Lista | Top 10 – Os Animais Mais Assustadores do Cinema

Essa é a lista que coloca animais em extinção. Essa é a lista que incentiva o ser humano a comer carne. Mas não carne de vaca ou galinha. Carne de tubarão, de crocodilo, de dinossauro. Você comerá um lanche no podrão depois de ler isso, algo que você não faria se não tivesse sede de vingança, relembrando os nossos que morreram na boca de criaturas tão vis quanto essas. A bicharada mais ruim do mundo está solta. Apenas os animais capazes de fazer crianças jogarem seus ursinhos de pelúcia no lixo após assistirem O Regresso ou tentarem controlar os pombos da rua com o canto, assim como a Branca de Neve, mas com o intuito de usá-los como armas contra amiguinhos da escola, porque suas infâncias foram deturpadas pela sociedade e Os Pássaros é a inspiração que elas têm da época do maternal. No final das contas, cinematograficamente falando, quais animais são os maiores inimigos do espectador? Quais animais foram os responsáveis por provocar mais medo ao homem? Pensando nisso, o Plano Crítico decidiu reunir as maiores ameaças animais cinemáticas, com a participação de Ritter “Kong” e Gabriel “Cujo”, selecionando as espécies que foram mais antagonizadas, em quantidade e intensidade, pela sétima arte.

  • A listagem não é de personagens, mas de animais em conjunto, capturando participações suas, de tamanhos variados, em distintos filmes, para compreender a precedência do caráter maligno existente em cada um deles.
  • Para tentar tornar a lista mais interessante, decidimos organizar alguns animais de acordo com as suas espécies, enquanto outros em classes e demais em ordens, sem nos prendermos a uma regra mais rígida.
  • Animais fictícios, contanto que sejam inspirados em animais reais, foram considerados, de gorilas gigantes a dinossauros com asas.

10. Felinos
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Representante: O Rei Leão
(Roger Allers e Rob Minkoff, 1994)

Vou ser sincero. Eu morria de medo de As Aventuras de Pi. Contudo, quando eu conheci esses filmes que serão comentados a seguir, me deparando, no conforto de uma sala, com criaturas como essas, minha percepção sobre a natureza felina mudou drasticamente… para pior. Nunca assistiu a A Maldição dos Gatos, de 1977, ao clássico Cemitério Maldito, de 1989, ou a Instinto Assassino, de 1991, e, ainda por cima, odeia gatos? Essas obras irão fazer você odiá-los mais do que Garfield – O Filme conseguiu. Porém, para as crianças, O Rei Leão, da Disney, é o traumatizante necessário para que leões sejam tão bem vistos quanto mal vistos, ainda mais se eles tiverem juba preta, cicatriz no olho e olhos verdes. Caso você cresça, A Sombra e a Escuridão, de 1996, continuará o serviço, impedindo de você realizar um safári na África por medo de leões te comerem. Isso sem falar nos tigres, representados por O Grande Predador, de 2007 e Nas Garras do Tigre, de 2010, além das panteras, representadas pelo longa-metragem erótico de horror A Marca da Pantera, da década de 80.

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9. Cobras
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Representante: Anaconda
(Luis Llosa, 1997)

Se Indiana Jones, personagem icônico da cultura popular, imortalizado por Harrison Ford, tem medo de cobras, qualquer alma terrestre também pode ter. Não é à toa que o ponto fraco do protagonista de Caçadores da Arca Perdida seja esses répteis tão traiçoeiros. Dominar uma cobra significa poder. Os crocodilos amedrontam, mas as cobras, das minúsculas às maiores, são únicas e representam, simbolicamente, muitas características extremamente negativas do ser humano. Se, por um lado, elas podem hipnotizar, como Kaa, em Mogli, o Menino Lobo, por outro, elas também podem se alimentar do homem, como a gigantesca Anaconda, do filme homônimo, obra escolhida para representar esses animais na nossa lista, embora não seja a melhor citada. As cobras podem rastejar e adentrar em qualquer lugar, até mesmo aviões, como em Serpentes a Bordo. A mais popular serpente, porém, certamente deve ser o Basilisco de Harry Potter e a Câmara Secreta, uma presença constante por todo o longa de fantasia. Os filmes estrelados por esses malignos animais podem estar bem longe de uma qualidade geral mais apreciável, mas o imaginativo do homem em relação às cobras certamente foi influenciado pelo cinema.

