Crítica | Chapeuzinho Amarelo, de Chico Buarque

estrelas 5

Quando alguém tem afilhados, filhos, sobrinhos, primos mais novos ou contato com professores de Ensino Infantil, é muito provável que mais dia menos dia esse alguém se veja com um livrinho ilustrado nas mãos, lendo histórias em uma interpretação canastrona para um público muito atento, de olhos arregalados e expressões de medo ou encanto.

Assim foi comigo mais recentemente, e o tal livro que me vi interpretando durante a leitura foi o gracioso Chapeuzinho Amarelo, obra de Chico Buarque e ilustrada por Ziraldo. O livro, como o título nos diz, conta a história de Chapeuzinho Amarelo, uma menina que tinha medo do medo e não vivia como uma criança normal por temer se machucar, se engasgar, descolar, ensopar, cair, etc.

Mas ao passo que acompanhamos o medo de Chapeuzinho Amarelo, e até sentimos dó da menina, que se priva de todos os prazeres de criança, mergulhando, em seu medo, em um estado muito parecido com o da depressão – onde estão os pais dessa menina? – Chico Buarque traz a reviravolta vitoriosa, onde a protagonista se encontra, um dia, com o seu maior medo, o LOBO, e o enfrenta, até que o transforma em outra coisa: LOBO = BOLO. E assim é feito com os outros medos que ela tinha, todos transformados em companheiros, renomeados e vencidos.

Ao inverter o conto original dos Irmãos Grimm, Chico Buraque consegue estimular tanto a imaginação da criança quanto do leitor adulto, que passa a dar um novo significado para a história que já conhecem tão bem. Embora eu particularmente não ame o modo como ele estruturou narrativamente o final da história, eu gosto e aplaudo o que acontece: Chapeuzinho Amarelo vence o medo do medo e passa a conviver com eles como parte de sua vida comum, não deixando de aproveitar a sua infância por ter medo de alguma coisa.

O ritmo e a musicalidade do poema ajudam a narração e com certeza são elementos decisivos para tornar a história mais interessante. Outro fator aqui é a arte de Ziraldo, que forma um contraponto entre as cores da história original com as cores dessa paródia buarqueana, gerando uma rede de novos símbolos que nos tomaria muito tempo se fôssemos analisá-los, mas que podem ser facilmente percebidos pelo leitor mais perspicaz.

Chapeuzinho Amarelo é uma história sem diálogos, um poema que narra a superação do medo e a chegada do amadurecimento de uma garota. Uma história universal que merece ser lida e contada várias vezes.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.