Lista | Top 15 Melhores Álbuns Nacionais de 2016

Fim de ano chega e todo amante de música já espera o surgimento das famosas listas de melhores álbuns do ano feitas por diferentes revistas e portais. Aqui no Plano Crítico não poderia ser diferente e preparamos duas para vocês, leitores, uma dos álbuns internacionais (confira aqui) e esta dos nacionais. O ano de 2016 conseguiu se provar, de pouco a pouco, um ano repleto de ótimos lançamentos e selecionamos alguns deles. Vale lembrar a pessoalidade da lista e que não se trata necessariamente de um ranking, mas uma seleção de 15 obras nacionais de destaque mediante a tudo que escutamos esse ano. Os álbuns a seguir seguem ordenados segundo a data de lançamento (de janeiro a dezembro). Aproveite esse catálogo de excelentes discos! E confira também a lista de 2015, aqui.

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Problema Meu – Clarice Falcão

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Clarice Falcão fez de sua segunda empreitada no ramo musical uma divertida e surpreendente viagem, mostrando uma notória evolução desde sua estreia em Monomania. Problema Meu possui um caldeirão de sonoridades diversas, desde o jazz e o rock, passando pela jovem guarda até a MPB, culminando em uma obra executada essencialmente como um pop de classe, cheio de detalhes de sintetizadores e metais nos arranjos. Ah, claro, tudo isso sem esquecer das típicas composições bem humoradas da cantora, que por mais que possam soar um tanto esquisitas, são um reflexo das gerações Y e Z, acostumadas com imediatismo e múltiplos acessos a informação.

Faixa destaque: A Volta de Mecenas
Estilo: Indie pop, MPB

A Coragem da Luz – Rashid

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Após uma sequência de mixtapes que fizeram o paulistano Rashid ganhar repercussão com seus inteligentes e críticos raps, ele finalmente chegou a seu primeiro álbum de estúdio, A Coragem da Luz. Seguindo um caminho surpreendente e sem deixar a desejar em nada para os últimos trabalhos nacionais do gênero – Convoque Seu Buda e Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa – o rapper constroi rimas que atacam sem pena as feridas da sociedade.  Na fantástica Laranja Mecânica o rapper canta sem dó: “Cabeça baixas, cada qual no seu aplicativo/ Geração Z, zero de conexão” (…) “Trincheira onde os racista e homofóbico/ Acumulam like pro seu ódio burro ideológico”, seguindo uma série de rimas que mereciam ser estampadas em outdoors. Emulando bases lindas de jazz, soul e samba, Rashid entrega uma obra que impacta, mas principalmente emociona.

Faixa destaque: Laranja Mecânica
Estilo: Rap

Mamba – Sammliz

sammliz

Vocalista da bastante comentada banda Madame Sataan no cenário do metal nacional, Sammliz invoca uma personalidade enorme ao cantar, o que não foi surpresa vê-la chegar a seu primeiro álbum solo, Mamba, com destreza. Versos sombrios e nível altíssimo de interpretação por parte da cantora – que sequestra o ouvinte de maneira um tanto misteriosa com o charme de sua voz – o álbum segue nas linhas de guitarra similares a grupos como Queens Of Stone Age, com riffs crus e vívidos ao mesmo tempo. O resultado é algo palatável para um ouvinte menos acostumado a guitarras pesadas ao mesmo tempo que não dispensa sua alma rockeira.

Faixa destaque: Mamba
Estilo: Rock

Mahmundi – Mahmundi

mahmundi

O álbum mais charmoso e divertido de 2016. Retrô sem soar cafona, a carioca Marcela Vale embarca em seu primeiro álbum de estúdio com a confiança de quem possui anos de experiência. Seu disco de estreia é inteligente e reconfortante, fazendo uma música pop imersa em sintetizadores que ao mesmo tempo que soa despretensiosa, soa intensamente inspirada. Mahmundi é a trilha sonora perfeita para seu verão, um daqueles álbuns pra colocar pra ouvir e nos salvar, nem que seja apenas por alguns instantes, dos inúmeros problemas que nosso país vem passando. Afinal, como ela mesma canta, “É tão fácil, é tão mágico, se perder numa canção”.

