Lista | Westworld – 2ª Temporada: Os Episódios Ranqueados

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Nota da Temporada

Westworld é uma série que nos faz olhar a realidade de forma diferente. O tipo de ficção científica que o programa nos trás é o de reconhecimento de padrões, corrupção e rearranjamento de realidades + uma completa transformação de personalidades a partir de dois olhares, o externo (julgado apenas por aquilo que o indivíduo faz) e o interno (julgado a partir daquilo que o indivíduo sente; seus desejos, seus planos, por quem ele é manipulado, seu verdadeiro papel no jogo). Neste segundo ano da série, uma onda de novidades em relação ao olhar interno nos cobriu, muito mais do que no primeiro ano do show. A jornada aqui foi composta por um abalo completo do que conhecíamos do Parque — enfim, aquilo que a gente esperava, dado o material no qual a série é baseada — e com isso, foi como se estivéssemos assistindo a uma outra série, um renovo de base narrativa que não só provou a genialidade de Lisa JoyJonathan Nolan, como também provou o quanto uma série pode se reinventar a partir de uma premissa ainda exibida, pouco a pouco despedaçada por roteiros que nos forçam a pesar e reconstruir o show, à medida que os episódios avançam. Só por isso, a série já merecia estar na lista de melhores do ano.

Dentro de tanta inovação, é preciso dizer, de imediato, que esteticamente Westworld é uma série intocável. Aliás, vale também dizer, a HBO tem uma grade de profissionais de primeira em todos os setores visuais, uma não-economia de dinheiro que tem o seu resultado no primeiro momento que você assiste a algo da emissora. Neste Ano 2 de Westworld, isto ficou ainda mais evidente, porque conhecemos brevemente outros dois Parques (The Raj e Shogun World — infelizmente pouco explorados) e tivemos uma exploração ainda maior de toda a malha tecnológica do cenário.

No todo, gostei ainda mais dessa temporada do que da anterior, embora a montagem tenha sido um grande problema para mim em muitos momentos. E temos aquilo que já discutimos em outra ocasião, a questão de Kiksuya, como vocês sabem, para mim, um primor visual, mas de uma exposição “menor” de roteiro que, ainda mais agora, vendo a série em retrospecto, me pareceu um enorme exagero ter colocado aquele drama inteiro num único episódio (em 10 minutos isso poderia ser trabalhado de maneira visual E narrativamente brilhantes), apenas para dar escopo à Nação Fantasma. Também gostaria que Maeve tivesse uma linha de ação mais sólida na parte final, embora eu tenha entendido o caminho dado a ela no desfecho, justamente pelo que representava. Afora esses pontos, com todos os seus mistérios e perguntas por responder, não tive mais grandes tropeços com a temporada. Abaixo, segue a minha classificação dos episódios. Deixem também suas classificações nos comentários!

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10º Lugar: Kiksuya

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Tecnicamente aplaudível e textualmente… simplista, Kiksuya é um episódio feito sob medida para dividir opiniões. Claro que é um capítulo bastante válido, pelo que apresenta, mas no fim das contas, foi mais um tira-teima e uma hora inteira para respirar do que qualquer outra coisa. Pelo menos agora estamos “descansados” para a dupla de capítulos finais da temporada.

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9º Lugar: Phase Space

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O avanço ou adequação de forças dentro de cada espaço é o tema central aqui, e o roteiro de Carly Wray permitiu que cada bloco, até então posto em cena, andasse consideravelmente no tabuleiro. Assim, temos Bernard e Elsie em uma caminhada que resulta em algo que suspeitávamos desde o princípio da temporada; e os times de Dolores, Maeve, Homem de Preto e Equipe Delos tentando alcançar diferentes objetivos. É esta qualidade de afinar pontas ou de deixar claro que tipo de interações temos cena, que faz do roteiro deste episódio um labirinto parcialmente incômodo e, paradoxalmente, instigante de se assistir. Uma coisa é certa: ao fim, temos mais perguntas que respostas.

