Lista | Top 10 – Os Melhores Mutantes da Marvel

Uma das listas mais complicadas para confecção, entre todos os inúmeros Top 10 que fizemos até agora, esta abrange as dezenas de personagens relevantes que podem ser chamados de mutantes, homo-superior, por nós, meros leitores, ou seja, homo-sapiens. Da Casa das Ideais, eles surgiram, condenados por tantos dentro das histórias, amado por todos fora delas. A lista a seguir não contempla os mutantes mais poderosos dos quadrinhos da Marvel Comics, muito menos aqueles com os poderes mais interessantes, mas os personagens que possuem as melhores premissas, os melhores desenvolvimentos e/ou as melhores aparições dentre as décadas de publicações das revistas da empresa, tudo levando em conta a subjetividade do autor, Gabriel, o Mercenário Tagarela, e seu contribuinte, Professor X-Fan. A mim, meus X-Men!

10.  Tempestade

Tempestade é uma personagem querida, alter-ego de Ororo Munroe. Os poderes da personagem, por sua vez, são óbvios, mas extremamente charmosos, em uma contraparte do Thor, também controlando o tempo – alguns caracterizam-na como uma mutante nível Ômega. Contudo, se Thor é Deus, Ororo é Rainha, visto que a personagem casou-se com T’Challa, em um matrimônio duradoura, e esteve ao lado do Pantera Negra em muitas aventuras e desventuras – uma dupla magnífica. A Tempestade participou dos X-Men, dos Vingadores e até do Quarteto Fantástico. A Tempestade já liderou os X-Men e já liderou os Morlocks. Os visuais também já variaram bastante. O clássico moicano da personagem, por exemplo, é uma das ideais mais geniais de Chris Claremont e Paul Smith, caindo no gosto dos fãs. Uma pena que o cinema não tenha capturado a personagem em toda a sua grandiosidade, mesmo com os esforços de Halle Berry.

9. Noturno

  • Primeira Aparição: Giant Size X-Men #1 (Maio de 1975), criado por Len Wein e Dave Cockrum.

Kurt Wagner é um dos vários personagens que foram chamados para integrar a segunda formação dos X-Men, composta por mutantes de variadas nacionalidades, como Wolverine, Tempestade, Colossus e Solaris, após todos os membros da original, com exceção de Ciclope, terem sido capturados por Krakoa, a Ilha Viva – sendo que essa não era a primeira equipe indo a resgate, mas a segunda, visto que a primeira já tinha sido aniquilada completamente e Charles Xavier apagou os heróis que morreram, em vão, da existência, pontuando-se, novamente, contra sua posição nessa lista. O alemão Kurt Wagner, apelidado de Noturno, por sorte, não demorou muito para ganhar o carinho do público – já até se sacrificando -, com o seu poder super interessante de teletransporte também sendo abraçado pelo cinema, na interpretação de Allan Cumming, em X-Men 2.

Dos X-Men, ele, filho completamente aleatório de Mística com Azazel, era o primeiro personagem da equipe com uma aparência imensamente destoante da humana – diferentemente de Fera, que ganhou esse visual com o tempo -, sendo muitas vezes comparado com o diabo, como acontece em Deus Ama, o Homem Mata. Sua origem é baseada na perseguição, apenas pela sua mera existência. Os poderes não causam nada, são um escape para ele, enquanto as habilidades dos seus demais companheiros eram o gatilho para o ódio. Noturno poderia até não ser mutante, mas o fato de ser diferente provocava ódio. O diabo. A fortíssima ligação de Kurt, por isso, com a religião cristã é uma das abordagens mais ricas das feitas com personagens “menores” desse universo. Noturno não teve a mesma atenção que outros mutantes, mas ganhou espaço em detalhes maravilhosos.

