Crítica | Rock in Rio 2013 – Bon Jovi

Bon Jovi, nos seus 30 anos de carreira, produziu um sem-número de mega-sucessos. A turnê de 2013, para divulgar seu mais novo – e pior – disco, What About Now, começou complicada, com a saída de Richie Sambora, o carismático guitarrista, da banda. Para o Rock in Rio, havia dúvidas se o baterista Tico Torres participaria, tendo em vista uma apendicite. Parecia tudo certo para ele participar, mas, de última hora, ele teve outras complicações e acabou sendo substituído por Rich Scannella, que voou de New Jersey especialmente para isso.

Desfalcado, mas cheio de si, o grupo entrou no palco (Jon com uma jaqueta do Capitão América) com apenas 15 minutos de atraso, para surpreender a todos com a música That’s What the Water Made Me do álbum mais recente, deixando já claro algo que todos temiam: o show seria o mesmo da turnê What About Now e não um show de festival, com sucessos pinçados cirurgicamente dos 30 anos de carreira.

Devo dizer que isso me chateou sobremaneira, pois o Bon Jovi há tempos não vinha para o Brasil e a espera era sim de um show composto por músicas campeãs, e não uma propaganda de um disco extremamente fraco – talvez o pior da banda – com um pot-pourri do resto da carreira.

Ao longo das duas horas de show, os dentes absurdamente brancos de Jon Bon Jovi, cantaram um setlist focado no disco recente, com alguma coisa dos 30 anos de carreira, mas que, em linhas gerais, demonstrava uma eleição equivocada de músicas. Logo após a fraquíssima abertura, aí sim veio o Bon Jovi que todos esperavam, com a explosão de You Give Love a Bad Name, provavelmente o maior sucesso deles do que muitos acham o melhor álbum (Slippery When Wet), ainda que, particularmente, prefira New Jersey.

Raise Your Hands, do mesmo super-álbum de 1986, foi a música seguinte, o que talvez tenha funcionado para os fãs de longa data como eu, mas não para a maioria dos presentes, que ingressaram na apatia. Runaway, do primeiro álbum da banda, veio em terceiro lugar, novamente para o deleite dos fãs antigos, mas não dos mais novos e a apatia aumentou.

Lost Highway, do álbum de mesmo nome de 2007 veio e foi sem melhorar muito o problema da escolha do setlist da banda. Jon Bon Jovi estava com disposição, mas pareceu mais preocupando em cantar o que queria no lugar do que o público queria. Coragem? Personalidade? Tenho para mim que isso é muito mais sinal de soberba do que qualquer outra coisa.

Whole Lot of Leavin’, de Lost Highway veio em seguida e também não surtiu efeito, mas a trinca It’s My Life, Because We Can e What About Now surtiram um efeito médio. Mas, a essa hora, o estrago já estava feito, com cententas de pessoas se afastando da “muvuca” e indo ver o show mais de longe, demonstrando desinteresse pelo desinteressante setlist.

Mas o que não se pode falar do Bon Jovi é que eles são moles. Ao contrário, persistiram com o show, mesmo cantando We Got It Goin’ On, que ajudou a afastar mais gente e Keep the Faith que, apesar de boa, não funciona muito bem ao vivo.

Com vários “finais falsos” em suas músicas, Jon Bon Jovi tornou-se altamente previsível e o público – com exceção da galera lá da frente, claro – não se empolgou. Era visível a diferença entre esse show e o anterior, do Nickelback, em que o público ficou engajado mais tempo.

Os erros continuaram, com (You Want to) Make a Memory e Captain Crash, seguidas de We Weren’t Born to Follow e Who Says You Can’t Go Home. Durante essa última música, Jon convidou para o palco uma fã que prontamente, ao meu redor, foi chamada de Tamanduá, e que ficou durante a música toda com cara de fã babona e tirando fotos do ídolo. Já vi isso acontecer outras vezes, mas dessa vez foi absolutamente patético.

A redenção começou a vir com I’ll Sleep When I’m Dead, mas, mesmo assim, Bon Jovi conseguiu quase estragar a música inserindo um cover do Rolling Stones (foi a noite do cover de Rolling Stones!): Start Me Up.

Quando o público já estava sem esperanças, veio Bad Medicine, um dos grandes hits de New Jersey, em versão estendida e com direito a um cover de Shout do Isley Brothers no meio. Diferente de I’ll Sleep When I’m Dead, dessa vez a mistureba funcionou.

No bis, FINALMENTE, veio o show que deveria ter sido desde o começo, com a trinca Wanted Dead or Alive, Have a Nice Day e Livin’ On a Prayer, a primeira e a última cantadas na íntegra pelos espectadores remanescentes.

No segundo bis, Bon Jovi fechou com a melosa Always que, apesar de boa, poderia muito bem ter sido substituída por hits mais relevantes como Blood on Blood, I’ll Be There For You, I’d Die For You ou Never Say Goodbye.

Como show da banda, a apresentação foi muito competente, apesar dos desfalques na guitarra e bateria. Como show parte de um festival maior, deixou muito a desejar. Uma pena.

Dia do show: 20 de setembro de 2013

Duração: 2h

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.