Faixa destaque: Desaguar
Estilo: Synthpop

Amor Geral – Fernanda Abreu

fernandaabreu

No pico de seus 55 anos e com um currículo repleto de hits, seja por sua carreira solo ou pela banda Blitz, Fernanda Abreu retorna aos estúdios após anos sem mostrar material inédito. E, acredite, Amor Geral surpreende, muito mesmo. Fernanda demonstra estar sintonizada com o atual cenário musical e sabe fazer um esperto uso dos bons elementos deste. Pop até o talo, tal como a cantora almejava, o álbum pega emprestado características do funk carioca, hip-hop (inclusive com uma inesperada participação de Afrika Bambaataa), disco, R&B e MPB com uma excelência gigantesca.

Faixa destaque: Outro Sim
Estilo: Pop

Vida que Segue – Não Ao Futebol Moderno

naoaofutebolmoderno

Exalando a tristeza inerente de um jovem, Vida que Segue – primeiro álbum dos gaúchos do Não Ao Futebol Moderno, sequência do EP Onde Anda Chico Flores? – é um trabalho que situa o ouvinte em um espaço sideral de sentimentos. As guitarras e teclados cheios de efeitos de shoegaze e dream pop, a produção lo-fi, os versos sussurrados pelo vocalista e até mesmo a bela mulher estampada na capa em preto e branco, tudo evoca uma atmosfera contemplativa, como se estivéssemos perdidos em um turbilhão de memórias. Embora particulamente depressivo, há uma bela alegria escondida nas entrelinhas de Vida que Segue, o suficiente para deixar seu espírito pacífico e confortável.

Faixa destaque: Carlinhos
Estilo: Shoegaze, post rock

O Mesmo Mar Que Nega A Terra Cede A Alma – Bruna Mendez

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No mesmo ano que Elis Regina foi tão comentada, chegando a receber um longa biográfico, Bruna Mendez e seu belíssimo álbum me fazem ver que Elis deixou uma excelente linha sucessória de influências. Não que seja possível traçar uma comparação realmente próxima entre as duas, muito pelo contrário, Bruna canta depositando confiança em seu timbre leve e belo, sem pretensões de alcance vocal, enquanto Elis… bem, é Elis. Mas há uma sinceridade muito similar na forma das duas interpretarem uma música, assim como o repertório de ambas, indo desde canções diretas e informais até verdadeiras poesias. O Mesmo Mar Que Nega A Terra Cede A Alma é um trabalho sutil e muito bem elaborado da MPB, indo desde filosóficas referências ao cotidiano até instrumentais intimistas muito bem arranjados.

Faixa destaque: Brisa
Estilo: MPB

Percipere – The Outs

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Seguindo o fluxo do excelente cenário da psicodelia nacional nos recentes anos, os cariocas do The Outs – uma das grandes promessas do gênero – estrearam esse ano com o excelente Percipere após uma sequência de EPs cantados em inglês. Emulando a sonoridade clássica de bandas como The Beatles, The Kinks e, principalmente, Os Mutantes, mas também inserindo uma personalidade própria, o álbum se revela uma obra coesa e direta, sem firulas ou rodeios, tudo executado com bastante competência técnica. Aqui a banda não deixa dúvidas de que corresponde a um dos mais promissores grupos dessa nova geração do rock brasileiro.

Faixa destaque: Os monstros nadam no litoral afogando o esclarecer (da sua mente)
Estilo: Rock psicodélico

Princesa – Carne Doce

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O nome da banda goiana Carne Doce define bem a sonoridade de seus trabalhos: um sabor agridoce dentro de versos poéticos e arranjos refinados, bastante pautados na exuberância das cordas das guitarras. Um produto musical difícil de ser rotulado, mas que pode ser referido como um encontro de psicodelia + indie rock + MPB + um belíssimo regionalismo brasileiro, resultando em um som de autenticidade enorme. Princesa, segundo álbum do grupo, segue explicando a razão de serem uma das bandas mais discutidas no cenário independente, parte disso devido a sua vocalista, Salma Jô, excelente letrista e uma das maiores intérpretes da atual música brasileira.

Faixa destaque: Sereno
Estilo: Rock, MPB

Melhor do que Parece –  O Terno

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Após dois álbuns irregulares bastante comentados no cenário alternativo, os paulistas do O Terno finalmente chegaram a seu álbum definitivo com o espetacular Melhor do que Parece. Riquíssimo em arranjos, complexo e notoriamente pop ao mesmo tempo, tal como o clássico Pet Sounds dos The Beach Boys – material em que é assumidamente inspirado – o terceiro trabalho da banda é um compilado de canções que vão desde o rock clássico até o samba, tudo composto e tocado com uma inacreditável inspiração e criatividade. Eu te desafio a ouvir nesse ano alguma faixa do cenário do rock nacional mais arrebatadora que a canção homônima.

