Lista | Top 10 – Os Melhores Personagens de The Walking Dead

Alguns personagens ganham relevância para o público apenas quando morrem, como é o caso de Tyreese, no excelente What Happened and What’s Going On. Outros personagens nunca tiveram real relevância, mesmo durando mais de uma temporada, como é o caso de T-Dog, morrendo sem impactar ninguém. Nessa lista, estaremos de olho nos personagens melhor desenvolvidos através das inúmeras temporadas de The Walking Dead. Com mais tempo vivo, é claro, temos mais oportunidade para arcos maiores e mais complexos – ou, por outro lado, mais redundância. Dentre os pontos de discussão, eu, Gabriel “We Are The Walking Dead” Carvalho, julguei, pela minha subjetividade, as intenções de desenvolvimento para cada personagem, os mais interessantes arcos dramáticos, como também o carisma, os intérpretes, as relações entre um e outro, a incoerência na construção e reconstrução de personalidade e os vácuos existentes entre alguma coisa estar acontecendo com certo personagem ou nada estar acontecendo. Nós somos os mortos-vivos?

  • Observação: Há spoilers da série. Leiam, aqui, as críticas de todas as demais temporadas, dos games e das HQs. E, aqui, da série spin-offFear the Walking Dead.

10. Morgan Jones

O personagem, interpretado por Lennie James, caso contasse apenas com a competência do seu ator e a insistência dos responsáveis pela série, estaria em uma das primeiras posições. As intenções com o arco do personagem são realmente muito boas. Quando o conhecemos, no primeiríssimo episódio, estamos diante de um homem permitido a salvar um completo estranho. Quando o reconhecemos, em Clear, da terceira temporada, a situação é completamente diferente, visto que o seu filho morreu. Morgan está destruído, em uma jornada de verdadeira destruição do ser humano, em um instinto animalesco pela morte, por limpar. Aqui não é aqui. O retorno, na quinta temporada, contudo, mostra uma criatura completamente diferente, acreditando em valores pacifistas. O que aconteceu?

Here’s Not Here é um dos meus episódios favoritos da série, me fazendo simpatizar extremamente com essa mudança de perspectiva para o personagem, completamente destruída antes, renascida agora. Dado um esgotamento de ideias por parte dos roteiristas, insistindo em redundâncias que tornou-o um cara consideravelmente chato, a antipatia por Morgan, tendo em vista o público, cresceu absurdamente. Com o intuito de retomar as feições de outrora, assassinas, retornamos ao coadjuvante de antes. Agora, retomamos o coadjuvante cheio de amor para dar. Os círculos incomodam. Mesmo assim, Morgan continua sendo uma das grandes figuras já apresentadas nessa série. Daqui em diante, também em Fear the Walking Dead, para o sofrimento do nosso querido Ritter Fan.

9. Beth Greene

A jovem personagem demorou para finalmente engatar, mantendo-se em um estado de quase inexistência pela segunda e terceira temporada, mas a proeminência veio com a quarta e a quinta, garantindo-a um espaço no coração de diversos fãs. Desde a morte de seu pai, Beth, vivida por Emily Kinney, passou a crescer como uma figura dentro do apocalipse zumbi, tendo que sobreviver, ao lado de Daryl Dixon, em razão da queda da Prisão. Uma pessoa que nunca esteve sozinha, por fim, estava por sua própria conta, ao ser raptada pelos moradores do hospital, acontecimento que lhe conferiu um protagonismo inesperado, além de uma morte consequente inesperada, mas coerente dentro do desenvolvimento da personagem.

8. Daryl Dixon

Daryl Dixon é, provavelmente, o personagem mais popular da franquia. Norman Reedus, seu intérprete, abocanha uma quantidade absurda de fãs, em decorrência do seu enorme carisma, apesar de estar bastante longe de ser um dos melhores artistas da série. O personagem há muito tempo anda em círculos, sem definir o exato caminho para onde quer ir e isso é, possivelmente, um ponto positivo, justamente para evidenciar esse sentimento de perda, de deslocamento. Um homem rebelde, revoltado, que tornou-se parte de uma família que, de início, rejeitou. Um coração mais mole que as expressões aparentam.

