Crítica | À Espera do Tempo – Filmando com Kurosawa, de Teruyo Nogami

estrelas 4,5

A gente no frio, sem comer, sofrendo, e Matsue e seu amiguinho russo ali, confortáveis numa sala quente, bebendo chá como se fossem os donos do mundo. Quem ele pensa que é? Se ele se considera um produtor, tinha que estar nos locais das filmagens! […] Fiquei hoje esperando o dia inteiro, e em nenhum momento as coisas saíram do jeito que eu queria, em nenhum momento! Até agora não consegui filmar uma única cena do jeito que queria!

Akira Kurosawa para Teruyo Nogami, durante as filmagens de Dersu Uzala.

Teruyo Nogami nasceu em Tóquio, em 1927. Seu primeiro contato no mundo do cinema se deu através do diretor Mansaku Itami, e por uma série de caprichos da vida, acabou fazendo parte da equipe de produção deRashomon (1950), filme que marcou o seu primeiro encontro com Kurosawa e a primeira vez que ela exercia o papel de continuísta em um filme do mestre japonês.

Desse ponto em diante, Nogami só não estaria presente em um único filme de Kurosawa: O Idiota. De Viver até O Barba Ruiva ela exerceu o cargo de continuísta. Em Dodeskaden ela foi assistente de produção. EmDersu Uzala, diretora associada e assistente de produção. Em Kagemusha, continuísta e assistente de produção; e de Ran a Madadayo, produtora. Após ter passado mais de 40 anos ao lado do rigoroso Akira Kurosawa, não é de se espantar que Nogami tivesse muitas histórias pra contar.

À Espera do Tempo é um livro de memórias, uma espécie de diário seletivo de todo esse tempo que a profissional trabalhou com Kurosawa. O livro é composto de uma série de artigos, ensaios e entrevistas feitos pela autora durante muitos anos, tendo uma boa parte deles já publicados em revistas especializadas e boletins cinematográficos de importante circulação no Japão. É por esse motivo que o leitor pode sentir certa “repetição” de fatos e dados, mas ao saber que se tratam de informações escritas em momentos diferentes, entende-se o motivo.

Nogami relata como foi a sua relação com Kurosawa, Mansaku Itami, Fumio Hayasaka e muitos outros profissionais do cinema durante o seu período de atividade na Toho. Temos um grande número de informações de bastidores e revelações valiosas sobre o comportamento de Kurosawa durante o processo de filmagens, suas inquietações, explosões emocionais, exigências estéticas, relação com a equipe e ritmo de filmagem. Um dos capítulos que mais me chocaram foi o destinado à produção de Dersu Uzala. A película foi realizada num momento de muitas dificuldades na carreira e na vida do diretor, e percebemos isso através do relato detalhado de Nogami, que aborda não só os eventos e desventuras ocorridos durante as filmagens mas também toda a via crucis da produção e pós-produção do filme.

Com uma linguagem simples e bastante instigante, À Espera do Tempo é um livro delicioso, e sem sobra de dúvidas, obrigatório para os fãs de Kurosawa e do cinema japonês. A obra não relata apenas um foco ou filme ou período da carreira do diretor, mas se estende por eventos a respeito do cinema japonês como um todo, além de trazer informações sobre técnicos, elenco e produtores. O leitor pode acompanhar até as dificuldades de Kurosawa ao filmar animais, e os casos engraçados e trágicos envolvendo o tigre em Dersu Uzala, os corvos em Sonhos, as formigas em Rapsódia em Agosto e os cavalos em diversos filmes do diretor.

À Espera do Tempo nos dá uma visão mais abrangente da obra de Kurosawa e uma riquíssima base de dados para entendermos melhor ou até valorizarmos mais as películas da fase madura do diretor. Um relato para ser lido várias vezes.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.