Crítica | A Rainha do Castelo de Ar, de Stieg Larsson

estrelas 4,5

IMPORTANTE: Há muitos spoilers no texto que se segue, portanto, só indico a leitura para quem já leu o livro ou para quem não se importa muito em conhecer detalhes de uma obra que ainda não conferiu.

Lisbeth Salander está mais encrencada do que nunca. O grupo dos defensores de Alexander Zalachenko ressurge para tentar enfurná-la em uma clínica psiquiátrica e encobrir as fraudes judiciárias realizadas no início dos anos 90, quando a garota era apenas uma adolescente.

Término da Trilogia Millennium, A Rainha do Castelo de Ar se configura um livro ágil, cheio de personagens novas, grande arco de ações através do tempo e um excelente trabalho de crítica à justiça sueca, às instituições de saúde para pessoas com problemas psiquiátricos e mais uma vez, aos maus tratos sofridos pelas mulheres.

Stieg Larsson adota como ponto de partida o acontecimento do final de A Menina que Brincava com Fogo. Descendo da ponta do iceberg de acontecimentos, vemos o autor partir para uma linha dramática de investigação, culminando nos eletrizantes capítulos em que se dá o julgamento de Lisbeth e o inesquecível enfrentamento entre Annika Giannini e Peter Teleborian. É uma pena que após a finalização do julgamento o autor tenha desacelerado e finalizado o livro com uma exposição boa, mas longe do que fora a maravilha com a qual nos presenteara durante toda a obra.

A diferença deste volume para o anteriores é a aparência mais burocrática, mais narrativa do que estávamos acostumados. Por se tratar de um livro de investigação de crimes cometidos pela Seção há muitas décadas, a história se torna mais cerebral e menos lúdica, se assim podemos dizer. Mas isso não é demérito algum para a obra e não a diminui nem um pouco. Ao contrário do que alguns leitores se manifestaram em relação à “encheção de linguiça do livro”, classificamos a sua primeira metade como o surgimento de uma grande tempestade, que chega exatamente na segunda metade, com toda a força possível.

Embora a finalização seja patética, Larsson não deixa nenhum ponto solto. O ritmo mais “familiar” adotado desde a viagem da protagonista para Gibraltar se tornou um “mal necessário”, e tem suas alternâncias, como o eletrizante confronto final entre Lisbeth e seu meio-irmão Ronald Niederman. O desfecho nos mostra um amadurecimento. Libeth mudou. O leitor se sente meio constrangido ao terminar a última página, mas ao mesmo tempo se sente feliz e elétrico. A confusão de sentimentos é propícia ao que o autor nos apresenta. O livro vai de um ponto a outro da sociedade e organização estatal e social sueca e europeia, bem como faz Lisbeth atravessar a ponte que vai de um lado a outro de si mesma.

A Trilogia Millennium é uma série que vai ficar na memória de todos os leitores que passaram horas e horas suando frio e roendo as unhas, virando as páginas freneticamente e passando noites em claro, acompanhando as aventuras dessa admirável (anti?) heroína de nosso início de século.

A Rainha do Castelo de Ar (Luftslottet som sprängdes) — Suécia, 2007
Autor: Stieg Larsson
Publicação no Brasil: Companhia das Letras, 2009
688 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.