Crítica | American Horror Story: Coven – 3X06: The Axeman Cometh

estrelas 4,5Um dos principais (e mais deliciosos) costumes de American Horror Story sempre foi o de fundir fatos e histórias verídicas com suas tramas ficcionais, a fim de trazer um charme a mais para suas histórias e seus seguimentos. Em Murder House, a série brincou com a lendária figura da Dália Negra e se inspirou no trágico massacre de Columbine para reproduzir uma chocante sequência de assassinato em massa num colégio. Em Asylum, tivemos Anne Frank, uma adolescente alemã que morreu num campo de concentração, marcou presença. E agora, em Coven, temos a figura de O Bárbaro, um serial killer que aterrorizou Nova Orleans (cidade onde a série está sendo gravada) no ano de 1919, onde assassinava pessoas com um machado. Numa carta do mês de março daquele ano, o assassino declarou que era fã de jazz, e que as casas que estivessem tocando músicas deste ritmo seria intocadas naquela noite. Brincando com este fato ao seu bel favor, o episódio nos mostra O Bárbaro entrando numa casa que não havia obedecido as regras de sua carta, e lá dentro acaba sendo assassinado por um grupo de bruxas que, logo descobrimos, era o clã da academia de bruxas onde hoje residem Zoe, Queenie e Nan.

Até o momento, Coven tem se mostrado a temporada com os melhores diálogos e o melhor desenvolvimento dentro de seu tema abordado. Com exceção do episódio anterior, que pouco acrescentava, tivemos um seguimento bastante correto dos plots apresentados, onde cada ponta se interligava de forma inteligente, criando uma forte corrente de lógica dentro daquele universo. A adição deste serial killer não foge à regra, e nos traz consequências interessantes e há muito esperadas, como o retorno de bitch Madison.

Curioso mesmo é notar a importância da presença do personagem assassino, que sendo invocado acidentalmente por Zoe, Nan e Queenie, ressurge como um opressor da força feminina, uma forma da figura masculina de se impor perante presenças que, com o passar do tempo, foram adquirindo força e espaço dentro de um mundo governado pela força bruta do sexo masculino. Um contraponto extremamente coerente e analisado de forma correta por suas duas vertentes, já que ao ser definitivamente libertado por Zoe após quase matar Cordelia, surge como um novo envolvimento para Fiona e, consequentemente, mais um impulso para a constante decaída da nossa Suprema.

Interessante ressaltar a maneira com que Fiona tem sido humanizada nos últimos episódios: antes aparentemente imbatível, vemos agora uma Fiona frágil, vulnerável e emocionalmente instável (e só agora a cena do bebê morto no episódio anterior ganha algum sentido mais profundo). E Jessica Lange, uma atriz de calibre, consegue traduzir muito bem a angústia de Fiona diante de sua decaída física e emocional.

The Axeman Cometh dá espaço aos personagens e plots necessários, levando a trama à frente de maneira bastante esperta e criando grandes expectativas para o que pode vir a seguir. Obviamente, sente-se a falta de um destaque maior para personagens que pouco tem oferecido até aqui, como Queenie, Kyle (este já um personagem irritante) e Misty Day (uma pena o talento de Lyli Rabe estar sendo desperdiçado num papel tão ofuscado). De qualquer forma, este se firma como um dos melhores episódios desta temporada, trazendo surpresas, reviravoltas (finalmente descobrimos o segredo do marido de Cordelia), adições fascinantes e aquele clima aterrorizante que tornam American Horror Story um dos melhores seriados exibidos atualmente.

American Horror Story: Coven – 3X06: The Axeman Cometh
Showrunner: Ryan Murphy e Brad Falchuk
Roteiro: Douglas Petrie
Direção: Michael Uppendahl
Elenco: Jessica Lange, Kathy Bates, Taissa Farmiga, Emma Roberts, Angela Bassett, Evan Peters, Sarah Paulson, Josh Hamilton, Lyli Rabe, Gabourey Sidibe, Jamie Brewer, Denis O’Hare, Frances Conroy, Danny Huston
Duração: 43 min.

RAFAEL OLIVEIRA. . . .Cinéfilo ainda em construção, mas que já enxerga na Sétima Arte algo além de apenas imagens e som. Amante de Kubrick e Hitchcock e viciado em música indie, cético e teimoso, mas sempre aberto para novas experiências e estranhas amizades.