Crítica | Penny Dreadful 1X07: Possession

estrelas 5,0

A contagem regressiva vai diminuindo a cada momento em que a primeira temporada de Penny Dreadful se aproxima do fim. A todos que acompanham a série desde o íncio, é perceptível a evolução no roteiro e, sobretudo, na performance dos atores. Não é difícil notar que Eva Green domina qualquer cena em que está presente. Desde o começo, a atriz mostrou conduzir o direcionamento da série e a cada momento que se passa, temos a impressão de que tudo foi planejado em torno dela.

A grande surpresa está na atuação de Josh Hartnett. Em Possession tivemos a oportunidade de assistir a um Chandler muito mais versátil, que conseguiu, de um momento a outro, imprimir a complexidade oculta na personagem.

Ao longo da duração de quase uma hora, o episódio teve lugar em um só ambiente: a casa de Sir Murray. Nesta narrativa incrivelmente remetente a clássicos do terror, Penny Dreadful prova, mais do que nunca, que é capaz de reinventar o gênero, manter marcas discursivas de sucesso, sem cair na zona de conforto e no clichê.

O dilema vivido por Vanessa é o principal argumento do episódio. Seja a entidade egípicia Amunet, ou mesmo Lúcifer. O que não resta agora são dúvidas de que Vanessa Ives não habita sozinha seu próprio corpo e deve lutar mais do que nunca para se manter no controle. Este episódio passa a nos dar mais possibilidades do que pode ter sido desenvolvido até aqui.

O motivo de tanto foco na figura de Vanessa está ligado na busca de Lúcifer por uma companheira, que poderá perpetuar seu legado e recuperar o lugar de onde caiu. Percebemos, também, as razões pelas quais Sir Malcom manteve Vanessa ao seu lado durante tanto tempo. Esta seria a maneira mais acessível de encontrar sua filha, uma vez que a mulher consiste na mais forte maneira de manter relações entre o plano terreno e o sobrenatural.

O penúltimo episódio da temporada revela bastante a opção que Penny Dreadful faz por não apenas trazer um terror cristalizado e formatado, mas também passível de críticas sociais e deslocamento de lugares pré-determinados. A série revela uma sociedade que tenta a todo custo manter uma aparência, muito embora seu interior esteja fragmentado. A cada minuto isso fica mais evidente quando o passado de Sir Malcom vem a tona. A própria referência à obra de Oscar Wilde na figura de Dorian Gray é uma contundente marca dessa crítica social à Era Vitoriana.

Podemos esperar para o último episódio da temporada um bom desfecho para os demais personagens. Acredito que todos querem saber o que finalmente acontecerá com Brona, Caliban e Dorian. Espero sinceramente que os roteiristas deem um jeito de expulsar Reeve Cartney do elenco. Para além disso, acredito que a série já pode garantir um caminho suficientemente bom para o último episódio.

Penny Dreadful 1X07: Possession (EUA, 2014)
Showrunner:
John Logan.
Direção: James Hawes.
Roteiro: John Logan.
Elenco: Eva Green, Josh Hartnett, Timothy Dalton, Harry Treadway, Billie Piper, Reeve Cartney.
Duração: 59 min.

FILIPE MONTEIRO . . . O exército vermelho no War, os indianos em Age of Empires, Lannister de Rochedo Casterly. Entrou em órbita terrestre antes que a Estrela da Morte fosse destruída, passou pela Alameda dos Anjos, pernoitou em Azkaban, ajudou a combater o crime em Gotham e andam dizendo por aí que construiu Woodburry. Em uma realidade alternativa, é graduando em Jornalismo, estuda Narrativas e Cultura Popular, gosta de cerveja e tempera coentro com comida.