Lista | Top 15 – Melhores Álbuns Nacionais de 2017

Ah, fim de ano… época de listas. E, para qualquer portal de entretenimento, não é diferente. Precisamos arregaçar as mangas e determinar o que mais nos impactou naquele ano. Você já foi apresentado a nossa lista de melhores álbuns internacionais de 2017, agora chegou a vez dos melhores álbuns nacionais de 2017. Mais um ano se passou e as divindades da música foram generosas conosco! Em um ano de crise, mais uma vez a música brasileira nos confortou. Mergulhe na lista abaixo – que contempla uma gama de gêneros, indo do pop ao jazz – e compartilhe conosco seus favoritos de 2017!

Todas As Bandeiras – Maglore

Algumas das melhores linhas de guitarra que ouvi esse ano se encontram aqui. Todas As Bandeiras, quarto álbum dos baianos do Maglore, encanta pela alma colorida e brasileira de suas composições, além de excelentes letras que escancaram o que é viver em tempos de crise, romanticamente falando e economicamente também. É um álbum de rock que respira Brasil, em seus sons e seus temas, por isso é tão espetacular.

Aumenta!: Clonazepam 20mg
Estilo: Rock Nacional

Recomeçar – Tim Bernardes

Quem achava que a paixão de Tim Bernardes por The Beach Boys se encerraria em Melhor do que Parece, mais recente obra do Terno, estava bastante enganado. Eis que o compositor resolve se aventurar em carreira solo como uma espécie de Brian Wilson-moderno-brasileiro. Comparar a um dos maiores gigantes da música é deveras cedo e exagerado, mas o que Tim proporciona aqui é a melhor obra nacional que ouço desde A Mulher do Fim do Mundo. Sentimental, doce, absurdamente harmônico e bem arranjado. É música feita pra tocar o coração.

Aumenta!: Era O Fim
Estilo: MPB

Acrílico – Nina Becker

Um disco que exala um charme único. Nina Becker – agora em seu terceiro disco – entrega versos e melodias repletas de sutileza, doçura e mistério em uma obra que foi feita para se ouvida com atenção. Cheia de influências do Jazz dos anos 50, bem como MPB e Samba, Acrílico engole o ouvinte e joga ele em uma atmosfera acalentadora, repleta de minúncias e rica em personalidade.

Aumenta!: Kawaii
Estilo: MPB, Jazz

Espiral de Ilusão – Criolo

Criolo já é figura de renome na atual música brasileira. E após três ótimos álbuns que variavam entre o rap e MPB, recebemos um trabalho voltado apenas para o samba, um gênero que ele tanto ama. Há espaço tanto para canções de temática popular e simples – como todo belo samba de raiz pede – quanto por canções socialmente engajadas, o que demonstra que Criolo não perde nem aqui seu viés crítico que vem do rap. Um álbum de samba maravilhoso, daqueles que provam que o gênero é um dos mais encantadores que existem.

Aumenta!: Nas Águas
Estilo: Samba

Unlikely – Far From Alaska

O Far From Alaska é uma daquelas bandas brasileiras que trazem orgulho. Após ganhar até mesmo reconhecimento internacional, o grupo lança seu segundo álbum, Unlikely, uma potente continuação do também excelente modeHuman. É rock na sua forma mais divertida, pop e descompromissada, tudo isso sem perder toda a técnica e atitude que o gênero pede. Desde todo o maravilhoso design de capas e divulgação até a sonoridade em si, Unlikely prova que Far From Alaska é uma banda perfeita para essa geração.

Aumenta!: Pig
Estilo: Rock

Magnetite – Scalene

O melhor disco da banda e um dos melhores de rock nacional que escutei nos últimos anos. Magnetite possui uma produção caprichada ao máximo (frutos de uma grande gravadora), algo que eu não ouvia há tempos levando em conta que gravadora nenhuma no Brasil vem produzindo rock e que a maioria das bandas do gênero atualmente estão ralando de forma independente. Magnetite é pedrada atrás de pedrada, mostrando evolução da banda em todos os aspectos, agora não perdoando ninguém em suas excelentes letras críticas.

Aumenta!: distopia
Estilo: Rock

Galanga Livre – Rincon Sapiência

Renomado na cena do rap nacional já há algum tempo, só agora que Rincon Sapiência lançou realmente seu primeiro álbum. Galanga Livre baseia-se no conto fictício de Danilo Albert Ambrósio, onde narra a história do escravo Galanga, responsável por assassinar um senhor de engenho. A partir disso, observa-se uma série de rimas brilhantes que exaltam a comunidade negra ao mesmo tempo que aborda assuntos como racismo e desigualdade social. Uma estreia fantástica e que merece o maior reconhecimento possível.

Aumenta!: Moça Namoradeira
Estilo: Hip-Hop

Natureza Universal – Hermeto Pascoal

Um verdadeiro mago da música. Isso é Hermeto Pascoal, fazendo jus ao apelido dado por Miles Davis. Em um mesmo ano lançou duas ótimas obras (Natureza Universal e No Mundo dos Sons), mas Natureza Universal é a mais impactante. Primeiro álbum do compositor com uma big band – formato de jazz com uma enorme quantidade de músicos – estamos diante de uma obra que soa grandiosa em toda sua plenitude, além de carimbar a grande marca do compositor: uma sonoridade que parece a própria natureza viva se comunicando com o ouvinte.

