Plano Polêmico #3 | Precisamos Mesmo de um Star Wars Geriátrico?

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(arte em destaque: Randy Martinez)

Vou começar com uma defesa, para evitar mal entendidos: meus comentários abaixo não devem ser interpretados como sendo algum tipo de preconceito contra atores mais velhos. Isso seria para lá de estúpido de minha parte e os leitores aqui do site que acompanham minhas críticas já devem ter percebido que eu posso ser tudo, menos preconceituoso desse jeito. Tenho o mais profundo respeito por todos os atores e jamais teria a intenção de fazer afirmações odiosas nessa linha, segregando-os por idade, cor, sexo, religião e coisas do gênero. Meus comentários, assim, são de cunho prático e muito objetivos, apesar de minha prolixidade ao escrever.

E outro ponto que considero importante – e aí não é uma defesa, apenas uma afirmação para total transparência – é que sou fã declarado de Star Wars. Não, não sou fanático, pois sempre me ative aos filmes e aos quadrinhos (alguns, claro, pois ler todos é tarefa hercúlea, quiçá impossível), jamais caminhando para o complexo lado do universo expandido em livros. De toda forma, vivi Star Wars no cinema – a trilogia original e lembro-me de ter quase, ahem, chorado de medo quando minha prima me disse que o Império “ganhava” em O Império Contra-Ataca – e tenho profundo amor pelo trabalho de George Lucas e profundo horror pela trilogia-prelúdio, além das versões “especiais” da trilogia original (não é à toa que mantenho, a sete chaves, um lindo box preto e prateado com os laserdiscs especiais da trilogia original não alterada).

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Eu? Euzinho fanático por Star Wars? Jamais! Calúnia!!!

Bem, feito esses comentários vamos lá: para que raios mesmo precisamos que Star Wars: Episódio VII, a ser lançado em dezembro de 2015, tenha em seu elenco quase todos os atores originais? Até agora, foram confirmados Harrison Ford (Han Solo), Mark Hamill (Luke Skywalker) e Carrie Fisher (Princesa Leia), além de Peter Mayhew (Chewbacca), Kenny Baker (R2-D2) e Anthony Daniels (C-3PO), no elenco. Ou seja, teremos seis personagens clássicos que voltam mais velhos, 32 anos depois do final de O Retorno de Jedi.

E a primeira razão que muitos usarão para justificar isso (a Disney certamente pensa assim) é que o elenco original, somado a um elenco novo funcionará como fator atrativo para todas as gerações de Star Wars. A geração original – a minha – ficará feliz com a presença de Han Solo de muleta e a geração atual ficará feliz com seus atores adolescentes favoritos saltitando na telona. Sob o ponto de vista econômico, a decisão é para lá de acertada. Mas, sob o ponto de vista artístico – dane-se a arte, não é mesmo? – a tendência é que essa multitude de personagens atravanque o filme a tal ponto de torná-lo insuportável (ok, provavelmente não tanto quanto a trilogia-prelúdio, mas vocês me entenderam, não é mesmo).

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“O Espancamento de Jar Jar.” – Esse é um filme que eu bancaria com o MEU dinheiro!!! Duas horas de tortura, com morte ao final, claro, desse “grande” personagem…

Afinal de contas, temos esses seis personagens originais e mais 12 personagens novos, de maior e menor importância, com a escalação de atores como Gwendoline Christie, Andy Serkis, Lupita Nyong’o, Oscar Isaac, John Boyega e o veteraníssimo Max Von Sydow, só para citar alguns. Façam as contas: são 18 personagens. Dezoito. 10 + 8. Nem a Sociedade do Anel era tão grande e olha que Peter Jackson teve 10 horas para desenvolver seu trabalho nas telonas. Ele mesmo tentou repetir a façanha em O Hobbit e tudo que conseguiu foi criar um monte de personagens sub-utilizados, que estão lá para fazer figuração.

E vocês podem ter certeza que o elenco original, especialmente o trio Ford, Hamill e Fisher, não está lá para fazer figuração. Pelo andar da carruagem (ou do Landspeeder, sei lá), eles terão um bom tempo de tela, o que pode ser corroborado com o tempo de filmagem com esses atores veteranos. Com isso, J.J. Abrams terá que equilibrar no nariz pelo menos 18 peças geométricas diferentes e encaixá-las em uma obra de 2h ou 3h de duração. Impossível? Certamente que não. Mas é improvável que ele consiga.

O mais engraçado é que é obviamente desnecessário para a atração da primeira geração de fãs de Star Wars qualquer artifício do gênero, não é mesmo? Duvido que qualquer pessoa que tenha interesse em Star Wars não esteja preparado para não só assistir o filme à meia-noite do dia de lançamento, como, também, elogiar o resultado, mesmo que a fita seja feita com marionetes ou peças de Lego. É verdade ou não é, meu caro Padawan?

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Que a vida longa e a prosperidade esteja com você, sempre!

