Plano Polêmico #5 | A Marvel é MUITO Melhor Que a DC…

Se você, DCnauta, clicou neste artigo com sangue nos olhos, fumacinha saindo pelas orelhas e muito ódio nas pontas dos dedos preparado para me xingar…

Se você, Marvete, clicou neste artigo com um sorriso estampado no rosto, excitação de fanboy e muito amor para distribuir por intermédio de palavras de apoio…

Se você, que fica sempre em cima do muro sobre esse assunto, veio aqui balançando a cabeça, soltando um  “tsc, tsc, tsc” e se preparando para escrever palavras equivalentes a panos quentes…

Eu sinto informar que terei que desapontar todos vocês. Meu quinto Plano Polêmico é, na verdade, um Plano Anti-Polêmico. Mas não se enganem aqueles que acharem (essa é para vocês, galera em cima do muro) que eu não vou deixar claro de que lado fica minha paixão fanboy. Sou Marvete, sempre fui e, provavelmente, continuarei sendo e acho os personagens e histórias de continuidade normal da DC (seja antes ou depois dos Novos 52), consistentemente inferiores aos da Marvel. E isso sem falar nos filmes da Marvel Studios (atenção aqui: falo dos filmes produzidos e lançados diretamente pela Marvel, pelo que não me adianta vir aqui dizendo que Demolidor e Elektra são porcarias!) versus os da DC/Warner.

superman thor cap

Superman CLARAMENTE com invejinha da Marvel…

No entanto, sinto-me confortável em uma posição normalmente rara de leitor antigo das duas editoras. E, por antigo, leia-se desde o final da década de 70, ainda criança, até meados da década de 90, seguido de um hiato e retomada na segunda metade da primeira década dos anos 2000. Ou seja, é, provavelmente, bem mais tempo do que a maioria dos meus leitores, não que isso me torne uma autoridade no assunto, mas sim por me permitir uma visão bem abalizada de todo esse material “antigo” das editoras. E quando digo todo é que, na minha época de ouro, eu lia tudo de todas as duas editoras indistintamente. Tudo o que era publicado no Brasil, claro, ainda no (não tão) saudoso formatinho da Editora Abril (ainda peguei alguns da Ebal e RGE – nossa, como estou ficando velho…).

Meu veredito continua firme: com honrosas e grandes exceções, normalmente pelas mãos de mestres incontestáveis dos quadrinhos, a Marvel é uma editora que, para o meu gosto, é mais consistente não só em termos de histórias, mas, também, em termos de seus personagens.

De toda forma, o foco mesmo dessa conversa é a briguinha irritante que acontece sempre que alguma coisa da Marvel ou da DC é anunciada. Bastou anunciar que Batman v Superman (ou seja lá o título que darão ao filme) foi antecipado para não coincidir com Capitão América 3 que os Marvetes já vem encher a paciência dizendo que Batman e Superman combinados não são páreo para o Capitão América. A grande verdade – e que todo mundo convenientemente se esquece – é que essa briguinha só serve mesmo para aumentar o hype pelos lançamentos. Não há dúvidas em minha cabeça que a DC/Warner trocaram a data do filme para uma já reservada pela Marvel (antes da Marvel anunciar que era CA3) justamente para se beneficiar da publicidade espontânea, aumentando a visibilidade do evento. Era mais do que óbvio que dois filmes que atendem exatamente ao mesmo público, não seria lançados no mesmo final de semana. Isso seria de uma burrice de proporções darseidianas.

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Sem dúvida alguma, um filme muito superior a qualquer Batman de Nolan…

Mas os fãs – normalmente cegos pelo raciocínio canhestro do “o que eu gosto é melhor do que você gosta” – se deixam levar pela manobra dos estúdios. E o mesmo vale para os lançamentos editorais. Afinal de contas, falem mal o quanto quiserem, mas a DC teve cojones de adamantium ao decidir, de uma hora para outra, relançar todo seu universo – os Novos 52 – apagando décadas e décadas de continuidade de todos os seus heróis, incluindo Batman e Superman. Foi a deixa para os próprios DCnautas de longa data quererem se jogar do alto de um prédio e para os Marvetes se deliciarem com a desgraça alheia.

E o que fez a Marvel em seguida, literalmente copiando a DC? Fez a mesma coisa com Marvel NOW!, só que de forma disfarçada. “Ah, mas a continuidade não foi apagada!” – os Marvetes mais afoitos dirão. E eu responderei de maneira muito plácida e educada: “Ah é? Então, provavelmente, ou você não sabe ler nas entrelinhas ou sua inteligência bate com a de Bizarro em termos de compreensão macro da verdade de todo o projeto.”

E é logico que eu sei que tem muito fã troll, que adora jogar lenha na fogueira. Esses eu perdoo. Adoro um espírito de porco – sério! – e, quando o cara sabe escrever e cutucar corretamente aquela ferida, sem grosserias, o resultado é um Ragnarok de comentários. O problema é quando o fã REALMENTE acredita na besteira anti-Marvel ou anti-DC que escreve. Esse sim mereceria ser encarcerado na armadura de Suplício por algumas semanas para deixar de ser mané.

mosaico penance

Só para ficar claro: a imagem da direita representa o que tem dentro da armadura de Suplício. Entenderam a gravidade de minha ameaça agora?

