Lista | Top 15 discos internacionais de 2015

Fim de ano chega e os fanáticos por música já buscam pelas listas de melhores álbuns do ano. Aqui no Plano Crítico não poderíamos fugir a regra e trazemos o Top 15 discos INTERNACIONAIS de 2015. Aqui você encontra os discos internacionais preferidos de nossa equipe que trabalhou nesta seção do site durante esse ano incrível pra música. Vale lembrar que é uma lista pessoal, baseado em nossas opiniões sobre o que escutamos, o que varia de membro pra membro, então não há posições ou uma ordem certa. Dessa lista participaram Handerson Ornelas, Luiz Santiago, André de Oliveira e Karam. Aproveite a lista e compartilhe seus preferidos! E aproveite pra conferir nosso Top 15 discos NACIONAIS de 2015, clicando aqui.

To Pimp A Butterfly – Kendrick Lamar

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Luiz Santiago: A mão de escrever coisas gloriosas sobre esse álbum chega a tremer… Kendrick é responsável pelo melhor álbum internacional de 2015, um disco que vai ficar na história da música como um divisor de águas para o hip hop e como um dos exercícios de renovo de um artista que raramente (assim, um em cada década, e olhe lá!) se vê por aí. O melhor do ano, sem dúvidas. Um dos melhores discos dos anos 2010, sem dúvidas!

Handerson Ornelas: Você não encontra todo dia o lançamento de um álbum que, pouco tempo depois de lançado, já pode ser chamado de um trabalho revolucionário. To Pimp A Butterfly já é um clássico do hip-hop – disso você pode ter certeza – mas diria que tal título nem se limita somente ao gênero. Kendrick aborda a comunidade negra americana, problemas sociais, sua própria vida e, ainda por cima, problemas na indústria da música atual. A metáfora da lagarta e da borboleta nunca foi tão bem utilizada. É um disco “conceitual” que não se vê com tanto poder no mainstream já há um tempo.

The Epic – Kamasi Washington

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Handerson Ornelas: Essa beleza aqui é, talvez (sim, porque está difícil de escolher apenas uma), a minha preferida de 2015. SÃO TRÊS HORAS DE ÁLBUM. Você tem ideia da prepotência de alguém pra fazer tal coisa e ainda dar o nome de The Epic (O Épico)? Mas Kamasi Washington é justo no título, porque o trabalho final é realmente algo atemporal que beira a perfeição (digo “beira” porque este que vos fala nunca afirma que algo está perfeito). O saxofonista não se contentou em apenas fazer parte da banda de Kendrick para o já mencionado nessa lista, To Pimp A Butterfly, e resolveu fazer seu próprio álbum onde ele mesmo é o líder de sua banda. Se trata de uma viagem absurda por diversos gêneros do Jazz, e com um ponto importante: qualquer ouvinte não acostumado com o estilo pode aproveitar.

Luiz Santiago: The Epic é segundo melhor álbum de 2015, eu fui ouvir bem depois de lançado e ainda por insistência do meu amigo Ditador do Pagode (AKA Handerson) nas nossas conversas musicais aqui no Plano Crítico. Na semana de lançamento eu até pensei em me aventurar por ele, mas a longa duração do disco me afastou um pouco, uma besteira sem tamanho, como eu mesmo classifiquei depois de ouvir essa maravilha. Que viagem, senhoras e senhores! Que viagem! The Epic não é um disco para você ouvir “de uma sentada” ou com qualquer tipo de pressa. Este é um disco para saborear aos poucos, com paciência e alma aberta. Um mergulho na alma não se faz assim, de qualquer jeito. Ouça o disco e você vai entender o que eu quero dizer.

Carrie & Lowell – Sufjan Stevens

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Handerson Ornelas: Sufjan Stevens não só lançou um dos melhores discos de 2015, mas um dos melhores de folk dos últimos anos. Carrie & Lowell gira em torno da morte da mãe de Sufjan, o cantor aproveita todo o arrependimento que possui de não a ter conhecido o suficiente pra fazer um álbum de uma beleza e tristeza (essa aqui em doses cavalares) tão comovente que permite que o ouvinte compartilhe do mesmo sentimento que este teve ao escrever tais canções. Não há nada mais triste que a desesperança de Sufjan no álbum (What’s the point of singing songs/ If they’ll never even hear you? – “Qual o ponto de cantar canções se eles nunca vão te ouvir?”). A primeira audição de Carrie & Lowell me trouxe sentimentos nunca antes vistos. A calma dos acordes do violão junto aos sussurros da voz do cantor passam uma estranha anestesia ao espírito do ouvinte. É um trabalho único, definitivamente.

