Lista | Top 10 – Os Melhores Vilões do Homem-Aranha

Contém fracasso.

Você gostaria de ser o Homem-Aranha? No nosso mundo, possivelmente, porque certamente não teríamos essa imensidão de super-vilões super vilanescos para enfrentar em um terrível cotidiano, dividindo escola ou faculdade com o árduo trabalho, necessário para pagar a conta de gás, além da gigantesca responsabilidade de ser o Amigão da Vizinhança, socando idosos, aquários, eletricistas, cientistas malucos e castelos de areia. O vilão que é um rinoceronte. O vilão que é um polvo. O vilão que é um abutre. O vilão que é um escorpião. O vilão que é um camaleão. O vilão que é, agora literalmente, um lagarto. Todos contra o Homem-Aranha. No Universo Marvel, você provavelmente não ia querer ser o Homem-Aranha e eu, Gabriel “Menino-Aranha” Carvalho, irei provar essa minha tese, listando os melhores vilões do personagem, enquanto me atenho aos mais divertidos, aos mais bem desenvolvidos ao longo dos anos, aos que causaram mais dor de cabeça ao super-herói e aos que mais me agradaram subjetivamente – ou seja, não esperem ver o Gatuno, Canguru ou o Chance só porque eles são mais desconhecidos. Vai teia!

10. Duende Macabro

Um dos aspectos mais marcantes do Duende Macabro é que a Marvel Comics fez mistério de sua identidade secreta por um tempo enorme, bebendo da fonte do que fora feito com um outro duende. No entanto, a grande verdade é que o personagem foi criado por Roger Stern sem que o autor já tivesse decidido quem ele era, segundo declaração do próprio. E, quando finalmente decidiu quem seria o vilão, o quadrinista saiu da publicação, com Tom DeFalco o substituindo e discordando de Stern sobre o homem por trás da máscara. E isso continuou de maneira hilária nos bastidores por 51 edições, quando finalmente a identidade – póstuma – foi revelada, com o vilão sendo substituído por outro com o mesmo nome. Ou seja, uma zona na Casa das Ideias.

Sem falar que Stern, voltando ao personagem, “retconou” tudo em 1997, fazendo aquilo que queria, alterando a identidade para o personagem que originalmente tinha imaginado ser o vilão. Não são poucas as pessoas que já assumiram esse alterego. Já em termos visuais, o personagem, nos traços originais de John Romita Jr., diferentemente de seu primo de primeiro grau, possuía um caráter estético mais medieval, lembrando as imaginações antigas de como duendes seriam. De toda forma e talvez por causa desse folclore, o Duende Macabro tenha marcado uma geração de leitores e, com isso, ganhado seu espaço como uma intrigante e sinistra ameaça ao Aracnídeo, sempre retornando, mesmo com pessoas diferentes sob o capuz, para não ser esquecido.

– Escrito por Ritter Fan, com contribuição do autor da lista.

9. Mystério

O ilusionista Quentin Beck. As pessoas podem até decidir não colocar o Mystério no campo dos vilões inspirados em animais, mas tenho que discordar dessa afirmação, pois Mystério é definitivamente inspirado em um aquário e, portanto, em vários pequenos peixes. Até mesmo percebemos as escamas em seu uniforme. Ou acharam que aquilo era uma bola de cristal? O verdadeiro mistério está em contrapor as verdades menos questionados. A imensa fama do personagem certamente não decorre de sua capacidade de renovação como personagem, mas de todo o charme e elegância envolvido de sua presença enigmática. O Mystério é simplesmente muito legal, sem grandes rodeios, sendo que, futuramente, será interpretado por Jake Gyllenhaal em Homem-Aranha: Longe de Casa.

Algumas das histórias mais divertidas do personagem-título envolvem a presença desse cabeça de aquário, sempre dando margem à criatividade do roteirista e do ilustrador. Não muito depois da sua primeira aparição na ótima The Amazing Spider-Man #13, Mystério seria antagonista da magnífica Homem-Aranha Enlouquece!, edição #24, um dos ápices criativos de Stan Lee, sob os desenhos de Steve Ditko. Mesmo que não tenha influência para a narrativa do Teioso, o envolvimento do vilão em Demolidor: Diabo da Guarda relembra muito o que aconteceu com um outro personagem, que será comentado mais adiante. O Universo Ultimate também soube dar espaço a Quentin Beck, sem nem precisar criar uma contraparte integral do vilão. Novamente, um mistério.