8. Professor X

Colocar um personagem tão icônico quanto o Charles Xavier em oitavo lugar é pedir por explicações do porquê ele não estar melhor ranqueado. O grande cérebro dos X-Men, liderando aquela primeira equipe, formada por Ciclope, Homem de Gelo, Anjo, Fera e Jean Grey, possui ideais da harmonia entre os mutantes e os homens, mas está longe, mas muito longe, de ser um grande ser humano – nem um grande ser mutante. Porém, os roteiristas, na verdade, nunca souberam muito bem como desconstruir o personagem, apesar da ideia ser interessantíssima – embora não tenha sido usada nos cinema em nenhuma vez. Os imensos poderes não o salvam de uma perversão questionável, como a queda por Jean Grey, ou as mortes que forjou aleatoriamente, parecendo que foi apenas de brincadeira. “Morreu? Vou apagar você da existência.” E, em alguns outros casos, as mentes por trás das histórias até mesmo decidiram fazer o personagem andar, tirando toda a presença visual de sua essência. Eu gosto mesmo é da cadeira de rodas.

7. Namor

  • Primeira Aparição: Motion Picture Funnies Weekly (Abril de 1939), criado por Bill Everett.

Pensar Namor como mutante é pensar em uma história sendo recontada, com detalhes a mais adicionados – o famoso retcon. Os mutantes foram inventados por Stan Lee e Jack Kirby, mas Namor, o Príncipe Submarino, surgiu muito tempo antes, pelas mãos de Bill Everett – também criador do Demolidor -, durante a Segunda Guerra Mundial. Ao lado do Capitão América e do Tocha Humana Original, assim como outros personagens, Namor ganhou bastante relevância nesses anos de guerra, formando os Invasores – pensamento posterior, de união dos personagens da época como uma equipe, atribuído às histórias desses icônicos heróis. Desses personagens, porém, Namor foi o primeiro a retornar ao Universo Marvel dos quadrinhos, após os tempos de guerra, na quarta edição da revista do Quarteto Fantástico, em 1962.

O envolvimento com o Quarteto Fantástico, descoberto, ironicamente, pelo novo Tocha Humana, é curioso, porque reflete muitas das características do personagem, um anti-herói, de certa forma, bastante repulsivo. O caso com a Mulher Invisível, por isso, é um dos pontos mais importantes relacionados a sua personalidade complicada. Na retomada desta figura, aliás, Namor até mesmo era visto como vilão, tendo encarado os Vingadores diversas vezes, até mesmo na revista em que o Capitão América ressurge, antes congelado. O pavio curto era a maior causa desses conflitos, assim como o seu ego inflado, achando-se superior aos demais. O seu herói favorito ganhou um desenho animado? Saiba que Namor possui uma série televisiva própria e, portanto, essa discussão termina por aqui.

6. Vampira

  • Primeira Aparição: Avengers Annual #10 (1981), criada por Chris Claremont e Michael Golden.

A franquia cinematográfica dos X-Men não fez justiça à grandiosidade de Anna Marie, a Vampira, personagem com origens trágicas, passagens góticas e muitas fases distintas. Os seus poderes são simples, mas abertos a muita criatividade. Ao tocar em uma pessoa, Vampira absorve as suas respectivas habilidades e memórias. A relação de Vampira com a Mística é uma das mais interessantes do universo dos X-Men, dando margem a sua participação pela Irmandade dos Mutantes, resultando em um dos acontecimentos mais magníficos dos quadrinhos. A personagem tem um embate fervoroso com a Miss Marvel, Carol Danvers, que ocasiona a absorção dos poderes da heroína, mas, pelo contato prolongado, de maneira quase permanente.

Vampira, em consequência, passou a voar e tornou-se uma personagem muito mais sobre-humana, por várias de suas incarnações. As memórias também foram absorvidas, criando algumas quebras de realidade. O trabalho de aprendizado, sabendo como usar seus poderes, mostra-se, nesse caso, extremamente vital – passou a ser uma X-Men. Como ter um relacionamento amoroso, no final das contas? O amor está no ar e temos Gambit como um parceiro longínquo da personagem, em um romance indo e vindo por décadas. Vampira cresceu para além da sua fase vilã, tornando-se uma heroína de primeiro escalão, até mesmo parte de uma das formações mais recentes dos Vingadores, em Uncanny Avengers.

5. Jean Grey

  • Primeira Aparição: X-Men #1 (Setembro de 1963), criada por Stan Lee e Jack Kirby.

