Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 1X01: Piloto

Agents of S.H.I.E.L.D., série de TV que é um spin-off do mega-ultra-bem sucedido filme Os Vingadores, da Marvel, é, com certeza, a mais esperada do ano. E ela finalmente chega às TVs do mundo. Será que Joss Whedon entregou o prometido e o que costumeiramente faz: uma sólida série de TV?

Bem, a resposta para isso, com base apenas no piloto, é complicada. Afinal de contas, os pilotos têm que apresentar os personagens e a trama em, apenas 40 e poucos minutos. Sim, há uns pilotos melhores do que os outros, mas é normalmente difícil julgar só com base nele.

Além disso, no caso específico de Agents of S.H.I.E.L.D. há o fato que a série é fortemente ligada ao Universo Marvel, especialmente ao filme Os Vingadores e, pelo menos nesse episódio, a determinado aspecto de Homem de Ferro 3. Assim, a série tem essa bagagem para ser melhor compreendia e, em última análise, apreciada em sua integralidade. Há, claro, um esforço de Whedon em estabelecer esse mundo “pós-Batalha de Nova Iorque”, que é como a luta ao final de Os Vingadores passou a ser conhecida. No entanto, tentando me colocar na posição de alguém que não viu Os Vingadores, as explicações dadas são rápidas demais e, talvez, insuficientes.

Se, porém, o espectador conseguir ultrapassar esse problema inicial, o piloto é muito enérgico e não economiza em cenas de ação. Na verdade, há duas cenas grandes e diferentes, em sequência, que mostram a que veio a série. A primeira delas nos apresenta ao Agente Grant Ward (Brett Dalton), em uma sequência no espírito de Missão Impossível e com gadgets que fariam 007 chorar. Em seguida, vemos um novo super-herói surgir (J. August Richards), em uma cena explosiva e cheia de efeitos especiais bastante convincentes para uma série de TV. Palmas para Whedon por já começar assim, sem dar tempo do espectador piscar.

Em seguida, vemos Cobie Smulders reprisando seu papel de Maria Hill da S.H.I.E.L.D., mas não esperem muito aqui, pois ela logo passa o bastão para o Agente Phil Coulson (Clark Gregg) que havia morrido em Os Vingadores. Sua ressurreição é apenas superficialmente explicada no piloto e fica claro que há um mistério maior por detrás. Mas note como pelo menos o piloto é amarrado nos eventos de Os Vingadores.

Bom, o Agente Coulson, então parte para reunir uma equipe ultrassecreta dentro da S.H.I.E.L.D., com, claro, o Agente Grant Ward, os cientistas Fitz (Iain De Caestecker) e Simmons (Elizabeth Henstridge), que são coletivamente conhecidos como Fitz-Simmons e trabalham como se fossem irmãos gêmeos siameses, um completando a frase do outro e a piloto Melinda May (Ming-Na Wein) que também tem um passado misterioso.

Não demora muito e uma civil, Skye (Chloe Bennet), fascinada pelo mundo de heróis e paranóica com a S.H.I.E.L.D. começa a se aproximar tanto do novo super-herói quando de Coulson, ainda que a contra-gosto.

Com tanta gente para apresentar, Whedon, que trabalhou no roteiro com seu irmão Jed, faz um trabalho muito bom, alocando tempo suficiente para estabelecer o “quem-é-quem”, criar algumas camadas de profundidade a cada um dos personagens (com exceção dos dois cientistas que funcionam mais como alívio cômico) e apresentar a trama que segue o espírito leve e brincalhão de Buffy e Firefly. E os Whedon, fãs que são da Marvel, sabem inserir diversas menções ao universo da editora que só os fãs pegarão (fiquem de olhos e ouvidos abertos para o título de uma das primeiras revistas da Marvel, para a menção à identidade civil de uma certa moçoila de cabelos vermelhos, ao uso da frase “com grande responsabilidade…” e, em um toque brilhante, a um determinado tipo de transporte clássico da S.H.I.E.L.D.).

Conhecendo o passado de séries de Whedon, é possível vislumbrar que ele misturará episódios soltos do tipo “vilão da semana”, com episódios dentro da continuidade maior, o que parece mesmo ser a melhor solução para a premissa estabelecida. No entanto, é importante que o showrunner saiba se distanciar do material para fãs, da continuidade do Universo Cinemático Marvel de maneira a não alienar que não conhece esse lado. Ele terá que mostrar que a série consegue viver sozinha, que consegue ficar de pé sem a muleta de tudo que os Estúdios Marvel criaram em volta, sob pena de ele criar algo que não atrairá o público que uma série como essa precisa para sobreviver além de uma temporada. Há material dentro da série – o passado de cada um dos personagens – que permite isso, se ele souber construir o roteiro nessa direção.

Para um começo de série, Agents of S.H.I.E.L.D. promete muita diversão. Resta saber se o universo em que está inserida não atrapalhará.

Agents of S.H.I.E.L.D. – 1X01: Pilot (EUA, 2013)

Showrunner: Joss Whedon

Roteiro: Joss Whedon, Jed Whedon, Maurissa Tanchareon

Direção: Joss Whedon

Elenco: Clark Gregg, Cobie Smulders, Brett Dalton, J. August Richards, Iain De Caestecker,  Elizabeth Henstridge, Ming-Na Wein, Chloe Bennet

Duração: 42 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.