Crítica | Doctor Who: Os Verdadeiros e Indiscutíveis Fatos a Respeito do Crânio do Carneiro, de Mark Michalowski

estrelas 5

Equipe: 1º Doutor, Ian e Barbara
Espaço-tempo: Baltimore, Maryland, 2 de Outubro de 1849

Dentre as muitas publicações e séries literárias sobre o Universo e a Mitologia de Doctor Who, a coleção Pequenas Viagens (Short Trips) se constitui uma das mais interessantes. Inicialmente publicada pela BBC Books em 1998, a série era na verdade uma antologia de contos que traziam histórias com diversos Doutores e companions. Dessa fase foram publicados três livros, entre 1998 e 2000, todos editados por Stephen Cole, que teve a parceria de Jacqueline Rayner no “livro final” da série, pleno menos por parte da BBC Books: Short Trips and Side Steps (2000).

A série voltaria às bancas em dezembro de 2002, desta feita, publicada pela Big Finish Productions. O livro que marcou o retorno da antologia foi o Pequenas Viagens: Zodíaco, um volume que traz 12 contos (e não é difícil adivinhar por quê) com oito diferentes Doutores (é bom lembrar que a “Nova Série” ainda não havia estreado, logo, o último Doutor oficial era Paul McGann, do Filme de 1996), e ainda uma aventura apenas com os modelos I e II do K9.

O conto sobre o qual falaremos aqui é o que abre o livro: Os Verdadeiros e Indiscutíveis Fatos a Respeito do Crânio do Carneiro, escrito por Mark Michalowski. A história é dedicada ao signo de Áries e é protagonizada pelo 1º Doutor, acompanhado de Ian e Barbara, o que nos permite afirmar que esse evento acontece em algum ponto entre os arcos The Dalek Invasion of Earth (a partida de Susan) e The Rescue (a chegada de Vicki).

Antes, porém, de adentrarmos especificamente ao conto, é importante dizer que há uma introdução assinada por Jim Sangster, onde, de maneira muito criativa, lemos uma apresentação de alguém do 4º Milênio analisando a História da Astrologia. Então surge o nome do pesquisador e astrólogo Kasterborous (sim, o nome de uma das constelações de Gallifrey), que, segundo o autor, estabeleceu os fundamentos da “Nova-Astrologia”.

O engraçado é que Kasterborous é um pesquisador bem parcial em relação ao seu objeto de estudo (ou isso seria apenas uma mentira inventada pelos seus opositores?), o que faz de suas características dos signos algo muito divertido, uma vez que ele não se furta em apontar os supostos “defeitos marcantes” das pessoas nascidas sobre aquela determinada casa do zodíaco.

E então, o conto. Mark Michalowski faz um trabalho absolutamente marcante e assustador ao contar a versão para o símbolo máximo do signo de Áries: o carneiro. A história se passa no dia 2 de outubro de 1849, e é contada numa narrativa em primeira pessoa, feita por um perturbado e apavorado Edgar Allan Poe. A história tem um encadeamento bem macabro de eventos, algo que certamente vai assustar de verdade os leitores mais propensos a terem medo com narrativas medonhas.

O fato é que Michalowski, ao contar o que é o carneiro de Áries, escreve um elaboradíssimo conto de terror, com os principais ingredientes do gênero, uma ação simples mas muito engenhosa do Doutor e uma boa colocação para os companions. Não há concessões. O sofrimento e as consequências causadas pelo mal se faz presente na maior parte dos espaços, e o desfecho traz isso com uma pitada de macabra genialidade do autor.

Acredito que todo fã de horóscopo deveria ler esse Zodíaco. Certamente iriam mudar de opinião quanto as coisas maravilhosas, predições, origens brilhantemente místicas e superação do bem sobre o mal em suas vidas… Há coisas muito maiores e pouco comentadas vivendo entre os astros. Basta olhar com atenção e saber qual é a sua porta de entrada para o nosso mundo. Os Arianos que o digam.

The True and Indisputable Facts in the Matter of the Ram’s Skull (UK, 2002 – reeditado em 2013)
Coleção: Doctor Who: Short Trips – Zodiac
Autor: Mark Michalowski
Editora: Big Finish Productions
Páginas: 25

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.