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8. Aracnídeos
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Representante: Aracnofobia
(Frank Marshall, 1990)

“Por que aranhas? Por que não podia ser sigam as borboletas?“. Harry Potter e a Câmara Secreta, dirigido por Chris Columbus, retorna na nossa lista, em decorrência da passagem na qual o protagonista e seu melhor amigo, Ron Weasley, encontram com uma aranha gigante chamada Aragogue. Aranhas gigantes, porém, é o que mais existe. Dos filmes B de monstros gigantes, Tarântula, de 1955, é um dos mais conhecidos e, nas devidas proporções, bem recebidos. Jack Arnold, diretor desse filme, também viria a dirigir O Incrível Homem Que Encolheu, invertendo os papéis e, dessa vez, diminuindo o homem em vez de aumentar o aracnídeo. As tarântulas também receberiam uma assustadora atenção no filme de horror A Maldição das Aranhas, de 1977.

O maior sucesso de todos, impulsionando uma crise de aracnofobia pelo mundo foi, ironicamente, Aracnofobia, de 1990. Mas a quantidade de filmes é vasta. Por exemplo, assim como a franquia do bruxinho, O Senhor dos Anéis, em O Retorno do Rei e em A Desolação de Smaug, também abordaria aranhas no século XXI, sem deixar essas vilãs de escanteio após a virada do século. As aranhas gigantes, fora as aparições nos longas de fantasia citados, continuariam populares, como em Malditas Aranhas, de 2002. Porém, além desses animais, os escorpiões também são aracnídeos e, certamente, vale relembrar O Escorpião Negro, de 1957, seguindo a linha de filmes típicos da época, com animais em tamanhos monstruosos.

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7. Caninos
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Representante: Cujo
(Lewis Teague, 1983)

Os cachorros são os melhores amigos do homem. Entretanto, nessa lista, não estamos falando de amigos, mas de inimigos. O detetive atrapalhado e covarde Scooby Doo sai da jogada e Cujo, do filme homônimo, adaptado de um livro de Stephen King, entra no lugar, nos ensinando a vacinar nossos animais de estimação. A ameaça canina é esperada, pois muitos desses animais são realmente usados como armas, mas como imaginar que um São Bernardo, a mesma raça do conhecido Beethoven, se tornaria um dos animais mais ameaçadores do cinema? Caso essa lista fosse apenas de personagens, Cujo estaria em uma das primeiras posições, sem sombra de dúvidas.

Porém, em termos cinematográficos, também temos outras aparições que realmente valem a pena ser mencionadas, como, primeiramente, o cachorro de O Enigma do Outro Mundo, obra-prima de John Carpenter. O vilão não é realmente ele, mas após determinada cena, é impossível olhar para qualquer cachorro, até mesmo para Bolinha — aquele Yorkshire Terrier bobão da vizinha — da mesma maneira. Max – Fidelidade Assassina é uma outra possibilidade para a meia dúzia de pessoas que preferem gatos. Assim como uma das histórias mais populares de Sherlock Holmes, Os Cães de Baskervilles, que já foi levada para inúmeras adaptações cinematográficas.

Por último e não menos importante, os lobos são figurinhas carimbadas no cinema, portando-se como alcateias perigosas em várias animações, como Frozen: Uma Aventura CongelanteA Bela e a Fera. Mas são os lobos de A Perseguição, longa-metragem estrelado por Liam Neeson, que se destacam. Além disso, é necessário frisar o impacto dos lobisomens para a cultura popular e para o crescimento de um medo do homem perante a esse animal, embora lobisomens não sejam realmente lobos… Dentre os destaques, relembra-se O Lobisomem, clássico de 1941 da Universal Studios, mas, acima de tudo, Um Lobisomem Americano em Paris, obra de horror e humor negro aclamadíssima, dirigida por John Landis.