8. Lagarto

O vilão que não gostaria de ser vilão. O Lagarto é uma das presenças mais trágicas dessa lista. Curt Connors, buscando reaver um braço no lugar daquele que havia sido amputado, acaba se transformando em um réptil monstruoso, como se Bruce Banner, ao invés de virar o Hulk, virasse um dinossauro com os dentes mais afiados de todos. Tivemos, então, que ficar anos e anos diante dessa saída e retorno do cientista ao seu lado animalesco, com histórias trágicas e sentimentais, mas o interessante é perceber o tratamento dos heróis ao seu personagem, encarando-o com certo cuidado, como quando os X-Men o enfrenta, mas, muito mais do que realmente atacar o doutor, buscam salvá-lo de si mesmo. A relação de Peter Parker com o cientista também já foi centro das atenções de diversas mídias, como o filme O Espetacular Homem-Aranha, de Marc Webb.

A definição do Lagarto é extremamente simples, mas poderosa. Curt Connors – também integrando a primeira formação do Sexteto Sinistro – precisa ser salvo e eu adoro, por exemplo, o tratamento dado ao personagem nas fraquíssimas Guerras Secretas. Ele não é necessariamente um vilão, muito menos um herói. Desloca-se, portanto, aos esgotos e por lá permanece. Ademais, as coisas começaram a ficar redundantes com as décadas de sua existência se passando, mas, no final das contas, o impacto permaneceu, sempre nos relembrando do pânico gerado pela sua presença ao lado da família que ama quando homem. Será que Connors devoraria seu próprio filho? Devorou. A mente sempre vai perdendo um controle gradual e o resultado é a própria aniquilação de quem Curt já pensou ser e amar.

7. Venom

“O conceito do Venom é ser, em bases consideravelmente superficiais, uma versão do mal do próprio Homem-Aranha. O uniforme preto era um símbolo negativo e que, agora, ganhava vida própria em uma criatura enormemente monstruosa. O Venom, em sua primeira aparição, é, desta maneira, uma das criações mais impressionantes de Todd McFarlane. O excesso de músculos é um auxílio para essa criação do horror nos quadrinhos ser fascinante aos olhos do leitor”, citando a mim mesmo para economizar tempo, porque, na ocasião, escrevi sobre a primeira aparição do personagem e também teci comentários sobre o que o antagonista representava para as revistas do super-herói mais divertido do mundo.

Sobre os primórdios do personagem, apesar do seu excelente visual inicial, os próximos ilustradores decidiram tornar o vilão cada vez mais animalesco, afiando os seus dentes e estendendo a sua língua. Venom, além disso, possui uma origem mais engenhosa do que costumamos acompanhar para personagens do tipo, que, ocasionalmente, simplesmente surgem – vocês podem perceber essas engrenagens todas no meu próprio texto. O futuro dele, por outro lado, seria acompanhado de várias vira-casacas, transformando-o em anti-herói e até mesmo em herói. O simbionte, ao menos, é um ser necessariamente mutável, adaptável, portanto entendemos essas tantas personificações como cabíveis. Em ajudar o Aranha ou aterrorizar o mundo, o Venom nos deixa verdadeiramente apavorados quando pensamos em certas derivações do personagem, como o Carnificina.

6. Abutre

O Abutre é um senhor de idade e essa característica, aparentemente irrelevante, é, na verdade, um dos grandes charmes desta versão inicial do personagem, que realmente parece ser um abutre, porque não podia ser um idoso menos feio vestindo uma roupa de pássaro, tinha que ser um idoso muito, mas muito feio. O passado do personagem, cheio de eventos infortúnios, que acabaria sendo narrado ao longo dos tempos – inexistente, portanto, em sua primeira aparição -, fez com que Adrian Toomes se interessasse pelo crime – e por vestir um traje verde apertadinho, cheio de penas e extremamente lúdico. Sempre doente, Toomes já sobreviveu a outras versões de sua identidade super-vilanesca, centenas de cânceres, milhares de pneumonias e incontáveis espancamentos pelo Homem-Aranha – até mesmo pelo Homem-Aranha Superior. A necessidade em agredir um idoso é imperativa nesses casos.

