Sagas Marvel | Vingadores vs X-Men

estrelas 3

Sinopse: Vingadores vs X-Men é a saga da Marvel que antecede seu semi-reboot chamado Marvel NOW! que está começando no Brasil agora (nossas críticas podem ser encontradas aqui) e, como o título deixa bem claro, lida com a rivalidade entre os dois maiores grupos de heróis da editora em razão da potencialmente desastrosa volta da Força Fênix e sua provável hospedeira, a mutante Esperança. A Panini publicou a saga no Brasil ao longo do ano de 2013 em 8 edições que juntaram todos os números do original Avengers vs X-Men com  Avengers: X-Sanction 1-4, Point One 1 (Nova), AVX: VS e Avengers vs X-Men: Consequences.

As críticas que seguem tratam de cada número publicado pela Panini, de forma que o leitor possa ter o completo quadro da última saga da Marvel antes de Marvel NOW! A nota, acima, porém, é geral, de toda a saga.

Vingadores vs X-Men # 0

VINGADORES-VS.-X-MEN-0-300x458São 132 longuíssimas páginas que servem apenas de prelúdio para o embate entre os grupos e martela na cabeça do leitor que a Força Fênix está chegando, sem explicar mais nada.

Começando com X-Sanction # 1 a 4, o roteiro lida com Cable em um futuro distante descobrindo que Esperança, sua filha adotiva, será atacada pelos Vingadores. Furioso, ele volta para o presente e sai na pancada com cada um dos Vingadores separadamente, em situações muito parecidas, repetidas ad nauseam (o roteirista achou que estava sendo esperto aqui). É Cable balbuciando coisas desconexas como um maluco de um lado e os heróis apanhando feito condenados de outro, sem que a história avance. Nesse número, temos alguma coisa de Vingadores e alguma coisa de X-Men, mas nada de versus. São os dois lados chegando a conclusões diferentes sobre Esperança e só em um monte de páginas desperdiçadas. E, finalmente, no meio de uma coisa e outra, tem a completamente deslocada história de Point One 1 com o novo Nova (Sam Alexander) sendo introduzido no universo Marvel já no meio de uma pancadaria cósmica com a Fênix e sendo ejetado violentamente para a Terra.

O resumo é muito simples: o #0 é completamente desnecessário para a saga como um todo.

Vingadores vs X-Men #1

VINGADORES-VS.-X-MEN-1-300x458Como pouco roteiro e muita pancadaria, a narrativa pode ser resumida em algo muito simples: os Vingadores, liderados pelo Capitão América e os X-Men, liderados por Cíclope, têm interpretação completamente opostas sobre o que fazer com Esperança que é, potencialmente, a hospedeira da Força Fênix, que se encaminha para a Terra mais uma vez. Enquanto o bandeiroso quer esconder Esperança, o caolho quer usá-la como hospedeira da força para potencialmente reiniciar a raça mutante que, como todos sabem, foi dizimada pela Feiticeira Escarlate em Dinastia M (House of M) saga em que ela, completamente desequilibrada, usa seus poderes que alteram a realidade para eliminar o gene X da gigantesca maioria dos mutantes do mundo.

Assim, os dois cabeças-duras batem de frente literalmente, mas os roteiristas (é um time enorme, encabeçado por Jason Aaron, Brian Michael Bendis e Ed Brubaker) acabam traindo as essências dos personagens. O Capitão é escrito como se fosse um violento herói militarístico que só sabe resolver tudo na porrada. Cíclope é um completo intolerante, que não quer nem começar a ouvir um opinião contrária à sua. O Capitão simplesmente invade Utopia com um porta-aviões aéreo da S.H.I.E.L.D. cheio de heróis e nem ao menos dá uma chance aos mutantes. Os desenhos de Romitinha são bons, mas ele teima em mudar a proporção dos apetrechos dos heróis, notadamente o escudo do Capitão, e isso distrai demais.

O melhor aspecto desse número – e que se repete nos demais, na verdade – é AvX: VS # 1, que é, descaradamente, só mesmo duelos tipo Dragon Ball Z ou Mortal Kombat de um herói ou vilão poderoso contra o outro, com direito a balões engraçadinhos de narrativa e de um diálogo introdutório fictício entre um editor e um leitor, em que fica muito claro que não existe história, só pancadaria sem freios. Como VS # 1 não se leva a sério, ver as pancadarias entre Homem de Ferro vs Magneto e Coisa vs Namor (essa é clássica!) é bem divertido. Mas é só.

