Crítica | Muito Além da Economia Verde, de Ricardo Abramovay

estrelas 4

Ultimamente, muito se tem discursado e tentado explicar questões em relação às agressões humanas ao meio ambiente e seu atual estágio de consumo e exploração de recursos naturais diversos. O que é verdade e o que é mentira?

Como o acesso às informações via internet, na maior parte das vezes, são limitados de fontes confiáveis – e os portais de nossa predileção geralmente não publicam artigos unicamente para os temas que gostaríamos de ler -, sempre que surge um livro a respeito de economia e sustentabilidade é bom conferir do que se trata e ver em que se baseia a pesquisa e que nova luz lança sobre o assunto.

De cara, é impossível não se identificar com a proposta de Abramovay, para este Muito Além da Economia Verde. O autor não é apenas um idealizador bem intencionado escrevendo sobre o tema. Ele é professor titular do Departamento de Economia da FEA e do Instituto de Relações Internacionais (USP), além da sua formação em sociologia e passagem laureada por importantes centros acadêmicos franceses, onde realizou pós-doutorado em algumas ciências.

Essa passagem pela economia com um toque de discurso sociológico é agradável de se ler, e traz para o leitor em uma linguagem simples e com um grande número de referências, o que se propõe.

A primeira parte do livro discute questões relacionadas à pobreza. Desde a introdução temos o tom central da obra, que é colocar a economia a serviço do desenvolvimento, por isso, o 1º capítulo contextualiza o mundo e o contato com a produção econômica e as consequências positivas ou negativas por ela geradas. O capitalismo aqui não é demonizado com ódio infantil esquerdista ou louvado como o deus Pluto. A abordagem é quase mecânica, trazendo fatos e apontando possibilidades de ação. Diferente dos escritores sobre o tema que só apresentam uma realidade mas deixa quem lê (e não necessariamente domina o assunto) num beco sem saída, Abramovay discute possibilidades: o que podemos fazer em relação a tal coisa? Há uma tendência em andamento para isso? Há previsões baseadas em pesquisa para isso no futuro?

O dois primeiros capítulos (Pobreza de quê? e O mito do imaterial: economia verde não é o mesmo que crescimento verde) são os melhores do livro. Neles, o autor caminha por uma contextualização sociológica a respeito da nova fase da economia capitalista. Não apenas em um âmbito geral/mundial, mas micro-analítico também, tratando de problemas locais em diferentes lugares do mundo e tornando esses problemas o combustível para uma discussão mais ampla, a exemplo de sua abordagem para a obesidade e o engarrafamento realizados no decorrer do livro.

Uma das partes do capítulo 2 que mais me chamaram a atenção é intitulada Cada vez menos matéria, menos energia, menos emissões. Nele, o autor quantifica usos de material mineral ou natural, disponibiliza dados de instituições sobre novas atitudes em contraposição a velhas atitudes e traz à tona novamente a presença do indivíduo como parte ativa de todo o motor de mudanças da história e sociedade.

O capítulo 3 é destinado essencialmente à “alma” do capitalismo. Não é um dos meus favoritos, porque acho que a abordagem dá algumas voltas por situações de alguma forma já apresentadas, ou que já são claras a um leitor que se dispõe a ler um livro sobre economia verde. Mas o interessante dessa parte do livro é a presença das instituições e dos mercados internacionais. É claro que o livro não aborda com requinte de detalhes o processo e contradições da economia contemporânea sobre mercados, vida social, organizações sociais e seus novos parâmetros, mas diz o bastante para deixar claro a quem lê qual é a relação desses setores com o andamento de toda a discussão proposta no livro.

Minhas maiores ressalvas são em relação ao capítulo 4, porque creio que ele não faz parte, de fato, da discussão sobre economia verde. As relações não são descabidas, mas ao falar de informações em rede e cooperação através de meios tecnológicos, o autor põe na mesa cartas que não necessariamente pertencem a esse jogo. Essas questões podem sim constar em um debate sobre a ação do indivíduo para com sua sociedade e o que a tecnologia lhe propicia para levar isso a frente. Todavia, esse adendo poderia estar de forma mais resumida e objetiva aplicado no decorrer dos capítulos anteriores.

Muito Além da Economia Verde é uma obra interessante. O livro sai vitorioso na proposta de soluções e apontamentos de caminhos possíveis para a humanidade a partir de agora – deixando toda a utopia de lado -, e tocando na ferida em seu ponto mais doloroso, o núcleo gerador de economia e consumo. Nada de apagar fogo soprando fumaça. As ideias expostas no livro podem ser um começo para se pensar mais a fundo qual é o mundo continuamos a construir. Seja para o bem ou para o mal, há pessoas e organizações trabalhando para torná-lo alguma coisa. Resta saber qual devai ganhar o futuro.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.