Crítica | Call the Midwife – 1ª Temporada

estrelas 4

Produzida para a BBC pela Neal Street Productions, do diretor Sam Mendes, Call the Midwife, lançada em 15 de janeiro de 2012,  foi a série nova de maior sucesso no canal BBC One desde 2001. Esse sucesso talvez possa ser explicado pela atmosfera de esperança que permeia a série, além das excelentes atuações de um elenco irretocável.

Passada na década de 50 no empobrecido distrito de East End, em Londres, a série conta as desventuras de um grupo de parteiras que vivem sob o comando de um convento local. Batalhando contra as piores condições sanitárias, preconceitos e locomovendo-se por meio de simples bicicletas, as corajosas parteiras enfrentam de tudo para trazer à luz as crianças e para cuidar das mães antes e depois do parto.

Call the Midwife é baseada no livro de memórias homônimo de Jennifer Worth, conhecida pelo nome Jenny Lee à época. E é Jenny Lee, vivida por Jessica Raine, que narra e protagoniza a série, como uma enfermeira de classe média alta com passado amoroso misterioso que vai para o convento ajudar os pobres primeiro para fugir de tudo e todos e, depois, por amar o que faz. Jenny não sabe onde está se metendo no início e é a partir de seu ponto de vista inocente e deslumbrado que nós espectadores somos inseridos nas mazelas da região e aprendemos sobre as dificuldades que as enfermeiras têm que enfrentar.

Jenny Lee logo faz amizade com Trixie (Helen George), enfermeira jovem ainda, mas mais experiente em todos os sentidos do que Jenny e com Cynthia (Bryony Hannah) também já moradora do convento e extremamente séria e compenetrada. Não demora muito e logo chega para se juntar ao grupo a grandalhona, desajeitada, mas extremamente bondosa enfermeira Chummy (Miranda Hart), vinda de uma família aristocrática e dominadora. As quatro vivem em harmonia com as freiras do convento, que incluem a Irmã Julienne (Jenny Agutter), experiente chefe da operação das parteiras, Irmã Evangelina (Pam Ferris) que tem o mesmo tipo de origem das pessoas que elas agora cuidam e a Irmã Monica Joan (Judy Parfitt), uma das primeiras a se qualificar como parteira e já não completamente em controle de suas faculdades mentais.

Com personagens adoráveis, a série ainda triunfa ao misturar consistentemente os problemas da comunidade com problemas pessoais tanto das enfermeiras quanto das irmãs, seja no lado amoroso, seja no lado prático da vida. Elas funcionam como uma família e tentam resolver seus conflitos dessa maneira, unidas e sempre com um sorriso no rosto, por pior que seja a situação. As situações envolvendo Chummy são, talvez, as mais divertidas, pois ela não se dá valor e é insegura (graças à dominação da mãe), mas, em um acidente de bicicleta envolvendo um policial, os dois acabam se apaixonando. Seguir essa paixão e suas consequências é um dos prazeres da série, que ainda guarda surpresas em relação à Jenny e à Irmã Monica Joan.

A reconstrução histórica de East End é convincente, sem que a produção tenha se esmerado em usar computação gráfica sem necessidade. Como a atmosfera é intimista, muitas das filmagens foram feitas em locação e pequenos becos foram suficientes, muitas vezes, para recriar os anos 50 em Londres. É um trabalho parcimonioso de aplicação do orçamento, que foca muito mais nos figurinos e nos pequenos detalhes do que em grandes tomadas somente para mostrar valor vazio, como se faz muito hoje em séries.

A temporada, em rápidos seis episódios, nos dá medidas exatas de ternura, História (essa com H maiúsculo mesmo), biografia e esperança. Mais um triunfo britânico que não deve ser perdido.

Call the Midwife (Reino Unido, 2012)
Showrunner: Heidi Thomas
Direção: Philippa Lowthorpe (eps. 1 a 3), Jamie Payne (eps. 4 a 6)
Roteiro: Heidi Thomas (eps. 1, 2 e 6), Jack Williams (ep. 3), Esther Wilson (ep. 4), Harriet Warner (ep. 5)
Elenco: Jessica Raine, Miranda Hart, Helen George, Bryony Hannah, Laura Main, Jenny Agutter, Pam Ferris, Judy Parfitt, Cliff Parisi, Stephen McGann, Ben Caplan
Duração: 355 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.