Faixa destaque: Melhor do que Parece
Estilo: Rock Progressivo

Remonta – Liniker e Os Caramelows

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Ver os 6 milhões de views no vídeo de Zero no Youtube me transmite uma alegria enorme. Esse ano foi de Liniker e seus Caramelows, definitivamente. Remonta evoca o que há de mais humilde, honesto e belo na música brasileira e que vinha sendo esquecido, inserindo cargas pesadas de soul executado com técnica e alma. Esqueça essa MPB na base de metáforas rebuscadas junto a violão feita pra burguesia e gente que se intitula “cult“. Liniker evoca uma sonoridade popular consagrada por Tim Maia, Ney Matogrosso e tantos outros, uma linguagem bastante direta, simples e informal, aqui sendo interpretada pela personalidade única de seu frontman. Você Fez Merda, Caeu e Ralador de Pia são canções que deviam ser eternizadas como hinos da cultura nacional.

Faixa destaque: Você Fez Merda
Estilo: Soul, Samba, MPB

Brutown – The Baggios

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Depois de serem escalados para tocar no Lollapallooza 2016 e terem lançado no ano passado um álbum ao vivo celebrando os 10 anos de carreira, a ótima dupla The Baggios chega ao terceiro álbum bastante renovada e com um fôlego enorme pra fazer seu rock n’ roll garageiro que nunca decepciona. Blues rock de competência, responsabilidade e brutal, tal como diz o título, além de divertido do início ao fim. Guitarrista e baterista excelentes fazendo música de um level de química e sintonia impecável e impressionante para um duo.

Faixa destaque: Brutown
Estilo: Blues Rock

Das Galáxias – Tonho Crocco

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Despretensiosa, leve, feita para ser cantarolada em churrascos da família e aquelas festas cafonas da firma. Das Galáxias, segundo álbum solo de Tonho Crocco – vocalista do grupo gaúcho Ultramen – saiu pelo maravilhoso projeto Natura Musical (assim como o trabalho de Sammliz, presente nessa lista). Se trata de um álbum extremamente brasileiro, tanto pelo swing onipresente pela obra, os arranjos funkeados e dançantes, ou por sua conversa simples e popular com o ouvinte, talvez até cabendo o adjetivo “clichê” – sem o menor sentido depreciativo aqui – se assim você achar melhor. Mas não se engane, o cantor cria aqui uma obra que captura o melhor do soul nacional e do samba, como se tivéssemos sintonizado na melhor das rádios em uma manhã de domingo. Vale a pena conferir.

Faixa destaque: Zerado o Placar
Estilo: Soul, Samba

Lapso – Trem Fantasma

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A estreia do grupo curitibano Trem Fantasma é a obra de complexidade mais acertada que o rock nacional precisava desde o espetacular Fortaleza do Cidadão Instigado. Recheado da trindade dos P’s: progressivo, psicodélico e pop, Lapso faz um hardrock que não abre mão de ser denso, mas também não deixa de ser extremamente palatável. Como uma daquelas pérolas desconhecidas dos anos 70 que você esbarra pela internet, só que atual, temos aqui um verdadeiro achado. Observe atentamente, se trata de uma banda que você ainda pode ouvir falar bastante…

Faixa destaque: O Silêncio e o Estrondo
Estilo: Rock progressivo

Macaco Bong – Macaco Bong

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Ainda me lembro o primeiro contato que tive com o som do Macaco Bong, na falecida Trama Virtual, uma época onde eu nem sonhava que existiria Spotify e tantos serviços de streaming. O primeiro álbum do grupo, Artista Igual A Pedreiro, estava disponível lá e eventualmente fui conferir. A reação que aquele disco produziu em mim foi irreversível, explodiu minha cabeça a ponto de até hoje ser um dos meus álbuns preferidos. E chegaram a lançar outros dois bons trabalhos desde sua majestosa estreia, seguindo a carreira em meio a reformulações e típicos problemas de quem faz música independente no Brasil. E assim chegamos ao quarto álbum, Macaco Bong, lançado esse ano de surpresa, tal como seu resultado, que retorna a sonoridade post rock/jazz fusion avassaladora de Artista Igual A Pedreiro, fazendo um rock de nível altíssimo e que deve ser conferido por qualquer amante de boa música.

Faixa destaque: Baião de Stoner
Estilo: Post Rock, Jazz Fusion

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.