Jean Grey é uma conhecida dos fãs dos X-Men, a figura mais trágica do grupo, sempre morrendo e retornando. Ninguém sabe quantas vezes isso aconteceu. Às vezes, a personagem até mesmo ressuscitava, mas era um clone ao invés dela de verdade. Bem confuso. Dessa forma, a Jean Grey real deve ter aparecido nos quadrinhos poucas vezes, muito menos do que provavelmente nós, consumidores de todos os materiais da franquia, pensaríamos como resposta, em razão dela ser extremamente famosa, mas, também, por causa de todas as demais mídias, que a explorou suficientemente. Os quadrinhos, por outro lado, mantiveram-na morta por bastante tempo, anos e anos.

Apenas recentemente, com a sua versão do passado vindo para o presente, que Jean Grey retornou a aparecer com mais frequência nas revistas. Na biografia da personagem, encontramos uma poderosa telepata, assim como Charles Xavier, contudo, com poderes desconhecidos, que se revelam, integralmente, apenas com a chegada da Força Fênix. Jean Grey, de Garota Marvel, torna-se a Fênix, uma virada que culmina, tristemente, na Saga da Fênix Negra, transformando completamente os parâmetros de como pensar a personagem. Os relacionamentos amorosos também são interessantes, com Ciclope e Wolverine assumindo papéis centrais. Ma o poder de Jean é uma característica que vai além de qualquer amor de verão.

4. Magneto

  • Primeira Aparição: X-Men #1 (Setembro de 1963), criado por Stan Lee e Jack Kirby.

O grande antagonista dos X-Men é um dos personagens desse universo com o arco dramático menos complicado de entendimento pelo espectador leigo, sem ser menos especial e importante em razão disso, muito pelo contrário. Como conta as origens do vilão, narrada também em Magneto – Testamento, Max Eisenhardt é um menino judeu caminhando através da Segunda Guerra Mundial. As implicações disso são claras, dando margem para uma compreensão da posição do personagem para além de sua infância. A opressão no passado não quer que ele combata a opressão no presente, mas combata, em um jogo interessante com os ideais de Adolf Hitler, definidores do que foi sua infância, os opressores, aqueles que, no seu caso, não atendem a espécie pura dos mutantes, os homo-superior. A guerra surge disso, assim como o Magneto.

Obviamente, nenhum desses parâmetros anteriores à guerra que travaria com Charles Xavier, nas constantes disputas entre os X-Men e a Irmandade de Mutantes, existia, originalmente, no cânone do personagem, mas a implementação adicionou camadas e permitiu o desenvolvimento. Porque, com o tempo, Magneto deixaria de ser um vilão como qualquer outro, interessado em movimentar vilanices, para se misturar com o anti-heroísmo. A temática sempre se manteve rica, como encapsulou bem a saga cinematográfica dos X-Men, lugar em que recebeu a interpretação extremamente competente de Ian McKellen e, depois, de Michael Fassbender. O antagonista, no final das contas, permanece em ativa constantemente, assumindo posições distintas no universo regular, assim como nas suas versões alternativas. Estamos diante de uma riqueza temática baseada em simplicidade.

3. Wolverine

O melhor nos que faz, apesar do que ele faz ser nada bonito, Wolverine é o mais popular mutante da Marvel Comics, assim como um dos mais populares personagens dos quadrinhos, igualmente da cultura popular. A sua origem, contada em Origem, tratou, em termos consideravelmente recentes, de resolver o passado do personagem, nos evidenciando um homem que, desde seus primórdios, sempre teve sangue em suas mãos – e em suas garras. Hugh Jackman, além de tornar Wolverine um símbolo sexual, algo que o personagem originalmente nunca seria, baixinho e verdadeiro animalesco, também tornou Wolverine o grande sucesso que é hoje, apesar de que, quando X-Men – O Filme foi lançado, o carcaju já tinha grande público, por meio de decisões  acertadas atrás de decisões acertadas, entre momentos icônicos nos quadrinhos e participações interessantes em séries de televisão.