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6. Primatas
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Representante: King Kong
(Merian Caldwell Cooper e Ernest B. Schoedsack, 1933)

Mesmo que haja um Deus, só existe um rei no meio dessa bicharada toda: King Kong. O gorila gigante é o protagonista de um dos mais cultuados filmes de terror do século passado. Foram tantas sequências que o imaginário do público nunca mais se esqueceria dele e de sua figura assustadoramente amável. Mesmo assim, os gorilas permaneceram sendo vistos como vilões da natureza: primatas agressivos e monstruosos. Muito pelo contrário, os gorilas são o completo contrário disso. Mesmo os gorilas sendo gente boa, isto não quer dizer que os primatas sejam flor que se cheire. Apenas eles conseguiriam, por exemplo, organizar uma revolução e tornar-se independentes e superiores aos seres humanos, como Planeta dos Macacos, clássico de ficção científica de 1968, coloca como hipótese e Planeta dos Macacos: A Origem finalmente mostra, além de inverter os papéis de vilões e heróis da história toda.

Ademais, se Tarzan, animação de 1999, é um filme que consegue muito bem nos aproximar dos gorilas, mudando paradigmas, alguns anos depois de Congo, dirigido por Frank Marshall — citado anteriormente na seção de aracnídeos –, reforçar estereótipos em relação ao animal, a obra também coloca os primatas, mas de uma espécie diferente, como vilões pontuais, ainda assim assustadores. A mesma coisa também acontece em Jogos Vorazes: Em Chamas. Outro destaque vai para Instinto Fatal, dirigido por George A. Romero, filme no qual um macaquinho comum, após desenvolver um laço especial com o seu dono, começa a realizar atrocidades. Assim como macacos ordinários, criaturas fantásticas e misteriosas, como o Pé-Grande e suas diferentes variações também podem resultar em longas de horror. Os resultados não são os mais impressionantes, mas contribuem para o estabelecimento dos primatas como uns dos animais mais assustadores do cinema.

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5. Tubarões
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Representante: Tubarão
(Steven Spielberg, 1975)

“Como os tubarões estão apenas em quinto lugar? Eles são tão assustadores!” Pode até ser, mas venham comigo em uma breve jornada cinematográfica pela história dos tubarões, que, curiosamente, também está sendo acompanhada pelo nosso querido Leonardo Campos, trazendo diversas críticas de obras estreladas por essas criaturas. Em 1975, Steven Spielberg lançaria nos cinemas o clássico Tubarão, o maior representante de todos, indubitavelmente no posto, não apenas do mais importante, como do melhor exemplar entre os filmes de tubarão. As décadas passariam, abraçando diversas possibilidades para essa temática, mas, mantendo-se, majoritariamente, no campo da imitação barata. Cada uma das sequências desse filme regrediria mais e mais um — muito — pouco de qualidade.

O tubarão é, provavelmente, a criatura que mais foi influenciada pelo cinema. Alguém, em algum momento, pensaria que hipopótamos matam mais pessoas por ano do que eles? Não. Ainda mais depois de assistir a quantidade enorme de filmes sobre esses animais que foram produzidos — nenhum alcançando o mesmo sucesso financeiro e de crítica que Tubarão alcançou, apesar de Do Fundo do Mar ter conquistado seus fãs, assim como Águas Rasas, uma obra muito competente, trabalhando, assim como o clássico de Spielberg, a ausência do tubarão. Os tubarões são as criaturas mais desprezadas pelo cinema “de qualidade”, mas quantidade não falta. O maior sucesso dos dias de hoje acaba sendo, por bem e por mal, Sharknado, assustador à sua própria maneira. De qualquer maneira, o tubarão de Procurando Nemo permanecerá sendo o melhor destes personagens, rivalizando com o Tutubarão.

