Crítica | Episodes – 2ª Temporada

estrelas 4

“Segunda chance” não é uma expressão muito recorrente na vida de espectadores de séries. Há tanta coisa para ver e tão pouco tempo disponível, que temporadas que não apresentam resultados muito interessantes acabam sendo deixadas de lado em detrimento de outros shows, novos ares, novas alegrias ou decepções televisivas. Quando a Primeira Temporada de Episodes (2011) terminou, eu relutei bastante sobre o futuro da série. Apenas a maravilhosa impressão inicial me fez voltar para ver o que seria desse segundo ano, e devo dizer que não poderia ter feito melhor escolha.

Exatamente o aspecto que empurrou a série para um outro rumo, no meio da temporada anterior, trouxe agora uma identificação familiar e muito mais cômica para os episódios, estabelecendo forte contato com o espectador e não deixando de fora, um momento sequer, a contextualização com a série dentro da série, tal como fizeram no ano passado. Se agora lidamos com intrigas e brigas familiares em grupos específicos de personagens, toda a produção de Pucks! sofre consequências ou tem algum papel em tudo isso, direta ou indiretamente. É nesse momento que podemos falar de uma temporada que explora bem a metalinguagem.

Os criadores e roteiristas da série, David Crane e Jeffrey Klarik, apostaram bastante na inteligência dos casos no mundo do show business, e mais inda no diretor Jim Field Smith, que dirige os nove episódios da temporada.

Nesse ano, vimos um maior espaço para a fineza do “humor britânico”, que entre a inteligência e o sarcasmo, explora o silêncio. Quem acompanha séries sabe muito bem que o terror de roteiristas e diretores é deixar o mínimo de silêncio sequer, sem trilha de fundo, sem interferência sonora além do set de filmagem… Nessa temporada de Episodes, temos segundos e segundos de silêncio, em altíssimos pontos constrangedores. A única interferência desses momentos silenciosos entre Sean e Beverly é a montagem, que acompanha em campo/contracampo as reações e os olhares cheios de significado mas que não dizem nada. A palavra é suprimida algumas vezes em favor da expressão, uma qualidade de ouro e raríssima em comédias contemporâneas.

Tendo a produção de Pucks! como um elemento fixo, que acaba se enraizando para a vida pessoal e conjunta dos atores e equipe de produção, Episodes ganha qualidade explorando aquilo que tem de mais interessante em seu argumento: a metalinguagem. Mas não apenas a citação ou a colocação pura e simplesmente de um elemento qualquer. Lembremos do episódio em que Matt LeBlanc (o personagem, não o ator) diz que foi ao enterro de Orson Welles, o “grande acontecimento” que marcou sua chegada a Hollywood. A sequência é culturalmente riquíssima, com um significado cinematográfico e pop que se aplica a Episodes, a Pucks! e àquelas personagens, com sua percepção diferente em relação ao mestre do cinema. Observe que a metalinguagem é trabalhada interna e externamente, algo que só foi feito no início da temporada anterior, mas que nesse segundo ano, se estendeu por todos os episódios.

Depois do Globo de Ouro, vemos Matt LeBlanc mais à vontade com ele mesmo, mais “posudo”, o que conferiu uma postura totalmente canalha à sua “interpretação”, e lhe garantiu uma participação muito boa na temporada, embora eu não o ache um bom ator. Mas os louros certamente vão para Tamsin Greig e Stephen Mangan, o casal protagonista que dá um show de interpretação e concentra muito do humor da série, seja por eles mesmos, seja pelas pessoas que estão ligadas a eles, como a secretária blasé ou a hilária consultora de comédia da Emissora.

A segunda temporada de Episodes é simplesmente apaixonante, algo para ser posto na lista de melhores temporadas de séries de comédia. A coreografia da luta final, a “mesma” luta que me pareceu desnecessária na primeira temporada, volta agora no Finale com pleno significado: o mundo do show business é assim, uma hora você está discursando maravilhosamente por um prêmio recebido, minutos depois você desloca o braço de um dos atores de sua série de TV. É de fato um incrível retrato da loucura nos bastidores. E não poderia haver nada mais instigante para um espectador de séries.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.