O herói, dessa forma, tem uma coisa que nenhum outro personagem nessa lista tem: uma quantidade monstruosa de histórias sobre ele, sendo que, invariavelmente, muitas delas são muito boas. Ao mesmo passo, as decisões corretas nos quadrinhos promoverem um senso de protagonismo imenso, com Wolverine tornando-se um dos X-Man mais constantes das revistas da equipe, raramente saindo de cena, ora para participar de uma formação dos Vingadores, ora para integrar a X-Force. O embate entre o seu eu ser humano e seu eu animal é uma temática clássica de apropriação da figura de Logan, mas a maneira de trabalhar isso, assim como tantas outras vertentes possíveis, já foi para muitos caminhos: faroestes, assumindo uma versão caubói de si mesmo, histórias em meio a um cenário nipônico, rodeado de samurais, assim como obras de máfia. O Wolverine é duro de roer.

2. Kitty Pryde

  • Primeira Aparição: Uncanny X-Men #129 (Janeiro de 1980), criada por Chris Claremont e John Byrne.

Chris Claremont e John Byrne estão “prestes” – distante alguns meses – a matar a Fênix, na Saga da Fênix Negra. Os X-Men estarão logo de luto. O que os quadrinistas fazem no meio do percurso? Dão introdução à Kitty Pryde, disputada pela equipe e pelo Clube do Inferno. A personagem é uma fagulha de esperança para esses heróis, já adultos. Enquanto, em sua idealização, o Instituto Xavier Para Jovens Superdotados era uma escola, a premissa havia se perdido. Kitty Pryde retornou essa temática e proporcionou aos heróis um olhar de volta para suas raízes. Quando Claremont e Byrne inventaram uma história solo para a personagem, nos presentearam com Demônio. Kitty Pryde é o símbolo da melhor fase dos X-Men – personagem central do funcionamento desses maravilhosos anos 80.

“Xavier é um idiota!”

Sim, Kitty, mesmo com razões mais infantis, falou tudo que deveria ser falado sobre Xavier, muito tempo antes de alguém falar tudo que devia ser falado sobre o Professor Xavier, um homem muito equivocado. Isso acontece quando Charles ameaça colocá-la na nova equipe que havia criado, Os Novos Mutantes – ou X-Bebês -, sob a tutela de ninguém mais, ninguém menos que Magneto. Querem mais razões para acreditar que Kitty Pryde é um das melhores mutantes de todos? Retornem à edição nº 45 da revista de Os Novos Mutantes, quando a personagem discursa novamente de maneira belíssima, em um momento marcante. Essa garota sabe falar. Sem esquecer de mencionar X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido e outras tantas histórias, que não citarei para poupá-los. Kitty Pryde nunca foi só mais uma personagem e eu ainda não disse que o poder dela é a intangibilidade.

O interesse de Chris Claremont na sua criação era tão grande que até mesmo deu margem a uma minissérie de 6 edições, ilustrada por Al Milgrom, estrelada por ela e o carcaju mais sanguinário de todos: Kitty Pryde e Wolverine. Foi nessa minissérie, aliás, que a personagem ganhou o codinome de Lince Negra, que carrega até hoje. Também encontramos, no meio dessas aventuras todas, o surgimento do melhor animal de estimação dos quadrinhos, o dragão Lockheed. Claremont, após o Massacre dos Mutantes, novamente retornou com a personagem, em 1987, para ser integrante do mais novo super-grupo de mutantes: Excalibur. O seu bom coração também é uma marca, possuindo, além dos grandes discursos, caráter nobre e muitas outras virtudes. Quando Stryker, em Deus Ama, o Homem Mata, aponta o dedo para Noturno e questiona a humanidade do herói, Pryde responde:

“Mais humano que você!

Noturno é generoso e dócil e decente! Ele teve todas as razões do mundo para ser amargo, todas as razões para ser tanto um demônio por dentro e por fora. Mas ele decidiu rir, ao contrário!

Eu espero ser metade da pessoa que ele é. E se eu tiver que escolher entre me importar com meu amigo e acreditar em SEU Deus… Então eu escolho… Meu amigo!”