As relações de Daryl com Carol, a quem ajudou – fracassadamente – na busca pela sua filha, e Merle, seu irmão ainda mais instável – que me doeu deixar de fora da lista, por uma única posição -, são relevantes para um melhor apreciamento do personagem, composto de características que o torna ímpar, como o uso da besta, as flechas infinitas, a motocicleta de sempre e o desapego em tomar banhos ou cortar cabelo. Dá para sentir o cheiro da sala de casa. Os bons momentos impedem que vejamos o icônico personagem de maneira realmente cética, mas saberemos se Daryl foi realmente um bom personagem ao final do seriado.

7. Maggie Rhee

De interesse amoroso do garoto coreano a uma das líderes das comunidades da sétima, oitava e nona temporada de The Walking Dead, Maggie Greene – depois, Maggie Rhee – tornou-se algo a mais com o tempo. O arco, inicialmente, é romântico, mas ganha subversões com o distanciamento do namorado, na quinta temporada do seriado. A morte de Glenn a redefine, instigando a vingança diante do sofrimento. A personagem vai ganhando novas facetas, as quais Lauren Cohan sabe explorar parcialmente bem. O recente assassinato de Gregory mostra que não estamos falando de uma mulher a seguir outras lideranças, mas a liderar – pena que, antes, tenhamos ficado em um discurso pouco crível sobre essa característica de Maggie. Eis um sétimo lugar merecido, mas que poderia ter sido mais.

6. Glenn Rhee

O descendente de coreanos mais famoso das séries de televisão, Glenn Rhee conquistou o público desde a sua primeira aparição, quando era apenas um áudio. O apocalipse amadureceu o jovem entregador de comida, finalmente se encontrando com algo possível de ser chamado de amor. Steven Yeun soube ser amável, nos convencendo das características mais singelas dentro de seu papel, mesmo com o roteiro não sabendo, em certos momentos, o que fazer com o personagem. A jornada de reencontro à Maggie, durante a segunda metade da quarta temporada, é verdadeira, um dos grandes ápices da trajetória do personagem pela série. Sua morte definitivamente criou um vácuo de carisma em The Walking Dead, assim como sua não-morte, pouco tempo antes, fomentou uma antipatia do público pelo seriado. Morre ou não morre?

5. Hershel Greene

Scott Wilson interpretou um personagem que o tornou eterno na história da televisão americana. Hershel Greene é um dos casos de contraparte televisiva superior à versão original, dos quadrinhos. Na série, embora durando apenas duas temporadas e meia, Hershel mostrou-se de vital importância para a coesão do grupo. A segunda temporada, no final das contas, gira muito em torno do que o personagem acredita, na sua visão alienada de um mundo que não pode mudar, deve continuar sendo como era. O que está diferente, deixa guardado para a oportunidade de, um dia, poder consertar. O intérprete conseguiu criar um personagem bastante diferente dos quadrinhos, mas parte essencial da alma de um seriado que, na época de sua morte, encontrava o seu ápice.

Apesar da segunda ser o grande enfoque dado ao personagem e sua história de vida, mais tarde, na quarta temporada, o senhor acaba sendo morto pelo Governador, em um processo de destruição completa da inocência de esperança que residia dentro da Prisão. A queda não é apenas de muros e cercas. Hershel acreditava em algo maior, pensava em valores que, possivelmente, estariam perdidos sem ele. Como esquecer de quando arriscou sua vida ao enfrentar uma doença por acreditar na recuperação de seus pacientes? Quando os personagens da série realmente tiveram de se despedir do ancião, as coisas começaram a se encaminhar para um declínio da humanidade de outrora. Rick Grimes foi de xerife a justiceiro.

4. Michonne

A guerreira samurai com a katana mais sinistra de todas, Michonne não tem sobrenome. Um personagem pode ser mais maneiro que isso? Quando foi apresentada na terceira temporada, Michonne não era de falar muito, mantendo-se quieta e protegida pelos seus dois mortos-vivos de estimação. A comparação desse seu lado primitivo com o de hoje, permitido a viver numa sociedade novamente, mostra mudanças significativas, muitas diferenças na interpretação de Danai Gurira, quase como se a sua personagem fosse permitida à felicidade, após ondas de perdas e sofrimento, inexoráveis ao respectivo ambiente de miséria da humanidade.

