Plano Polêmico #31 | Peles Negras, Máscaras do Terror

Os negros morrem primeiro nos filmes de terror. Verdade ou falácia? Se você é um espectador mais atento, capaz de fazer retrospectivas, perceberá que esta afirmação está longe de ser uma falácia, mas também não é uma verdade absoluta, afinal, ao refletir sobre um tema tão pantanoso quanto este, cabe ao intelectual relativizar sempre. E “historicizar” também, como pede o crítico literário e teórico marxista Frederic Jameson em Pós-Modernismo: a lógica cultural do capitalismo tardio. Para o pensador, todo exercício reflexivo pede retrospectiva por parte do realizador, pois para a interpretação do presente, cabe ao analisador compreender o passado. Sendo assim, excursionaremos por um breve panorama dos negros na história do cinema, mas antes, creio que seja necessário tratar do título desta reflexão de forma introdutória.

Seriam os negros negligenciados em filmes de terror? Segundo a revista Complex, em um especial publicado em 2013, os negros são os primeiros personagens a morrer neste tipo de filme. A análise compreendeu cerca de 50 filmes do gênero, e em 10% deles, quando não morrem primeiro, surgem como alívio cômico, ou então, mero coadjuvante. Há chances de sobrevivência? Sim, em alguns casos, tais como a permanência ao lado de uma branca, ou quando são os antagonistas. Em último caso, quando o filme é todo composto por elenco negro.

A afirmação pode ser categórica demais, entretanto, está bem próxima da realidade. O assunto veio à tona enquanto exercia minha postura cinéfila em 1998, durante a sessão de Pânico 2, de Wes Craven. Logo na abertura, Phil Stevens (Omar Epps) e Maureen Prescott (Jada Pinket Smith), casal negro que conversa na fila de uma bilheteria de cinema, expõe um curioso diálogo.  A moça questiona o fato de detestar filmes de terror e não ter interesse em ver a produção “Facada”, filme que em sua opinião, deve contar com os clichês da garota branca protagonista em perigo, bem como a exclusão do elemento afroamericano no bojo destas narrativas.

O namorado ironiza a situação, faz um convite para que assistam a comédia romântica com Sandra Bullock que está em exibição numa sala do outro lado da rua, mas desiste depois que ela concorda em ficar para ver o filme de terror. Ficar, por sua vez, não a impede de expor as suas análises sobre o negro no gênero terror, pois além de consciente, ela se diz politizada, leitora frequente de uma revista militante. Para quem conhece a ironia presente nos filmes da franquia Pânico, compreende que os realizadores não se preocupam em dosar temas polêmicos nos diálogos e o segundo filme traz esta discussão logo em seus primeiros minutos, reforçando a afirmação da personagem crítica ao dizimá-los dentro da sala de cinema, durante a exibição do filme, num espetáculo sangrento impressionante.

Depois deste primeiro momento de exposição ao assunto “o negro nos filmes de terror”, a reflexão ficou registrada. Nunca havia pensado na discussão, mas as dispersões de uma agenda cinéfila ainda em formação não me permitiram aprofundar no assunto. Mais adiante, no ano 2000, depois de conferir Pânico 3, pude verificar mais uma vez que a discussão se fazia presente. Mais uma vez envolvido na metalinguagem, os personagens da trama estão envolvidos nos bastidores de filmagens de uma produção de terror.

Em algum momento importante da produção, há um diálogo que remonta ao que foi refletido na abertura de Pânico 2: os atores estão tristes porque alguém está matando o elenco do filme com base nas mortes propostas pelo roteiro da produção. Um deles, Tyson Fox (Deon Richmond), negro, alega que sabe que vai morrer, pois mesmo que o roteiro seja reescrito, compreende que não há espaço para afroamericanos nos filmes de terror.   Numa cena próxima ao final, o terceiro ato do filme, a perseguição numa casa que serviu de cenário para antigos filmes de terror hollywoodianos tem espaço para o último diálogo do personagem antes de morrer: “eu não posso morrer, sou afroamericano”, afirma, como se a sua morte fosse politicamente incorreta para o momento em questão. Dessa vez, a discussão ficou mais delineada diante dos meus interesses enquanto crítico de cinema iniciante.

