Lista | Top 15 Discos Nacionais de 2015

Fim de ano chega e os fanáticos por música já buscam pelas listas de melhores álbuns do ano. Aqui no Plano Crítico não poderíamos fugir a regra e trazemos o Top 15 discos nacionais de 2015. Aqui você encontra os discos nacionais preferidos de nossa equipe que trabalhou nessa seção do site durante esse ano incrível pra música. Vale lembrar que é uma lista pessoal, baseado no que escutamos e nossas opiniões, o que varia de membro pra membro, então não há posições ou uma ordem certa. Dessa lista participaram Handerson Ornelas, Luiz Santiago, André de Oliveira e Karam. Aproveite a lista e compartilhe seus preferidos! E confira também nosso Top 15 discos internacionais de 2015 clicando aqui.

A Mulher Do Fim Do Mundo – Elza Soares

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Handerson Ornelas: Aos 78 anos, a cantora que possui uma história invejável na música brasileira não precisava provar mais nada a ninguém. Mesmo assim, Elza fez um dos melhores álbuns nacionais em anos com a ajuda de um “dream team” espetacular. É samba, MPB, rock e até experimental. É sobre tempo, prostituição, drogas, transexualidade, violência doméstica e tantos outros temas atuais. Mas o mais interessante é que em grande parte é sobre a própria Elza. Ela é essa “mulher do fim do mundo” que já passou por tantos carnavais e hoje insiste em cantar até o fim.

Luiz Santiago: A questão é: como reinventar-se depois de tanto tempo? Elza Soares faz aqui um exercício de precisão e riqueza musical capaz de deixar muita gente nova na indústria musical com inveja. A qualidade vocal, a produção do disco, as letras, a força e impacto no ouvinte, as raízes do Brasil, o sentimento… Ouvir A Mulher do Fim do Mundo é como estar certo de que no apocalipse fonográfico que rola por estas bandas tupiniquins, estamos, ainda que em número bem menor, em boa companhia…

Karam: A voz de Elza Soares rasga-se quando ela entoa “me deixem cantar! eu quero cantar!”. Tal sonoridade característica do canto da artista, que possui ecos de Louis Armstrong, nunca mostrou-se tão apropriada quanto na canção que dá nome ao disco. Parece-nos que é com o corpo, e não com a voz, que ela suplica: “me deixem cantar! eu quero cantar! me deixem cantar até o fim!“. Anos e mais anos se passaram e, apesar de facilmente identificarmos um desgaste natural na voz de Elza, sabemos que sua força e personalidade como artista e mulher são indestrutíveis; extrapolam os limites das cordas vocais. A Mulher do Fim do Mundo, o disco, é uma espécie de relato. Um relato de uma pessoa que já viu muito, já viveu muito, e continua imersa na paisagem do “muito”, pois para ela não há “pouco” que sustente sua vida e sua arte. A Mulher do Fim do Mundo é corpo, alma, beleza, poesia. E é Elza Soares. Por isso: “até o fim”.

Dancê – Tulipa Ruiz

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Handerson Ornelas: Tulipa é considerada uma das maiores vozes da atual música brasileira já há um tempo, mas em seu terceiro disco esta consolida de vez sua carreira. Dancê nada mais é do que o que seu título refere: um álbum pop feito pra dançar. Aqui a cantora dá uma aula de como fazer uma música popular e, ao mesmo tempo, mostrar um apreço técnico imenso, pegando influências de reis como Jorge Ben e Tim Maia. Dancê é a trilha perfeita de 2015 para passar a virada do ano. Fica a dica.

André de Oliveira: Tulipa surge como um furacão dançante em seu terceiro álbum. Exalando Tim Maia e paixão pelo pop por todos os poros, Dancê mexe com os sentidos, com a alma e, principalmente, com o corpo; e é apenas mais uma prova do talento de Tulipa Ruiz, uma das maiores artistas da nova geração da MPB.

