Plano Histórico #4 | Nollywood

A República Federal da Nigéria é um dos países da costa oeste africana, o mais populoso da África (a maior nação negra do mundo), com pouco mais de 162 milhões de habitantes (dados do Banco Mundial, de 2011), e a quase duas décadas, um dos pioneiros na larga produção de cinema em vídeo com distribuição informal no mundo, o que lhe rendeu o posto de segunda maior indústria de cinema que existe hoje, superada apenas pela indiana Bollywood.

As principais características temáticas das películas produzidas na Nigéria (Nollywood) são a corrupção, a política, a AIDS, a feitiçaria (em diversos níveis), as tradições religiosas, sociais, familiares, e a violência; cada um desses temas trabalhados em diversos gêneros, como a comédia, o drama, o terror e o épico. Centenas desses filmes nollywoodianos estão dispostos na íntegra no Youtube pelos próprios produtores e diretores.

A distribuição dos filmes de Nollywood é um desafio à parte para seus produtores.

Há uma polêmica sobre a nomeação de “indústria” para o polo cinematográfico da Nigéria. Alguns críticos e outros profissionais da sétima arte acreditam que uma produção anárquica e a venda e exibição informais não são o bastante para garantir esse status a nenhum centro de produção de cinema. É necessário que haja preocupações estéticas e formais, e alguma normatização da equipe técnica, para que a qualidade dos filmes sejam minimamente aceitáveis. É fato que boa parte dos filmes nollywoodianos mais parecem produções amadoras de qualidade contestável, todavia, dos anos 2000 para cá, alguns diretores apresentaram em suas películas uma outra preocupação além daquela de produzir rapidamente. Aos poucos, Nollywood rompe com o amadorismo.

O surgimento oficial de Nollywood data de 1992, com o filme Living in Bondage. A indústria, a partir de então, teve como primeiro impulso o mercado VHS. Com o surgimento da tecnologia digital, os nigerianos souberam fazer uso comercial do novo formato, o que foi um fator predominante para a existência de Nollywood. Hoje, essa indústria cinematográfica gera quase 1 milhão de empregos e movimenta parte da economia nigeriana, perdendo, em receita, apenas para a exploração de petróleo. O que nos que chama atenção sobre esse mega mercado cinematográfico é que ele se estrutura em um país onde a pobreza é generalizada e metade da população ganha menos de um dólar por dia. Entretanto, o país produz, em um ano, mais filmes do que a indústria estadunidense.

A falta de verbas e a dificuldade em conseguir equipamento são alguns problemas que os nigerianos tentam contornar a cada nova produção.

O formato de exibição das fitas nigerianas também é muito peculiar. Não há glamour algum nas produções ou na exibição dos filmes. As salas que exibem a produção local (porque as “salas oficiais” são dominadas por produções hollywoodianas) são pequenos espaços que geralmente comportam menos de 30 pessoas. Além das cadeiras, uma televisão e um DVD formam a mobília desses locais.

Fora a larga produção em vídeo, a Nigéria vende imediatamente em barracas ou pequenas lojas espalhadas pelos centro comerciais, os filmes realizados em seu território. Um fato curioso sobre a exibição e venda dos filmes nollywoodianos é que além dos camelôs da cidade de Lagos (cidade-sede e fundadora da indústria nollywoodiana), todo o país tem acesso a esses filmes, num mercado que cobra de 200 a 500 nairas (cerca de R$5,00) por DVD. O mesmo acontece com boa parte dos países da África negra que consomem as produções nigerianas. Em Benin, por exemplo, os filmes nollywoodianos são exibidos publicamente com comentários de um narrador (legendas em filmes africanos é algo complicado, uma vez que boa parte dos habitantes não é alfabetizada), o que nos remete à uma característica do Primeiro Cinema, a pessoa do comentador, que narrava a história dos filmes para os espectadores.

Jornal português fala sobre a pirataria em Nollywood, 2009.

 

A maior parte dos filmes são falados em inglês, a língua oficial do país. Mas também existem filmes em hausa, iorubá, ibo e edo, a língua dos principais grupos étnicos locais, sendo o iorubá o mais comum, porque é a etnia predominante em Lagos.

Independente do valor ou qualidade de seus filmes, Nollywood é um exemplo do que um mercado terceiromundista pode alcançar. Hoje, diversos meios midiáticos procuram trazer notícias da produção de cinema nigeriano e de sua evolução. Alguns documentários sobre Nollywood já foram realizados, dentre os quais podemos destacar:

1 – This is Nollywood (EUA, 2007) – dirigido por Franco Sacchi;

2 – Welcome to Nollywood (EUA, 2007) – dirigido por Jamie Meltzer;

3 – Nollywood Babylon (Canadá, 2008) – dirigido por Samir Mallal e Ben Addelman.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.