Clear foi um respiro para a personagem, dado o contexto problemático da existência do Governador e sua relação desastrosa com Andrea, coadjuvante de proeminência tendo as piores decisões possíveis na época. Mais uma perda. A série, portanto, criou uma amizade forte entre ela e Carl Grimes, um carinho mútuo. Alexandria, finalmente, tornou-se o verdadeiro estabelecimento de uma sociedade, de algo além do assassinato de zumbis e a morte de entes queridos. Michonne quis guardar a sua katana e a guardou. Michonne quis ficar com Rick Grimes e ficou, um relacionamento que, na série, mesmo que não exista nos quadrinhos, é completamente crível.

3. Shane Walsh

O singular Shane Walsh é um personagem inesquecível. Nos quadrinhos, o antigo parceiro do protagonista da série dura apenas seis edições, já sendo capazes, por outro lado, de mostrar todo o poder argumentativo existente na mera existência desse homem neste cenário primeiro, o cara certo para a hora errada. Rick Grimes, no final das contas, não viria a tardar para se igualar ao seu melhor-amigo.

Muitas atitudes dele, caso no contexto de hoje, seriam vistas com o mesmo asco de outrora? Definitivamente não, porque assassinar pessoas enquanto dormem é muito pior que a maior travessura já feita por esse ex-policial. Além disso, temos os próprios demônios do personagem de Jon Bernthal, como o relacionamento amoroso que possui com Lori Grimes. Os efeitos comparativos engradecem muito esse grande antagonista e seu desenvolvimento.

Matar Otis, na segunda temporada, foi uma atitude horrível ou a substituição de duas mortes por apenas uma? Você jogaria alguém na frente de um trem para salvar outras vinte? Shane Walsh responde essas perguntas, tem uns delírios no meio delas e não gostamos nem um pouco da resposta. Rick Grimes, quando um herói, não conseguiu suportar o seu amigo da segunda temporada, mas, provavelmente, Shane não suportaria olhar o xerife da sexta.

2. Carol Peletier

O verdadeiro significado de “os roteiristas não pensaram nisso inicialmente”, Carol Peletier é a personagem mais surpreendente da série. Quando duas pessoas doentes foram assassinadas brutalmente na quarta temporada, ninguém imaginaria que a doce senhora fosse ser capaz de algo do tipo, em razão do passado de passividade, diante da covardia de seu marido e a incapacidade de salvar a sua filha. O sentimento de impotência era bastante forte, mas a mulher passou a possuir uma atitude extremamente ativa em sua vida, sendo a única dona de seu destino.

A gigantesca mudança, é claro, provocou cicatrizes em seu interior. Durante a sexta temporada, por exemplo, decidiu abandonar a vida de mortes, como quando, inspirando-se numa verdadeira metralhadora de seres humanos, salvou, sozinha, o seu grupo dos terríveis canibais ou quando, automaticamente, assassinou vários lobos, porque tinha de fazer o que tinha de fazer. Agora, uniu-se ao Rei Ezekiel e parece ter mais planos para o futuro, sendo uma das favoritas dos fãs e dos roteiristas. Melissa McBride é incrível, aliás.

1. Rick Grimes

Do ex-xerife de uma cidade do interior a uma criatura com imenso pulso assassino, Rick Grimes é a desconstrução do herói clássico, ansiando por salvar a todos, retirando o menor número possível de vidas nesse caminho. O homem torna-se anti-herói, deixando de ser o exemplo a ser seguido por seu filho em outrora. O homem se aproxima de seu amigo de antes, destruído antes do que deveria pelo apocalipse, mas entendendo-o mais cedo do que muitos. A redundância pontual de arcos dramáticos entre a sétima e a oitava temporadas deve ser parcialmente ignorada, até mesmo porque as temporadas são fracas por si só, mas estamos diante de um personagem se desenvolvendo, se aproximando de seu fim, assim como Andrew Lincoln cresceu na série e há de se despedir de seu papel mais icônico.

Em memória de Scott Wilson, que faleceu no dia 6 de outubro.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.