Karam: Um disco de beleza ímpar. Perda, memórias e silêncio são os elementos em volta dos quais desabrocham as melodias e harmonias de “Carrie & Lowell”. Desde a capa do disco, até as letras das canções, passando pelos arranjos e pela sonoridade muito distinta que confere unicidade ao todo, tudo aqui é perfeito. Trata-se de uma melancólica viagem à mente e ao coração do artista Sufjan Stevens. É um álbum extremamente pessoal e, por isso mesmo, doloroso. As cordas etéreas e a bela e suave voz de Sufjan são tão persuasivas que se fincam à pele. Hoje, posso dizer que o som de “Carrie & Lowell” acompanha a minha vida… E ressuscita memórias.

Ten Love Songs – Susanne Sundfør

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Karam: Se Lana Del Rey teve a oportunidade de ouvir este fantástico disco de Susanne Sundfor, há consideráveis chances d’ela ter ficado um tanto quanto triste (sim, mais do que ela já é por natureza). Explico: uma faixa como a fantasmagórica Silencer é bem o tipo de canção que habita a paisagem sonora de um disco como o (excelente) Honeymoon, por exemplo. No entanto, a técnica perfeita de Sundfor e sua interpretação repleta de paixão colocam Lana, que é uma ótima artista em seus próprios termos, no chinelo. É quase como se a “Nancy Sinatra gângster” tivesse sido plagiada… e o plágio se revelasse artisticamente mais satisfatório que a canção original. Memorial é outra coisa monumental e ambiciosa, que faria Lana parar de querer estar morta (e se matar logo de uma vez). E Kamikaze é um pop que lembra a Madonna dos anos 80 – veja só que divertido! Esqueça Katy Perry e outras aberrações-gritalhonas-sem-conteúdo. Isto, meus caros, é pop bom de verdade. Susanne Sundfor is the real deal.

Handerson Ornelas: Caros leitores, isso aqui é um dos maiores exemplos de como se fazer música pop. A norueguesa Susanne Sundfor escreveu 10 canções de amor invejáveis, com batidas eletrônicas hipnotizantes, frenéticas, que se fundem à bela voz da cantora e elementos orgânicos influenciados pela música clássica. É um must listen pra qualquer um que quer ouvir algo novo, moderno e, principalmente, POP. É uma prova que, sim, tem como inovar no cenário pop atual. Uma quantidade enorme de cantoras precisam ter uma aula com menina Susanne…

Peace Is The Mission – Major Lazer

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André de Oliveira: A missão de paz do Major Lazer é de uma energia incomparável. Misturando EDM, trap, house e flertando com o dusbtep, Peace is the Mission é divertido, sexy, dançante e, acima de tudo, único. Uma força a ser reconhecida.

Have You in my Wilderness – Julia Holter

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Luiz Santiago: Julia Holter é a minha Lana Del Rey de 2015 e Have You in my Wilderness é daquelas belezas musicais melancólicas para se ouvir com uma caixinha de lenços e giletes de todos os tamanhos do lado… Um fato curioso é que todo ano eu acabo me apegando a um disco sentimental ou “depressivo” demais e que normalmente entra na minha lista de melhores. Em 2015, acreditei, por um tempo, que este posto seria preenchido pelo novo da Björk, da Adele ou da Del Rey, mas não… Meu ‘Troféu Fossa de Melhor Álbum Para Chorar Pitangas’ de 2015 vai para Julia Holter e seu Have You in my Wilderness.
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É claro que eu estou exagerando, mas não quer dizer que o disco não seja melancólico. Isto, porém, não é algo ruim, apenas uma característica do álbum. O disco é tocante, absurdamente bem produzido e juntamente com o do Kamasi Washington, me fez viajar bastante. Um baita lançamento sentimental, muito belo e com excelente performance de Holter, uma das cantoras americanas em ascensão que vale muito a pena conhecer.
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25 – Adele

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André de Oliveira: Nem a sombra de seu poderoso – e consagrado – segundo álbum, 21, conseguiu parar Adele. 25 tinha a dificílima missão de suceder um clássico moderno e a cumpriu com maestria. O terceiro trabalho da inglesa tem personalidade própria, força e firmeza, e prova, mais uma vez, porque ela é uma das maiores artistas da atualidade.
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Chasing Yesterday – Noel Gallagher’s High Flying Birds

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Handerson Ornelas: Aqui se encontra um álbum injustiçado de 2015. Se o ego inflado de Noel serve pra alguma coisa, é pra motivar ele a fazer excelentes álbuns. E Chasing Yesterday não é diferente disso. É uma ótima demonstração de união entre rock e pop que se mantém firme do início ao fim em sua veia melódica. Mas não se esqueça que o álbum não é só dele, mas de seus “Grandes Pássaros Voadores” que fazem uma banda de apoio invejável, com um acréscimo de metais que serviram como a cereja desse bolo delicioso de mágicos arranjos.

