Lista | Os Palhaços Mais Sinistros do Cinema e da TV

(arte da capa: Alessandro Vidale)

It: A Coisa revelou-se como uma excelente adaptação de obra clássica de Stephen King. Há muito o que apreciar no filme, especialmente o belo laço de amizade entre as crianças que formam o Clube dos Perdedores e o conto de amadurecimento que envelopa a obra.

No entanto, uma coisa é certa: Pennywise, aquele palhaço desgraçado que vive no esgoto e que pode tomar a forma de seu maior medo, é inesquecível e assustador. Seja o espectador sofredor ou não de coulrofobia (porque sim, há um termo psiquiátrico para medo de palhaços, o que confirma que esses bichos são mesmo tenebrosos, por mais que a World Clown Association – que existe de verdade – queira dizer que não…), é difícil deixar de se arrepiar por o arlequino renascentista que adora fazer crianças “flutuarem”.

Pennywise, porém, é apenas UM de vários palhaços do cinema e da TV que arrancam arrepios, de uma forma ou de outra, do espectador. Separamos e ordenamos os 15 que consideramos os mais sinistros e bizarros nesta lista, tentando abranger tanto obras conhecidas como outras menores e esquecidas, mas não menos importantes para a demonização dos simpáticos palhaços de narizes vermelhos e rosto pintado de branco…

Como toda lista, ela é pessoal dos dois articulistas – Ritter Fan e Guilherme Coral – e certamente deixamos de fora muita coisa (propositalmente, claro, senão ela não teria fim!). Mas queremos saber de vocês: que palhaços do cinema e/ou TV vocês consideram mais bizarros e deveriam constar da lista? Ou, melhor ainda, mandem suas próprias listas!

15. Palhaço
(Estranhas Metamorfoses, 1982)

Essa co-produção britânica e americana oitentista (Xtro, no original) é uma espécie de reunião das mais estranhas ideias de roteiro em uma mixórdia extra-terrestre que não faz lá muito sentido, mas que, estranhamente, é memorável ao ponto de ter se tornado um cult. Em determinado momento da história, um palhaço de brinquedo ganha vida e chega a impregnar uma mulher com sêmen alienígena. Não tentem entender. Só assistam!

14. Shivers
(Fear of Clowns, 2004)

O nome do filme não poderia ser mais didático: “medo de palhaços”. Claro que ele não poderia se chamar Coulrofobia, senão ninguém entenderia bulhufas, então nada como instigar a curiosidade com um título genérico e que mais parece de um documentário psquiátrico… Mas tudo bem, o importante é que, no filme, somos apresentados à Lynn Blodgett, uma artista que sofre dessa fobia e que só cria obras com palhaços monstruosos. Um belo dia – digo, uma bela noite – eis que um palhaço descamisado carregando um delicado machado aparece lá pela casa dela e, no dia seguinte, ela descobre que a família que mora perto e em cuja casa ela foi babá, foi massacrada. O nome da simpatia pintada de palhaço: Shivers (ou, em tradução livre, Arrepios).

O filme é de mega-baixo orçamento, mas diverte naquele tipo slasher trash descompromissado de ser.

13. Killjoy
(Killjoy, 2000)

Michael ama Jada. Mas Jada está comprometida com o gângster Lorenzo. Obviamente, o malvado mata o bonzinho, mas, contudo, todavia, mal sabia Lorenzo que Michael estava envolvido com magia negra (?!?!?!?) e que seu hobby era tentar trazer um boneco de palhaço à vida. Precisamos mesmo continuar para o leitor adivinhar o que acontece? Pois é, Killjoy, que virou uma franquia de sucesso, até agora com nada menos do que cinco filmes, faz a pergunta que todo mundo gostaria de ver respondia: o que aconteceria se Chucky fosse um palhaço… Bem, não é exatamente isso, mas dá para sacar, não? O que realmente importa é que a versão palhaça de Michael é assustadora e mortal…

12. Stiches
(Stiches, 2012)

Aqui, o palhaço é vítima e algoz também. A diferença é que dá vontade de torcer por Stitches, nome de palhaço de Richard Grindle, que trabalha em festas de criança. Afinal, as pestinhas atazanam a vida do sujeito, fazendo bullying no coitado a ponto de ele morrer da maneira mais hilária horrível possível e ressuscitar para matar os desgraçadinhos…