Vingadores vs X-Men #2

VINGADORES-VS-X-MEN-2-300x458Terminado o primeiro round, tanto os X-Men quanto os Vingadores partem para recuperar o fôlego e traçar algum tipo de plano para recuperar Esperança, que desapareceu no final do primeiro número depois que seu poder se manifestou e acabou com a briga. Com isso, os leitores também ganham um bem-vindo espaço para respirar, sem pirotecnias. O bando de roteiristas (Brubaker, Aaron, Bendis, Hickman e Fraction) consegue até manter uma certa coesão na história e, mesmo com a presença de dezenas de heróis, a coisa não fica confusa. De forma um pouco mais razoável do que uma mera rinha de galo como foi o primeiro número, os heróis de ambos os lados se dividem em grupos para achar a mutante perdida e isso permite interações um pouco melhores, menos bagunçadas.

Novamente, porém, os roteiristas traem o espírito do Capitão América. E isso é de se admirar já que um deles é Ed Brubaker, que capturou sem igual o que faz o Capitão ser quem é ao longo de seus 8 anos escrevendo sobre o herói. No outro número, o Capitão se transforma em um cara beligerante, que bate antes de perguntar. Agora, em um entrevero com Wolverine, o Capitão joga sujo literalmente para ganhar do baixinho canadense que, diga-se de passagem, está do mesmo lado dele (!!!). Mas o que realmente tirou minha vontade de ler o número foi a clássica saída de “vamos colocar Wolverine em um posição de destaque”. Não me entendam mal, adoro o personagem, mas ele já foi usado demais pela Marvel. Deixem ele de lado um pouquinho, por favor! Em termos de história, a narrativa não avança muito e o final – com a efetiva chegada da Fênix – poderia ter sido adiantado, mas isso é um mal que acomete um sem número de sagas das duas grandes editoras.

Assim como no primeiro número, o destaque vai mesmo para AvX: VS # 2, que, como já havia explicado é, literalmente, um herói de um lado lutando com um herói do outro sem qualquer preocupação com roteiro. Ou seja, é uma versão mais honesta de tudo que veio antes, que tem pretensão de ser algo muito maior do que é. Assim, vemos uma boa luta do Capitão contra Gambit (um doce para quem adivinhar quem ganha) e do Homem-Aranha contra Colossus que, eu não sabia, transformou-se na versão metálica do Fanático (ridículo, aliás). O clímax do número, com a Fênix literalmente chegando na lua, é muito bacana e dá vontade – mas só um pouco – de ler o que está por vir.

Vingadores vs X-Men #3

VINGADORES-VS.-X-MEN-3-300x458A trama, finalmente, começa a ficar um pouco mais espessa. Considerando que o roteiro, até aqui, tinha a profundidade de um pires, isso, porém, não quer dizer muita coisa. Os heróis se encontram na lua e saem novamente na pancada, mesmo depois de verem Thor se esborrachando por lá, literalmente cuspido pela Força Fênix. Só que Tony Stark tem um plano: ele pretende usar uma gigantesca armadura Caça-Fênix para acabar com a entidade cósmica de vez e todo o número é uma preparação para o choque final, que acaba fazendo com que o poder do bichão seja dividido entre Cíclope, Colossus, Magia, Namor e Emma Frost, que, ato contínuo, se transformam em deuses. Nessa nova capacidade, esses deuses mutantes passam a mudar o mundo. Literalmente.

Mas é aí que a trama passa a ficar interessante. Os super-mutantes têm a capacidade de transformar o mundo todo em uma utopia sem guerras, pobreza, fome e miséria. Mas será que isso é bom? Os Vingadores, então, ficam com a amarga missão de capturar Esperança (novamente) e, possivelmente, derrubar essa utopia. É um conflito interessante, pois os roteiristas tentam mostrar que essa evolução “não-natural” da humanidade pode causar sua destruição. Resta saber o quanto esse assunto será aprofundado no próximo número.

É uma pena, porém, que a pancadaria inicial seja tão vazia, uma mera repetição do que veio antes. A solução de Tony Stark para o “problema” da Fênix é ridícula. Aparentemente, ele só sabe construir armaduras e é necessária uma armadura imensa para lutar contra uma entidade cósmica. Chega a ser engraçado. E o design do que Stark cria é abissal. Terrível mesmo. Ainda bem que, pelo visto, o trambolho é destruído ao final da briga. A segunda parte, com os super-poderosos X-Men tentando reconstruir o mundo, por outro lado, é expositivo demais, com explicações infindáveis sobre o que pode ser feito com o poder da Fênix. Não me entendam mal: havia necessidade de uma pausa para algo mais profundo, mas uma coisa é um roteiro esperto, com diálogos econômicos, outra completamente diferente é um roteiro preguiço que escreve aquilo que poderia só mostrar, tratando o leitor como um idiota.

Em AvX: VS, temos duas divertidas rinhas de galo: Viúva Negra e seus poderes “curvilíneos” contra Magia e seus poderes infernais e Coisa contra Colossus/Fanático. Mais diversão em sua forma mais pura.