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4. Roedores
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Representante: Monty Python em Busca do Cálice Sagrado
(Terry Gilliam e Terry Jones, 1975)

  • Observação: Sabemos que coelhos não são roedores, mas estamos fazendo uso de uma licença poética.

A Caverna de Caerbannog é a morada de uma terrível besta, protegida por uma criatura ainda mais bestial, um monstro desconhecido. “É apenas um coelho inofensivo, não é?”, pergunta o ignorante. A prepotência do Rei Arthur e seus cavaleiros, na busca pelo Cálice Sagrado, levaria a algumas mortes que apenas seriam interrompidas pelo uso da magnífica Holy Hand Grenade of Antioch. Sim, o nonsense de Monty Python é tão grande que uma granada de mão, completamente anacrônica, é necessária para que um coelho assassino seja morto. Não um coelho assassino, mas O coelho assassino, um dos mais influentes personagens dessa espécie, desde o Coelhinho da Páscoa.

Qualquer outro animal, coelho ou roedor, que queira se equiparar ao Coelho Assassino de Caerbannog é cruelmente derrotado. Porém, por puro exercício, tentaremos encontrar alguém. Em A Fúria das Feras Atômicas, de 1976, temos ratos gigantes. Como se isso fosse problema para os dentes afiados do Coelho Assassino de Caerbannog. Em A Noite dos Coelhos, de 1972, filme dirigido por William F. Claxton, temos coelhos gigantes. Como se isso fosse problema para os olhos demoníacos do Coelho Assassino de Caerbannog. Nem preciso comentar de Olhos da Noite, de 1982, não é? A vitória é certamente do Coelho Assassino de Caerbannog.

Calafrio, dirigido por Daniel Mann, considerável “sucesso” de público e bilheteria, consegue esboçar alguma reação, ainda mais porque uma sequência seria originada da obra, Ben, o Rato Assassino. Os personagens da animação Uma Grande Aventura, de 1975, são os únicos oponentes páreos para o Coelho Assassino de Caerbannog. Não será eu que responderá essa questão. Eu ficaria, por via das dúvidas, com Alvin e os Esquilos. Alguém, em pleno ano de 2018, ainda consegue suportar essa cantoria toda? Uma outra pergunta. Alguém, após assistir qualquer um desses filmes, ainda se interessaria em comprar um coelhinho? Depois não digam que eu não avisei.

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3. Dinossauros
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jurassic-park-1993 PLANO CRITICO.

Representante: Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros
(Steven Spielbeg, 1993)

Titio Spielberg retornando na nossa lista… O caso dos dinossauros é bastante parecido com o dos tubarões, pois dinossauros e tubarões são animais visualmente já bastante assustadores, muito mais do que qualquer outro representante dessa lista. Entretanto, dinossauros possuem formas diferentes, tamanhos diferentes, tudo para adequá-los aos cenários mais assustadores possíveis, de vastas florestas a uma cozinha sem eletricidade. Ao mesmo tempo, a relação de amor – e ódio – desses animais pré-históricos com o cinema é mais bem organizada. O stop-motion, em uma época na qual a computação gráfica estava bastante distante, deu os primeiros passos para os dinossauros caminharem no nosso mundo. Porém, antes de serem retratados como ameaças, as criatura já haviam sido apresentados em Gertie, o Dinossauro, de 1924, uma das primeiras e mais importantes animações da história.

