Crítica | Dexter – 3ª Temporada

Quem acompanha esse blog já percebeu que eu gosto muito da série Dexter, sobre um serial killer que só mata assassinos. Enquanto aprimeira temporada trata de Dexter Morgan (Michael C. Hall) enfrentando seu “oposto”, a segunda fecha com perfeição o círculo, com uma caçada sensacional ao próprio Dexter.

Na terceira temporada, tudo já está mais calmo na vida de Dexter, que continua sendo especialista forense em padrões de “espirro de sangue” (blood splatter). Como todos que acompanham a série, Dexter segue o Código de Harry, criado para ele por seu pai policial que identificou no filho essa compulsão para matar e a dirigiu para fins, digamos, edificantes. Mas o grande gancho para a terceira temporada é a desobediência de Dexter ao Código e o que isso acaba acarretando: Dexter mata alguém que não deveria matar.

Mas os roteiristas não repetem a fórmula da segunda temporada. Esse pessoal é bom demais para recorrer a uma saída fácil dessas. Dessa vez, depois de catalisar diversos eventos com a morte não planejada, Dexter começa a ficar amigo do Promotor Público Assistente, Miguel Prado, vivivdo pelo ótimo Jimmy Smits. Essa amizada não é o tipo de amizade que ele tem por sua irmã (Debra, vivida por Jennifer Carpenter) ou por qualquer outra pessoa que nós, espectadores, talvez possamos considerar como amigo de Dexter. Para o próprio Dexter, sua vida não precisa de amigos e o Código de Harry não permite essa aproximação.

No entanto, apesar de ser constantemente lembrado por seu pai em sonhos e pensamentos, Dexter desobedece o Código de Harry mais uma vez e parte para uma aproximação maior com Miguel Prado. Será que Dexter encontrou alguém com quem ele pode compartilhar seus segredos mais íntimos? Será que o dark passenger que vive em Dexter encontrou um irmão?

Ao lado das divagações sobre amizade e confiança, Dexter tem sua relação com Rita (a bela Julie Benz) intensificada. Ela descobre que está grávida e Dexter tem que saber se assume o papel normal de marido e pai ou se se afasta completamente. Nós sabemos que ele é um serial killer que se auto-denomina sem emoção alguma mas que, na verdade, tem muito coração. Mas será que Dexter pode ser marido e pai?

Por trás dessas duas situações, surge ainda um assassino, apelidado de Skinner. Seus motivos ficam em segredo basicamente até o último episódio mas sua existência não apagou para mim a impressão de que ele foi colocado na trama de maneira forçada, pouco natural. Talvez os roteiristas tenham concluído que a relação de Dexter com Miguel não seria suficiente para segurar a série e nisso eles estavam corretos. Apesar dessa relação ser muito bem explorada e resolvida, ela não traz a emoção e ação suficientes que a série exige, mesmo em meros 12 episódios.

A resolução do caso Skinner é também apressada, pois tudo acontece, basicamente, no último episódio. Teria sido melhor explorar mais essa questão em dois episódios.

Mas isso não quer dizer que a terceira temporada é ruim. É apenas menos sensacional que as outras duas. Isso já é um grande feito, podem ter certeza.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.