Além disso, se a conexão com o passado é desejável – e é, claro! – então porque não fazê-la de maneira acessória, discreta? Coloque Luke lá como um sábio Jedi, emulando Obi-Wan Kenobi no Episódio IV. Mencione Han e Leia em flashbacks. Use a criatividade! Agora, colocar Han e Leia correndo de bengala pela lua de Endor ou Luke usando sua força Jedi para ficar de pé vai ser de doer a memória afetiva de qualquer um. Os atores com mais idade deveriam ter tratamento especial, solene, tornando suas respectivas presenças no filme como um prêmio para o fã comportado e não um desfile de inconsistências e de conflito de gerações.

O próprio J.J. Abrams mostrou que sabe fazer isso que defendo muito bem. Lembram-se do reboot de Star Trek, de 2009? Tenho certeza que sim. E quem aparece lá por breves, mas sensacionais minutos? Leonard Nimoy, como o Spock da série original. Uma gigantesca e linda homenagem ao que veio antes e extremamente eficiente para deixar os fãs com olhos marejados. E sim, eu obviamente sei que as propostas são diferentes. Star Trek foi um reboot passado em uma dimensão paralela (jogada sensacional do roteiro, aliás) e Star Wars VII será uma continuação passada 35 anos depois de O Retorno de Jedi e na mesma dimensão. Mas é por isso que sugeri justamente a presença de Luke como um sábio Jedi, com uma ponta de significância na obra.

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Já que é para chamar a velha guarda botocada, segue minha sugestão para o Boba Fett!

Estou falando sem ver o resultado final que nem um velho chato? Sim, estou. E sabe porque? Porque já vi uma boa quantidade de filmes na vida e sei que, mais constantemente do que gostaria, esse tipo de estratégia costuma dar errado. Exemplo que me vem à mente nesse segundo: Harrison Ford como Indiana Jones aos 60 e tantos anos em O Reino da Caveira de Cristal. Querem fazer um novo Indiana Jones? Simples: arrumem outro ator para viver o personagem!

Ah, mas Harrison Ford é o ÚNICO ator na galáxia que poderia viver Indiana Jones. Sim, claro, sem dúvida, meu jovem e inexperiente Padawan. Então o que dizer dos diversos atores que já viveram James Bond depois de Sean Connery? Ou dos vários atores que viveram Superman, Batman, Peter Parker, Lestat, Jack Ryan, Bruce Banner, Tarzan, o Doutor (em Doctor Who) e Drácula. Ninguém é  insubstituível, ninguém mesmo e Indiana Jones poderia ser vivido por uma penca de atores bacanas, dentre eles Bradley Cooper e Timothy Olyphant. Calma, não comecem a arremessar laranjas e tomates podres em mim! Parem e pensem um pouquinho nos outros exemplos que dei! Ei, eu disse nada de arremesso de frutas!!!

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Basta um chicote e uma cicatriz no queixo e pronto: um novo Indiana Jones!

Portanto, querem usar Luke e sua turma em um filme, que tal então escolher um elenco novinho em folha e fazer Episódio VII se passar logo depois do Episódio VI? Podem ter certeza que eu e todos vocês lendo minha reclamação aqui comprarão ingressos e farão fila à meia-noite fantasiados de seus personagens favoritos e com sabres de luz e blasters na mão.  A Internet vai reclamar, mas do que raios a Internet não reclama, não é mesmo?

Mas sério, gente, mesmo imaginando-se que 18 personagens centrais em um mesmo filme é algo factível (não é!), que tal então olharmos para as contribuições artísticas da trinca principal de atores originais? Harrison Ford é o único que se destaca, com atuações em diversos outros filmes famosos. Nos últimos muitos anos, porém, suas atuações têm sido apagadas e, verdade seja dita, apesar de muito simpático e carismático, ele nunca foi um grande ator. Mark Hamill tem uma carreira fora de Star Wars limitada a fazer a voz do Coringa e de outros personagens em desenhos animados (muito bem, por sinal, mas isso não faz dele um bom ator quando ele precisa aparecer em tela). Se alguém já viu outro filme live-action com ele, desafio-o a me informar o nome DE CABEÇA, sem consultar o IMDB… E Carrie Fisher? O que dizer dela, minha gente? Que tipo de contribuição artística ela pode trazer a Star Wars? E eu vou logo dizendo: se ela aparecer de biquíni dourado, vou fazer como Édipo em pleno cinema e enfiar meu sabre de luz nos olhos!!!

A conclusão é muito simples: adequem os personagens e filmes aos atores. Não percorram o caminho mais fácil de jogar tudo no mesmo saco, sacudir e espalhar as peças sobre a mesa. Arrumem o tabuleiro antes, eliminem as peças desnecessárias e pronto, tudo vai correr bem. Do jeito que está, deixo-os com uma frase apenas:

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A bola foi levantada. Agora está na hora de vocês, leitores, cortarem!

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.