Crítica | Moscou Contra 007, de Ian Fleming

Aviso: O texto abaixo contém spoilers para quem não leu o livro ou viu 007 – Cassino Royale, com Daniel Craig.

Analisar From Russia With Love é uma tarefa que tem de ser feita com cuidado e esmero, pois estamos diante de uma obra clássica da língua inglesa (e também mundial) do século XX. Em seu quinto romance no universo de James Bond, Ian Fleming revelou segredos tão íntimos da inteligência soviética no período da Guerra Fria que muitos duvidavam que tais informações de sua obra pudessem ser verdade. Contudo, Fleming esclarece tais fatos com uma “nota do autor” em sua obra. Na primeira edição do livro, publicada no Brasil com o título “Espionagem”, esta nota está lá como segue abaixo:

NOTA DO AUTOR

Embora isto não seja essencial, os dados em que se baseia esta história são, em grande parte, verídicos.

A SMERSH, contração de Smiert Spionam (Morte aos Espiões), existe e é, até hoje, o mais secreto departamento do governo soviético.

No início de 1956, quando este livro foi escrito, os componentes da SMERSH, na pátria e no exterior, eram cerca de 40.000, tendo como chefe o General Grubozaboyschikov. Minha descrição do seu aspecto é fiel.

Atualmente, o quartel-general da SMERSH está onde o localizei no capítulo 4: Sretenka Ulitsa, n.° 13, Moscou. A sala de conferências é fielmente descrita e os chefes do Serviço Secreto, reunidos em torno da mesa, são oficiais que realmente existem e que são freqüentemente convocados para fins semelhantes aos que narrei.

Ian Fleming

Conta-se que From Russia With Love foi, durante muitos anos, leitura obrigatória dos novos agentes que a CIA convocava. Um dos instrutores dizia que a leitura do livro mostraria a eles as engrenagens da Guerra Fria daquele período.

Como os quatro primeiros romances, From Russia With Love foi bem recebido pela crítica. A história foi escrita na propriedade Goldeneye de Fleming, na Jamaica, no início de 1956.

A história se centra em um plano da SMERSH, a agência de contra espionagem da União Soviética, para assassinar Bond de forma a colocá-lo na infâmia junto com sua agência, o Serviço Secreto Britânico. Como isca, os russos usam uma bela funcionária de decodificação que tinha acesso direto a um Spektor (chamada de Lektor no filme), uma máquina decodificadora, motivo de cobiça do MI6 e da CIA. Grande parte da ação se passa na cidade de Istambul e no Expresso do Oriente.

A SMERSH planeja cometer um grande ato terrorista. Para isso, ela mira seu alvo em James Bond que foi listado pelo estado soviético como inimigo, em parte por seu envolvimento nas mortes de Le Chiffre, Mr.Big e Hugo Drax, e um “mandado de morte” foi emitido contra ele. Sua morte é planejada para fazer parte de um grande escândalo sexual, que correrá o mundo por meses e destruirá sua reputação junto com a do Serviço Secreto Britânico. O assassino de Bond será o carrasco da SMERSH, Donavan Grant, um psicopata cujos instintos homicidas coincidem com a lua cheia. Kronsteen, o planejador mestre da SMERSH e a Coronel Rosa Klebb, chefe de Operações e Execuções, elaboram a operação. Eles convencem uma jovem funcionária de decodificação, a Cabo Tatiana Romanova, a fingir deserção de seu posto em Istambul, afirmando ter se apaixonado por Bond depois de ter visto sua fotografia em um arquivo. Como um incentivo adicional, Romanova dará aos britânicos o Spektor. Entretanto, ela não é informada de todos os detalhes do plano que incluíam a sua morte.

A oferta do Spektor é enviada e recebida pelo MI6 em Londres, supostamente vinda de Romanova, e contém a condição de que Bond venha pegá-la junto com a máquina em Istambul. O MI6 desconfia da história de Romanova, porém a perspectiva de ter um Spektor é muito grande para ser ignorada, e o chefe de Bond, M, ordena que ele viaje para a Turquia para encontrá-la. Ao lermos o livro podemos sentir claramente a frieza de M em enviar um agente para a morte. O MI6 e o próprio Bond sabiam que toda aquela oferta se tratava de uma armadilha; só não sabiam como ela estava armada.

Bond conhece e rapidamente faz amizade com Darko Kerim, chefe da estação britânica de inteligência na Turquia. Kerim leva Bond para jantar com alguns ciganos e eles testemunham uma luta brutal entre duas mulheres, interrompida por um ataque realizado por agentes soviéticos. Em retaliação, Bond ajuda Kerim a assassinar um importante agente búlgaro.

