Crítica | American Horror Story: Coven – 3X01: Bitchcraft

estrelas 4Quem conhece e está acostumado com o estilo de Ryan Muprhy sabe que, quando o cara quer fazer algo bom, o próprio consegue se superar. Foi assim com sua série de estreia, a fantástica Nip/Tuck e com o musical “adolescente” Glee (que hoje em dia, se encontra numa situação lamentável), mas American Horror Story talvez seja aquela criação de Ryan que melhor comprova seu talento como um exímio contador de histórias.

Na primeira temporada, tivemos uma inovação em estética e narrativa com a história da família vivendo numa casal mal-assombrada e marcada por diversas tragédias. Na segunda temporada,  a série retrocedeu no tempo mas ganhou um novo salto de inventividade com o ambiente do sanatório Briarcliff e ambiente fantasmagórico e extremamente assustador, onde diversas eram as possibilidades em se criar situações verdadeiramente bizarras. Já esta terceira temporada, intitulada Coven, em sua sequência de abertura, já diz a que veio: após descobrir que uma de suas três filhas mantinha relações com um dos servos de sua casa, Madame LaLaurie (Kathy Bates, simplesmente fantástica) leva o escravo para seu porão, onde já havia aprisionado milhares de outros servos (um deles com a boca lacrada com uma boa quantidade de fezes dentro), e numa atitude surreal, coloca em seu servo uma cabeça de touro, transformando-o numa espécie de Minotauro: metade homem, metade touro. Tudo isso no ano de 1834.

Já na atualidade: Zoe (Taissa Farmiga, em muito lembrando sua personagem na primeira temporada, Violet) é enviada por seus pais para uma espécie de “internato” quando descobre quem, na verdade, é uma bruxa, cuja habilidade a torna incapaz de manter relações sexuais com o sexo oposto, já que isto os leva à morte. Na tal escola de bruxas, Zoe conhece a protetora do lugar, Cordelia Foxx (Sarah Paulson) e as outras bruxas Nan (Jamie Brewer, eternamente fofa), Queenie (Gabourey Sidibe) e Madison (Emma Roberts, insuportável), cada uma com alguma habilidade específica.

E mesmo com este elenco feminino nada menos que espetacular (o próprio Evan Peters acaba ficando apagado em meio a tantas presenças estonteantes), as atenções acabam se voltando para ela, aquela que é alma de American Horror Story: Jessica Lange. Fionna Goode, conhecida como a Suprema dentre as bruxas (aquela que reúne todas as habilidades) não deve em nada Irmã Jude ou Constance, por exemplo, trazendo consigo um nível muito bem balanceado de maldade, sensualidade e sarcasmo que apenas uma atriz do calibre de Jessica Lange conseguiria traduzir. Uma atuação magnética e diga de todos os Emmys do mundo.

Como de costume, somos presenteados com um espetáculo visual e sensorial jamais vistos em quaisquer produções similares: planos-sensoriais espetaculares, um virtuosismo técnico brilhante, cenas angustiante e ao mesmo tempo fascinantes (a cena do estupro coletivo traz consigo um extremismo mais do que bem-vindo), diálogos afiadíssimos (“Não me faça demolir uma casa sobre você”), trilha sonora marcante e, claro, um trabalho alegórico maravilhoso sobre os mistérios que cercam o sexo feminino desde os tempos antigos.

Depois de um piloto como este, que nos entrega tudo a que temos direito (e conhecendo Ryan Murphy, muita coisa ainda nos aguarda), não tem como não dizer: esta promete ser a melhor temporada de todas.

American Horror Story: Coven – 3×01: Bitchcraft

Showrunner: Ryan Murphy e Brad Falchuk

Roteiro: Ryan Murphy e Brad Falchuk

Direção: Alfonso Gomez-Rejon

Elenco: Jessica Lange, Kathy Bates, Angela Basset, Sarah Paulson, Evan Peters, Lily Rabe, Taissa Farmiga, Emma Roberts, Chiaki Kuriyama, Denis O’Hare, Frances Conroy, Alexandra Breckenridge, Jamie Brewer, Patti Lupone, Gabourey Sidibe

Duração: 48 min.

RAFAEL OLIVEIRA. . . .Cinéfilo ainda em construção, mas que já enxerga na Sétima Arte algo além de apenas imagens e som. Amante de Kubrick e Hitchcock e viciado em música indie, cético e teimoso, mas sempre aberto para novas experiências e estranhas amizades.