Vingadores vs X-Men #4

vingadores vs x-men 4Em uma mudança de direcionamento, os roteiristas dessa saga escondem os Vingadores, que agora são impiedosamente caçados pelos X-Men, na cidade mística de K’un-L’un, lar dos “Punhos de Ferro”. A desculpa da vez é que, em passado imemorial, a Força Fênix foi derrotada pela magia de lá. Assim, os Vingadores fugiram para lá, na tentativa de tentar criar outra arma para lutar contra os X-Men que se tornaram divindades.

Em outra frente, essa bem mais interessante, Namor-Fênix descobre que Wakanda, o país do Pantera Negra está refugiando Vingadores e os ataca, matando milhares. É a primeira vez na saga que sentimos que as ações podem efetivamente ser duradouras para o Universo Marvel, com a criação de uma interessantíssima rivalidade entre duas nações, dois heróis, dois Illuminati e, claro, dois amigos. E, de fato, nós vemos as consequências dessa medida impensada mais para frente, já em Marvel Now!, quando os Illuminati têm que se  reunir mais uma vez para derrotar Thanos. Ao final da batalha, Namor perde seus poderes de Fênix e essa força é redistribuída entre os membros remanescentes do Quinteto Fênix, aumentando o poder de cada um e, também, a ganância por mais poder.

Em AvX: VS, as lutas da vez são Demolidor contra Psylocke e Thor contra Emma Frost.

Vingadores vs X-Men #5

vingadores vs x-men 5A qualidade da narrativa chega ao seu ponto máximo no quinto número, com combates muito mais focados no avanço da história do que na “luta pela luta”. Depois que Thor é capturador por Colossus e Magia, os Vingadores tentam se reagrupar e montam um plano para derrotar os dois. Assim, Capitão América, Pantera Negra, Punho de Ferro, Mulher Hulk, Wolverine, Dr. Estranho e Homem Aranha partem para literalmente lutar no inferno na Terra (criado por Magia). Depois de muito esforço e do sacrifício do Aranha que apanha como boi ladrão, mas consegue, finalmente, jogar Colossus contra Magia usando seu poder mais relevante: sua capacidade de enlouquecer as pessoas falando pelos cotovelos.

Por outro lado, Magneto emblematicamente consegue ver o que está errado com o agora Trio Fênix e passa a duvidar do uso da Força Fênix. Ao mesmo tempo, Esperança finalmente diz a que veio e, usando seus poderes, consegue a mais importante vitória até aqui, no “mano-a-mano” com o Cíclope-Fênix, mostrando que ela é, literalmente, a última esperança dos Vingadores.

Em AvX: VS, o divertimento continua com Anjo enfrentando o Gavião Arqueiro (finalmente algo mais equilibrado!) e Pantera Negra com sua esposa Tempestade.

Vingadores vs X-Men #6

VINGADORES-VS-X-MEN-6--300x458E, finalmente, a saga chega ao fim, ocupando mais páginas do que deveria, mas, assim como no caso da rivalidade entre Wakanda e Atlântida, trazendo consequências mais duradouras ao Universo Marvel: Cíclope, enlouquecido por seu poder, mata o Professor X. Nesse ponto da história, não há mais Vingadores vs X-Men, mas sim Heróis vs Cíclope e Emma Frost e, ao final da primeira metade, com a derrota de Emma Frost, testemunhamos o renascimento da Fênix Negra.

Tudo o que ocorre depois da morte de Xavier soa mais como um longo epílogo, já que a história meio que reverte para o treinamento de Esperança e da Feiticeira Escarlate, para que elas, juntas, possam derrotar a Fênix Negra. A catarse finalmente chega, claro, e a resolução final, com Esperança aprendendo qual é sua verdadeira função nesse jogo cósmico, é interessante pois fecha o círculo iniciado lá em Dinastia M.

Vingadores vs X-Men #7: Consequências

Vingadores vs X-Men 7Se o final da saga já parecia um epílogo, imagine Consequências, que é literalmente um epílogo do epílogo, só que ao longo de 108 páginas.

Cíclope está preso em uma instituição secreta privada só para lidar com prisioneiros como ele. Ele sabe que está lá para ser eliminado eventualmente e, mesmo lá de dentro, trabalha com Magia e Magneto para continuar seu projeto de salvar os mutantes. Infelizmente, porém, esse número se arrasta lentamente repetindo temas, relembrando as novas inimizadas e estabelecendo as premissas para o futuro dos X-Men.

Assim com o #0, Consequências é, em última análise, desnecessário, uma nota de pé de página em uma saga que poderia ter sido contada de forma bem mais econômica.

Vingadores vs X-Men (Avengers vs X-Men, EUA)
Roteiro: Brian Michael Bendis, Matt Fraction, Jason Aaron, Ed Brubaker, Jonathan Hickman
Arte: John Romita, Jr., Olivier Coipel, Adam Kubert
Editora nos EUA: Marvel Comics (de abril a outubro de 2012)
Editora no Brasil: Panini Comics (de março a setembro de 2013)
Páginas: 867 páginas (total)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.