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8º Lugar: Vanishing Point

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Vanishing Point é o tipo de episódio duro, seco, importante em mais sentidos do que a gente consegue imaginar antes do final, trazendo grandes momentos como o drama do Homem de Preto (as cenas com Grace são ótimas e Katja Herbers está muito boa no papel), o baita discurso de Ford para Maeve (Anthony Hopkins grandioso, de novo) e infelizmente, Maeve deitada naquela maca, sem fazer nada a não ser processar e enviar mensagens eletrônicas (hehehe), outra escolha do roteiro que não achei benéfica para o episódio e que espero que faça sentido no final. Quase chegamos diante da Porta e as perguntas não param. Quem é que vai abri-la? Ela será aberta? E que diabos há do outro lado?       

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7º Lugar: Akane No Mai

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E aqui, quero destacar aquela que para mim foi a melhor sequência do episódio e uma das melhores da série até agora: a dança “mariposa e vermelho profundo” de Akane, após a morte de Sakura (Kiki Sukezane) pelas mãos do Shogun (Masaru Shinozuka), algo com um simbolismo de morte e renascimento através da vingança que me fez arregalar os olhos e comemorar. Sem contar que a fotografia dessaturada torna a sequência visualmente mais bonita, com um aproveitamento do espaço e angulação bastante rigorosos, feitos pelo ótimo diretor Craig Zobel. E por falar nisso, o trabalho de luz e sombra nos rostos (metade iluminado, metade escurecido) na conversa entre Dolores e Ted é outro ponto igualmente aplaudível. Enfim entramos no exercício da “voz interior” que Maeve está descobrindo e usando (tem mão do Ford aí, não tem?). As cosias vão ficando sérias em uma medida bastante elegante dos roteiros, onde vemos os personagens avançarem, ganharem habilidades e novas possibilidades dramáticas se erguerem… E ainda há quem aponte esse capítulo como “fraco”. Coragem. Tem que ter muita coragem.

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6º Lugar: Reunion

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O roteiro aproveita o mistério e a grande quantidade de dúvidas (boas) para colocar mais lenha na fogueira com a aparição da Argos Initiative, uma empresa que possivelmente se uniu à Delos no investimento do Parque. Ou não é nada disso? Não parece coincidência, porém, que em um episódio sobre o passado tenhamos um novo bloco sobre investimentos e envolvimentos com o projeto em fase inicial. Como sabemos existir outros 5 Parques (isso até que resolvam mudar e desmentir tudo no decorrer da temporada, o que não é problema, desde que seja bem feito), e que o Shogun World será inserido de alguma forma neste segundo ano, é possível que estejamos vendo cenas que darão suporte dramático para estas futuras mudanças ou interligações entre texto e espaço cênico. Com máximo destaque para Evan Rachel Wood, em uma interpretação estonteante, e com a colocação de uma dúvida filosófica para o espectador (qual é o “real propósito” de Westworld? Dolores sabe desse real propósito?), chegamos a um ponto de informações e mudanças, de escolha e rejeição de caminhos. Pelo visto, já dispomos de material o bastante para seguir. Talvez em Virtù e Fortuna saibamos o que fazer com ele.

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5º Lugar: Journey Into Night

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Exceto pelo pequeno problema de ritmo que o capítulo tem nos primeiros dez minutos, até estabelecer suas frentes narrativas, e pela ligação da sequência de Maeve (Thandie Newton) em sua nova busca, o episódio funciona de maneira elogiável. Com uma macabra e brilhante direção de arte, excelente uso de figurinos e fotografia medida adequadamente para criar “mundos de luz e cores” em cada sequência, marcada por mortos por todos os lados, Journey Into Night nos coloca em uma vereda de segredos e buscas. Seja em humanos originais ou sintéticos, essas duas coisas insistem em existir, fazendo seu impacto ser sentido logo de cara.

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4º Lugar: The Passenger

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Para mim, The Passenger foi um fechamento de alto nível para um capítulo confuso, mas majoritariamente estimulante e belissimamente pensado, tanto em termos estéticos, quanto em termos de conteúdo e tramas internas. O aspecto cinematográfico aqui não se reflete apenas na duração do episódio, mas também na forma como o diretor Frederick E.O. Toye expôs cada bloco em tela, mesclando os clichês (no bom sentido) dos filmes bíblicos com westerns (eu só peguei referências de Uma Cidade Que Surge e Aliança de Aço, mas tenho certeza que existem tem mais), e a mais fina linha sci-fi, aplicanda à psicologia e às muitas formas de se enxergar a realidade, tal como a Biblioteca como um símbolo do conhecimento dos que pisaram os pés nos Parques (nesse contexto, com uma piscadela para a Biblioteca de Alexandria) e doses de ironia pelo falo de Logan ser a chave que faz o tour pelas camadas dessa memória.