Era preciso apenas mais algum tempo para amadurecer a discussão. Depois desta segunda exposição ao tema, percebi que o assunto era algo que fazia parte das preocupações no que diz respeito à análise crítica da indústria cinematográfica. Muito se discutia no sendo comum em vários sites e blogs, mas não havia nada mais substancial. Demorou algum tempo para que eu encontrasse um registro numa edição da revista brasileira Preview, versão menor e atual do que foi a SET – Cinema e Vídeo em nosso jornalismo cultural impresso entre os anos 1980, 1990 e parte da década de 2000.

No artigo O negro nos filmes de terror, a jornalista responsável pela matéria analisou o assunto e apontou que nos Estados Unidos há uma “teoria” oriunda do campo da crítica cinematográfica que fala sobre esta questão. Chama-se “Efeito Lando”, numa referência ao personagem interpretado por Billy Dee Williams em Star Wars. Ele aparece relativamente empoderado em O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi, sendo dramaturgicamente importante para a condução de alguns eventos da franquia, tais como salvar a Princesa Leia e se unificar ao grupo da Aliança Rebelde, o que o tornou sinônimo de protagonismo negro no cinema, algo raro no esquema industrial hollywoodiano.

Historicizar sempre: panorama do negro no cinema: você já leu algo sobre o blackface? Se não leu, saiba que se trata de um dos maiores absurdos culturais da história da humanidade. Um dos ápices do racismo na sociedade, o blackface se refere a prática em que personagens brancos pintam as suas peles com uma tinta de cor preta, tendo em vista representar os negros. No campo da produção teatral, os atores faziam a transformação com uso de carvão de cortiça, tendo em vista representar os afroamericanos numa ótica exagerada e tipicamente racista.

A prática ganhou projeção no século XIX e se ramificou para diversas mídias, dentre elas, o cinema e a televisão, suportes da era da reprodutibilidade técnica que graças ao poder de massificação de informações, tornaram-se responsáveis por dar maior visibilidade aos estereótipos, perdendo lugar na contemporaneidade apenas para a rizomática cibercultura. Os atores hoje não interpretam pintados como no movimento anteriormente descrito, mas o racismo e o preconceito continuam presentes. Para dialogar com o centro nervoso deste Plano Polêmico, decidi trazer alguns especialistas na temática. Em Peles Negras, Máscaras Brancas, Franz Fanon trata dos desdobramentos do racismo e dos processos de colonização e dominação social, presentes nas relações entre os seres humanos do mundo moderno.

Mesmo que trate de uma zona delimitada de análise, isto é, o ambiente francófono, o texto de Fanon consegue contemplar outras sociedades, num estudo que orientado pelo materialismo histórico, pende a considerar que uma revolução cultural só pode ocorrer caso o pensamento social seja totalmente modificado. Dentro desta perspectiva de reflexão seria preciso mudar o sistema político e econômico, bem como fatores psicológicos e práticas socioculturais, pois ao passo que nações foram descolonizadas em nosso passado recente, houve também a necessidade de descolonizar os seres humanos que a habitavam.

Em suma, criar homens com novo pensamento, modificar as pessoas no âmago de suas existências e, nas palavras do autor, “transformar espectadores em autores da história”. Compreender Fanon nos ajuda no aprofundamento da leitura de O Local da Cultura, do intelectual indiano Homi Bhabha, compêndio que trata da questão do “outro” e da “ambivalência dos estereótipos”. Em sua obra, Bhabha nos propõe uma discussão sobre o colonizado e o colonizador, além de apontar como se dá a formulação do discurso de poder que subsidia a superioridade e a dominação de um grupo sobre o outro.