O caminho de sucesso, contudo, é atrelado a outra figura mais do que especial: King Kong. Mencionado na categoria dos primatas, o grande sucesso do longa-metragem de 1933 também alavancou os dinossauros como ameaças, ainda mais depois do primeiro hit estrelado por eles: O Mundo Perdido, de 1925 — não confundir com O Mundo Perdido: Jurassic Park, sequência pouco inspirada daquele que seria o maior filme da história com tais antagonistas: Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros. Uma introdução é desnecessária, visto que o longa-metragem de Steven Spielberg é um clássico conhecidíssimo, mas vale a menção, assim como a categorização do longa-metragem como o representante máximo dessa categoria. O momento mais assustador, contudo, é uma passagem de Jurassic Park III, na qual o protagonista depara-se com um Velociraptor o chamando: “Alan!”. O fato dessa espécie em particular conseguir abrir portas parou de importar diante de uma cena como essa, tão cômica quanto aterrorizante.

O Despertar do Mundo, Um Milhão de Anos Antes de Cristo, O Vale de Gwangi, Quando os Dinossauros Dominavam a Terra e até mesmo a animação Dinossauro, da Disney, são longas-metragens notáveis, que abordaram esse grupo animalesco e assustador no cinema. Os dinos são tão interessantes que, na verdade, mereciam muito mais espaço no cenário cinematográfico do que o que recebem.

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2. Insetos
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Representante: A Mosca
(David Cronenberg, 1986)

Perdoem-me, amantes dessas criaturas, mas insetos são uma das maiores pragas da humanidade. Eu, que moro bem perto de mato, sofro com os mosquitos atacando de manhã, tarde, noite e madrugada. Agora imaginem se esses mosquitos fossem gigantes? Mosquito, de 1994, fez isso para mim. Enquanto que, na maioria dos casos — como exceções, podemos citar a temida barata e, é claro, um grupo enorme de vários destes monstrinhos –, esses animais costumam ser bastante “indiferentes” ao ser humano, “apenas” causando algumas das piores doenças existentes e “apenas” destruindo plantações e “apenas” nos irritando para burro. Gigantes, eles se tornam as criaturas mais asquerosas possíveis, extremamente assustadoras. E o cinema adora torná-los gigantes.

A história com tais insetos gigantes começa na década de 50, quando O Mundo em Perigo, em 1954, surge nos cinemas. O impacto dessa obra é considerável, visto que, ao apresentar formigas gigantes como ameaças, combinou sua caracterização como um dos exemplares iniciais da era de filmes de monstros, partindo do contexto nuclear com o fato de ser o primeiro exemplar do fenômeno de filmes antagonizados por grandes insetos. Depois virou bagunça, mas uma bagunça divertidíssima e assustadora. Querem um louva-deus gigante? Fúria de uma Região Perdida é o que vocês desejam. Querem gafanhotos gigantes? O Começo do Fim, dirigido por Bert I. Gordon, é o que vocês desejam. Aliás, Bert I. Gordon também dirigiria Império das Formigas. A curiosidade é definitivamente maior do que a qualidade de muitas dessas obras citadas.

Mais para frente, quando falamos dessas criaturas em grupos, O Enxame, estrelado pelo célebre Michael Caine, retrata a real natureza das abelhas: assassinas. Ademais, Tropas Estrelares, dirigido por Paul Verhoeven, também conta com insetos gigantes. A realidade é que, como inspiração, muitos filmes de ficção científicas enxergaram, em seus monstros, visuais bastante próximos dos insetos terrestres. Por ser o grupo de animais mais diversificado que existe, inspiração não falta. Por fim, para contemplar a nossa lista, destacamos, é claro, A Mosca, clássico de horror dirigido por David Cronenberg. O porquê? Acompanhamos a transformação de um homem em uma mosca. A simples imaginação de uma metamorfose dessa possibilita os pesadelos mais horripilantes possíveis.

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1. Seres Humanos
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Representante: A Lista de Schindler
(Steven Spielberg, 1993)

Um homem, capitão austríaco, atira em pessoas de sua varanda, protegido, sem elas apresentarem nenhum tipo de ameaça para ele. Os alvos são os seus próprios prisioneiros, sorteados pelo acaso, assassinados por pura diversão. O ser humano, se não é o único, definitivamente é o animal que mais mata por esporte. Nem tubarões, nem dinossauros: os mais monstruosos e assustadores animais já retratados pelas lentes do diretor Steven Spielberg são os seres-humanos, capazes de fazer as melhores coisas possíveis, mas também capazes de realizar as maiores atrocidades que o Planeta Terra já presenciou, não apenas com os seus próximos, mas também com a própria natureza. O cinema é um vetor capaz de denunciar a vilania presente dentro de nós.

