Crítica | Camelot – Série Completa

estrelas 1,5

São muitas as adaptações para a história do Rei Arthur. Seja na literatura, cinema ou na  televisão, as lendas medievais desse rei e seus cavaleiros encantam o imaginário popular e atraem a visão de muitos espectadores a cada nova tentativa de recontá-las. No caso da série Camelot, produzida pelos canais Starz e TV GK, o sucesso parece ter passado bem longe de sua fraca e insossa versão dessa história, tendo como resultado, o cancelamento do show  imediatamente após a exibição do décimo episódio.

O Piloto (Homecoming) aborda a volta de Morgana para o reino de seu pai Uther, após ser banida. Rejeitada e humilhada pelo pai, ela decide envenená-lo e, com a morte dele, estabelece uma série de alianças para conseguir chegar ao trono. É então que o mago Merlin vai ao interior do país em busca do filho bastardo de Uther com a rainha Igraine, o jovem e irresponsável Arthur. Está lançada a sorte dessa briga familiar que custará a vida de muitos inocentes e trará à tona os verdadeiros interesses dos aliados ao novo rei.

Ao ler a sinopse do episódio piloto, é possível vislumbrar alguma coisa do que a série promete (eis a intenção do Piloto), mas o ânimo do espectador perde-se já a partir do segundo episódio (The Sword and the Crown), e segue em queda de qualidade nos episódios seguintes, retomado um pouco a força apenas no final do sétimo episódio (The Long Night). A série se dispersa em sua trama, e acaba atirando para todos os lados a fim de encontrar um caminho seguro para seguir, mas o acaba encontrando tarde demais.

 Os Personagens / As Atuações

O primeiro erro da produção de Camelot foi escalar o ator Jamie Campbell Bower (o Caius, da saga Crepúsculo) como Rei Arthur. Para um produto de televisão, especialmente os que pretendem adaptar uma lenda de tão grande força, escalar um ator inexperiente e muito novo foi um erro. Bower é tão insatisfatório em seu papel, que somos muito mais atraídos pela personagem de sua irmã, Morgana, muitíssimo bem interpretada por Eva Green. A evolução e desfaçatez da vilã recebe as melhores nuances na pele da atriz, que além disso, não tem ressalvas quanto a mostrar o seu belo corpo nu em alguns episódios, embora a maior parte da nudez contida na série seja apenas um trampolim vazio para o nada.

Além de Morgana, as personagens femininas que nos chamam a atenção pela força de sua composição é a da Rainha Igraine e da freira Sybil, interpretada pela experiente e maravilhosa Sinéad Cusack. Das outras personagens femininas relevantes temos apenas mais duas: Guinevere e Vivian. No caso da primeira, a atuação de Tamsin Egerton é, num cômputo geral, insatisfatória. Apenas no episódio dedicado inteiramente à sua personagem (Guinevere, episódio 3), podemos perceber algo além da leitura de falas e movimentação pelo cenário. A personagem é pouco simpática e raramente consegue tornar uma cena em que aparece satisfatória. No caso de Vivian, a atriz zimbabuana Chipo Chung mantém uma ótima postura enigmática, o que faz de sua personagem uma boa coadjuvante.

Das atuações masculinas já citamos o catastrófico protagonista. Mas Bower não é o único odiado da série. Joseph Fiennes, no papel de Merlin, alcança o segundo posto. Isso porque sua personagem é tão insegura, “fraca” e indecisa, que contrasta com o homem aparentemente poderoso que se viu no episódio Piloto. Algumas atitudes de Merlin causa raiva ao espectador, especialmente a sua recusa em usar magia. Um mago que não usa magia não pode ser um mago! Morgana, nesse sentido, é muito mais respeitada na série por  fazer uso da magia (negra) para alcançar os seus propósitos. Merlin é medroso e fraco e é de se contar em uma única mão as vezes que ele usou seus poderes para algo realmente importante para a história. Sobre a atuação de Fiennes não há muito o que dizer a não ser que o ator já interpretou personagens bem melhores. Há alguns episódios onde se apresenta muito bem, mas a maioria é realmente passável.

 A Produção

Em termos de orçamento, Camelot não foi uma série desprovida de recursos, e isso é perceptível na dimensão do cenário e na quantidade de takes e câmeras usados nos episódios. O desenho de produção e a direção de arte não são o que podemos chamar de obra-prima, mas em alguns episódios são absolutamente impactantes. Um fato curioso sobre a equipe técnica é que a série contou com uma mais ou menos fixa.

A direção de fotografia dos dez episódios ficou a cargo de Joel Ransom, fotógrafo de produções televisivas desde a fraca série canadense Neon Rider (1985 – 1995). Ransom imprime pouca identidade ao seu trabalho aqui. Os únicos momentos puramente inspiradores são as festas orgíacas nos palácios de Pendragon ou Camelot; as cenas oníricas; as tomadas crepusculares e as tomadas litorâneas. O diretor parece ter um apreço por luzes fracas e incandescentes, mas não vai muito além de uma exposição bela dessa preferência.

A música da série é um dos raros itens técnicos realmente muito bons, tendo os incríveis irmãos Jeff e Mychael Danna como responsáveis. A indicação ao Emmy (embora não tenha levado o prêmio) foi justa. Os figurinos de Joan Bergin também entram nessa categoria, não havendo um único choque dramático ou cênico entre a escolha de um modelo ou cor. Ainda elejo The Tudors como a obra-prima televisiva de Joan Bergin, mas guardadas as devidas proporções, seu trabalho em Camelot não faz nem um pouco feio.

A produção artística de Tom Conroy me incomodou um pouco. Parece impossível acreditar que o diretor de arte de Café da Manhã em Plutão e The Tudors tenha deixado se levar por tanta facilidade decorativa ou pelo excesso a fim de preencher um espaço vazio na tela.

Seis roteiristas e quatro diretores são os responsáveis por essa primeira e última temporada de Camelot. A série poderia ter dado certo se depois do Piloto, as coisas não tentassem abarcar toda a Bretanha e as suas dores. Muito conflito vazio deu lugar a verdadeiros dramas familiares e a má construção e escolha dos protagonistas e coadjuvantes assíduos ajudaram a derrubar mais essa nova versão da história do Rei Arthur. O ótimo último episódio (Reckoning), é um exemplo do que a série poderia ter sido caso tivesse feito bom uso da história que tinha em mãos. Não se trata uma série puramente descartável, mas digamos que é um produto a que se usar uma única vez, e mesmo assim, com muita paciência, pois os efeitos anunciados na propaganda não chegam nem perto dos bons resultados prometidos.

Camelot (Irlanda, EUA, Reino Unido e Canadá) — 2011
Criador: Chris Chibnall
Direção: Mikael Salomon, Stefan Schwartz, Ciaran Donnelly, Jeremy Podeswa, Michelle MacLaren
Roteiro: Chris Chibnall, Michael Hirst, Thomas Malory, Louise Fox, Terry Cafolla, Steve Lightfoot, Sarah Phelps
Elenco: Joseph Fiennes, Jamie Campbell Bower, Tamsin Egerton, Peter Mooney, Philip Winchester, Eva Green, Diarmaid Murtagh, Clive Standen, Claire Forlani, Jamie Downey, Chipo Chung, Sinéad Cusack, Lara Jean Chorostecki
Duração: 45 min. (cada episódio)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.