Lista | Top 15 – Melhores Álbuns Internacionais de 2017

Ah, fim de ano… época de listas. E, para qualquer portal de entretenimento, não é diferente. Precisamos arregaçar as mangas e determinar o que mais nos impactou naquele ano. Como já é praxe aqui no Plano Crítico, você já pode encontrar nossa lista de melhores álbuns internacionais de 2017 (ou pelo menos a lista do Handerson Ornelas, eu mesmo, colunista de música dessa caverna do entretenimento). Mais um ano se passou e as divindades da música foram generosas conosco! Mergulhe na lista abaixo – que contempla uma gama de gêneros, indo do pop ao jazz – e compartilhe conosco seus favoritos de 2017! E não se preocupe, a lista de melhores álbuns nacionais sai nas próximas semanas!

Villains – Queens Of The Stone Age

O sétimo álbum de estúdio do Queens Of Stone Age definitivamente não chegou para provocar comentários leves. Sua recepção se dividiu entre amar e odiar, não houve meio termo. Uma simples pergunta talvez defina sua opinião a respeito do álbum: você gosta de dançar? É essa a pergunta feita por Josh Homme, que leva o ouvinte por uma catártica, dançante e visceral jornada cheia de riffs espetaculares que estagnarão em sua mente. Feet Don’t Fail Me, The Evil Has Landed, The Way You Used To Do, Head Like A Haunted House… o arsenal de canções destruidoras aqui é vasto e impecável. É a banda se renovando através de uma das melhores produções de Mark Ronson e talvez uma das melhores tentativas de se apresentar rock n’ roll para millenials.

Aumenta!: The Evil Has Landed
Estilo: Rock

Take Me Apart – Kelela

Por mais viciado que eu seja em R&B/Soul e considere o mercado do gênero muito bom, preciso dizer que não ouvia um disco tão autêntico fazia um certo tempo. Não que Kelela reinvente o estilo, já que muita coisa aqui certamente é influenciada pelos anos 90, mas toda a produção possui um frescor enorme em synths aconchegantes e quase futuristas. Através de uma das melhores produções do ano (destaque ao produtor venezuelano Arca, que acertou mais dois tiros certeiros em 2017 com seu álbum solo Arca e com Utopia, da Bjork), Kelela demonstra um talento absurdo – sua voz está entre as mais angelicais da atualidade – enquanto nos encanta com uma música reconfortante, leve e sexy.

Aumenta!: Better
Estilo: R&B

Laila’s Wisdom – Rapsody

Quando Marlanna Evans, AKA Rapsody, apareceu em Complexion – do aclamado To Pimp A Butterfly de Kendrick Lamar – muita gente ficou impressionado com seus versos e força ao proclamá-los. E Laila’s Wisdom, segundo álbum da cantora, é o disco que todos deveriam estar prestando atenção. Cansado de ver tanta cantora pop pagando de rapper, admito que estava carente de achar uma cantora rapper de verdade. E definitivamente encontrei em Rapsody. Não a subestime em nenhum momento, se trata de um dos melhores álbuns de hip-hop deste ano, capaz de colocar qualquer macho no bolso. Versos inteligentes, muita atitude, um groove absurdo e batidas excelentes. Feito principalmente para fãs de The Fugees e da grande Lauryn Hill.

Aumenta!: Knock On My Door
Estilo: Hip-Hop

The Machine That Made Us – Flotation Toy Warning

Direto do underground britânico vem uma das maiores injustiças de 2017. O Flotation Toy Warning conseguiu status de cult por seu disco de estreia, Bluffer’s Guide To The Flight Deck, em 2004, mas só agora em 2017 finalmente entregou seu sophomore album. E o resultado é uma uma obra que suga o ouvinte e só cospe ele no fim de suas dez arrebatadoras canções. Além de um dos mais inventivos lançamentos indie que ouvi nos últimos anos, também se encontra entre os mais pegajosos e de maior identidade. Mergulhamos em um mundo desconhecido e por lá desbravamos curiosos mares. O fato do som da banda ser referido como cosmic pop não é a toa.

Aumenta!: I Quite Like It When He Sings
Estilo: Indie Rock, Space Pop

Flower Boy – Tyler The Creator

Tyler The Creator é famoso por suas polêmicas, já sendo muitas vezes chamado de machista e homofóbico. Há quem já esperava tal notícia, mas para grande parte do público foi um choque vê-lo se declarar homossexual em Flower Boy, seu quarto álbum de estúdio. E um disco que tinha tudo pra soar piegas ou sensacionalista, se prova um dos melhores trabalhos de hip-hop e R&B que escutei esse ano. Tyler utiliza de rimas sagazes para desfilar comentários sobre diversos assuntos de sua vida pessoal, tudo isso por cima de lindíssimas melodias, maioria das vezes dóceis e inspiradas (See You Again, Boredom), embora também exista espaço para momentos intensos (Who Dat Boy). Acima de tudo, se trata de um disco pop, desses feitos pra serem ouvidos em replay inúmeras vezes. Além de tudo, possui uma das melhores capas do ano.