A união com o Sexteto Sinistro, formado em The Amazing Spider-Man Annual #1, é uma das características mais importantes da mitologia do personagem, sendo o Abutre uma presença bastante recorrente dentro do super-grupo de super-vilões. Demoraria muito tempo para uma grande tragédia de proporções catastróficas, ainda longe de qualquer Gwen Stacy com pescoço quebrado ou Tio Ben baleado, envolver o personagem, mas o fatídico dia chegaria, com a morte de Nate Lubensky, um amante de ninguém mais, ninguém menos que May Parker, em The Amazing Spider-Man #336. Os dois, para piorar, também eram amigos, sendo que o assassinato acidental não foi apenas uma tragédia por si só, mas uma tragédia para o próprio Adrian Toomes, arrependido na hora. O matar nunca esteve realmente atrelado com o Abutre, mas esse teor mais assassino já variou bastante pelos anos.

O representante da terceira idade na nossa lista também é um personagem capaz de ser simpatizado pelo público, como o que aconteceu com a sua representação nas telas do cinema, interpretado por Michael Keaton. A família, que no filme desempenha papel crucial, mas que é consideravelmente diferente da representação nos quadrinhos, onde Adrian Toomes é muito mais velho do que o Michael Keaton, que já é velho, também possui sua relevância, sendo que o personagem já cometeu diversos crimes com intenções “nobres”, como pagar o tratamento para o seu neto, possibilitando uma cura para um alguém que possuía uma doença em estado terminal, mas que ele se importava intensamente e não podia deixar morrer. Um dos momentos mais interessantes entre ele e o Homem-Aranha acontece quando o vilão tem um ataque cardíaco no meio de uma luta entre os dois e o Teioso leva-o correndo para o hospital. Ser velho tem dessas.

5. Kraven, o Caçador

Qual a maior presa possível, mais desejável, para um predador como Kraven, o Caçador? O Homem-Aranha, obviamente. Por mais galhofa que seja a presença desse vilão em Nova Iorque, com um traje espalhafatoso, o antagonismo realmente faz sentido quando paramos para pensar na factual existência de pessoas que matam seres vivos por puro esporte e, depois, prendem a cabeça desses animais na parede de suas casas, como uma conquista, como um troféu. O Homem-Aranha seria uma gigantesca conquista e este caçador, para a surpresa de ninguém, já a conseguiu.

A Última Caçada de Kraven, para exemplificar o ápice da carreira desse personagem, é uma das melhores histórias do Homem-Aranha. Sergei Kravinoff pode se orgulhar de ser uma das únicas pessoas a terem conseguido “matar” o aracnídeo e, muito antes do Otto Octavius, vestir o manto do super-herói para mostrar-se superior. Kraven, atualmente, encaminha-se para um longa-metragem solo. O resultado disso não sabemos ainda, mesmo a ideia sendo fraca, mas mostra a relevância e o entusiasmo das empresas em trabalharem com o personagem, que está conectado ao Camaleão, o mestre dos disfarces, em diversas das suas aparições.

4. Rei do Crime

O grande vilão do Demolidor – personagem recorrente das revistas do Homem-Aranha, aliás – também é um dos grandes vilões das histórias do Cabeça de Teia. O Rei do Crime é uma união de força com poder completamente imbatível. Ninguém é mais ameaçador do que esse personagem, debutando logo em uma das melhores histórias do super-herói, Homem-Aranha: Nunca Mais!. As participações continuaram, embora nunca tenham sido tão frequentes quanto a de outros personagens, porém, mesmo dividindo a atenção com o Homem Sem Medo da Cozinha do Inferno, o Homem-Aranha continuou sendo relacionado com Wilson Fisk.