11. Palhaços Alienígenas
(Palhaços Assassinos do Espaço Sideral, 1988)

Esse é um clássico oitentista! Imaginem uma raça inteira de alienígenas assassinos cuja aparência não é de uma criança cabeçuda com olhões pretos, mas sim de horripilantes palhaços que chegam à Terra para matar todo mundo? E não falamos de E.T.s que tomam a forma de palhaço, mas sim que são assim nativamente. Chega a dar aquela desconfiança de que aquele palhaço ali na festinha de criança de seu sobrinho é um alienígena canibal (bem, tecnicamente eles não são canibais, pois eles não são humanos…). Melhor não arriscar e já esfaquear o palhaço da festinha…

10. Capitão Spaulding
(A Casa dos 1000 Corpos, 2003)

Vamos combinar que Rob Zombie assim puro, sem maquiagem nem nada, sem chegar perto de uma câmera de filmagem, já é sinistro o suficiente. Quando ele resolve fazer um filme, você já sabe o que esperar e, se tiver um palhaço então, a coisa piora geometricamente. E o Capitão Spaulding (vivido por Sid Haig – esse sujeito simpático aí da imagem) nem é a coisa mais sinistra de A Casa dos 1000 Corpos… Querem uma sinopse? Não dá. Louco demais para resumir. Mas pensem em algo como Quadrilha de Sádicos encontra-se com Monstros (aquele filme difícil de assistir de 1932) e pronto, temos o que precisamos para correr para as montanhas…

9. Paul Beaumont / HE
(Ironia da Sorte, 1924)

Baseado em uma peça russa, Ironia da Sorte é uma pequena obra-prima do Cinema Mudo, com Lon Chaney no papel de cientista que, depois de ser traído por seu patrocinador e sua esposa, se torna um palhaço – Aquele Que Leva um Tapa ou apenas HE, do começo do título original He Who Gets Slapped), cuja função é essa mesmo: a de ser estapeado por outros palhaços. Aqui, o palhaço não é assustador e nem exatamente sinistro ou bizarro. É, apenas, uma das figuras mais miseráveis e tristes da Sétima Arte e sua condição de “palhaço” encapsula tudo o que sofre do começo ao fim. Esse é de partir o coração.

8. Krusty
(Os Simpsons, 1989 – )

Dentre a infinidade de personagens da inacabável série animada Os Simpsons, hoje a caminho de apenas sua 29ª temporada, Herschel Shmoikel Pinchas Yerucham Krustofsky – ou apenas Krusty, para facilitar – é um dos que mais se destaca pela mais completa incorreção política do sujeito. Basicamente um degenerado e pervertido que não se interessa por ninguém a não ser por ele mesmo e que detesta crianças, a ponto de bater nelas, além de beber, fumar e fazer praticamente tudo o que um palhaço de um programa infantil não deveria fazer, Krusty  é a reunião de tudo o que está errado na raça humana. Mesmo assim, nós o adoramos!

7. Boneco de Palhaço
(Poltergeist – O Fenômeno, 1982/2015)

Se existe um momento no clássico Poltergeist, de 1982 que inadvertidamente deixou muita criança sem dormir de noite foi a desgraçada daquela tomada sinistra e escura focada em um boneco de palhaço sentado em uma cadeira. O remake de 2015 tenta emular a mesma cena, com um palhaço em tese mais sinistro ainda, mas o do filme original, por sua simplicidade, ainda é o melhor.

6. Twisty
(American Horror Story, 2011 – )

A quarta temporada de American Horror Story não foi lá nenhuma maravilha (sendo bem bonzinho), mas ela nos entregou um dos mais memoráveis antagonistas da série, Twisty! O palhaço, inclusive, retornou para o sétimo ano da série, tendo feito, por enquanto, uma breve aparição em Election Night. Realmente não há como não sentir aquele arrepio quando vemos esse ser sem a mandíbula de baixo!

5. Palhaço Bombeiro
(A Torradeira Valente, 1987)

Tão simpática e corajosa aquela torradeirinha valente… Mas gente, quando aquele palhaço bombeiro aparece e fala para ela correr, a vontade que dá é de correr junto e xingar a produção pelos pesadelos causados por aquele ser monstruoso que simplesmente não deveria estar ali! Que mania de colocar palhaço em tudo quanto é lugar!!!