Na perspectiva dos Estudos Culturais, Bhabha alega que o estereótipo nem sempre corresponde a uma realidade social. Assim, o autor trata dos estereótipos e dentre tantas outras questões, discursa sobre os conceitos de diversidade cultural e diferença cultural, preferindo o segundo, dada a possibilidade de melhor representar como são criadas enunciações que promovem a legitimação de determinadas culturas em relação a outras, material teórico que nos embasa para pensar a presença do negro no cinema, em especial, nos filmes de terror, tipos que geralmente aparecem como o “outro” do personagem branco, seja na posição de alívio cômico, escudo da protagonista ou mero representante de posturas e costumes que precisam ser eliminados da sociedade.

No artigo Que Negro é esse na cultura popular negra, parte integrante da coletânea Da Diáspora: Identidade e Mediações Culturais, Stuart Hall reflete sobre o surgimento dos Estados Unidos como centro de produção global de cultura, fator que corresponde ao advento da cultura de massa, simultâneo à mudança da definição e da conceituação de cultura, além de tratar do “pós-moderno” como um conceito contraditório, pois ao passo que representa uma abertura ambígua que descentraliza as narrativas ocidentais, acompanha uma tentativa de restauração dos seus cânones, mediante ao ataque dissimulado ao multiculturalismo.

Ao trazer para o tecido narrativo hollywoodiano, não se torna difícil traçar as associações, principalmente quando nos lembramos de filmes como A Chave Mestra e do razoável A Maldição dos Mortos-Vivos, suspense que coloca a cultura de origem africana como uma maldição para os personagens brancos em suas vidas aparentemente comuns.

Peles negras, máscaras do terror

Grande ícone da cultura pop, Jason da franquia Sexta-Feira 13 é um personagem que faz parte de uma elástica saga. São doze produções ao total. A trama é básica: a sua mãe se vinga de um grupo de monitores do acampamento ao redor de Crystal Lake. A personagem desequilibrada culpa os jovens pelo afogamento do seu filho com necessidades especiais e depois de criar um rastro extenso de sangue, morre em combate com a heroína do primeiro filme, o que causa a ira de Jason. O filho volta do além em busca de vingança toda Sexta-Feira 13, com exceção do terceiro filme, um sábado, já que a história se passa no dia posterior ao massacre do segundo capítulo.

Sobre a presença do elemento afroamericanos nos filmes da saga, a lista é longa e as representações são todas dentro do esquema que engendra os estereótipos. Em Sexta-Feira 13 parte 3 dois personagens precisam ir ao mercado para comprar mantimentos. Ao chegar, a dupla é surpreendida por um clã de hippies liderados por dois negros, Ali (Nick Savage) e Fox (Gloria Charles). Estereotipados, surgem como pessoas oportunistas que desejam tirar a paz dos brancos que desejam apenas acampar tranquilamente. Fox morre, empalada poucas cenas depois. Algo diferente acontece com Ali, corpo negro reservado para o terceiro ato, morto ao salvar, mesmo que sem querer, a protagonista num momento de vantagem do perseguidor.

Em Sexta-Feira 13 parte 4 – Capítulo Final, temos uma personagem negra, mas não há grandes problemas. Ela surge como a enfermeira que recolhe o corpo de Jason para um hospital próximo, antes que o psicopata desperte para o novo banho de sangue. No desenvolvimento de Sexta-Feira 13 Parte 5 – Um Novo Começo, a protagonista Pam (Melaine Kinnaman) surge como a “branca que precisa salvar a criança negra”. Além do pequeno Reggie (Shavar Ross), o filme é o episódio com maior número de personagens negros: Anita (Jere Fields), George (Vernon Washington) e Demon (Miguel A Nunez Jr.), tipo que pelo nome já revela o estereótipo marcado, tendo ainda em sua concepção, uma espécie de pastiche que mescla Michael Jackson e Prince.

Sexta-Feira 13 Parte 6 – Jason Vive traz Sissy Baker (Renée Jones), como a representante da comunidade negra surge, personagem morta antes do terceiro ato. Mais adiante, em Sexta-Feira 13 Parte 7 – A Matança Continua, o ator Craig Thomas e a sua namorada são “os negros da vez”, mortos durante uma relação sexual dentro de um automóvel. Sem grandes novidades, tal como Sexta-Feira 13 Parte 8 – Jason Ataca Nova Iorque: como sempre, Jason não poupa as “vadias”, os “viciados”, a garota oriental e o rapaz negro, Julius Gaw (Vincent Craig Dupree), estereotipado como objeto sexual de uma “loira selvagem” morta no banheiro de sua cabine. Julius também alimenta o estereótipo do negro que não sobrevive aos filmes de terror, numa das cenas mais famosas da franquia: a luta com Jason no teto de uma habitação em Nova Iorque, com direito a um soco único do antagonista que arranca a sua cabeça, parte do corpo que literalmente voa até cair numa caixa de lixo.

