Plano Polêmico #8 | Celulares no Cinema: Banimento Já!

A oitava edição do Plano Polêmico não traz exatamente uma polêmica. É muito mais um desabafo que, tenho certeza, os leitores aqui do Plano Crítico concordarão sem hesitação.

Tive a sorte de viver em um mundo menos afobado, menos imediatista, menos “para ontem”. Um mundo em que as informações diárias vinham do jornal impresso do dia seguinte ou de jornais pela televisão ou rádio, não mais do que isso. Um mundo em que as notícias eram escritas com português correto, bonito e gostoso de se ler. Um mundo em que as pessoas liam mais do que dois ou três parágrafos sobre determinado assunto sem perder o interesse.

Não digo que o mundo atual é pior, apenas diferente. Mas é um diferente em que as pessoas, provavelmente, não percebem o quanto atrapalham as outras.

cine camel

Se eu puder entrar com meu camelo, você pode entrar com seu celular…

E usei o celular no título apenas como um exemplo. Pois é o problema mais “brilhante” pelo que passam os pobres cinéfilos que efetivamente querem assistir a filmes sem perturbação. Uso o celular também, pois as pessoas perderam o senso do ridículo. Querem provas? Façam então uma experiência. Vão a um restaurante – qualquer um – e reparem as mesas. Ou os comensais estão com os celulares em cima da mesa, como estivessem esperando algum telefone ou mensagem de vida ou morte ou eles estão mexendo ou só olhando para a maldita tela brilhante dos (cada vez maiores) aparelhinhos. Ninguém mais conversa direito. Casais respondem mensagens de terceiros. Pais ignoram os filhos, que também estão em seus respectivos gadgets, mesmo em tenra idade. É como se ninguém pudesse parar por uma ou duas horas para apreciar o outro ou até mesmo só a comida. Somos cada vez mais solitários em comunidade.

Essas mesmas pessoas – todos nós – transpõem essa situação patética e enervante para o cinema. Não só entram falando na sala, como se estivessem em casa, como sentam em suas cadeiras (que nem sempre é a cadeira marcada que foi comprada, o que por si só é um absurdo) e tratam de pegar o aparelhinho reluzente para fazer de tudo, como se todos fossem executivos importantíssimos tomando decisões de milhões de dólares a cada segundo. Que celular é sinal de status, ninguém mais duvida, mas as mesmas pessoas que não duvidam disso, usam o celular dessa forma e ainda riem quando o smartphone do amigo é menos “smart” que o dele.

Já reclamei de gente fazendo uso do celular no cinema. Sempre educadamente. As respostas variam de risadas sarcásticas até coisas como “ainda está no trailer, mané” e daí para baixo. Esses energúmenos eletrônicos não conseguem entender que EU QUERO VER O TRAILER também. Eu quero sentar na cadeira e relaxar e não ter minha retina bombardeada com o brilho de celulares alheios. Por que é que eu posso desligar meu celular por duas horas e todos os demais não podem? São mais importantes do que eu? Ou será que são mais otários? Mas têm também os mal-educados que usam o celular – “rapidinho e discretamente” – para ver a hora no meio do filme ou para conferir uma “mensagenzinha”. E, se eu reclamo, ainda têm a pachorra de dizer que isso não atrapalha ninguém.

Se eu um dia eu arrancar o celular da mão de uma dessas pessoas e arremessar lá na frente da sala, serei chamado de violento, maluco e coisas do gênero. Mas não estou muito longe de fazer isso. Só de ver a cara do sujeito depois, já vai ter valido a ação…

cine ninja

Eu, disfarçado de “cine ninja”…

Mas vamos ampliar o escopo por um momento. Reparem que esses mesmos idiotas que “precisam” usar o celular a cada segundo da vida, seja onde estiver e atrapalhando quem quer que seja, são os mesmos mal-educados que:

(1) chegam atrasado na sessão, atrapalhando que está quieto vendo o filme ou os trailers (eu já disse que gosto de ver os trailers???);

(2) mastigam a pipoca de boca aberta;

(3) esparramam-se na cadeira como se estivessem no sofá da casa deles;

(4) colocam o pé na cadeira da frente;

(5) fazem das almofadas usadas para crianças como descanso de pés;

(6) falam durante o filme sobre o filme ou sobre assuntos aleatórios que devem ser importantes pacas;

(7) respondem como trogloditas a pedidos educados de silêncio ou de “desligue o celular”;

(8) saem da sessão contando o final do filme para quem quiser ouvir;

(9) levantam e ficam se ajeitando na cadeira o tempo todo, chutando ou se apoiando na da frente; e

(10) não têm a decência de levar o lixo (copos e pipocas) para a lixeira mais próxima, algo que obviamente fazem em casa.

Para onde é que foi a educação dessa gente? Ou pior e mais assustador: que tipo de educação essa gente recebem em casa? São um bando de trogloditas cheios de si que acham que o cinema é extensão de seu lar e não conseguem olhar para o lado e respeitar regras básicas de convivência em sociedade.

Onde é que vamos parar?

pig-sty

Nem os porcos são tão porcos…

Por isso, sou fortemente a favor de:

(1) proibir celulares completamente, com pena de expulsão da sala semelhante ao que acontece na rede Alamo Drafthouse nos EUA;

(2) proibir a entrada no cinema depois que a sessão começar (o filme, não os trailers), como é feito em teatros e como faz a a rede Arclight nos EUA;

(3) haver vigilância, por meio de lanterninhas bem treinados, para evitar trê-lê-lê durante as sessões;

(4) impedir o uso de equipamentos do cinema para usos que não sejam o destino específico dele;

(5) fazer uma forte campanha educacional envergonhando as pessoas que deixarem lixo em seus assentos.

A bola foi levantada. Agora está na hora de vocês, leitores, cortarem!

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.