Crítica | Madame Butterfly 3D (2012)

estrelas 2

Eu só tive a oportunidade de ver uma ópera no teatro uma única vez, pelo menos até este meados de 2012. Lembro-me da emoção de quando a cortina se abriu e A Flauta Mágica começou a se encenada ali, diante dos meus olhos. Sem sombra de dúvida aquela foi uma das experiências artísticas mais emocionantes que eu já tive – especialmente pela época em que aconteceu, quando eu ainda era um estudante de música. Foi a partir desse evento que passei a gostar de ópera. Embora não tenha tido a oportunidade de assistir a mais uma montagem ao vivo, adquiri alguns discos, fiz algumas coleções e vi uma série de filmes feitos para a TV, produzidos por diversas companhias operísticas.

Quanto a óperas filmadas, temos bons e maus exemplos, inclusive de cineastas consagrados. Dos bons, podemos citar A Flauta Mágica, de Ingmar Bergman; La Traviata e Don Carlo, de Franco Zeffirelli; Moisés e Aarão, de Jean-Marie Straub e Danièle Huillet; La Bohème, de Baz Luhrman. Sem contar os diretores de teatro que entram para o cinema apenas para dirigir óperas, como é o caso do britânico Brian Large e suas obras-primas Roberto DevereuxArabella e Otello. Dos maus exemplos citarei apenas um, a minha mais recente decepção vendida a alto preço pelo Cinemark e brindada com uma péssima organização da casa, a decepcionante Madame Butterfly 3D (2012).

Pesa sobre o diretor Julian Napier a maldição da confusão. Sua obra anterior, Carmen 3D (2011) não foi bem recebida, e a crítica apontou exatamente os mesmos pontos que fizeram de Madame Buttlerfly 3D uma produção fraca e decepcionante. A maldição da qual o diretor padece consiste em não saber ao certo se está dirigindo para teatro ou para cinema. Qualquer responsável por um projeto desse tamanho (e que não estivesse sob tal jugo), entenderia que uma montagem de ópera a ser filmada precisa de mais cuidados, já que haverá cortes de uma câmera para outra, na montagem final. O erro crasso de Napier foi ignorar isso. O resultado final em Madame Butterfly 3D é de uma aglutinação amadora entre as árias, algo doloroso de se ver.

A decepção aumenta ainda mais quando as nossas esperanças de ver uma “ópera filmada em 3D”, são massacradas pelo uso ralo e sem graça da tecnologia. Poucos são os diretores que souberam trabalhar bem com 3D. Até hoje, só encontrei três: James Cameron, em Avatar; Wim Wenders, em Pina e Martin Scorsese em Hugo. Em Madame Butterfy 3D, temos apenas uma intensificação da profundidade de campo, mas isso Orson Welles já fazia em 1941!

Para terminar as notas de tristeza e pesar, a organização do Cinemark Pátio Paulista foi a pior e mais desleixada que eu já vi em toda a minha vida. Desinformação dos organizadores em torno da sala, má condução e recepção do público, informações erradas quanto ao tempo de duração da ópera e não cumprimento dos intervalos (essa, a mais tenebrosa de todas as inúmeras falhas). Não tenho dúvidas de que essa foi a pior “organização” que eu já presenciei em uma exibição especial no cinema. A única coisa boa de toda essa avalanche de infortúnios foi a música de Puccini. Essa sim, uma grande dádiva e alegria para o espectador.

Madame Butterfly 3D (UK, 2012) – estreia original em 1904
Direção: Julian Napier
Compositor: Giacomo Puccini
Libretto: Luigi Illica, Giuseppe Giacosa
Elenco: James Valenti, Anthony Michaels-Moore, Helene Schneiderman, Robin Leggate, Jeremy White, Zhengzhong Zhou, Daniel Grice
Duração: 170 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.