Sagas DC | Fim dos Tempos #0 a 9

estrelas 2,5

Muitos leitores têm um pé atrás com sagas da DC que envolvem viagens no tempo ou realidades alternativas, pois tem sido meio complicado acompanhar o UDC nos últimos anos, justamente por causa de sagas complexas e que exigem muito conhecimento prévio, principalmente após os reboots de cronologia. Por outro lado, um dos atrativos de Fim dos Tempos (também conhecido como “Fim dos Futuros” por aqui) é Terry McGinnis. A DC usou esta história para inserir no universo DC dos quadrinhos o personagem que foi criado para a série animada de sucesso, Batman Beyond (Batman do Futuro no Brasil).

The_New_52_Futures_End_Vol_1_1_Fim dos Tempos_Fim dos FuturosTrinta e cinco anos no futuro, o Irmão-Olho dominou a Terra e assimilou quase todos os superseres do planeta, restando somente uma pequena resistência formada por poucos heróis. Dentre eles, o Batman (sempre ele) tem um plano para evitar esta tragédia; ele construiu uma máquina do tempo e pretende usá-la para retornar 35 anos no passado e impedir a ascensão do Irmão-Olho. Porém, os heróis são atacados e Batman é seriamente ferido. Assim, quem volta no tempo é Terry McGinnis, o Batman do futuro! Mas algo dá errado e ele retorna somente 30 anos, quando alguns eventos que ele deveria impedir já estão em andamento.

Uma boa surpresa que tive ao ler as primeiras edições é que a história é autocontida, ou seja, não é preciso lembrar-se de grandes eventos anteriores (Crises, Zero Hora, Flash Point, Novos 52, etc) para compreender a saga. A partir do momento que Terry retorna no tempo, a história avança através de várias tramas paralelas que, imagino, vão mostrar suas consequências lá na frente.

Existem muitos aspectos misteriosos, como uma guerra contra a Terra 2, invasão de Apokolips, quem é o Superman (que aqui usa uma máscara), as pistas que Lois está seguindo, etc. É uma forma de criar um clima de suspense mas, tenho que dizer, que não empolga muito até a edição #9 da publicação original. Os protagonistas são quase todos personagens secundários do UDC, que normalmente não têm sozinhos um apelo muito forte entre os fãs. Não é à toa que Nuclear, Lois Lane, Bandoleiro, Frankenstein, Gavião Negro, entre outros, dificilmente emplacam um título próprio.

The_New_52_Futures_End_Vol_1_6Lembrando que o problema não são os personagens, mas o tratamento que se dá a eles. Há inúmeros casos de personagens menores que tiveram grande sucesso nas mãos de grandes artistas, mas, neste caso, como a trama não foca em somente um ou poucos personagens, a missão de criar empatia com o leitor fica prejudicada.

O futuro mostrado aqui, de 35 anos adiante, é interessante, talvez a melhor trama da saga. Dá vontade de saber quais outros heróis sobreviveram e também de ver o que aconteceu com o Batman após a partida de Terry rumo ao passado. Mas, infelizmente, nos dois primeiros números esta realidade serve só de introdução para a história. Espero que voltemos a ver esse tempo nos próximos números.

Senti falta também de um aprofundamento do personagem Terry McGinnis. Por ser novo nos quadrinhos, acredito que poderia ter sido mais bem explorado, dando a oportunidade dos leitores o conhecerem melhor. Sua participação se resume a sequências de ação e seus planos para evitar a dominação da Terra pelo Irmão-Olho, ou seja, poderia ser qualquer um no lugar dele. O leitor sabe muito pouco a seu respeito, o que dificulta a geração de empatia com o personagem.

The_New_52_Futures_End_Vol_1_8Os roteiros ficam a cargo de Brian Azzarelo (100 Balas), Jeff Lemire (Sweet Tooth), Dan Jurgens (A Morte do Superman) e Keith Giffen (Liga da Justiça Internacional). É um quarteto com boa bagagem e trabalhos renomados no currículo, mas que tem o desafio de fazer funcionar uma saga que envolve boa parte do UDC, porém, sem os seus principais personagens (pelo menos até o momento).

A equipe de desenhistas é grande e com nomes pouco conhecidos; os desenhos são razoáveis, não comprometem e também não trazem elementos acima da média. Nos resta torcer para que a história engrene nos próximos números. Fim dos Tempos é uma recente maxissérie da DC, que se passa antes de Convergência e foi publicada nos EUA entre 2014 e 2015 ao longo de 49 edições (0 até 48, se não contarmos e edição #0). No Brasil, saiu em formato mensal em 10 volumes, entre 2015 e 2016.

The New 52: Futures End 0 – 9 (EUA, junho a setembro de 2014)
Publicação no Brasil: Fim dos Tempos 1 e 2
Roteiro: Brian Azzarelo, Jeff Lemire, Dan Jurgens  e Keith Giffen
Desenhos: Jesus Merino, Dan Green, Aaron Lopresti, Art Thibert, Patrick Zircher, Scot Eaton, Drew Geraci
Cores: Hi-fi
Capas: Ryan Sook
108 páginas (cada edição da Panini)

DANIEL TRISTÃO . . . Paulistano, gosto de quadrinhos desde criança, aos 10 anos me interessei por literatura ao ler suspenses infantojuvenis e ainda adolescente já assistia filmes como um dos meus principais hobbies. Alan Moore, Neil Gaiman, Warren Ellis, Stanley Kubrick, Martin Scorsese, Christopher Nolan, Agatha Christie e H.P. Lovecraft são alguns dos autores que mais admiro. Sou formado em Administração e trabalho com TI; leio livros, gibis e assisto filmes mais do que muita gente considera normal, mas menos do que eu gostaria.