Crítica | Dexter – 2ª Temporada

Quando fiz meus comentários sobre a primeira temporada de Dexter não achava realmente que os criadores da série conseguiriam manter a qualidade. E, de fato, manter eles não mantiveram. Eles, na verdade – e fico muito feliz em dizer -, aperfeiçoaram ainda mais o que já era muito bom. A série, hoje, é uma das melhores da televisão, sem sombras de dúvida. Aliás, cada vez mais chego à conclusão que, hoje, a televisão vem oferecendo muito mais consistência em termos de qualidade de seus produtos do que o cinema, mas isso fica para um outro comentário separado…
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Dexter Morgan (o excelente Michael C. Hall), como todos devem saber, é um especialista em padrões de espirros sangue (blood splatter) da polícia de Miami. Ele consegue, apenas com um breve verificação do sangue de uma cena do crime, deduzir tudo o que deve ter acontecido por lá. Até aí, nada demais. O que faz essa série ser genial é que Dexter, ao mesmo tempo, é um serial killer, alguém que efetivamente tem a necessidade psicológica de matar outros seres humanos para se satisfazer. Como se isso não bastasse, Dexter mata seguindo as rígidas regras do Código de Harry, seu pai, um policial já falecido. Harry detectou esse “probleminha” com o filho e percebeu que não dava para curar. Assim, ele criou regras rígida sobre quem Dexter poderia matar (apenas assassinos) e como (técnicas para impedir que Dexter fosse localizado, como plastificar todo o ambiente).
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Na primeira temporada, vimos Dexter se deparar com um inimigo igual a ele: outro serial killer, mas que mata retirando todo o sangue da vítima. A investigação da polícia e a investigação paralela de Dexter, até a terrível revelação, são muito bem construídas. Acabamos descobrindo, na verdade, que Dexter não é totalmente sem coração como parece ser o caso no começo da temporada.
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Na segunda temporada, mergulhadores acham, sem querer, um cemitério no fundo do mar e logo a polícia de Miami está às voltas com outro serial killer, apelidado de Bay Harbor Butcher. Acontece que esse outro serial killer é o próprio Dexter e a temporada toda é uma eletrizante investigação, envolvendo o FBI também, sobre a identidade do assassino. Como é que Dexter vai conseguir sair dessa, se é que ele consegue sair? Cada capítulo dessa temporada (apenas 12 episódios, todos relevantes para a série, o que é raro) é de deixar qualquer um desesperado pelo próximo.
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As habilidades de Dexter são postas à prova ao extremo, ao mesmo tempo que ele encara um problema muito particular: a dúvida sobre quem exatamente ele é. Essa busca pela identidade própria é magistralmente inserida dentro do contexto maior da busca pelo assassino.
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Se há um defeito nessa série é sua resolução um pouquinho, digamos, forçada. É inteligente e bem feita mas ficou a impressão que poderia ter havido menos influência de fatores externos, como a sorte, por exemplo. Mas, de forma alguma, o final estraga a sensacional jornada. Não sei se é sadio mas Dexter nos faz torcer pela sobrevivência de um assassino brutal. A última vez que senti isso foi assistindo The Silence of the Lambs.
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Eu achava que a segunda temporada não poderia ser melhor que a primeira mas foi. Agora, vai ser realmente difícil que a terceira seja ainda melhor que a segunda pois a segunda meio que fecha um círculo, termina o arco iniciado na primeira temporada. Mas, a julgar pelo passado, só tenho a esperar o melhor do que vem pela frente.
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Uma última coisa que mencionei em minha crítica da primeira temporada: a sequência de abertura dessa série é sublime; um exemplo absurdo de criatividade. É um prazer deixar a abertura passar a cada começo de episódio, diferente do fast forward que faço com quase todas as outras…
RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.