Carbono – Lenine

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Luiz Santiago: Minha relação com a música de Lenine é antiga e vem ganhando novas cores a cada novo disco do pernambucano. Em “Carbono”, ele eleva os experimentos de produção presentes em “Chão” a um novo patamar. Em constante renovo, Lenine faz do homem e da vida a própria matéria musical, nos presentando com um disco que tem uma das melhores produções brasileiras do ano, juntamente com o disco do Emicida.

Fortaleza – Cidadão Instigado

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Handerson Ornelas: O novo trabalho de Catatau e sua turma era um dos discos nacionais que mais esperava em anos. E mais uma vez o Cidadão Instigado não desapontou. Fortaleza demonstra o mais puro rock’n roll genuinamente brasileiro. É quando o estilo “brega” e a cultura nordestina se encontram com o Pink Floyd e o Black Sabbath. É pesado, progressivo, melódico, BRASILEIRO e, por fim, impressionante. O Cidadão Instigado é uma daquelas bandas que já criou uma identidade única na música nacional. É o tipo de banda incomparável.

Éter – Scalene

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André de Oliveira: Com Éter, a Scalene acerta o tom e se firma como uma das grandes bandas do (desfalcado) cenário de rock nacional. O álbum é acessível na medida certa, polido, bem pensado; e apresenta canções bastante inspiradas. Nem mesmo o fato de se deixar levar um pouco demais por suas influências atrapalha o som da Scalene – eles têm personalidade e vieram para ficar.

Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa – Emicida

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Luiz Santiago: O Handerson (AKA “ditador do pagode”) foi o primeiro a me avisar, no grupo do Plano Crítico no Facebook, que o novo disco do Emicida havia saído. Assim que vi a marcação fui correndo ouvir essa maravilha e não consegui mais largar. Foi o álbum que embalou a minha noite e os dias seguintes ao lançamento. Forte e extremamente plural em termos de música (a produção do disco é diversa, bela, colorida, humana), “Sobre Crianças…” é com certeza um dos mais interessantes discos de um artista consagrado a sair em 2015.

No Meu Peito – Luneta Mágica

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Luiz Santiago: Eu sinceramente não esperava que fosse gostar tanto desse álbum do Luneta Mágica. Mas me bastou apenas uma música e que já não conseguia mais largar o disco, situação um pouco diferente daquela que me deparei quando ouvi o primeiro disco da banda. Lunar, crítico, marcante, “No Meu Peito” é daqueles álbuns que normalmente costumamos escolher para a primeira parte de uma viagem longa. E é bem isso. “No Meu Peito” é um delicioso disco-viagem.

Selva Mundo – Vivendo do Ócio

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Handerson Ornelas: Se a banda baiana antes mostrava um rock extremamente divertido em suas músicas, no terceiro disco continua mostrando sua essência, mas com muito mais maturidade agora em seu primeiro disco independente. Aqui encontramos flerte com outros estilos regionais (Prisioneiro do Futuro), críticas sociais (Porrada) e até experimentalismo (Batalha do Sono). A progressão de Selva Mundo é tão natural que dá um aspecto diferente ao disco: a cada transição de faixa o espírito do álbum fortalece. É tudo muito bem cozinhado em uma culinária rockeira cheio de ótimos temperos guitarrísticos, boas letras e arranjos diversos.

Insano – Jamz

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André de Oliveira: A qualidade do pop que a Jamz faz impressiona – e cativa no exato momento em que se ouve. A sensualidade dos vocais, dos arranjos e das letras, e o poder cativante que o som deles tem garante aos rapazes lugar cativo no cenário pop brasileiro. Groove espontâneo e natural: é disso que o Brasil precisa.

Secret Garden – Angra

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Handerson Ornelas: Pouca gente se lembra, mas lá no início de 2015 o Angra nos presenteou com um excelente álbum (o primeiro com Fabio Lione nos vocais) que renovou a banda e recuperou grande parte da atenção dos fãs. A banda conseguiu reassumir sua extrema importância e valor mesmo após tempos turbulentos de mudanças. Secret Garden é um álbum de power metal e metal progressivo bem redondo, podendo já ser considerado tranquilamente um dos melhores da ótima discografia do grupo.