Começamos com os psicopatas dos slashers norte-americanos: Michael Myers, de Halloween – A Noite do Terror, Jason Voorhees, da série Sexta-Feira 13 e Leatherface, do clássico O Massacre da Serra Elétrica. Os exemplos são muitos. No gênero do horror, também devemos pontuar as inúmeras vezes em que os seres humanos morrem e retornam dos mortos como assombrações, mostrando essa incrível relação do homem com o mal quase eterna. Os filmes de guerra, por outro lado, mostram uma faceta tão assustadora quanto crível e coletiva da vil natureza humana. O homem contra o próprio homem. O homem paranoico. O homem enlouquecido. Nascido Para Matar, Platoon e Apocalypse Now são ótimos exemplares dessa enorme descrença compartilhada.

É impossível, em três parágrafos, abordar todas as vertentes cinematográficas que compõem esse lado cruel e assustador do ser humano. Os maiores vilões cinematográficos, contudo, são os nazistas, facilmente uma das figuras mais odiadas pelo cinema e pelo seu público. Em A Lista de Schindler, acompanhamos o personagem Amon Goth, interpretado por Ralph Fiennes, o mesmo ator que encarnaria, anos depois, o Lord Voldemort da série de filmes do Harry Potter. Você-Sabe-Quem é um comparativo bastante justo com Amor Goth, mas, não se enganem, o capitão nazista consegue ser ainda mais detestável e assustador. Podemos ser bons, mas o cinema definitivamente soube como fazer os espectadores olharem para si mesmos, para o pior lado de sua própria espécie.

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Hors Concours

Kaijū
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Representante: Godzilla
(Ishirô Honda, 1954)

Quando falamos dos Kaijū, estamos falando de uma era, essencialmente, nuclear. Por isso, não é estranho notarmos semelhanças entre os filmes japoneses produzidos nos anos 50 e os filmes americanos produzidos nos anos 50, ainda mais em relação ao horror. De um lado, tínhamos insetos gigantes e, do outro, também tínhamos insetos gigantes, mas transformados em monstros únicos. Os Kaijū são bestas estranhas, como a palavra japonesa é traduzida para o português. Não é difícil associá-los a animais, embora estejam longe de ser animais tradicionais, como Mothra, a Deusa Selvagem, definitivamente uma mariposa. As semelhanças entre Godzilla, o mais famoso desses monstrengos, e um lagartão são claras, também se aproximando de características de um dragão, que não englobamos na lista acima por razões dos Kaijū, de uma forma ou de outra, também acabarem falando sobre essas criaturas mitológicas não-nipônicas, apesar de não as considerarmos, formalmente, dentro desse escopo. A mitologia está cheia de bestas estranhas. Como a criatividade do ser-humano possui limite, sempre nos veremos retornando, quando o assunto é terror, aos velhos animais de sempre. A questão é que, enquanto os americanos achavam que a radiação iam fazer os bichos do dia-a-dia aumentarem de tamanho, os japoneses perceberam, com muito mais imaginação, que ela poderia modifica-los inteiramente, criando monstrengos por completo.

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Agora é a vez de vocês participarem, nos comentários, da nossa lista. Quais são, para vocês, os animais mais assustadores do cinema? Gostariam de acrescentar algum filme a nossa lista? Algum animal? Infelizmente, não deu para colocar mais, porém, pensamos seriamente em adicionar baleias, pássaros, ursos e até suínos, pedido especial por parte do Ritter Fan, que queria ver O Corte da Navalha, trasheira australiana dos anos 80, na lista.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.