Crítica | “With the Beatles” – The Beatles

estrelas 3,5

With the Beatles foi lançado em novembro de 1963. O álbum de 14 músicas e pouco mais de meia hora de duração foi produzido por George Martin e não fugia muito da proposta estético-musical de Please Please Me. Uma coisa, porém, soava diferente: a perceptível sofisticação na composição das músicas (enquanto o tom das letras permanecia o mesmo).

O álbum, como um todo, não destoa em nada da primeira fase da banda, mas é inegável que do primeiro disco para este, houve uma sutil diferenciação na escolha das canções que entrariam no álbum, seus arranjos, melodias e harmonias.

A porta de entrada é It Won’t Be Long, composição de John Lennon e Paul McCartney, uma das melhores músicas do disco. O clima de alegria da canção é um ponto de ruptura com um momento de tristeza e abandono e a letra dá indícios de um acerto de contas com essa situação. Em seguida, a apaixonada All I’ve Go To Do segue a mesma trilha do jovem que se aproxima de sua amada. Em ambas as músicas temos um indício de separação (não necessariamente de rompimento, no caso de All I’ve Go To Do). A segunda canção possui uma maior inventividade musical, com tempos diferentes e frases harmônicas simples, mas suaves, fazendo jus ao estilo R&B/soul de Smokey Robinson, que Lennon quis dar à canção.

Embora canções como It Won’t Be Long, Hold Me Tight e Don’t Bother Me tenham se tornado hits do álbum, o verdadeiro destaque foi para All My Loving, composta por McCartney. O tom apaixonado lembra bastante o exercício feito em P.S. I Love You, no disco anterior, mas a presença da guitarra country e a letra, que lembra uma declaração escrita para alguém que se ama, deram a All My Loving um maior destaque e melhor recepção do público e da crítica.

Don’t Bother Me foi a primeira canção de George Harrison a ser gravada pela banda. Consta que o músico escreveu a letra quando estava de cama em um quarto de hotel. A música parece mesmo ter essa atmosfera meio down, de alguém enjoado com quem (ou o quê)  não larga do seu pé. Não é uma canção notável, mas não é ruim. Em seguida temos Little Child. A letra não é boa, mas a música disfarça a pouca inspiração. A gaita de John Lennon ajuda a dar uma cara interessante à composição, mas num cômputo geral, não é uma das canções que encantam muita gente…

As faixas 6, 7 e 8 do disco são versões dos Beatles para canções de terceiros. A primeira, Till There Was You, uma belíssima composição de Meredith Willson para o musical The Music Man (1957), recebeu ótima execução da banda e se tornou uma memorável regravação de sua primeira fase musical. A segunda foi Please Mr. Postman, uma canção das Marvelettes, grupo feminino de sucesso da gravadora estadunidense Motown Records. A terceira foi Roll Over Beethoven, famosa canção de Chuck Berry, lançada em 1956. O álbum ainda conta com a regravação de You Really Got a Hold on Me, um sucesso do The Miracles; Devil in Her Heart, de Richard P. Drapkin e Money (That’s What I Want), de Barret Strong.

Hold Me Tight é um prenúncio de final de disco. A canção é um daqueles exercícios musicais de viciante harmonização que dificilmente sai rápido da cabeça de quem ouve. O trabalho vocal do grupo é um grande atrativo nesta música.

Aquilo era dispensável. As únicas versões da canção eram do Ringo e dos Rolling Stones. Isso mostra o nível de importância que botamos nisso: nós não iriamos dar a eles alguma coisa boa, certo?

John Lennon, sobre “I Wanna Be Your Man”

A frase acima, proferida por Lennon, é uma grande verdade. I Wanna Be Your Man é uma espécie de patinho feio de With the Beatles, e uma música pela qual nutro grande antipatia, diferente da penúltima canção do álbum, Not a Second Time, uma subestimada composição de John Lennon, com escala diatônica e uma ótima participação do restante do grupo. Uma pena que não foi posta como canção final, ao invés da chateanteMoney, de  Barret Strong.

With the Beatles não revolucionou e nem alterou a percepção que se tinha (e tem, por parte de alguns) dos Beatles, na primeira fase da carreira, mas certamente é um trabalho que mostra uma vontade de melhorar e um fôlego para mudanças, o que de fato aconteceria nos álbuns dos anos posteriores, tendo início já na sequência deste, o elogiado A Hard Day’s Night.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.