Eu Vou Fazer Uma Macumba Pra te Amarrar, Maldito! – Johnny Hooker

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Luiz Santiago: Eu conheci Johnny Hooker em 2013, por ocasião do lançamento do filme “Tatuagem”. Com uma voz que imediatamente me lembrou o timbre de Cazuza (porém com uma tessitura mais ampla e dinâmicas mais cruas), o músico pernambucano me chamou atenção pela forma como cantava o mundo sujo, brega e urbano que o Novo Cinema Pernambucano colocava em cena. Acompanhei os EPs e foi grande alegria que soube do lançamento de “Eu Vou Fazer Uma Macumba…”, disco que traz uma curiosa variedade de tendências da música pernambucana tradicional e contemporânea, como versões do brega e redefinições de outros gêneros, assim como um emprego muito bem feito do modelo “contar uma história em um álbum”, da forma mais livre possível. Pela temática, produção musical e experimentações (a segunda metade do disco lembra os álbuns mais ousados de Caetano Veloso, nos anos 90, mas com um novo vigor), o artista raramente agradará todo mundo. Mas este seu disco simplesmente me encantou. Para mim, um dos melhores nacionais de 2015.

Maravilhas do Mundo Moderno – Dingo Bells

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Handerson Ornelas: “Hoje eu me sinto/ Como decerto se sentiram os dinossauros/ Quando de longe lá no alto avistaram/ Iluminado no espaço sideral”. A primeira estrofe de Dinossauros, faixa presente no disco de estreia dessa excelente banda de Porto Alegre, me fisgou de vez. Maravilhas do Mundo Moderno é uma reflexão do ser humano, nosso envelhecimento, nossas descobertas, sonhos e aspirações. É de uma poesia e arranjos impressionantes. Cheio das melhores influências, é a banda atual que mais ouso chamar de “potencial para o novo Clube da Esquina”. E você pode fazer o download gratuito dessa obra fantástica por aqui.

Babylon By Gus Vol II: No Princípio Era O Verbo – Black Alien

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Handerson Ornelas: Mais de dez anos separam o clássico de Black Alien, Babylon By Gus: O Ano do Macaco de sua continuação. Depois de anos enfrentando o vício das drogas, depressão e passagem por clínicas de reabilitação, o rapper faz seu devido retorno através da tão aguardada sequência da saga Babylon By Gus. Com participação de Kamau, Edi Rock, Céu e Luiz Melodia, o álbum possui tudo: adentra terrenos da MPB, usa samplers de blues, jazz e até clássico do Run DMC, tudo isso viajando por partes da vida de Black Alien sem se mostrar “aberto” demais. Na opinião desse que aqui vos fala, o melhor álbum nacional de rap que ele ouviu em 2015.

Dilúvio – Dani Black

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André de Oliveira: Dani Black traz em seu Dilúvio uma tempestade de talento: letras lindas, poéticas e cheias de significado, vocal hipnótico, sensualidade e versatilidade. Dani é um artista completo – e que merece ser acompanhado bem de perto.

Ventre – Ventre

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Handerson Ornelas: A salada sonora que o Ventre faz é uma coisa impressionante. No primeiro álbum desse grupo carioca nos deparamos com uma infinidade de coisas: é quando os riffs sujos e pesados do stoner rock encontram um tom de MPB com belas letras sobre o cotidiano. Tudo é preenchido em revezamentos entre o lento, o sussurro, e os riffs pesados que amplificam a enorme tensão do álbum. Aqui você encontra influências de Cícero a Queens Of Stone Age. É fantástico.

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Menções Honrosas: Manual – Boogarins, Impulso – Inventário, Sobre a Vida em Comunidade – Mahmed

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.