Lista | Twin Peaks – 3ª Temporada: As Performances Musicais no Bang Bang Bar Ranqueadas

BangBang plano critico twin peaks

Nesta lista, farei a minha classificação das performances no Bang Bang Bar ao longo da 3ª Temporada de Twin Peaks. Para os episódios que não possuem performances de verdade no local, faço a indicação abaixo, apenas para notificar a ocorrência de uma música marcante no capítulo. De resto, todos os showzinhos entraram para a classificação.

No Episódio 7 temos algo bastante curioso, porque ali não há nenhuma performance musical, mas temos dois excelentes momentos, com faixas clássicas. O primeiro deles, no Big Bang Bar vazio, tocando ao fundo a divertida Green Onions, de Booker T. & the M.G.’s. Mas o capítulo termina no Double R Diner, com a belíssima Sleep Walk, de Santo & Johnny, tocando na Jukebox.

Já o Episódio 11 não tem exatamente uma performance. Ao final, ouvimos um lindo tema chamado Heartbreaking, composto por Angelo Badalamenti depois que a cena do restaurante foi filmada. E o tema para piano cabe como uma luva à cena. Eu resolvi não colocá-la entre as classificações, porque não é uma execução no Bang Bang Bar (embora isso não tivesse problema para mim se o foco da cena fosse a performance, não com ela servindo apenas de amparo dramático, como é o caso aqui). De qualquer forma, vale a pena colocar o trecho da cena onde Heartbreaking é executada.

Agora sim, vamos à classificação. Em cada uma das entradas eu falo um pouquinho sobre a faixa, sobre a performance ou sobre a minha experiência com a música, apenas para sinalizar cada lugar. Sintam-se à vontade para também dar a opinião de vocês e fazerem suas próprias listinhas de faixas nos comentários.
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14º Lugar: Just You

Artista: James Hurley
Episódio 13

Música composta por Lynch e Badalamenti para a série dos anos 90, Just You tem James no comando vocal (¬¬) e… Não. Simplesmente não. Não. Não. Não. Boa mesmo é a cena seguinte, apenas ao som dos grilos, com Ed comendo um negócio parecido com Garmonbozia.

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13º Lugar: The World Spins

Artista: Julee Cruise
Episódio 17

Esta foi a classificação mais… difícil dentre as performances listadas. Porque não é uma faixa ruim. Julee Cruise, que cantara maravilhosamente essa mesma música em Jogo Duplo (1991), na 2ª Temporada da série, teve praticamente sua participação colocada no escanteio (o que a deixou furiosíssima no Twitter), gerando aquele tipo de performance promissora que, se vista isoladamente, é boicotada pela forma como é exibida. Já se for contextualizada no todo do episódio, é uma inserção aplaudível. Talvez ela ficasse melhor com menos parte instrumental e mais voz — que é o que chama atenção aqui, já que Julee Cruise é uma ótima intérprete — mas ainda assim foi uma boa participação. Pena que se julgada ao lado de presenças mais sólidas, The World Spins perca muitos pontos.

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12º Lugar: Saturday

Artista: Chromatics
Episódio 12

Assim como Au Revoir Simone, a volta da banda Chromatics à série não foi uma boa pedida, ainda mais com um cover da banda Desire (da qual dois membros da Chromatics fazem parte) em um contexto que poderia muito bem ser abraçado por uma faixa mais interessante, não necessariamente mais viva, não apenas instrumental, ainda mais um com pouca extensão nos arranjos, tornando a ideia do “tema e variações” uma pequena chatice.

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11º Lugar: Lark

Artista: Au Revoir Simone
Episódio 4

O grupo indie pop feminino Au Revoir Simone se define como um “banda de teclados”, composta por Annie Hart (vocais, teclas, percussão); Erika Spring Forster (vocais, teclas, percussão, baixo, omnichord) e Heather D’Angelo (vocais, teclas, percussão, glockenspiel e beat-box). Esta faixa veio trazer uma mudança em relação à atmosfera das canções representadas no Bar, colocando algo mais dançante, mais animado, combinando com a adição de novos elementos na série, justamente no episódio 4. Não é exatamente uma canção gloriosa. Mas é bem gostosinha de se ouvir.

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10º Lugar: A Violent Yet Flammable World

Artista: Au Revoir Simone
Episódio 9

Aqui temos a volta das meninas da Au Revoir Simone, que também tocaram no Episódio 4. Apesar de achar a canção desta vez bem melhor que a anterior, penso que foi um gigantesco erro do diretor em colocar mais uma vez a banda, no lugar de trazer outra, dando maior variedade às performances da roadhouse. Assim como a canção do Episódio 4, esta A Violent Yet Flammable World vem do álbum The Bird Of Music, lançado pela banda em 2007.

