Crítica | Doctor Who: Quando Cair o Verão, de James Goss

estrelas 4

When Summer Falls,

The Lord of Winter will arise

When darkness calls

And opens the Cold Lady’s eyes.’

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Equipe: O Curador, Kate e Armand
Espaço-tempo: Vila de Watchcombe (UK), mês de setembro, década de 1950

Do ano passado (2012) para esse ano, temos percebido uma verdadeira profusão de coisas legais aparecerem para os fãs de Doctor Who, algo como um auto-presente de comemoração aos 50 anos do programa que serão comemorador em novembro próximo.

Uma dessas coisas legais foi a incursão metalinguística da literatura nos episódios da série, iniciada ainda na partida de Amy e Rory, em The Angels Take Manhattan, episódio que teve River Song como Melody Malone, a detetive que protagonizaria o conto O Beijo do Anjo, uma história noir trintista em que a sensual e misteriosa detetive especializada em “casos de anjos” resolve um mistério muito curioso envolvendo um conhecido produtor de cinema.

Summer Falls, por sua vez, aparece no episódio The Bells of Saint John, capítulo exibido após o hiato da 7ª temporada da série e que introduziu a nova companion do Doutor, Clara “Oswin” Oswald. Em dado momento do episódio, um garoto aparece com um livro na mão. Clara o pega, olha a capa e… bem, o que ela fala não importa, é uma piadinha com o 10º e 11º Doutor, mas é um spolier que certamente estragaria a graça desse ponto do episódio se fosse dito, então vamos apenas dizer que o livro que Clara esse garoto (Artie Maitland) leram é Summer Falls.

A indicação metalinguística criada por James Goss aqui é interessantíssima, e nos faz respirar um pouco mais aliviados quanto ao destino de Amy e Rory após o toque do Anjo. Isso porque Summer Falls foi escrito por Amelia Williams (Amy Pond) na primeira metade da década de 1950 (a capa interna do livro vem como “1ª Edição – 1954”), e é na verdade uma adaptação que a ex-companion do Doutor faz de suas aventuras no passado. Só o fato de ela ter virado escritora e publicado uma história olhando para seu passado de viajante no tempo já é uma indicação de que tudo ocorreu bem em sua ida para o passado.

As personagens do livro são figurações de suas lembranças. O Senhor do Inverno é o potente vilão, que em minha opinião foi baseado no Senhor do Sonho, que aparece na 5ª Temporada da série, no episódio Amy’s Choice. Kate Webster é claramente a representação da própria Amy, e o covarde Armand provavelmente seja Rory, embora eu ainda tenha dúvidas disso. Talvez Amy tenha pensado essa aventura com ela e Rory pequenos, o que é melhor aceitável a postura covarde dele – digo isso porque não o considero covarde na vida adulta, apenas medroso. Por fim, o Curador do museu. Não há dúvidas de que ele representa o Doutor, até com uma frase (“magic is cool“) que lembra bastante uma conhecida frase do 11º Time Lord.

Eu sinceramente não esperava muita coisa do livro, achei que seria um pouco como a aventura de River Song em 1938, mas… qual o quê! Summer Falls é uma história incrível, cheia de referências a elementos da mitologia da Nova Série (dificilmente uma pessoa alheia aos acontecimentos de Doctor Who vá achar a história tão bacana assim) e um modo nostálgico, belo e indireto de trazer Amy e Rory de volta para todos nós.

Quando Cair o Verão (Summer Falls) – Reino Unido, 2013
Autor:  James Goss
Tradutor brasileiro: Camila Fernandes
Lançamento no Brasil: Editora Suma de Letras, 2014 (coletânea com 188 páginas)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.