Sagas Marvel | Abismo Infinito

estrelas 2

Não satisfeito com a Trilogia do Infinito, Jim Starlin e a Marvel voltaram ao tema em 2002, com Abismo Infinito. Não é completamente correto chamar essa história de saga, pois, em comparação com as três anteriores e também com as duas Guerras Secretas, ela é muito menor em escopo e com absolutamente zero de influência na cronologia futura dos heróis envolvidos. De toda forma, até como um fechamento das “histórias do Infinito” de Jim Starlin, vale um comentário.

Publicada em seis edições dedicadas, sem qualquer crossover, Abismo Infinito envolve, apenas, Thanos, Adam Warlock (em uma nova – e mais velha – encarnação), Pip, o troll, Capitão Marvel (versão Genis Vell), Doutor Estranho, Serpente da Lua, Gamora e Homem-Aranha. Olhando a lista de nomes, fica evidente que o Aranha não tinha que estar nela, mas a fama do herói talvez tenha sido determinante para sua inclusão nesse time super-poderoso e muito mais voltado a aspectos cósmicos e místicos do que o aracnídeo jamais foi.

Se há um aspecto realmente interessante é que Starlin inicia sua narrativa com Warlock contando em flashback como esse heróis (e um vilão) todos vieram a se reunir em torno de uma causa em comum. Mas o herói que vemos está ferido e tem uma aparência muito mais velha e um pouco insana até, o que é explicado pelo fato de ter surgido há dois anos em um sanatório, sem qualquer lembrança de quem era e logo depois tendo adotado uma de suas formações em casulo e ali permanecendo por todo o tempo. Somente quando ele é resgatado por Pip, a mando de Thanos, é que a história realmente começa, com explicações detalhadas de como todos os demais se envolveram com o mesmo problema cósmico.

Thanos, assim como em Cruzada Infinita, faz o papel de líder em uma irritante demonstração de como Starlin e a Marvel se deixaram levar pela fama do personagem. Deve ser uma espécie de mantra: “se o vilão é famoso, então transforme-o em herói”. E a pergunta que faço é uma só: por que? Thanos era definitivamente muito mais interessante como amante da morte, como o nihilista que foi criado. Como herói, ele é só mais um, por mais relutante que seja. Perde completamente a graça.

Warlock, por outro lado, é melhor explorado por Starlim e todo seu ar trágico ganha contornos interessantes com o mistério narrativo criado organicamente por vermos o herói ferido nos contando a história. Mas, em termos de roteiro, fica muito claro que Starlin não tinha muito o que abordar, preferindo fazer longas introduções sobre cada um dos heróis que passam a fazer parte do grupo de Thanos do que caminhar diretamente para o problema. Com isso, ele acaba conseguindo esticar a história ao longo de seis inchados números (no original americano), com muitos monólogos internos, muito diálogo expositivo para deixar o leitor ciente do que aconteceu desde Desafio Infinito e tudo isso desnecessariamente, pois Abismo Infinito não tem qualquer ligação com a Trilogia do Infinito, com exceção de parte do nome e de seus protagonistas.

Com isso, a história cansa. Não que ela seja imprestável. Não é. Mas ela poderia ter sido escrita de forma econômica e sem tanta enrolação. Tudo pode ser resumido da seguinte forma: os diversos heróis Marvel citados acima começam a sentir e/ou a se deparar com distúrbios cósmicos e passam a investigar por conta própria. Thanos, percebendo esse movimento, reúne os heróis em uma equipe para lutar contra super-poderosos clones dele próprio, que ameaçam destruir toda a realidade.

Como se pode ver, não há muito o que contar, mas Starlim insiste em vagarosa e misteriosamente desenrolar a história. De bom mesmo, ficam só a utilização de Adam Warlock como narrador e protagonista e a criação do conceito de “âncora da realidade”. De resto, o que vemos é apenas um desfile de baboseiras cósmicas que, pelo menos, é utilizada pelo Aranha para boas meta-piadinhas.

Starlin também ilustra a saga e faz um bom trabalho, como sempre, com os personagens. No entanto, ele não comete grandes arroubos de criatividade ao desenhar seus quadros, preferindo um trabalho mais burocrático e simples. Não haveria nada de errado com isso, se a história se sustentasse sozinha. Não é o caso e uma maior criatividade na transição de quadros poderia emprestar um ar mais interessante ao produto final. Infelizmente, porém, talvez sabedor do sucesso de tudo que ele escreve com “Infinito” no nome, Starlin tenha se acomodado. Uma pena.

Abismo Infinito é uma pequena saga completamente descartável, que só vale para aqueles que realmente adoraram a Trilogia do Infinito e precisam de mais uma dose do mesmo material na veia. Caso contrário, não olhem para esse abismo.

Abismo Infinito (Thanos: Infinity Abyss, EUA)
Roteiro: Jim Starlin
Arte: Jim Starlin
Editora (nos EUA): Marvel Comics
Editora (no Brasil): Panini
Lançamento (nos EUA): agosto a outubro de 2002 (seis edições)
Lançamento (no Brasil): outubro e dezembro de 2003 (duas edições)
Páginas: 169

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.