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3º Lugar: Les Écorchés

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Ver Anthony Hopkins em cena de novo, e com essa nova linha de mistério o acompanhando, é um presente imenso. O ator apresenta uma face mais cínica, mais professoral até, querendo mostrar alguns caminhos para Bernard, em vez de tomar, ele mesmo, as decisões totais. O paradoxo da consciência é outra coisa que chama a atenção também. Notamos novamente a forma como a direção registrou a alteração de razão de aspecto para o “mundo das ideias”, onde Ford está (estava). Notamos os ângulos utilizados para mostrar Ford, o tipo de iluminação parcial ou levemente difusa que ele recebe e a forma como é mostrado ao longo do episódio, seja em pessoa, através da voz, de reflexos ou de lampejos de consciência e ações do próprio Bernard. Considerando tudo isso, vemos de forma ainda mais interessante quando ele diz que o jogo agora é de Bernard e, ainda assim, toma decisões que considera importantes, como atirar nos soldados, por exemplo.

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2º Lugar: Virtù e Fortuna

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Uma das coisas que pode incomodar alguns espectadores aqui é a “narrativa espalhada” que o texto adota em Virtù e Fortuna. Eu compreendo esse tipo de reclamação, mas não vejo esses vários lugares atrapalharem o andamento deste capítulo. Tudo aqui funciona a contento, e de maneira ainda mais fechada do que em Journey Into Night e Reunion, pelo simples fato de dar suporte ao mistério. Não estamos falando daquele tipo de sugestão enigmática apenas para lançar uma semente que se desenvolverá ao longo da temporada. O enigma pelo enigma. O que temos aqui é uma forte exibição de cenários com avanço real da história, cada time alcançando um pouco de seus objetivos e com referências estéticas ou textuais que vão de Consciências Mortas (1943) até Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia (1974), chegando ao Shogun World, onde mais uma linha de mistérios está para acontecer. Notem que durante esse processo, Dolores ganhou cada vez mais nuances vilanescas, enquanto Maeve e seu time parecem apenas “agir conforme as novas situações”. É curioso observar esse tipo de diferença na abordagem, porque supostamente Maeve está mais “acordada” que Dolores. E só de pensar nisso já temos uma boa quantidade de conceitos morais e éticos para discutir, mais uma vez caindo nos questionamentos de livre-arbítrio da série: ele existe ou tudo isso é parte de algo pré-escrito?

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1º Lugar: The Riddle of the Sphinx

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A direção de Lisa Joy, embalada por Play With Fire, dos Rolling Stones e por Do the Strand, da Roxy Music, baila por todos os cenários, estruturando com grande força duas ameaças ao mesmo tempo: algo que esta temporada ainda não havia mostrado com esse nível de qualidade e com essa quantidade de coisas e personagens levados em conta. Do plano mais longo na abertura (vibe de Lost, no episódio de apresentação de Desmond, alguém?), em um ambiente de fotografia estourando em branco, direção de arte parcialmente minimalista e excelente jogo com a perspectiva do público… até a recolocação de Elsie na série (alguém se incomodou com isso? Eu particularmente não. Na verdade, gostava tanto da personagem, que fiz a minha dancinha comemorativa quando ela apareceu), temos uma interação de linhas narrativas que, além de funcionarem adequadamente, criam ou pavimentam bons caminhos dramáticos para personagens distintos — inclusive jogando com suas ambiguidades. Pensando nisso, a ideia de que Bernard estava com “bloqueio cognitivo” e o fato de as lembranças dele não aparecerem em uma linha do tempo ordenada, significa que este Bernard que a gente está vendo é mesmo mais dos dos muitos possíveis Bernards? A cada episódio parece que conhecemos mais um podre dele e temos mais um motivo para gostar e desconfiar do personagem.

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LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.