Crítica | Os Assassinos, de Ernest Hemingway

estrelas 4,5

Escrito em 1926 e publicado apenas um ano depois, Os Assassinos é um dos contos mais conhecidos e queridos do escritor estadunidense Ernest Hemingway. O conto já foi adaptado para o cinema por por Robert Siodmak, em 1946; Tarkovski, Gordon e Beiku, em 1956; e Don Siegel, em 1964, sendo as três versões bem sucedidas frente ao público, com a diferença de que a primeira e a terceira renderam uma ótima bilheteria e a segunda foi apenas um curta-metragem de três estudantes soviéticos.

Em Os Assassinos, Hemingway aborda de forma clara e direta a violência urbana e a posição de um determinado indivíduo diante da morte iminente. A história tem um tom claustrofóbico, mas é mascarada por uma narrativa ágil, com diálogos sarcásticos, quase cômicos.

Ao entrarem no restaurante, os dois assassinos não gritam ou ameaçam imediatamente o proprietário e o outro cliente do local. Há uma interação quase amigável na conversa que se segue. Eles fazem um pedido e provocam o proprietário, deixando clara certa animosidade, mas mesmo assim, desprovida de tom e atitudes agressivas. Aliás, a ação mais agressiva que temos no conto é o atar do negro cozinheiro e de Nick Adams na cozinha, enquanto os assassinos esperam pelo sueco, a vítima anunciada.

 Poster de “Os Assassinos” (1946), dirigido por Robert Siodmak.

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Hemingway pinta de normalidade toda a ação transcorrida no restaurante. George, o proprietário, chega a rir das atitudes de Al e Max, os assassinos. Nem durante e nem depois da espera cheia de tensão temos o indício de alguma surpresa frente a atitude dos criminosos. Todos aceitam essa abordagem e a ameaça de morte a um cliente como se fizesse parte do cotidiano da cidade, uma cidade quente e cheia de gente espertinha, segundo a dupla.

O autor estampa uma realidade evidente nos Estados Unidos ao final dos anos 1920: a existência da Lei Seca (o proprietário do restaurante chega a dizer que tem cerveja sem álcool, e quando provocado por um dos assassinos, como se estivesse escondendo o que realmente tinha pra beber, ele reafirma: só tem o que eu disse.) e a livre circulação e ação da máfia. Essa opressão dos marginais é tão grande sobre a população, que o próprio sueco marcado para morrer se entrega passivamente a esse destino, como se nada que ele fizesse fosse livrá-lo da possibilidade de ser morto.

A essas questões, temos ainda a posição do cenário externo ao restaurante, que também mantém uma característica claustrofóbica. Lemos que se trata de uma noite escura, e os caminhos pouco convidativos percorridos por Nick Adams quando vai contar ao sueco o que acontecera no restaurante corroboram essa visão de opressão do local sobre as pessoas. Talvez seja por isso que o pessimismo contido dos últimos diálogos dão conta de que talvez a morte não seja tão ruim assim…

 Poster de “Os Assassinos” (1964), dirigido por Don Siegel.

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Os Assassinos nos mostra uma realidade social tensa trabalhada de maneira bastante leve pelo autor, mas que na verdade, esconde uma prisão a céu aberto, onde algumas pessoas pessoas conseguem se virar melhor que outras. A lei dos fortes impera, e é sob essa lei que temos a definição de quem vive ou quem morre – a preocupação do proprietário em saber o que aconteceria com o negro cozinheiro ou com todos eles, depois que assassinassem o sueco, é um bom exemplo disso.

Hemingway faz um trabalho muito interessante com essas personagens à margem, e lhe basta um pequeno cenário e pouco mais de uma hora na vida de todos eles para fincar uma reflexão sobre o que é viver num lugar onde não se tem controle sobre a própria vida. Todos seriam perdedores, derrotados à espera de um destino fatal? Bem, não necessariamente. É claro que há a intenção de mostrar uma existência pessimista, mas o destino das coisas é posto em suspensão, cabendo ao leitor definir o que acontece ao sr. Ole Anderson, e por tabela, a todas as outras personagens próximas a ele.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.