No equivocado Jason Vai Para o Inferno – A Última Sexta-Feira, o antagonista sobrevive por meio da transferência de corpo. O primeiro da lista é o legista negro, personagem que devora o coração do monstro durante um ataque sobrenatural na mesa de análise do laboratório. Há ainda o caçador de recompensas interpretado por Steve Williams, outro personagem negro que é caricatural e não consegue sobreviver, dando a sua vida para salvar os protagonistas brancos. Jason X, décimo filme da franquia, apresenta ao espectador uma trama futurista. Jason está em estado criogênico, congelado há 455. Os humanos agora habitam a Terra 2 e numa visita ao nosso planeta “original”, resolvem levar a relíquia que “descongela” e desperta de uma dieta de quase 500 anos.

Com elementos que mesclam a saga ao Alien – O Oitavo Passageiro, os afroamericanos da narrativa estão representados por meio dos personagens do sargento Brodski (Peter Mensah), provável “final boy” que morre nos últimos minutos e pelo pouco útil Weylander (Derwin Jordan).  No caso do sargento, mesmo que tenha dado a sua vida para salvar a protagonista, uma mulher oriental, o filme não poupa o “tipo” negro que surge como representante da força física e bruta, criado para bater de frente com o “monstro”. Em Freddy Vs. Jason, a personagem de Kelly Rowland não é poupada. Lawrence (Arlen Escarpeta), único negro da estrutura narrativa de Sexta-Feira 13 (2009), também não. Ele é um personagem que tal como o seu amigo asiático Chewie (Aaron Yoo), não é poupado de uma morte dolorosamente lenta e violenta.

Michael Myers, Halloween e personagens negros: Michael Myers é um personagem dispensa apresentação. Nos primeiros filmes da franquia não há menção a nenhum personagem negro como destaque do desenvolvimento de suas estruturas narrativas, algo presente apenas em Halloween H20 – Vinte Anos Depois e Halloween: Ressurreição. Ambos sobreviventes, Ronald James (LL Cool J) e Freddie Harris (Busta Rhymes), de H20 (sétimo) e Ressurreição (oitavo filme), respectivamente, são personagens com mais sorte que Nora Winston (Tyra Banks) e Rudy (Sean Patrick Thomas).

Nora e Rudy, ambos do questionável oitavo filme da franquia, mortos durante a trilha de corpos deixada pelo psicopata ao longo da narrativa, reforçam a dizimação dos negros nos filmes de terror. Ronald James (aspirante a escritor) fissura as estruturas cristalizadas dos estereótipos ao sobreviver, diferente do produtor televisivo Freddie Harris, sobrevivente, mas uma caricatura ambulante.

O negro em A Casa de Cera e O Massacre da Serra Elétrica 3D – A Lenda Continua: os estereótipos clássicos. O namorado negro da protagonista, Ryan (Trey Songz), aparece constantemente sem camisa, tem um flerte com a melhor amiga da companheira e morre violentamente nas lâminas de Leatherface (Dan Yeager). O cantor de R&B estadunidense tem a função de surgir na tela para ser mais uma das vítimas do moralista psicopata transtornado, responsável por também triturar a “vadia” e o “ladrão”, numa trama que segue à risca os manuais do subgênero slasher. Na refilmagem do clássico Museu de Cera, os realizadores apresentam um personagem negro com duas funções: morrer violentamente e proporcionar orgasmos para Paige Edwards, personagem “interpretada” pela aberração midiática Paris Hilton. Quando colocado em perspectiva, percebemos mais um personagem estereotipado, pois surge em cena, constantemente sem camisa, apenas para se relacionar sexualmente e morrer.