O grande fato é que uma editora se apoia na outra; uma depende da outra para a sobrevivência mútua. Os problemas de uma fatalmente contaminarão a outra. Afinal, elas, sozinhas, polarizam o mercado mundial de quadrinhos mainstream de super-heróis. Não existe nenhuma outra empresa que chegue perto de sequer arranhar essa superfície fática. É mais ou menos a mesma história de interdependência entre Batman e Coringa que Alan Moore deixou bem clara em A Piada Mortal e que Nolan absorveu para dentro de seu magistral Batman – O Cavaleiro das Trevas.

E há aspectos econômicos também, já que as duas, juntas, monopolizam esse mercado. Se uma acaba ou se tornar insipiente, a outra deixa de ter concorrência e, sem concorrência, a coisa desanda para nós, leitores. E é evidente que eu sei que, provavelmente, nenhum fã de uma editora, por mais Wolverine berserk que seja, não deseja de verdade o mal da outra. Mas, na verdade, o que se deve torcer é pelo sucesso absoluto das duas em suas empreitadas, por mais malucas e potencialmente desastrosas que sejam (Spiderverse, estou falando com você!), pois o sucesso de uma retroalimenta o sucesso da outra.

Quer uma prova? Os Novos 52 vieram, com 52 números 1 e tomaram de assalto o mercado editorial americano, deixando a Marvel, que estava se mantendo em primeiro lugar nos vários meses anteriores, no chinelo. A resposta, como já disse, foi Marvel NOW! e uma nova enxurrada de números 1 que elevaram a editora novamente ao primeiro lugar. E assim por diante, com o lançamentos de números 0 pela DC, outro reboot chamado All-New Marvel NOW! pela Marvel e a briga continua até hoje.

Querem outra prova? A DC mostrou que filmes de super-heróis eram viáveis com Superman, de 1978 (ainda meu filme preferido do gênero, apesar de nunca ter gostado do personagem – viram como não sou fã cego?). Repetiu a dose com Superman II e meteu os pés pelas mãos nas duas continuações seguintes. A volta triunfal foi da própria DC, dessa vez com Batman, em 1989, o que gerou uma continuação de muito sucesso e, como de costume, outras duas continuações tenebrosas. Isso deixou claro a viabilidade dessas propriedades nas telonas.

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Os primeiros bat-mamilos ninguém esquece…

A Marvel, ainda na base do licenciamento para outros estúdios, testou o mercado com Blade, X-Men e Homem-Aranha. Endinheirada pelos royalties, o estúdio próprio foi criado e o Universo Cinematográfico Marvel (UCM), algo sem precedentes (sim, gente, reconheçam os méritos onde eles são devidos!), nasceu e deu no que deu.

Sem o UCM, as propriedades da DC que estavam dormentes (com exceção da trilogia do Batman de Nolan que não considero – pelo menos os dois primeiros filmes – como obras que se encaixem exatamente como filmes de super-heróis, por serem MUITO mais do que isso) continuariam dormentes, especialmente depois do fiasco apokolíptico que foi Lanterna Verde. Foi literalmente o UCM que deu ânimo para a DC trazer o Superman, dessa vez sem cueca para fora da calça, de volta às telonas. O resultado foi um sucesso razoável, mas não estrondoso (vejam os números: Guardiões da Galáxia, grupo completamente desconhecido do público, ultrapassará a bilheteria americana de Homem de Aço, filme com talvez o super-herói mais conhecido de todos os tempos), mas que finalmente fez com que a DC acordasse para correr atrás do prejuízo cinematográfico. Se eles serão bem sucedidos, só o tempo dirá, mas espero muito que sim.

O fato é que a briguinha DC/Warner x Marvel (entre os estúdios) é apenas para inglês ver. A adoção dessas briguinhas pelos fãs loucos de cada uma delas é que é comportamento para internação do Asilo Arkham.

O fã de quadrinhos super-heroísticos de verdade, porém, não ficará preso a esses dois extremamente limitados universos. Ao contrário, ele procura outras editoras como a Vertigo, Image, Top Cow, Dark Horse e Top Shelf e isso só para ficar entre as americanas, pois se eu começar a listar as asiáticas e europeias, aqui, não vou acabar mais.

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Esse é o momento em que o fã de quadrinhos olha para essa imagem, tem a cara de pau de dizer que não reconhece o personagem e, pior, o autor, e diz que prefere a DC no lugar da Marvel ou vice-versa.

E é aí que está o fiel da balança. De um lado, o fã deve saber colocar o peso padrão representado pela Marvel e DC indistintamente (cada um pode ter sua preferência aqui, pouco importa) e, do outro, deve-se trabalhar com o alargamento de horizontes para editoras menos conhecidas ou que, mesmo sendo muito conhecida (como é o caso da Vertigo e Image), que pelo menos tragam material realmente original e diferente e não só o velho “herói veste fantasia colorida para lutar contra o mal”.

Se o fã fizer isso, sua birra contra a DC ou Marvel desaparecerá ou será só uma forma de se divertir com aqueles bobalhões de pavio curto que caem em qualquer provocação.

A bola foi levantada. Agora está na hora de vocês, leitores, cortarem!

p.s. Mas que a Marvel é MUITO  melhor que a DC, ah ela é…

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.