Crítica | 30 Rock – 3ª Temporada

Gosto muito de 30 Rock. Como já disse antes, é uma série que pode ser considerada como a legítima herdeira de Seinfeld, guardadas as devidas proporções, obviamente.

Tina Fey, a criadora do show e roteirista, consegue criar personagens memoráveis, todos discutidos em minha crítica anterior. Apesar de a continuidade não ser essencial para a série, a 3ª Temporada começa logo após os acontecimentos da 2ª Temporada, com Jack Donaghy (o excelente – quem diria! – Alec Baldwin) voltando para trabalhar na NBC. Nessa temporada, as colas que mais ou menos reúnem os episódios são o romance de Jack com Elisa, a enfermeira porto-riquenha de sua mãe, vivida pela voluptuosa atriz Salma Hayek (de Um Drinque no Inferno) e a procura de Jack por seu pai.

A relação entre Jack e Elisa rende momentos muito engraçados, como a forçada confissão de Jack à um padre, tendo em vista que Elisa é profundamente religiosa e as várias gafes racistas com Jack – e outros, inclusive Liz Lemon (Tina Fey) – chamando Elisa de “porto-riquenha”.  Mas o que vale ouro mesmo é a estranha relação de respeito entre Liz e Jack. Um costuma acabar com o outro, sempre falando a verdade, por mais dolorosa que ela possa ser mas os dois nunca se desgrudam.

A sucessão de episódios muito engraçados é impressionante:

– Em Believe in the Stars, segundo episódio da temporada, Liz Lemon volta de Chicado de avião junto com Oprah Winfrey (em uma ótima particpação especial) e passa a seguir cegamente todas as suas instruções, apenas para ter um choque com a revelação impagável ao final (fiquem tranquilos, não vou contar);

– Em Gavin Volure, quarto episódio, que conta com a participação especial de Steve Martin no papel título, Jack visita seu guru, Gavin Volure e Liz o acompanha, somente para descobrir que Gavin é o homem perfeito para ela ter uma relação já que ele não pode ter relação física alguma. Os desdobramentos são memoráveis;

– Em Christmas Special, Liz se engaja em campanha para beneficiar crianças carentes mas, ao entregar os presentes que compra para duas crianças, é recepcionada por dois adultos que, sem cerimônia, arrancam dela os presentes. Ela sai para desmascarar o programa de doações até que dá de cara com seu próprio preconceito;

– Em Flu Shot, Liz se recusa a tomar vacina contra a gripe já que a NBC somente a distribui aos funcionários “mais importantes”, deixando de fora sua equipe. No entanto, sua solidariedade é testada quando a possível gripe ameaça suas férias;

– Em The Bubble, Liz descobre que seu namorado Drew (vivido pelo ator Jon Hamm de Mad Men) vive literalmente na “bolha da beleza” na qual ele é perfeito em tudo o que faz somente porque as pessoas não tem coragem de dizer a uma pessoa tão bonita que ela é péssima em tudo. Esse episódio merece um Oscar de tão bem sacado;

– Em Kidney Now!, o episódio final, Jack organiza um “We Are The World” para conseguir um rim para seu pai. Esse episódio vale mais pela quantidade de participações especiais (até Cindy Lauper) do que pela estória em si.

E por aí vai. Mas, apesar dos vários acertos, 30 Rock cai um pouco de qualidade nessa terceira temporada. Não sei exatamente o porquê, mas alguns episódios parecem perdidos e o fechamento, que nas outras temporadas trazia algo de interessante, deixou muito a desejar. Talvez seja hora de Tina Fey mexer um pouco na estrutura do programa, trazendo algo verdadeiramente novo, talvez até mesmo um personagem para rivalizar seu personagem Liz Lemon, de forma a se criar uma tensão com boas possibilidades de gargalhadas. Talvez ela tenha essa chance agora que a Comcast comprou a NBC/Universal da GE. Isso pode gerar novas situações já que Tina adora brincar com a NBC em seu programa.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.