Não ter nenhum super-poder não impede o Rei do Crime de ser um mafioso de primeiro escalão, sem dever a nenhum outro. O Poderoso Chefão das histórias da Marvel é o vilão mais pé no chão que o Homem-Aranha possui, sendo, possivelmente, o maior gângster das histórias em quadrinhos, cheio de classe e imponência. A Queda de Murdock representa enormemente a crueldade existente dentro do personagem, o homem, possivelmente, mais sádico dessa lista, sem arrependimentos em matar ou mandar matar. O que o Rei do Crime fez com o Demolidor, ali, não é muito diferente do que ele viria a fazer com o Amigão da Vizinhança – embora as histórias tenham qualidades muito distantes.

Um Dia a Mais, controversa história que apagou o casamento de Peter Parker e Mary Jane, como a revelação da identidade do herói durante a Guerra Civil, foi causada pelo próprio Fisk, quando ocasionou indiretamente o atentado contra a vida da Tia May – como se a idade avançada da personagem não fizesse o trabalho sozinho. O Rei do Crime, dentro da prisão, colocou um preço na cabeça de Parker, com a identidade revelada, e na cabeça de seus entes queridos. Foi espancado pelo Homem-Aranha, prometendo matá-lo caso a Tia May morresse. Wilson Fisk, de aparições em séries animados e em videojogos, é, enfim, um sádico, mais condenável do que malucos fantasiados. Se não puder te matar, o Rei do Crime matará sem dó aqueles que ama.

3. J. Jonah Jameson

A presença mais constante dessa lista, de editor-chefe do Clarim Diário a prefeito da cidade de Nova Iorque, J. Jonah Jameson é um dos personagens mais queridos pelo público, mas justamente um dos que mais causou transtornos ao Homem-Aranha. O ódio que o homem nutre pelo super-herói é imensurável, quase inexplicável e um pouco hipócrita, por ser justamente o único combatente do crime na cidade a ser confrontado pelas manchetes do seu jornal, contendo fotos que o próprio Peter Parker tirava.

Todavia, as manchetes cheias de acidez não se comparam às vezes em que o personagem decidiu agir por “conta própria”, contratando cientistas malucos ou dando atenção para criminosos fantasiados. O Mystério utilizou da sua intercessão. O Escorpião também teve participação indireta de Jameson, transformando, literalmente, Gargan no super-vilão, assim como as terríveis Esmaga-Aranhas, desenvolvidas por Spencer Smythe. Até mesmo Luke Cage foi contratado para capturar o Amigão da Vizinhança.

Ninguém causou mais problemas para o Homem-Aranha do que J. J e estou longe de ter citado um décimo do que este homem já aprontou ao longo dos anos, mesmo com o Cabeça de Teia salvando o seu filho, John Jameson, logo na primeira edição da revista solo do personagem. As coisas mudaram recentemente, porém, até chegarmos a isso, já sofremos muito acompanhando a trajetória de Peter Parker, encarnado por Tobey Maguire, diante dos desaforos de J. K. Simmons, interpretando esse icônico antagonista.

Em “Meu Jantar com Jonah“, na revista Peter Parker: The Spectacular Spider-Man Vol. 1, edição número #6, temos uma conversa bastante honesta e emocionante entre os dois – lembrando que, tempos antes, sua esposa havia sido morta pelo Escorpião. Como entender um homem como Jameson, lutando sua vida toda contra algo em que definitivamente estava equivocado? O Homem-Aranha, enfim, revela sua identidade e J. J. está diante de uma transformação para si mesmo. Um pagamento de contas, pelo menos. Manchete do Dia! Homem-Aranha chantageia homem para que ele se redima.

2. Duende Verde

Certa vez, Stan Lee, aparentemente, teria dito que o Duende Verde é o maior vilão do Peter Parker, enquanto o Doutor Octopus seria o maior vilão do Homem-Aranha. A afirmação não poderia ser mais correta. Aproveitando que já dissertei sobre o personagem na minha crítica de Como Era Verde o Meu Duende, deixo a seguinte colocação: “Criado por Stan Lee e Steve Ditko em The Amazing Spider-Man #14, o Duende Verde fora mitificado desde a última página de A Grotesca Aventura do Duende Verde, que escondia o verdadeiro rosto do criminoso. Nenhum vilão até então tinha uma identidade secreta. Uma reputação a ser preservada. O Duende Verde sim e isso fazia o vilão se aproximar do Homem-Aranha, que, diferentemente do Quarteto Fantástico, por exemplo, escondia sua verdadeira face com uma máscara. Sem entrar no mérito da história ser boa ou não, tal ponto em específico – a identidade secreta – fez o personagem deslanchar, sendo o vilão com maior número de aparições até a edição #39, aqui criticada juntamente com a #40″.