Na incrível Surpreendentes X-Men, de Joss Whedon e John Cassaday, Kitty Pryde, para mencionar um quadrinho mais recente, assume papel dianteiro, de incrível proeminência, retornando após manter-se ausente por um bom tempo das histórias dos mutantes. Os anos se passaram e até mesmo tornou-se uma Guardiã da Galáxia, em breve romance com o Senhor das Estrelas. O relacionamento da garota, agora já uma mulher, com o Colossus – personagem que me dói o coração estar fora dessa lista -, também é um grande acerto das suas histórias, sendo que os dois finalmente se casariam recentemente – em uma cerimônia onde Gambit, porém, foi quem se casou, mas com a Vampira, na melhor conclusão de novela possível. Lince Negra, surpreendente, é a personagem que mais levou os ideais do Professor Xavier adiante – a verdadeira sucessora de um homem que se perdeu.

1. Ciclope

  • Primeira Aparição: X-Men #1 (Setembro de 1963), criado por Stan Lee e Jack Kirby.

Scott Summers, o Ciclope, amou duas coisas em sua vida mais do que outras: Jean Grey, a parceira de combate que todos, da primeira classe, gostavam, e os ideais do Professor Xavier, convicções que carregou em seu peito por pouco tempo e tempo demais. Conseguiu falhar com as duas coisas que amou –  e essas coisas, em especial Xavier, também falharam. A tragédia ciclopiana é uma das mais interessantes dessa última década dos quadrinhos da Marvel Comics, apesar de que tentarei manter vocês, caros leitores, fora de spoilers mais recentes. O que acontece é que o Professor X, no final das contas, provou não ser nenhuma flor que se cheire. O líder dos X-Men conduziu seus mutantes à base de muitas mentiras. Ciclope decepcionou-se. Ao ter seus ideais quebrados, uma vez almejados, completamente repensados, Scott desconstruiu-se – ou, melhor, destruiu-se. Um dos personagens mais instáveis da história dos quadrinhos, mesmo longe de estar, em vários casos, totalmente errado. O extremo, em contrapartida, sempre enfraquece causas. Ciclope, por ora, esteve certo em algumas delas.

A questão da liderança também sempre foi muito forte para o personagem, entrando em inúmeros conflitos com outros mutantes, como Tempestade e Wolverine, e, às vezes, até comandando sua própria equipe, por causa do título de líder. A comparação entre o Ciclope primeiro e o Ciclope mais atual é uma boa ideia para qualquer leitor perceber a diferença entre os dois. Recentemente, até mesmo fizeram isso, com uma viagem no tempo, trazendo a equipe original para o presente. “Um” grande amor, se é que podemos chamá-lo assim, foi Emma Frost, ganhando força na década passada. A única pessoa que conseguiu entrar na sua cabeça, após Summers desacreditar de seu ídolo. A construção, então, caminha para o seu ápice: Vingadores Vs. X-Men, uma história fraca para uma premissa maravilhosa. A revolução mutante começa. O Professor Xavier foi um líder. O Magneto foi outro líder. Ciclope é o novo líder. As causas, porém, para serem desbravadas, precisam nos retornar a sua primeira aparição, onde o herói já tecia comentários sobre “o” grande amor de sua vida: Jean Grey.

Scott Summers, porém, possuindo muito pouco de verdadeiro mocinho, já “traiu” Jean Grey inúmeras vezes, até mesmo com clones da personagem – mesmo que, em alguns casos, não tivesse sido culpa dele, por nem saber que seu amor estava vivo. A relação com Madelyne Prior, esse tal “clone” – ou um dos tais clones, pois sempre esqueço-me se existiram mais -, apesar de ser um ponto que não gosto muito dos quadrinhos, por ser over demais, é um símbolo dessa justificativa do personagem como um ser devastando-se o tempo todo, sem conseguir encontrar-se em algum lugar definitivo. Quando as coisas que ele amou se esvaem ou não são mais ou que aparentavam ser, Scott se sufoca.  Ciclope precisa de ideais e não consegue resistir à quebra deles. Temos, afinal, a clássica Saga da Fênix Negra para posicionar Scott Summers aos prantos, com a mulher que ama morta em seus braços. Foi nesse momento, possivelmente, que as coisas começaram a desandar para o personagem. E como desandaram. Uma pena que dificilmente irão construir um personagem tão fantástico quanto esse nos cinemas.

