Crítica | Amar é Crime, de Marcelino Freire

estrelas 4,5

Este livro de Marcelino Freire nos apresenta os males do amor, seu lado menos meloso, menos compassivo e mais sangrento. Não que isso seja algo novo na obra do escritor pernambucano, mas desta vez, o amor está no alvo de sua palavra crítica. É a vez de julgar o sentimento de maior peso emotivo em nossa sociedade – o maior crime de todos, o crime do amor.

Amar é Crime é um livro mais maduro que os anteriores, consciente de seu “poder popular”, sua rima dos becos, suas cores e decepções amorosas, finais em frente ao tribunal, iconoclastia e desprezo pelo politicamente correto. Não há nenhum conto ingênuo em Amar é Crime. Mesmo os micro-contos finais são de uma força e violência tamanhas, que não nos permite respirar sossegados, isentos da realidade que ali se apresenta. Marcelino Freire não muda o seu mundo, apenas troca a lente para observá-lo mais de perto, mais de longe, mais fora de foco. E esta observação revela o quão frágeis são as linhas que dividem a sanidade, o amor, o ódio, o crime, tão bem postas por ele nos contos que compõem o livro.

A leitura de Amar é Crime é uma deliciosa e sangrenta experiência. Às vezes, na virada da página, descobrimos a nós mesmos no comportamento de uma personagem, na visão embrutecida em relação ao mundo. Para longe e além dos contos de fadas e esperanças doentias, o amor que Marcelino Freire nos apresenta está mais do nosso lado do que aquele santíssimo amor dos Evangelhos. Contos como União Civil e Vestido Longosão exemplos dessa realidade e oposição entre o real e o fictício, entre a vida coberta de lodo e o amor quase ideal, finalmente coberto de sangue, decepção e lágrimas. Amar é Crime é um livro que impressiona, diverte, faz pensar, promove o debate, incita, excita, dá nojo, desenterra sentimentos e opiniões conflitantes sobre a vida.

Como um representante da “voz do povo”, Marcelino Freire não nega suas raízes, e mais uma vez, escreve para e pelos que não possuem voz.

Como aperitivo literário, deixo o pequeno poema que abre o livro e que o autor disponibilizou em seu próprio blog, Ossos do Ofídio. É bom lembrar que se o leitor não for afeito a obras fora do politicamente correto, que não leia as próximas linhas. Para os mais soltos de mente e coração, desejo uma boa leitura. E indico fervorosamente Amar é Crime.

UM POEMINHA DE AMOR CONCRETO

da mesma forma que você  o pão à mesa  a mão um abraço da mesma

forma que você  um aviso um acorde  um choque um chute um salto da

mesma forma que você  uma carona um passo  uma força um recado

da mesma forma que você  uma bronca um tapa  um duro uma gravata da

mesma forma que você  a luz uma ideia  um gole uma festa da mesma

forma que você  uma rosa um beijo  uma bala uma moeda da mesma

forma que você  boa tarde boa noite boas-vindas  uma desculpa um tempo

da mesma forma que você  de cara  de frente  de ombros de bandinha

da mesma forma que você não me  a mínima não me dá ouvidos não me 

bola da mesma forma que você não  o melhor de si eu dou o cu meu amor e

daí

[ De MARCELINO FREIRE, extraído do livro Amar É Crime]

Amar é Crime (Brasil, 2011)
Autor: Marcelino Freire
Editora: Edith
174 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.