4. Palhaço Triste / Palhaço Feliz
(Balada do Amor e do Ódio, 2010)

Álex de la Iglesia é um diretor espanhol que poderia ser considerado o irmão sinistro de Guillermo del Toro. Seus filmes são deslumbrantes em detalhes e criatividade, com uma pegada fabulesca e de terror que merecia mais atenção do público. Em Balada do Amor e do Ódio, temos dois palhaços, ambos completamente perturbados em uma obra belíssima, mas de extrema violência gráfica a ponto de ser até difícil assistir. Esperem só um dos palhaços fazer a “maquiagem” dele…

3. Violador
(Spawn: O Soldado do Inferno, 1997)

Esse aqui é um minion de um demônio. Ele se transforma em uma figura horrorosa, mas é dura a competição com sua forma de palhaço, cortesia de uma bela maquiagem, um invejável uso de próteses e ótimos truques de câmera para transformar John Leguizamo nessa coisa tenebrosa aí que tem como função “guiar” e ao mesmo tempo atazanar a vida de Spawn, versão demoníaca de um soldado traído por seu chefe que volta da morte para tentar reatar com sua esposa, somente para descobrir que ele também foi enganado pelo diabo. Como palhaço, Leguizamo é desbocado, nojento e completamente inoportuno e, ao mesmo tempo, estranhamente irresistível daquele jeito surreal de ser.

2. Coringa
(vários filmes, telefilmes e séries de TV desde 1966)

Esse aqui dispensa apresentações! O Palhaço do Crime simplesmente não poderia deixar de constar de uma lista dessas, especialmente considerando os grandes atores que o viveram ao longo das décadas, começando com Cesar Romero, em 1966 até hoje, com Jared Leto. Fica só difícil escolher qual foi o melhor Coringa!

1. Pennywise
(It: Uma Obra Prima do Medo, 1990 // It: A Coisa, 2017)

Ninguém tinha dúvida do primeiro lugar, não é mesmo? Seja na versão mais “humana” de Tim Curry, de 1990, seja na versão mais sobrenatural de Bill Skarsgård, de 2017, Pennywise, a crianção oitentista de Stephen King é o palhaço sinistro definitivo por encapsular nada menos do que toda a maldade humana.

Hors Concours

James Bond
(007 Contra Octopussy, 1983)

Esse aqui vai deixar muito fã do James Bond de Roger Moore irritado, mas não resistimos… Moore e seus vários filmes como o espião que nós amamos (mas não todas as versões) é, sem sombra de dúvidas nas mentes brilhantes daqueles que escrevem o presente artigo, o pior dos Bonds. Mas assim de looooonge… E, quando ele finalmente veste o uniforme que deveria ter usado desde seu primeiro filme, finalmente temos a certeza do que ele é: o palhaço que quase quebrou a franquia 007 com as palhaçadas que ele fazia em tela…

Hors Concours (especial)

Luiz Santiago, o Palhaço Usurpador

Apesar de não ser do cinema ou da televisão, não poderíamos deixar de listar, aqui, nosso co-editor-chefe pela sua maquiavélica capacidade de usurpar críticas dos mais diversos redatores, ESPECIALMENTE as duas vítimas contumazes que escrevem o presente artigo. É como se ele fosse a fusão de 15 dos 16 palhaços listados acima, apenas invertendo o papel do 16º, o HE, de Ironia da Sorte, já que, no lugar de ser estapeado, é ele quem metaforicamente nos estapeia a cada vez que nos arranca a chance de redigir as críticas de obras que amamos!

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E então, gostaram de nossas escolhas? Que palhaços vocês incluiriam na lista? E quais tirariam? Mandem seus comentários!

RITTER FAN & GUILHERME CORAL . . . Primeiro híbrido-crítico do Plano Crítico, Ri&Gui é a junção de duas mentes insanas, perturbadas e ousadas prontas para dominar o mundo. Surgidas diretamente das séries da CW, essas mentes pretendem espalhar, além da dominação, o amor e o nonsense pela Galáxia. Contemplem, ó, mortais, uma nova categoria de crítico!