Minissérie | Antes de Watchmen – O Coruja # 1 a 3 de 4

Antes de Watchmen: O Coruja é uma série particularmente importante, mas não pelas razões certas. Na verdade, infelizmente, ela funciona como um último adeus a um dos grandes nomes dos quadrinhos americanos, Joe Kubert, que faleceu no último dia 12 de agosto em virtude de um câncer.

Kubert tinha 86 anos de uma vida repleta de sucessos e deixará saudades. Para quem não conhece o trabalho dele, vale conferir o que ele fez na DC Comics com Sgt. Rock e com o Gavião Negro nas décadas de 50 e 60, além de seu trabalho na Epic Comics, selo da Marvel (ah, que saudades!). Sua arte era fantástica.

O poético em sua carreira acabar em Antes de Watchmen: O Coruja é que ele estava fazendo a arte-final do trabalho de Andy Kubert, seu filho, que, assim como Adam Kubert (seu outro filho), seguiu os fantásticos passos do pai. Joe trabalhou nos dois primeiros números de O Coruja, deixando trabalhos inacabados para os dois outros números, que foram finalizados pelo também excepcional Bill Sienkiewicz.

Assim, no departamento de arte, O Coruja, como vocês devem perceber, não precisa de reparos. Tudo funciona muito bem, com detalhes e cores perfeitos à trama e ao personagem.

No entanto – e vocês sabiam que teria um “porém”, não é mesmo? – o trabalho de J. Michael Straczynski (que também trabalha, mas com resultados muito melhores, em Antes de Watchmen: Dr. Manhattan) no roteiro deixa muito a desejar. É bem verdade que o Coruja é um dos personagens mais desinteressantes de Watchmen de Alan Moore. Mas isso deveria ter sido um alerta para Straczynski realmente soltar as amarras que o prendem ao que veio antes e fazer algo diferente, muito na linha do que ofereceu no primeiro número de Dr. Manhattan.

Acontece que a vida desinteressante de Dan Dreiberg, como o herdeiro do primeiro Coruja, acaba ressonando no roteiro e, logo no primeiro número, quando lidamos exatamente com a passagem do “bastão” de uma encarnação do herói para outro, não somos brindados com muito mais do que um detalhamento longo daquilo que já sabemos da leitura de Watchmen. É bem verdade que o roteirista também tem que escrever para os poucos “malucos” (no bom sentido, claro) que estão lendo Antes de Watchmen sem terem lido a obra original antes (e pelo menos quatro vezes), mas o trabalho de investigação do jovem Dan para descobrir a identidade do primeiro Coruja e sua vida familiar violenta (o pai tem o hábito de bater na mãe) não exalam originalidade e sim requentamento de idéias.

O segundo número é integralmente dedicado à parceria do Coruja com Rorschach, com as evidentes diferenças de métodos entre os dois e ao encontro do Coruja com uma cafetina especialista em sadomasoquismo. O momento do encontro dos dois é até engraçado, inclusive com a entrada do raivoso e traumatizado Rorschach no local e sua tentativa de espancar a “vagabunda”. É interessante como acabamos nos preocupando mais com a cafetina e com Rorschach do que com o Coruja e quando isso acontece em um título que se chama Antes de Watchmen: O Coruja, dá para perceber que algo está errado. É nesse número, também, que o caso de assassinatos de prostitutas, mote da série, começa a tomar forma.

Finalmente, no terceiro e penúltimo número, a parceria entre o Coruja e Rorschach fica em segundo plano, com a cafetina/dominatrix tomando o lugar do maluco destemperado em meio às investigações dos assassinatos. O que acaba tirando a atenção é a beatice de Rorschach trabalhando em uma igreja e a forma como Straczynksi telegrafa as mais absurdas e nada chocantes coincidências que acontecem mais para o final. É um roteiro quase desleixado, sem um mínimo de respeito pelos leitores.

Se não fosse pelo “fator Kubert” e pelo fato de que me comprometi a ler e a comentar todas as séries de Antes de Watchmen, largaria as desventuras do Coruja de lado.

A nota acima é uma média dos três números.

Antes de Watchmen: O Coruja # 1 a 3 de 4 ( # 1 a 3 de 4, Estados Unidos, 2012)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.