Crítica | Continuum – 2ª Temporada

estrelas 4,5A segunda e eletrizante temporada de Continuum trouxe um grande número de mistérios para a mitologia da série, fazendo da viagem no tempo uma brincadeira perigosa e capaz de deixar vítimas – inocentes e culpados – pelo caminho. A base do show, que na temporada anterior, teve o presente como foco principal dos roteiros, ou melhor, a dinâmica do “alterar o presente para mudar o futuro”, foi elevada a um patamar bastante complexo de intrigas, relações familiares, comerciais e ideológicas, trazendo não só o ingrediente nuclear da 1ª Temporada, mas adicionando outros tempos, outras timelines e outros interesses.

A preparação para a reta final da temporada e toda a reviravolta vinda com o episódio Second Time foi inserida elemento por elemento ao longo dos meses, o que, por um lado, teve efeito negativo para o espectador. Em alguns episódios, não tínhamos certeza nenhuma de qual era o caminho que a série estava seguindo, tamanha a diversidade de pontos de vista e núcleos de ação trabalhados. Nessa linha, a organização dramática dos capítulos tinha um papel importante, uma vez que traziam a estratégia de destaque para um único personagem ou um lado das facções. A trama exibida na semana anterior era interrompida e dava lugar a outra, num arriscado jogo de “lançar vários pontos para ligá-los no fim”.

Mas deu certo. Mesmo que o desenvolvimento da temporada tenha sido dramaticamente caótico devido a descentralização do foco narrativo e uma enorme quantidade de coisas novas, não se tratava de um caos sem sentido, isso era possível antever e imaginar. A essência da série, que é a viagem no tempo, pairava em todas as histórias individuais, o que dava sentido à maior parte das coisas. Por outro lado, pequenos dramas investigativos foram inseridos sem um sentido específico, uma espécie de filler necessário para que não se revelasse coisas demais antes do tempo. Não precisava ser assim, e evidentemente esses dramas acumularam pontos negativos para a temporada, mas diante de toda a qualidade dos episódios, tais pontos esmaeceram.

Podemos dizer que além desse segundo ano de Continuum trazer uma nova perspectiva para o caminho inicial da série, tivemos uma grande atenção no aprofundamento psicológico das personagens, com destaque para Kiera e Alex. Descobrimos alguns segredos, amores, amigos e um novo modo de olhar cada um dos interessados em mudar o futuro ou impedir algum desastre vindo da manipulação criminosa ou acidental do tempo. Assim, além de personagens com maiores motivações para agir, acompanhamos a raiva e a benevolência surgirem e desaparecem de cena, ao passo que o Liber8, os Freelancers, Esher, Kiera, Alex, Carlos, Betty e Julian foram (re)definidos, tendo que lidar com os caprichos do tempo e dos planos que eventualmente não davam certo.

O episódio final é um daqueles inacreditáveis produtos feitos para a TV em que você fica preso na cadeira, e após os créditos finais, tenta digerir tudo aquilo que acabou de ver, já ansiando pela próxima temporada. Alex e sua mudança para o futuro (ou sabe-se lá que tempo, já que não podemos ter certeza de que o dispositivo funcionou direito); a prisão de Kiera e Kellog naquelas aterradoras celas; a chegada de Carlos e Betty na casa de Julian e a divulgação dos dois novos inimigos públicos são elementos o bastante para fazer qualquer um enlouquecer. Algumas perguntas ainda ficaram no ar, mas elas não deveriam ser mesmo respondidas. Não agora. A série está boa demais para querermos a explicação de todos os seus mistérios.

E para finalizar, vale dizer que a grande melhoria no uso de efeitos especiais e toda a nova trama só adicionam qualidade ao show, que promete um ótimo, explosivo e manipulador futuro (ou passado, ou presente…). Até lá, é tempo que tenhamos recolhido todos os nossos neurônios que ficaram espalhados pelo chão depois dessa season finale.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.