Meliora – Ghost

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Luiz Santiago: Meu primeiro contato com esses suecos do mal foi no Rock in Rio de 2013. Impossível não prestar atenção em tudo o que esses caras fazem no palco, porque o show deles tem excelente trabalho de luz, performances teatrais maravilhosas e uma música que, se não é do agrado de todo mundo, pelo não não deixa ninguém entediado. Depois de ouvir os álbuns de estúdio deles lançados em 2010 e 2013, fiquei esperando algo que me convencesse DE VERDADE da mensagem que a banda estava querendo passar e isso veio com esse incrível Meliora, em 2015, com um novo papa vocalista em cena.
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Não vou dizer que o Ghost se revolucionou com o álbum nem nada disso. Quem ouviu os outros dois discos percebe que há fortes ecos estilísticos aqui. Mas… são apenas ecos. Mesmo não se renovando, de fato, a banda aprofunda ao máximo o seu material, da composição das músicas (as letras desse disco são incríveis) à instrumentalização, realmente criando uma atmosfera macabra em diversos níveis ao longo da história que o disco nos conta. Me impressionei de verdade com o trabalho e densidade que a banda apresentou aqui.

Honeymoon – Lana Del Rey

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André de Oliveira: A vibe nostálgica, sensual e entorpecida de Lana Del Rey culmina em um delicioso e espontâneo terceiro trabalho, Honeymoon. Lana segue firme em sua posição de meio-termo entre o pop e o vintage, apresentando um álbum que sabe muito bem quando ser comercial e quando ser clássico. Coisa de quem sabe o que está fazendo.

Crush – Lettuce

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Handerson Ornelas: Acabei conhecendo o Lettuce através de um artigo do New York Times divulgando novos lançamentos, o que incluia também Manual do Boogarins. A genial capa definitivamente me fisgou. Ainda bem. Crush é um álbum pra se perder. Se perder no groove pesado do funk de Chief, na pancada frenética jazzística de The Force, ou na psicodelia incrível de Phylis. Do início ao fim se mantém impecável, mesclando tudo que é possível: Jazz, Funk, Rock e Psicodelia. Aqui se encontra um álbum pouco falado de 2015 que você não pode deixar de ouvir EM HIPÓTESE ALGUMA! Crush é uma overdose melódica de arrancar a tampa da cabeça.

M3LL155X – FKA Twigs 

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Luiz Santiago: Que EP sensacional!
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Eu sou um cara bipolar com experimentações musicais (para saber mais, veja a minha conversa com o Ditador do Pagode no final da crítica de St. Vincent). Às vezes eu gosto e cobro bastante esse tipo de postura em alguns artistas e outras vezes possuo alguma resistência para aceitar essas experimentações. Mas no caso desse EP da FKA Twigs, eu fui completamente capturado pela proposta da artista, tanto que é o álbum que fecha o meu TOP 5 de melhores do ano.

Beauty Behind The Madness – The Weeknd

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André de Oliveira: The Weeknd é uma revelação do pop e do R&B. Com seu primeiro trabalho verdadeiramente mainstream, Abel Tesfaye mostra todo o seu talento, resultando em um álbum recheado de sensualidade – em diversos níveis –, batidas hipnóticas e canções memoráveis.

II – Fuzz 

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Handerson Ornelas: Quando um dos grandes guitarristas da atualidade, Ty Segall, resolve se dedicar a um projeto paralelo que tem em vista uma abordagem stoner rock com altas doses de psicodelia certamente isso chama atenção. No segundo trabalho do Fuzz o que se vê é um disco onde o Black Sabbath e os Beatles se encontram. A qualidade do álbum chega bem próximo de se equiparar a clássicos dos anos 70. É denso, pesado, experimental e, por fim, espetacular.

How Big, How Blue, How Beautiful – Florence + The Machine

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André de Oliveira: Foi uma longa espera até que o aguardado terceiro álbum da banda inglesa chegasse: três anos e meio. How Big, How Blue, How Beautiful teve tempo de sobra para ser concebido e ainda que seja inferior aos álbuns anteriores, tem personalidade própria e apresenta uma Florence mais positiva, sóbria, em paz consigo mesma e com o mundo.

Handerson Ornelas: Vim aqui só pra discordar do André, mas só em um ponto: How Big, How Blue, How Beautiful é o melhor álbum da banda, em minha opinião. Um corajoso desvio do caminho antes percorrido, já que HBHBHB é quase ensolarado de tão positivo comparado aos outros. É merecido qualquer elogio quando se faz um disco pop tão bem produzido e arranjado assim.

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Menções Honrosas: The Desired Effect – Brandon Flowers, Sound & Color – Alabama Shakes, Multi-Love – Unknown Mortal Orchestra

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, cantor de chuveiro e tocador de guitarra de ar. Seja através dos versos ácidos de Kendrick Lamar, a atitude de Bruce Springsteen, ou a honestidade de Tim Maia, por seus fones de ouvido ecoam ondas indistinguíveis. Vai do sangue de Tarantino à sutileza de Miyazaki, viajando de uma galáxia muito, muito distante até Nárnia. Desbravador de podcasts e amante de indie games, segue a vida com um senso de humor peculiar e a certeza de que tudo passa - menos os memes.