Crítica | American Horror Story – Asylum

estrelas 2,5O formato sequencial que os criadores de American Horror Story, Brad Falchuk e Ryan Murphy, deram à série é um dos mais interessantes adotados nos últimos anos. A proposta geral é que em cada ano do show, um ambiente seja explorado sob uma perspectiva macabra, tendo um ponto de partida polêmico, um mistério insolúvel e uma forte ameaça sobrenatural em jogo.

Na primeira temporada de American Horror Story, o tema foi o da casa assombrada, que funcionou relativamente bem até a reta final, onde colocaram bastante coisa a perder, terminando o ano com uma sequência de episódios “WTF!?”, principalmente se comparados aos bons capítulos exibidos anteriormente.

Assim chegamos à segunda temporada, da qual já tínhamos conhecimento do subtema: Asylum. Isso animou bastante os espectadores, porque um hospício abandonado, visto sob uma perspectiva de flashback, poderia ser um interessante local para uma temporada da série. Possíveis lendas de um passado assustador poderiam servir de base para uma linha narrativa pesada e instigante. Parecia perfeito.

Foi assim que Asylum chegou para nós: sob as mais altas expectativas. E no começo, não fez feio. Em minha critica à premiere da temporada, Welcome to Briarcliff, eu destaquei o quão felizes foram os roteiristas ao nos apresentarem a trama com a força que fizeram. Primeiro, o pretexto com Teresa e Leo em seu tour macabro e sexual pelo asilo abandonado, em 2012; depois, a volta para o ano de 1964, nos tempos áureos do Asylum Briarcliff. Feitas as apresentações, havia muito para se animar. O primeiro episódio ainda trazia cenas musicais inesquecíveis – o que também pudemos ver na 1ª Temporada –, como o tema principal do ano, Dominique, e o Pater Noster, do Voices of Light, que embala uma das melhores cenas de Asylum, uma cena de caráter erótico protagonizada por Jessica Lange, como Irmã Jude.

Mas em alguma momento após o 5º episódio (I Am Anne Frank: Part 2) as coisas perderam o passo. Em primeiro lugar, a ausência constante de cliffhangers nos episódios passaram a me incomodar muitíssimo, e creio que não só a mim. É evidente que havia um motivo para que os roteiros chegassem aos minutos finais do episódio sem um empurrão para o capítulo seguinte, mas, por que diabos não usar de um recurso que só pode trazer benefícios para a série? Não dá para entender.

Mas este ainda não foi o maior problema.

Muito mais do que na temporada anterior, a história se abriu em vários braços narrativos. Alguns deles apresentavam aparente conexão entre si, outros estavam lá por um motivo que esperávamos que fosse justificado ou um mind blowing dos grandes no final da temporada. Só que não eram. Eles estavam lá por algum fator que não fez sentido, e tudo ficou jogado ou mal explicado, a exemplo da trama dos alienígenas (que eu acreditei ser uma metáfora, no início, mas logo logo vi que não era) e a personagem de Joseph Fiennes, o Monsenhor Timothy Howard. Em nenhum dos dois casos podemos dizer que se trataram de histórias úteis dentro da mitologia da temporada, principalmente os aliens. No caso do Monsenhor, acredito que se tivessem apostado na corrida dele para o papado desde o início, algo muito interessante poderia vir daí. Mas aquela ligação estranha com o Dr. Arden, e depois a crucificação foram momentos realmente vergonhosos.

O que me deixa triste é que tivemos nessa temporada atores maravilhosos, e todos – inclusive Jessica Lange – acabaram sendo escanteados para dar lugar a uma história torta, que se endireitava um pouquinho para em seguida cair em desgraça.

A reta final trouxe uma mudança estranha de acontecimentos, e eu ainda estou em conflito sobre o que realmente pensar a respeito. Por um lado, ver a reviravolta na vida de Lana foi incrível, mas não estou certo de que aquele final teria sido o caminho certo para sua personagem. Temo que não.

A segunda Temporada de American Horror Story teve um final mais ou menos igual ao da primeira temporada, só que dessa vez, com o agravante de ter sido mais ambiciosa e apresentado bem mais coisas que saíram errado. Todavia, por pior que tenha sido, os bons momentos deste segundo ano não nos permitem deixar de assistir a série, e pedimo às bruxas que Coven seja uma temporada sem arroubos narrativos, com uma linha de história bem pensada e escrita, porque o tema promete. E muito. Vamos aguardar para ver.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.