Crítica | O Crítico – Série Completa

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estrelas 4,5

Exibida pela televisão estadunidense entre janeiro de 1994 e maio de 1995, a série de animação O Crítico é uma das poucas referências da telinha sobre essa classe de indivíduos que separam longos minutos de seus dias escrever sobre filmes. A profissão é quase uma lenda urbana e gera desconfiança em muita gente. Se alguém perguntar: “o que você faz?” e a resposta for “crítica de cinema”, um olhar de pesar lhe será lançado e provavelmente você irá ganhar um chocolate como uma espécie de compensação.

Na série criada pela dupla Al Jean e Mike Reiss, temos como protagonista o simpaticíssimo crítico de cinema Jay Sherman (excelente trabalho de dublagem de Jon Lovitz), que há muitos anos apresenta um programa na TV chamado Filmes em Cartaz. Odiado por quase todo o país, Jay tem apenas um amigo, um ator australiano que fez carreira nos Estados Unidos após o sucesso de seu filme Crocodilo Gandhi, uma revisão da trajetória do líder hindu e seu papel na independência da Índia, nos anos 1940. O roteiro da série tem como foco a paródia e a crítica ao chamado “cinema caça-níquel” especialmente às inúmeras continuações de filmes, que recebem nomes muito especiais aqui: Arthur 3 – A Vingança do FígadoRoboClap, e uma espécie de crossover cinematográfico, Rocky VI & O Massacre da Serra Elétrica IV.

A linha narrativa fora do cinema está, claro, ligada à vida pessoal de Jay, que está rodeado de pessoas malucas e sempre, sempre se mete em confusões, seja com as mulheres que raramente consegue conquistar, seja na recepção de seu programa pelo público ou no oportunismo de seu chefe — que insiste em fazê-lo falar bem de bombas como Querida, eu Comi as Crianças, com Anthony Hopkins no papel principal ou Doido Pra Brigar, Doido Pra Tudo, com Clint Eastwood e um Orangotango no papel principal. O bacana é que não são apenas os títulos espirituosos que fazem parte dos episódios. São mostrados trechos desses filmes e então podemos conferir pelo menos um pouco dessas obras-primas, que, à parte as brincadeiras, não é difícil aparecerem por aí mais dia menos dia, se é que já não apareceram.

A direção e a produção dos episódios são os elementos mais inconstantes da série, especialmente ao final das temporadas. Embora os criadores e diretores tragam boas ideias na condução dos capítulos, contextualizando-os bem no período que representam, como a cena de Suspenda o Gás Mostarda, uma clássica comédia muda dos anos 20; sempre fica algo para trás, seja no trabalho com as outras cenas, na edição ou até mesmo no roteiro, que está excelente a maior parte do tempo, mas passa por episódios bastante escorregadios, como o último da segunda temporada, I Can’t Believe It’s a Clip Show, provavelmente o pior da série.

Fora de todos os padrões típicos de beleza e afins, Jay é um crítico de cinema gordinho, careca e muito inteligente. Ele odeia filmes comerciais e mais ainda as continuações destes. Seu currículo conta com uma temporada na ABC, de onde foi expulso por “motivos políticos”, e entrevistas lendárias com James Stewart e Cher, além de um programa fracassado ao lado de Kareem Abdul-Jabbar. No meio da série, vemos o crítico virar caminhoneiro, ser sequestrado, ameaçado de morte e passar pelas mais diversas provações no trabalho e na família (adotiva), onde só é bem aceito pela irmã e pelo pai senil. Entre clássicos como Ervilhas Congeladas Rosebud, um filme perdido perdido de Orson Wellesneocults como Perfume de Babaca, Edward Mãos de Desentupidor e O Marreteiro de Veneza, Jay acompanha diariamente a queda do cinema de Hollywood e luta em vão para que as pessoas não vejam essas “novas maravilhas”.

Para cinéfilos em geral e críticos de cinema amadores ou profissionais, essa série é um verdadeiro deleite. Vale muito a pena conferi-la, especialmente pelo cuidado extremo com que os roteiristas tiveram na maior parte da série em criar piadas e referências para o seu público-alvo. Jay Sherman se tornará uma personagem inesquecível na sua lista de personalidades fictícias, e quem sabe você também não se empolgue e filme o seu próprio L’artiste est Morte.

O Crítico (The Critic) — EUA, 1994 – 1995
Criadores: Al Jean, Mike Reiss
Elenco principal (vozes): Jon Lovitz, Nancy Cartwright, Christine Cavanaugh, Gerrit Graham, Doris Grau, Judith Ivey, Nick Jameson, Maurice LaMarche, Charles Napier, Kath Soucie
Duração: 23 episódios de 24 min. (duas temporadas)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.