Norman Osborn estava distante do Duende Verde, assim como Peter Parker estava distante do Homem-Aranha. A identidade secreta é um dos componentes mais reconhecíveis da mitologia do Cabeça de Teia, assim como era para o seu maior antagonista daquela época, sempre retornando em ótimas histórias. O grande conflito do herói, nessas ocasiões, era ter como oponente, mesmo sem saber, justamente o pai de um dos seus colegas mais próximos durante esses anos de combate, Harry Osborn. O dilema adentrava, em consequência, a sua vida pessoal, ultrapassando o âmbito profissional. Desde que perdeu a memória, nessa história citada, a retomada do conhecimento de quem o Homem-Aranha, visto que finalmente tinha conseguido retirar a máscara de seu arqui-inimigo, mostrou-se uma das maiores problemáticas para o jovem, sem saber quando as coisas ruiriam de vez. A Morte de Gwen Stacy contém as ruínas dessa manutenção fracassada. O maior crime de Osborn, porém, foi ter dado continuidade às perturbações, levando-as ao seu próprio filho, vindo a se drogar fortemente e a se tornar o Duende Verde.

1. Doutor Octopus

Já o maior vilão do Homem-Aranha, como muito bem disse Stan Lee, é mesmo o Doutor Octopus e as justificativas são infinitas. Nenhum antagonista do personagem recebeu tanta atenção e proeminência, revezando pontualmente com o Duende Verde, quanto Otto Octavius, o primeiro homem a conseguir derrotar o Amigão da Vizinhança, ressurgindo, desde a sua primeira aparição, logo nas edições 11 e 12 da revista The Amazing Spider-Man. A fase de Stan Lee e Steve Ditko, posteriormente John Romita Sr, escrevendo o antagonista, é inesquecível, sendo a responsável por todo esse pensamento que hoje existe em relação a Octavius, extremamente querido pelos leitores dos quadrinhos, jogadores dos videogames, amantes das animações e fanáticos pelos filmes.

A maravilhosa Saga do Planejador Mestre, citando o ápice dessa jornada, possui o personagem como antagonista principal, sendo revelado, apenas posteriormente na revista, como a pessoa por trás do codinome Planejador Mestre. As desventuras, porém, não param por aí. Otto Octavius já esteve romanticamente relacionado com a Tia May, configurando-se, um pouco antes, como seu inquilino; já sequestrou namoradas de Peter Parker e também envolveu-se na morte do Capitão George Stacy, pai de Gwen Stacy; além de ter participado de uma guerra contra o Cabeça de Martelo. As premissas sempre foram absurdas, mas nenhum vilão ganhou tanto destaque, em tão pouco tempo, quanto Octopus, também fundando o Sexteto Sinistro.

Nas duas últimas décadas, Otto Octavius foi vivido grandiosamente por Alfred Molina, em uma reinterpretação do personagem, permitindo-o à redenção. Nos quadrinhos, o deterioramento de sua saúde, porém, é o marco dessas suas últimas jornadas, forçando-o a buscar incessantemente por um último feito. Sem legado, Otto Octavius decide trocar de mente com Peter Parker, apenas para ser imbuído de seus valores e memórias, enquanto o jovem torna-se um moribundo ser preso à cama de um hospital. A troca acontece, para surpresa dos leitores, achando que, enfim, Parker venceria as insanidades de Octopus. A redenção do personagem, portanto, é essa, buscar continuar os caminhos que o Espetacular Homem-Aranha trilhou, mas, agora, sendo o Homem-Aranha Superior.