Aumenta!: Boredom
Estilo: Hip-Hop, R&B

In•ter a•li•a – At The Drive-In

O supergrupo responsável por alguns dos maiores clássicos do post hardcore retornou após 16 anos! Esse simples fato já seria motivo suficiente de felicidade, mas o disco que marca esse retorno consegue ir além e entregar uma verdadeira experiência musical, além de outro marco na espetacular discografia do grupo. É punk feito com energia extrema, entregando performances viscerais e, ao mesmo tempo, uma sonoridade acessível a todos. Riffs flamejantes, bateria avassaladora e o sempre ótimo vocal de Cedric Bixler-Zavala. Faixa após faixa, o grupo não deixa a peteca cair em nenhum momento e, possivelmente, quando menos perceber, você notará que está cantarolando as canções em voz alta e em público. Um dos álbuns mais subestimados do ano.

Aumenta!: Titing At The Univendor
Estilo: Post Hardcore

DAMN. – Kendrick Lamar

Dois anos depois de tomar para si a coroa do hip-hop no já clássico To Pimp A Butterfly, Kendrick Lamar retorna com mais uma obra de peso. Saem o jazz e o funk, entram o trap e o pop. Kung Fu Kenny – como aprendemos a chama-lo em DAMN. – resolveu fazer um álbum mais comercial e totalmente diferente de seu anterior. Missão cumprida. DAMN. encontra o rapper desfilando algumas de suas melhores rimas e temas, desabafando com uma honestidade incrível sobre suas angústias, medos e fraquezas. Temos aqui uma obra genial: do início ao fim cada sample, rima e beat são pensados de forma calculista. Um artista que sabe balancear arte e entretenimento é um artista que ecoará para sempre. Os Beatles fizeram isso pelo rock na década de 60. Kendrick faz isso hoje pelo hip-hop, ainda acrescentando fortes críticas sociais. Uma sensação maravilhosa presenciar um artista entrando pra história da música, não?

Aumenta!: DNA
Estilo: Hip-Hop

Melodrama – Lorde

É difícil discordar, temos aqui talvez o álbum pop do ano. A jovem neozelandesa Lorde, agora em seus meros 21 aninhos, fez um disco pra colocar grande parte das cantoras pop no bolso. Melodrama aborda em sua superfície assuntos que o mercado pode parecer abordar em excesso: festas, romances e términos de relacionamento. Porém, ver a obra apenas com esses olhos é diminuir demais suas diversas e profundas camadas. Você sabe que o álbum é icônico quando percebe que ele usa tais assuntos pra dissertar sobre a solidão e a busca infinita por contentamento. Adicione à lista o fato da cantora se provar uma compositora brilhante, além de uma produção musical que vai te fazer ir do choro à dança, então terá um possível candidato a clássico.

Aumenta!: Liability
Estilo: Pop

Capacity – Big Thief

Sou fascinado por álbuns folk que evocam uma aura transcedental, que permita o ouvinte realmente sair desse mundo de concreto e se refugiar em um canto de paz e autoconhecimento. Em 2015, não medi elogios ao fabuloso Carrie & Lowell, do brilhante Sufjan Stevens. Esse ano tal lugar ficou com o imersivo Capacity, da banda Big Thief, direto do Brooklyn, NY. A compositora/vocalista/guitarrista Adrianne Lenker se prova uma brilhante artista através de letras inspiradas e intimistas, tiradas em grande parte de sua própria vida, principalmente de suas experiências familiares. Se trata de uma das poucas compositoras que eu ousaria afirmar que pode carregar o título de “Joni Mitchell dessa nova geração”. Uma vez que mergulhe, toda a atmosfera de Capacity te afogará e deixará seu espírito dormente. Um disco pra carregar consigo por um bom tempo.

Aumenta!: Haley
Estilo: Folk

Harmony Of Difference – Kamasi Washington

Um dos mais proeminentes nomes do jazz atual ataca novamente. Kamasi Washington, desde seu arrebatador debut em The Epic, vem ganhando um reconhecimento absurdo, fazendo colaborações com diversos artistas de relevância no mercado, indo de Kendrick Lamar a St. Vincent. Seu segundo trabalho, o EP Harmony Of Difference, feito para uma exposição, pode não ter a mesma ambição presentes nas três horas de duração de seu disco anterior, mas presenteia o ouvinte com jazz executado com maestria e sentimento. A “Harmonia da Diferença” que Kamasi nos apresenta é bela, sutil e feita com o coração, provavelmente a dissertação sobre preconceito e intolerância mais completa e arrebatadora que eu já tenha visto. Tudo isso sem utilizar palavras. É música em seu estágio mais sublime.

