Plano Histórico #5 | Cinema Egípcio

Aviso: o artigo aborda as características do cinema egípcio dos primórdios até cerca de 2006.

Mesmo o Egito tendo descoberto o cinematógrafo em 1896, os primeiros filmes dirigidos por cidadãos do país surgiriam muito depois. Os países africanos dependentes do Ocidente iniciaram quase sempre as suas produções nacionais com uma certa defasagem. No entanto, o domínio europeu no Egito é, por diversos motivos, muito singular.

Pelo caráter cosmopolita da sociedade egípcia nas primeiras décadas do século XX, vemos o cinema local transformado em uma verdadeira Torre de Babel. Surgem ali realizadores franceses, turcos, gregos, alemães, italianos (estes últimos, por muito tempo, inclusive a primeira produtora no país é criada por dois italianos, Alevise Orfanelli e Mario Volpi, em 1917), além de técnicos de muitas outras nações do Leste Europeu. Pouco a pouco, os Estúdios de Alexandria, e depois, do Cairo, as “Hollywoods do Oriente”, atraíram atrizes e cantores de diversos lugares. No começo dos anos 1920, o Egito começou a controlar melhor a sua produção cinematográfica. A fundação em 1925 da Sociedade Misr para Teatro e Cinema, promovida pelo Banco Misr, foi o primeiro passo.

Um aspecto interessante é que nesse primeiro momento (algo que também acontecerá no futuro) são as mulheres que tomam a iniciativa nos processos que levaram à criação de uma indústria de cinema nacional. Em pouco tempo, as mulheres também dirigiam filmes, produziam e fundavam estúdios. Esse dinamismo se encontra na expansão do cinema egípcio pelo mundo árabe e muçulmano. Mesmo assim, o número de filmes do país já em 1945 alcançava a modesta marca de 50 a 60 filmes por ano. Os gêneros e o star system do país faziam reinar as comédias sentimentais e os melodramas.

Em 1930, Zeinab, filme produzido pelo ator Yousef Wahby, foi o primeiro filme de ficção dirigido por um egípcio, o realizador Mohammed Karim. O cinema sonoro chegou parcialmente ao país em 1932, e o primeiro musical surge em 1934. Alinhados às danças orientais (especialmente a dança do ventre) e músicas inspiradas nos sucessos do rádio, os musicais se mantiveram ativos por muitas décadas, alcançando seu ápice nos anos 1940. Também temos uma onda de adaptações literárias de obras europeias e a “arabização” dos filmes Hollywoodianos. Em dado momento, o cinema egípcio passa a retratar o seu momento político  e os acontecimentos históricos, apesar da forte censura política e religiosa.

Em 1939 surge El Azima (A Vontade), dirigido por Kamal Selim. O filme foi um diferencial porque se aproximava dos problemas sociais, com foco nas classes baixas, um caminho diferente das produções da época. Já em meados dos anos 1940 temos uma nova geração em atividade, e a partir das produções desses diretores, temos a idade do ouro do cinema egípcio.

A Revolução de Julho de 1952 que derruba o rei Farouk e instaura a república no país é um pontapé para a mudança de rumo de abordagem dos filmes, que com a geração dos anos 1950 se aproximaria mais das preocupações do momento, um período que seria chamado de “onda realista”, tendo Youssef Chachine como um dos seus pilares. Mesmo assim, as comédias populares tinham grande público no país, e um dos destaques na direção dessas “comédias alienadas” foi Fatih Abdel Wahab. Os filmes do anos 50, no entanto, caracterizam-se pelo viés aintiimperialista e patriótico do presidente Gamal Abdel Nasser. No final da década, o futuro Prêmio Nobel de Literatura Naguib Mahfouz assinou diversos roteiros.

Em 1963, o Estado afirma o seu apoio à distribuição e produção dos filmes nacionais, dentre os quais O Pecado (Henry Barakat, 1965). No entanto, a partir de 1967 as relações entre cinema e Estado, principalmente após a derrota do Egito para Israel na Guerra dos Seis Dias, entra em uma fase de desconfiança e censura. A despeito disso, mesmo os filmes comerciais que retornam nos anos 1970 já pesam mais a abordagem (ao menos levemente) política e social do que o puro entretenimento. Os melhores filmes desse período são A Múmia (Chadi Abdel Salam, 1970) e A Terra (Youssef Chachine, 1969).

Com a morte do presidente Nasser em 1970, e a ascendência de Anwar el-Sadat temos a adoção de uma política do liberalismo econômico no país. Filmes de Youssef Chachine, Ali Badrakhan e Said Marzouk são censurados pelo governo por denunciarem a corrupção e fazerem críticas ao país. Mas uma nova luz estava por chegar ao Egito em 1981, com o Grupo do Cinema Novo. Esses diretores queriam a liberdade de temas, a fuga da abordagem acadêmica e o trabalho com um realismo mais cru. Sem revolucionar as leis da narrativa clássica, esses novos realistas examinavam as falhas da vida social e política egípcias. O islã começa a aparecer como um possível meio regenerador, e as comédias adotam a sátira. Patrocinado por países do Golfo Pérsico, o cinema egípcio alcança mais um salto repentino (e breve) de superprodução.

Dos “novos cineastas” dos anos 1990, Yousry Nasrallah é um dos mais promissores. Nessa década, mais uma vez a censura faz a produção do país diminuir consideravelmente, mudando progressivamente com a chegada dos anos 2000. O formato digital ganha adesão dos diretores do país, o que ajuda a produção se tornar um pouco mais rápida. Diversos filmes questionam a religião, a moral da sexualidade e a afirmação dos direitos das mulheres, gerando violentas polêmicas. Em 2006, o filme de Marwan Hamed, O Edifício de Yacoubian alcança uma ótima receptividade internacional, e representa com grande qualidade o cinema egípcio contemporâneo, que segue ainda alterando filmes comerciais a obras primas como a do jovem Hamed. Espera-se que uma nova onda de diretores apareça no país.

Bibliografia Atlas du Cinéma – André Z. Labarrére e Olivier Labarrére Cahiers du Cinéma

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.