Folclore urbano e contemporaneidade: a mulher negra em Lenda Urbana. Apesar do final absurdo, Lenda Urbana surgiu na esteira dos filmes de terror juvenis oriundos de Pânico e traz uma policial negra interpretada pela ótima Loretta Devine. Ao sobreviver ao primeiro e surgir como mentora no segundo filme, ela é um caso especial dentro do subgênero slasher, entretanto, não deixa de ter problemas ao surgir um pouco caricatural. Na trama ela é Reese Wilson, uma das testemunhas de um banho de sangue comandado por uma figura misteriosa, inspirada em famosas lendas urbanas. Ela é divertida, dona de algumas das melhores frases do roteiro assinado por Silvio Horta, mas a direção de Jamie Blanks exige tipificações responsáveis por torná-la uma caricatura de mulher negra que além de masculinizada, surge como a salvadora do casal protagonista branco, além de alívio cômico promovedor do riso.

Mortos e feridos em Eu Ainda Sei o Que Vocês Fizeram No Verão Passado. Continuação da produção de 1997, o filme traz protagonista Julie James (Jennifer Love Hewitt) perseguida mais uma vez pelo homem que atropelou e não deu socorro há dois verões. A representação do negro no filme fica por conta de Karla Wilson (Brandy Norwood) e do seu namorado, o antipático, machista e truculento Tyrell (Mekhi Phifer), além do “mágico” interpretado por Bill Cobbs. No desenvolvimento da trama somos levados a acreditar que Karla é mais uma vítima do açougue do assassino, mas somos surpreendidos por sua presença, próximo ao surgimento dos créditos.

Versão da “outra” protegida pela protagonista experiente em fugir da matança, Karla poderia ser o diferencial, mas se torna inútil ao sobreviver apenas por causa do golpe não firme do assassino, que a deixou com vida. Quem lutou com todas as garras no final das contas foi a Srta. James, mas não seria interessante a inclusão de Karla também na luta até os instantes finais? O namorado morre logo após o começo da matança comum aos filmes de psicopatas que atacam em zonas distantes. A sua morte, por sinal, não é nenhuma surpresa, haja vista a apatia pelo personagem promovida desde a sua primeira aparição no roteiro de Trey Callaway.

Papo de encerramento: as discussões acerca do Efeito Lando geralmente são comuns quando refletimos os filmes do subgênero slasher. Há outros personagens, como a amiga negra da protagonista da refilmagem de A Morte Convida Para Dançar, ou então, o duvidoso e interesseiro namorado negro de Sarah Bennet (Katie McGrath), protagonista da primeira temporada de Slasher. No entanto, ao pensarmos o negro no gênero terror, podemos dialogar com os personagens de Demônio, Jogos Mortais, Madrugada dos Mortos, A Noite dos Mortos-Vivos (1990), O Nevoeiro, Premonição 5, Terra dos Mortos, dentre outros.

Em 2016, o indicado ao Oscar Corra!, escrito e dirigido por Jordan Peele, veio na esteira da negação aos efeitos da Era Trump, interessado em demonstrar o protagonismo negro, personagem envolto numa trama macabra erguida em meio às assustadoras alegorias e metáforas acerca do racismo na contemporaneidade. Um belo exemplo de rejeição aos preconceitos denunciados por aqueles que acreditam na falta de justiça nos meandros da representação. Você, caro leitor, concorda com a exposição?

Saiba mais. Algumas dicas de leitura:

BENJAMIN, Walter. A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica. In: Obras escolhidas I. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1985.

BHABHA, Homi K. O Local da Cultura. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1998.

FANON, Franz. Peles negras, máscaras brancas. Salvador: EDUFBA, 2008.

HALL, Stuart. Que negro é esse na cultura popular negra? In: Da Diáspora: Identidades e Mediações Culturais. Liv Sovik (org.) Trad. Adelaine La Guardia Resende. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003.

JAMESON, Frederic. Pós-Modernismo: a lógica cultural do capitalismo tardio. 2ª ed. São Paulo: Editora Ática, 2000.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.