Aumenta!: Truth
Estilo: Jazz

Lotta Sea Lice – Courtney Barnett & Kurt Vile

Dois guitarristas talentosos. Dois compositores excelentes. Dois apaixonados pela música. Ninguém nunca imaginaria um disco colaborativo entre a australiana Courtney Barnett e o americano Kurt Vile (solo, The War On Drugs), mas o resultado é um dos sons mais aconchegantes que tive oportunidade de ouvir esse ano, uma doce e singela visão do cotidiano. Relembra como é difícil fazer um álbum dueto de verdadeiro impacto, onde haja sentimentos sinceros e música feita com o coração. A química entre os dois artistas indie é gigantesca. Temos aqui um disco sobre amizade, daqueles pra se ouvir durante longas tardes em meio a amigos.

Aumenta!: Over Everything
Estilo: Indie Folk

Run The Jewels 3 – Run The Jewels

“Eu disse a todos vocês, otários, eu disse a vocês no RTJ1, depois disse de novo no RTJ2, e vocês ainda não acreditam. Então aqui vamos nós, RTJ3” – Killer Mike declara na bombástica Talk To Me. Se você ainda não ouviu Run The Jewels – duo formado pelos rappers El-P e Killer Mike – está perdendo um dos mais surpreendentes projetos já vistos, ouso dizer, na história do hip-hop. A própria capa do disco serve para mostrar tudo que conseguiram até aqui. As mãos já não seguram mais a corrente, elas se tornaram a corrente. Ouvir Run The Jewels 3 é quase como encontrar a dupla com lança-chamas, metralhadoras e mais um arsenal assustador sendo disparado em direção a políticos, preconceitos e qualquer forma de poder. E o mais importante: assim como um blockbuster de qualidade, a dupla faz o ouvinte tirar diversão disso tudo.

Aumenta!: Thursday In The Danger Room
Estilo: Hip-Hop

Go Further In Lightness – Gang Of Youth

Apesar de muitos começarem a decretar a todos os cantos a morte do indie rock, os australianos do Gang Of Youth provam como o gênero pode ainda produzir obras espetaculares. O segundo álbum da carreira do grupo, Go Further In Lightness, executa um amálgama de Arctic Monkeys, The Smiths e Bruce Springsteen. Definitivamente o vocalista e guitarrista David Le’aupepe demonstra ser um dos compositores mais promissores e geniais que descobri nos últimos anos. Temos aqui uma sutileza enorme nas belas letras, depositando um olhar muito sincero sobre a vida. Não há fantasias, metáforas rebuscadas, pessimismo ou otimismo exagerado, apenas uma honesta perspectiva do que se esperar dessa aventura que é viver. Em poucas palavras, esse álbum é uma verdadeira jornada.

Aumenta!: Say Yes To Life!
Estilo: Indie Rock

Ctrl – SZA

Uma das grandes revelações de 2017, SZA já se dá o luxo de fazer colaborações com gigantes do mercado como Kendrick Lamar e Maroon Five. Seu álbum de estreia, Ctrl, destaca sua voz como uma das mais belas do R&B atual, ao mesmo tempo que parece demonstrar um futuro muito promissor na música pop. Prom está entre as melhores pérolas pop que ouvi esse ano. Na verdade, é difícil descartar algo neste material de estreia da cantora, tamanho o nível de qualidade. SZA faz o ouvinte de refém do início ao fim, seja através de sua voz hipnotizante ou de sua coleção de melodias viciantes. Guarde esse nome, ainda ouvirá muito nos próximos anos.

Aumenta!: Prom
Estilo: Pop, R&B

After Laughter – Paramore

O indie pop é o novo pop. Venho declarando isso faz um tempo e cada vez tenho mais certeza disso. O surpreendente quinto álbum de estúdio do Paramore, After Laughter, é prova disso. Após uma sequência de mudanças na formação, a banda se reiventa completamente. Melodias alegres por cima de letras tristes em belas e inspiradas composições, sempre com uma forte influência do post punk, new wave e pop dos anos 80. After Laughter descreve perfeitamente a abordagem do álbum: se trata daquele tradicional momento contemplativo após as risadas, se trata de olhar a vida com um olhar particular, detectar também seus sabores agridoces. É a banda alcançando sua fase mais madura e inventiva até hoje.

Aumenta!: Told You So
Estilo: Indie Pop

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, cantor de chuveiro e tocador de guitarra de ar. Seja através dos versos ácidos de Kendrick Lamar, a atitude de Bruce Springsteen, ou a honestidade de Tim Maia, por seus fones de ouvido ecoam ondas indistinguíveis. Vai do sangue de Tarantino à sutileza de Miyazaki, viajando de uma galáxia muito, muito distante até Nárnia. Desbravador de podcasts e amante de indie games, segue a vida com um senso de humor peculiar e a certeza de que tudo passa - menos os memes.