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9º Lugar: Snake Eyes

Artista: Trouble
Episódio 5

E foi com esta faixa, no Episódio 5, que fomos apresentados ao infame Richard Horne (Eamon Farren). Interpretado pela banda Trouble (formada por Dean Hurley, supervisor musical de TP e Riley Lynch, filho de David Lynch), este chamado “noir R&B” é uma introdução perfeita para Richard. A performance também conta com a participação do saxofonista Alex Zhang Hungtai.

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8º Lugar: Wild, Wild, West

Artista: Lissie
Episódio 14

Single bastante animado de LisseWild, Wild, West (que na faixa original é apenas Wild West) faz parte de um álbum lançado pela cantora em 2016, que tem aqui uma interpretação muito boa.

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7º Lugar: Axolotl

Artista: The Veils
Episódio 15

Neste 15º Episódio nós temos dois pontos musicais no Bang Bang Bar. Primeiro, a reprodução de Sharp Dressed Man, do ZZ Top, que são velhos amigos de David Lynch. Já no final, a verdadeira performance da noite, executada pela banda The Veils, em um final enigmático e desesperador.

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6º Lugar: She’s Gone Away

Artista: Nine Inch Nails
Episódio 8

Formalmente apresentada antes da música e com uma performance bem mais cedo do que as outras execuções (em torno dos 11 min. do episódio), a Nine Inch Nails faz aqui uma longa ponte entre a morte-não-morte do Sr. C, que deveria ir para o Black Lodge, mas enganou as formas místicas; e o ideal de criação de todas as forças relacionadas a Twin Peaks, no badalado Episódio Oito. Trent Reznor já era conhecido de Lynch desde os anos 90, tendo feito parte da música para Estrada Perdida (1997), daí vindo a confiança do diretor em dar ao Nine Inch Nails mais tempo em cena e em um momento tão importante da série.

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5º Lugar: Shadow

Artista: Chromatics
Episódio 2

Banda de Portland, Oregon, Chromatics abriu a saga de performances musicais na série, algo que não sabíamos se seria fixo ou se era apenas uma coisa de momento. A faixa Shadow aparece no final do segundo episódio, fechando de maneira perfeita a dobradinha mística de retorno de Twin Peaks. O som da banda também pode ser visto em outras produções televisivas como Mr. Robot e a saudosa Bates Motel, encerrada na mesma safra que esta The Return.

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4º Lugar: Mississippi

Artista: The Cactus Blossoms
Episódio 3

Belíssima canção country folk do duo The Cactus Blossoms, composto pelos irmãos Jack Torrey e Page Burkum, Mississippi me deixou pensando bastante sobre sua colocação abaixo ou acima de Shadow, mas depois de algumas audições, não tive muito para onde correr. Para mim, é uma faixa mais tocante, que fala diretamente ao espectador, enquanto Shadow é mais atmosférica, digamos… mais Universal, abrangendo a tudo e a todos, mostrando os problemas, os impasses, as ausências pessoais. Aqui, o cenário é diferente. A intimidade da faixa (que é parte do álbum You’re Dreaming, lançado pelos irmãos em 2016) acabou me agradando mais.

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3º Lugar: Tarifa

Artista: Sharon Van Etten
Episódio 6

Parte do álbum Are We There, lançado por Sharon Van Etten (artista de New Jersey) em 2014, Tarifa é uma daquelas canções marcantes pelos motivos menos óbvios possíveis. O contexto do episódio e o arranjo feito para a figuração em Twin Peaks são realmente especiais. Van Etten começou trabalhando com produção independente de seus discos, tendo um projeto de mercado apenas anos depois. Em memória às vítimas do massacre ocorrido na boate gay em Orlando, em 2017, a artista gravou a emotiva Not Myself.

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2º Lugar: Out Of Sand

Artista: Edward Louis Severson III (Eddie Vedder)
Episódio 16

Vedder, vocalista do Pearl Jam, é apresentado aqui pelo seu nome de nascença, Edward Louis Severson, e entrega uma das apresentações mais incríveis da série. A faixa tem um peso bastante especial para o episódio, com a chegada de Audrey e Charlie ao Bang Bang Bar, que culminaria com a bárbara sequência de Audrey dançando, fazendo-nos voltar no tempo com gosto. Uma grande apresentação para um grande episódio.

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1º Lugar: No Stars

Artista: Rebekah Del Rio (ft. Moby)
Episódio 10

Com Moby na guitarra, temos a grande Rebekah Del Rio — sim, a mesma cantora que nos arrebatou no Club Silencio, em Cidade dos Sonhos — cantando uma canção que ela escreveu juntamente com Lynch, a belíssima No Stars. Tudo nessa performance nos arrebata. O clima onírico da música, a letra indicando um tipo de solidão, ausência, isolamento que entenderíamos apenas alguns episódios depois, quando perdemos a Senhora do Tronco (essa faixa está ligada a ela); o vestido de Del Rio, com padrões de arte para Twin Peaks (o chão do Black Lodge); as longas notas sustentadas com perfeita afinação e gloriosos vibratos da cantora… Uma viagem musical simplesmente emocionante. A minha favorita, sem dúvida!

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.