Hors Concours

Além dos Super-Vilões: Ser o Homem-Aranha é o Grande Dilema

  • Primeira Aparição: Amazing Fantasy #15 (Agosto de 1962), criado por Stan Lee e Steve Ditko.

Estamos saindo, de fato, da esfera de personagens, antagonistas vilanescos incorporados por um ser, mas, parem para pensar, quais são os maiores problemas do Homem-Aranha? O Sexteto Sinistro? O Carnificina? O Fanático? Não! O grande vilão da vida de Peter Parker é a própria vida moderna, as contas para pagar, os impostos para pagar, o dinheiro do remédio da Tia May para pagar, os ocasionais funerais da Tia May para pagar e tantas outras coisas que precisa pagar. O dinheiro é definitivamente um problema, porque Peter Parker não nasceu milionário e, para piorar, mantém a sua identidade secreta, impossibilitando-o de adquirir fama própria, assinar carteira de trabalho ou conseguir os benefícios de algum programa governamental para super-heróis pobres. Os tantos malabarismos que o Homem-Aranha já fez para receber algum salário não cabem no gibi, sendo sua participação, em sua persona mundana, no Clarim Diário, é claro, uma mera consequência de toda essa bagunça aracnídea.

A identidade secreta é certamente uma necessidade, porém, isso não significa que essas inseguranças, ainda assim completamente justificáveis, serão impossibilitadas de atuarem contra o próprio Cabeça de Teia. As dificuldades para manter uma máscara sobre o rosto são óbvias, exponencialmente complicando a vida do herói caso alguém lhe veja trocando de roupa, caso alguém lhe siga até sua morada do dia-a-dia ou caso alguém perceba que para tirar algumas fotos do Homem-Aranha só sendo o Homem-Aranha. O magnífico sentido-aranha pode impedir que muitas dessas coisas aconteçam? Definitivamente. Mas e se o herói levar tantos socos na cara a ponto da máscara rasgar ou cair? E se os passageiros do trem, em Homem-Aranha 2, fossem os influenciadores digitais de hoje em dia? Vocês acreditam que ninguém ia tirar uma foto do personagem sem o seu capuz por alguns cliques a mais? E se Mefisto não tivesse apagado a revelação que Peter Parker fez na Guerra Civil?

A Tia May teria morrido. Entramos, portanto, em uma outra problemática da vida moderna: a saúde da nossa tia que tem mais de cem anos. Uma personagem que sempre está morrendo, a Tia May também abrange o grande dilema do tempo, visto que não são poucas as vezes em que a personagem tem algumas horas para ser salva. Na Saga do Planejador Mestre, por exemplo, uma doença inexplicável acomete a personagem e Parker enfrenta o mundo e a si mesmo, suas próprias limitações, para ajudar sua amada parente idosa. Seria mais fácil se o único vilão a ser enfrentado pelo garoto fosse o Duende Verde? Não, não seria tanto assim, porque o Duende Verde matou a Gwen Stacy, revelando mais um grande dilema para o personagem: amar é difícil. Até mesmo quando você consegue se estabelecer com alguém com você ama, a desnorteante Mary Jane Watson, um demônio aleatório apaga sua felicidade. Um dia a mais para a velha tia e décadas de histórias apagadas para os leitores.

“Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades”, disse o falecido Tio Ben. Como é saber que a sua existência, seu entendimento como herói, compreende na necessidade de seu tio ser morto? Um enorme fardo, não é verdade? Ser o Homem-Aranha não é nada fácil, até mesmo porque simplesmente ser não é nada fácil, por isso que o personagem é extremamente relacionável, por não ganhar o mundo de mão beijada ao ser aleatoriamente picado por uma aranha. O evento, então, foi uma jogada da sorte ou do azar? Peter Parker ainda teria conhecido Gwen Stacy, ainda teria conhecido Mary Jane. “Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades”, disse o falecido Tio Ben. Quantas vezes o Homem-Aranha deve ter pensado que era melhor, dessa maneira, não ter ganho nenhum poder? O pessimismo nas histórias do herói, em uma visão geral, pode até distanciar alguns leitores quando vemos dessa maneira, mas existe um charme em ser um derrotado.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.