Hors Concours

Feiticeira Escarlate

  • Primeira Aparição: X-Men #4 (Março de 1964), criada por Stan Lee e Jack Kirby.

Wanda Maximoff, conhecida como Feiticeira Escarlate, é uma das grandes personagens da Marvel Comics. Por que incluí-la nessa categoria, fora de competição? A resposta é simples, não por ela ser, necessariamente, a melhor mutante da empresa – o páreo é definitivo, pelo menos -, mas por ela ser a melhor mutante que não é mutante, mas é mutante. A personagem, por décadas, foi conhecida como a filha de Magneto, gêmea de Pietro Maximoff, o Mercúrio. Após ser parte da Irmandade de Mutantes, em tempo que ainda não sabia ter relação com o grande antagonista dos X-Men, uniu-se, ao lado do irmão, aos Vingadores, em uma das propostas mais interessantes dos quadrinhos clássicos dessa equipe: uma formação composta por três adições inéditas, todas sendo criminosos regenerados – o Gavião Arqueiro era o terceiro. Os passos dela a seguir, todavia, deixariam a sanidade heroica para encontrar espaço em uma loucura destrutiva.

Gavião Arqueiro e Mercúrio permaneceram como heróis, mas Feiticeira Escarlate, não muito tempo atrás, mostrou ao mundo todo o seu potencial, sendo a causa de uma das sagas mais relevantes de todas da empresa: Vingadores – A Queda. Os poderes apenas cresceram e cresceram. A realidade passou a ser uma possibilidade de alteração imensamente manipulável. As consequências perduraram por anos, sendo cada grande evento resultado de um anterior. Um mundo utópico foi criado. Os mutantes foram quase exterminados. A Queda é o princípio, mas não o fim. O seu relacionamento com o Visão, outro personagem icônico da super-equipe, é um dos mais charmosos e estranhos da história. A união entre esses seres super poderes dá origem a duas crianças. As crianças, porém, não passam de invenções de Wanda Maximoff. Tudo é, meramente, uma enorme ilusão. A loucura é consumida gradualmente até vir à tona. Os Vingadores, enfim, acabam, assim como a paz para a personagem.

Com poderes, de certa forma, vagos, Wanda Maximoff nunca teve grande espaço nos quadrinhos até autores decidirem dar esse gigantesco passo na vida da personagem, explorando habilidades até então adormecidas. O desenvolvimento ganhou camadas. O passado da Feiticeira Escarlate, afinal, já havia sido bastante sofrido, visto que ela queimou viva, na descoberta dos poderes, sua mãe “adotiva”, uma cigana de sobrenome Maximoff. A relação entre irmão e irmã também é ótima. Temos dois personagens que sofreram nas mãos dos odiadores de mutantes e, temendo ser ainda mais massacrados, decidem se juntar aos Vingadores, porque lá poderiam ser heróis sem serem julgados, não aos X-Men, possibilidade de infelicidade. Os poderes de Pietro, porém, são muito mais facilmente manipuláveis que os de Wanda, uma personagem que não deixaria de sofrer com o tempo – as crianças, especialmente. Depois do caos, contudo, as coisas, parecem ter encontrado, finalmente, rumos mais otimistas.

Mesmo assim, ainda não respondi a pergunta inicial. Por que não mais mutante – frase emblemática usada ironicamente aqui? Com todas as divergências de direitos cinematográficos sobre os personagens de Pietro e Wanda, ambos mutantes, mas também Vingadores, a dupla acabou podendo ser usada tanto na franquia da Fox quanto na franquia da Marvel Studios. Entretanto, como a Marvel Studios não é boba nem nada, novamente sabotou os personagens da distinta concorrência, recriando a origem dos dois. A realidade é que o fato deles serem filhos de Magneto já era uma espécie de continuidade retroativa, popularmente chamada retcon, mas a mudança – no caso, adição – aconteceu décadas atrás e já tinha se tornado parte do cânone não apenas teórico, também pessoal da conexão entre espectador e obras. Pois bem, em Uncanny Avengers Vol. 2 #4, o Alto Evolucionário simplifica tudo. Maximoff são os pais biológicos dos gêmeos, apenas seres aperfeiçoados, ou seja, não mais mutantes.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.