Bond se encontra com Romanova e os dois planejam sua fuga da Turquia com o Spektor. Ele e Kerim acreditam na história da moça e, oportunamente, os três embarcam no Expresso do Oriente com o Spektor. Bond e Kerim descobrem três agentes do soviéticos viajando disfarçados no trem. Kerim usa subornos e astúcia para tirar dois dos agentes da viagem, porém, mais tarde ele é encontrado morto em sua cabine com o corpo do terceiro agente, ambos mortos por Grant.

Em Trieste, outro agente do MI6, Capitão Nash, embarca no trem e Bond presume ser um enviado de M para ajudá-lo na proteção da máquina pelo resto do trajeto. Romanova suspeita de Nash, porém Bond lhe assegura que o homem é de sua agência. Depois de um jantar, em que Nash drogou Romanova, Bond acorda com uma arma apontada para sua cabeça e Nash revelando ser seu assassino, Grant. Ao invés de matá-lo imediatamente, Grant revela o plano da SMERSH, incluindo os detalhes de que ele deve atirar em Bond no coração e que o Spektor está armado para explodir assim que for examinado. Enquanto Grant fala, Bond escorrega sua caixa de cigarros metálica entre as páginas da revista que está segurando até seu coração para parar a bala. Depois de Grant atirar, Bond finge estar mortalmente ferido, e quanto Grant vai olhá-lo mais de perto, ele o ataca: Grant é morto e Bond e Romanova escapam.

Mais tarde, em Paris, depois de entregar Romanova e o Spektor para seus superiores, Bond encontra Klebb. Ela é capturada, porém consegue ferir Bond com uma adaga envenenada escondida em seu sapato. A história termina com Bond lutando por ar caído no chão. Na verdade, Bond está morto.

Fleming havia dito anteriormente que pretendia matar seu personagem. Conta-se que Raymond Chandler, depois de revisar Diamonds are Forever teria escrito para ele: “você pode melhorar”. Este comentário teria sido a confirmação de que Fleming precisava para levar adiante sua vontade de matar Bond. Naquele ano de intervalo entre este romance e o próximo (Dr. No) todo o mundo literário que aprendeu a acompanhar as aventuras de 007 ficaram em suspense: teria Bond realmente morrido no cumprimento do dever?

Novamente, reza a lenda que o próprio Chandler convenceu Fleming a continuar escrevendo suas emocionantes e impactantes histórias. Fato é que, naquele ano de 1957, todos (principalmente na Europa e Estados Unidos) respiravam a Guerra Fria e esta obra caiu como uma bomba nas livrarias do mundo. A tensão entre os personagens, os detalhes que Fleming descrevia com maestria, os ganchos que ele deixava em cada capítulo para prender a atenção do leitor misturado com a presença sinistra e real da SMERSH fizeram desta obra um dos maiores bestsellers de todos os tempos. Sem contar da ajuda que Fleming teve do presidente americano JFK que tinha From Russia With Love como um de seus romances favoritos (tendo sido também o último filme que ele assistiu antes de ser assassinado em Dallas).

Outro detalhe do livro é que Bond só entra em cena no 11º capítulo, tendo seu nome citado pela primeira vez apenas na ultima linha do capítulo 5. Os detalhes de toda a trama, os personagens centrais do plano contra Bond e o MI6 são minuciosamente detalhados por Fleming nos 10 primeiros capítulos. No livro, o leitor conhecerá a fundo a figura doentia do teuto-irlandês Donavan Grant, chamado pelos russos de Granitsky, o frio planejador Kronsteen e a cruel e lésbica Coronel Rosa Klebb.

filme foi bastante fiel ao livro com apenas uma diferença: os produtores, temendo colocar Bond enfrentando de maneira aberta a temida organização SMERSH nas telas do cinema, a substituíram pela SPECTRE. Nofilme, SMERSH é apenas citada em alguns momentos. Posteriormente, com a estréia de Timothy Dalton em 007 Marcado para Morte (um dos melhores filmes da série em minha opinião, onde podemos sentir muito do clima deste romance) SMERSH é novamente apenas citada. Com Daniel Craig, ventilou-se a possibilidade de usarem este nome para a organização de que Mr. White era membro, mas acabou optando-se pelo nome Quantum (Quantum of Solace é o nome de um conto de Fleming).

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.