Aumenta!: Natureza Universal
Estilo: Jazz

Mês de Maio – Victorino

A sutileza presente nas canções do compositor Victorino é de tocar a alma. O primeiro álbum do artista e produtor, Mês de Maio, contempla canções voltadas para a face mais leve e romanceada da vida, assim como o cotidiano. Em seu som, uma mistura entre o eletrônico e o dominante violão do folk, um amálgama perfeito para os tempos em que vivemos. Uma obra feita pra ser contemplada tomando café e simplesmente se deixar levar, seja sozinho ou seja junto a sua outra metade.

Aumenta!: Nesses Tantos Anos
Estilo: Chillwave, Folk

Ainda que de Ouro e Metais – Jude

A psicodelia sempre foi um dos pontos mais fortes da música brasileira, desde os anos 60 com os Mutantes até a atualidade com o Boogarins. Ainda que de Ouro e Metais, estreia dos alagoanos da Jude, pega emprestado todo o ar escancaradamente melódico da psicodelia setentista em versos chicletes, guitarras marcantes e refrões cantaroláveis. É rock psicodélico de alta competência em um delicioso formato pop.

Aumenta!: De Uma Vez Só
Estilo: Rock/Pop Psicodélico

Vem – Mallu Magalhães

Sendo bastante sincero, sempre costumei implicar com os trabalhos da Mallu Magalhães, mas agora vou dar o braço a torcer: esta fez um dos mais deliciosos álbuns de 2017. Samba e MPB com um saboroso tempero de pop. A cantora evoluiu em todos os aspectos possíveis: sua voz segue mais afinada e confiante do que nunca, suas letras mais diretas e suas composições com arranjos muito mais inspirados. Só vem.

Aumenta!: Será que um dia
Estilo: MPB, Pop

Cosmos – My Magical Glowing Lens

Dá orgulhoso dizer que acompanho os passos do My Magical Glowing Lens desde que o projeto começou, quando coloquei ele em uma lista aqui no site de artistas e bandas que você precisava ficar de olho. E o álbum de estreia da banda liderada pela talentosa guitarrista Gabriela Deptulski é surpreendente e viciante, apresentando uma doce e imersiva psicodelia espacial que você vai querer revisitar inúmeras vezes. Faz jus ao título.

Aumenta!: Sideral
Estilo: Rock Psicodélico

A Gente Mora no Agora – Paulo Miklos

Admito que fiquei decepcionado quando soube que Miklos havia saído do Titãs, mas ao escutar A Gente Mora no Agora essa decepção se transformou em um gigante contentamento. O ex-Titã nunca teria liberdade pra fazer algo do tipo no grupo e nós nunca escutaríamos esse belo catálogo de canções. Um álbum de MPB de nível altíssimo, cheio de belos arranjos e do talento enorme que carrega o nome do compositor.

Aumenta!: Vou te esperar
Estilo: MPB

Invasão não invasora de Luiz Santiago

Ora, vejam só. Nosso editor-chefe, Luiz Santiago, me manda uma mensagem dizendo que quer invadir minha lista de melhores álbuns nacionais de 2017. “Ô Handerson, se você me permite, posso colocar dois álbuns lá na sua lista?”. Abri mão de dois discos que estavam pra entrar aqui apenas para abrir espaço para as obras que Luiz tanto exaltou. E aqui estou eu, véspera da publicação do texto e Luiz Santiago simplesmente sumiu pelo Acre em busca de algum MacGuffin insano (boatos de que foi fundar A Igreja Tayloriana Swiftiniana das Bençãos do Auto-Tune Divino pelas matas do nosso Brasil). Enquanto isso parece que eu mesmo terei que fazer a descrição dos álbuns que ele citou.

Heresia – Djonga

Escutei por indicação do chefe logo no início do ano. Hip-hop executado de forma intensa, pesada, sem papas na língua, direto e cru. Muita atitude e talento em um álbum excelente. Palmas também para a maravilhosa referência da capa a Clube da Esquina.

Estilo: Hip-Hop

Coração – Johnny Hooker

Conheço quase nada da carreira de Johnny Hooker, embora ele já tenha entrado na nossa lista de Melhores Álbuns Nacionais de 2015, também por indicação de Luiz. Percebe que estamos diante de um fã, né? Já foi em mil shows dele, só não é presidente do fã clube pois ele já é presidente dos fã clubes de Britney Spears e Taylor Swift, então não sobraria tempo. Ah, sobre o álbum? Ainda não tive tempo de ouvir, mas Luiz mandou dizer que é S-E-N-S-A-C-I-O-N-A-L.

Estilo: MPB

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, cantor de chuveiro e tocador de guitarra de ar. Seja através dos versos ácidos de Kendrick Lamar, a atitude de Bruce Springsteen, ou a honestidade de Tim Maia, por seus fones de ouvido ecoam ondas indistinguíveis. Vai do sangue de Tarantino à sutileza de Miyazaki, viajando de uma galáxia muito, muito distante até Nárnia. Desbravador de podcasts e amante de indie games, segue a vida com um senso de humor peculiar e a certeza de que tudo passa - menos os memes.