Sagas DC | Fim dos Tempos #25 a 39

estrelas 1,5

Spoilers!

A continuação da saga Fim dos Tempos não consegue aproveitar alguns bons elementos que apresentou nas últimas edições e, infelizmente, se utiliza de soluções ruins para dar andamento na história. Nem o retorno ou aparição de personagens consagrados como Batman, Superman e Arqueiro Verde consegue levantar a qualidade da trama.

Na crítica que escrevi sobre a primeira parte de Fim dos Tempos, destaquei a falta de profundidade de alguns personagens. Aqui o que me chamou atenção foi a descaracterização de alguns deles, principalmente do Batman. Do meio pra frente da história ele começa a fazer algumas participações, mas o texto não traz nada que caracterize ou faça referência a elementos que fundamentam o personagem. Suas falas não têm peso, não trazem a dureza, frieza e objetividade que normalmente acompanham o personagem. Além disso, ele apanha do Terry McGinnis numa sequência e segue suas ordens sem nem argumentar ou fazer perguntas em outra. Considero decepcionante a forma como está sendo tratado na saga, pois é um personagem que poderia ser muito melhor aproveitado.

Percebe-se também que a evolução da história é baseada em soluções pouco convincentes. Por exemplo, no futuro, o Irmão-olho consegue enviar um agente ao passado para confrontar Terry McGinnis e impedir que ele altere o futuro distópico. Pergunta: por que fazer isso se ele poderia simplesmente evitar que Terry fosse enviado ao passado? Com certeza as implicações temporais seriam bem menores, já que a intervenção seria de no máximo algumas semanas e não de 30 anos. E a morte da personagem Midge? Aquilo foi novidade pra mim, pois nunca vi um pé de milho atravessar alguém como uma lança, mesmo num vendaval. Mas ok, o Superman estava ao lado dela e poderia levá-la em cinco segundos a um hospital. Mas não, ele simplesmente foi embora e a deixou lá. Olha outro personagem descaracterizado aí…

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E tem outras, como a resolução do conflito entre o Dr. Polaris e a Nuclear ou a forma como o Irmão-olho sobrevive à tomada da ilha do Cadmus.

Fora que as sequências envolvendo o Sr. Incrível e a inteligência artificial do prédio da Incrivetec diminuíram. Era uma boa referência a 2001: Uma Odisseia no Espaço (conforme apontado na crítica anterior), mas que perdeu espaço na trama. Eu, particularmente, gostava destas passagens, pois traziam ao leitor uma boa noção de como se deu a ascensão do Irmão-olho. Espero, ao menos, que seja um elemento bem aproveitado na conclusão da saga.

Em relação à arte, vale ressaltar um aspecto positivo e um negativo: o positivo vai para as capas de Ryan Sook, em especial as das edições 28 e 31. No geral as capas da saga têm sido boas (ok, nem ruins e nem excelentes), mas destas duas eu gostei bastante; são bem desenhadas, chamativas e evocam temas que o conteúdo acaba não correspondendo, infelizmente.

Já o negativo vai para o desenhista Andy MacDonald. Falar de traço ou estilo às vezes é complicado, pois tem relação com gosto pessoal, mas aqui há aspectos técnicos que eu enxergo como problemáticos. Por exemplo, veja que em alguns momentos os corpos de certos personagens são desproporcionais; a cabeça do Guardião da Tempestade aparece torta num quadro, o braço do Cole Cash é desproporcional em outro, assim como as pernas do Dr. Polaris numa outra sequência.

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Além disso, sua narrativa gráfica é ruim em algumas passagens, como na luta do agente do Irmão-olho contra Terry, Batman e Tim. Perceba que Terry some da luta sem motivo aparente e só retorna no final, quando o vilão já caiu. Acompanhando quadro a quadro é possível perceber que a sequência de movimentos é por demais estranha, os personagens estão numa posição e logo depois mudam sem muita explicação.

Com tudo isso, ficamos com a expectativa de que o final da saga faça ao menos um bom link com Convergência, já que o grande vilão revelado aqui é Brainiac, o que é muito pouco para uma maxi-série que durou quase um ano para ser concluída.

The New 52: Futures End 25 – 39 (EUA, dezembro de 2014 a março de 2015)
Publicação no Brasil: Fim dos Tempos 6, 7 e 8
Roteiro: Brian Azzarelo, Jeff Lemire, Dan Jurgens  e Keith Giffen
Desenhos: Jesus Merino, Dan Green, Aaron Lopresti, Art Thibert, Stephen Thompson, Scot Eaton, Scott Hanna, Wayne Faucher e Andy MacDonald
Cores: Hi-fi
Capas: Ryan Sook
108 páginas (cada edição da Panini)

DANIEL TRISTÃO . . . Paulistano, gosto de quadrinhos desde criança, aos 10 anos me interessei por literatura ao ler suspenses infantojuvenis e ainda adolescente já assistia filmes como um dos meus principais hobbies. Alan Moore, Neil Gaiman, Warren Ellis, Stanley Kubrick, Martin Scorsese, Christopher Nolan, Agatha Christie e H.P. Lovecraft são alguns dos autores que mais admiro. Sou formado em Administração e trabalho com TI; leio livros, gibis e assisto filmes mais do que muita gente considera normal, mas menos do que eu gostaria.