pura e simplesmente, pela cadência na força das palavras, que afinal, trabalhadas do modo certo, parecem capazes de descrever até o mais indescritível.

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#2 – Millennium – A Rainha do Castelo de Ar

Stieg Larsson

Suécia, 2007

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Pelo que me lembro, foi a notícia da adaptação do primeiro livro da trilogia que me fez mergulhar na obra literária. Quanto mais o mergulho se dava, chegando ao seu auge no aqui referido terceiro volume, mais me encantava com a escrita organizada, verdadeiramente autoral e cheia de propriedade desse escritor sueco incrível, que muito infelizmente, ao menos em caráter artístico, já nos deixou, dado o seu falecimento logo que terminou o original deste A rainha do castelo de ar. Larsson desenvolve seus personagens, dos centrais até os secundários e os que considera relevantes, ainda que em breve passagem, com perícia de mestre, fazendo-os saltar das páginas, de ações cotidianas que ele tão bem faz questão de descrever, do tomar café ao escovar dos dentes, ao caminhar longas distâncias a pé ao andar e dormir nu por uma casa vazia, só sua, até o investigar de artigos e fotos entre um gole de café e outro, daí para a adrenalina envolvendo um atentado num restaurante ou a fuga de um assassino profissional que, de tão enorme, forte e desprovido de dor, mais parece um Hulk. Lisbeth Salander provavelmente é um dos personagens ficcionais mais fascinantes de todos os tempos.

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#3 – Harry Potter e o Cálice de Fogo

J. K. Rowling

Reino Unido, 2000

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Pois bem, a saga do famoso bruxinho despensa comentários. Cresci, ou melhor, em boa parte da minha infância para a adolescência passei, hoje posso dizer muito feliz, aguardando feito um louco as continuidades das aventuras de um personagem com uma cicatriz que eu queria, talvez ainda queira, acreditar que viveu e ainda vive de verdade. Críticas negativas à obra não faltam, é claro, como é natural, mas o fato é que Harry Potter levou toda uma nova geração de meninos e meninas pelo mundo a repensar a mágica da leitura, sob a força narrativa e de referências da narrativa de Rowling, que, a seu modo, criou um universo palpável, complexo e, sobretudo, tão atraente em sua exploração de infinitas possibilidades a milhões e milhões de jovens. Escolhi O Cálice de Fogo por representar, para mim, a definitiva legitimação da amplidão do universo criado por Rowling, contendo aventuras, momentos dramáticos e talvez o primeiro grande marco em seu desfecho.

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#4 – A Coisa

Stephen King

Estados Unidos, 1986

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O mestre do terror tem mais de setenta livros publicados ao longo de sua carreira. Provavelmente, li apenas uns cinco. Ainda assim, “A coisa” me fascina pela quantidade de temas, de situações nele abordados, até mesmo de monstros apresentados – embora todos originados da mesma fonte – e me pergunto se a obra não serve como, no mínimo, um bom resumo do teor de muitas de suas publicações, pelo menos para quem não se sente disposto a ler toda a bibliografia do homem. Trata-se de uma obra magnífica, gigantesca além das páginas, em sua força na retratação do poder do medo e sobre quem se dispõe a infrentá-lo, da infância para a vida adulta. Pergunto-me se algum dia “a coisa” ganhará uma adaptação digna de seu final belíssimo, construído sem afobação, redondo até o último instante. Mergulhei em suas páginas por pura sorte na escolha entre o incrível número de títulos do autor de que ainda disponho para ler.

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#5 – Carrie, a Estranha

Stephen King

Estados Unidos, 1974

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É curioso, para alguns certamente ousado e até inconcebível, pensar sobre como Carrie, a Estranha poderia ser um título interessantíssimo de se trabalhar com adolescentes nas escolas. Aqui conhecemos um King sensível ao extremo, em sua primeira história publicada, que ele só não jogou no lixo graças à esposa. É uma história de terror que se tornou, sim, clássica, mas é ímpar em relação a tantas outras por ser de uma relevância gritante em caráter humano. Da intolerância à ignorância, do bullying à violação do que é natural na transição da adolescência para a vida adulta à toda a mesquinhez e, em especial, a todo o mal que fazemos a nós mesmos. O livro é tudo isso e tudo mais, que apesar da sua primeira e melhor adaptação para os cinemas não se equipara à força dos múltiplos pontos de vista do texto literário.
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LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.